Losing my Humanity

22 Cap. 21 ─ Possibilities


Notas iniciais
Oi gente boa :3 Tá ai mais um cap, e esse ficou grandão!!! Espero que gostem, levei uns dias pra fazer mas não gosto de demorar muito pra postar pq sempre fico mudando alguma coisa

Chegado à frente de minha casa, fico parada pelo menos dois minutos encarando a porta da frente. Eu não havia parado pra pensar realmente na conversa que meu pai tentou ter comigo, mas agora as palavras dele pareciam ganha peso dentro da minha cabeça.

Eu apenas não queria entrar e ter de encara-lo, ou mesmo minha mãe. Eu entendia que eles se preocupavam comigo, e já tiveram experiências terríveis, e provavelmente sofreram muito com meu sequestro e tudo mais, mas eles não pareciam perceber que quanto mais eu tentava ficar longe de todos, pior eu ficava.

Giro a maçaneta levemente na esperança que a porta esteja trancada e eu seja obrigada a escalar até a janela do meu quarto e não precise ver ninguém, mas ela se abre. Entro devagar, tentando não denunciar minha chegada, e tiro meu moletom bem devagar, depois puxo as botas dos pés uma por uma quietamente.

Começo a caminhar praticamente nas pontas dos pés, indo na direção da escada, olhando bem pra frente, quando escuto a voz da minha mãe ,vindo da sala de estar:

─ Julie, pode vir aqui, por favor?

“Droga! Droga, droga, droga!” foi tudo o que consegui pensar.

─ Acho que todos concordamos que precisamos conversar ─ minha mãe começa, com os óculos pendendo sobre seu nariz, ainda com as roupas usadas pra ir trabalhar. Ela parecia tão cansada...

─ Eu não ─ digo, percebendo que minha mãe esta massageando as têmporas ─ Então, posso ir pro meu quarto? Tem sido um dia difícil...

─ Apenas se sente ─ meu pai gesticula impacientemente para uma poltrona.

─Eu não estava em casa, mas segundo o que seu pai me disse, você foi desrespeitosa com ele─ minha mãe insiste.

─ E o que ele te disse exatamente? ─ começo ─ Ele sequer mencionou que fui ficar com Isaac? Vocês sabem aquele meu amigo órfão que ,assim como eu e todos meus amigos, esta de luto?

─ Não precisa dramatizar ─ meu pai diz, e não consigo evitar um olhar de nojo pra ele.

─ Eu disse alguma coisa que é mentira por acaso?─ pergunto, pra ninguém em particular ─ Ou vocês acham que estou exagerando, uma trágica consequência de má influencia dos meus amigos?

─ Julie... ─ ela começa, encarando bem meus olhos, mas depois desvia o olhar para as próprias mãos e não conclui a frase.

─ O que?! ─ digo, levantando minhas mãos, e as deixando cair, exasperada.

─ Não sabemos bem o que fazer ─ admite meu pai

─ Bem, eu também não. Mas sei o que não fazer: me proibir de ser quem eu sou, consequentemente de ser amiga deles.

─ Nós não estamos dizendo isso, não proibimos você de nada ─ diz meu pai, suas mãos apoiadas nos joelhos ─ Apenas... Seus amigos têm muitos problemas e eles afetam você negativamente.

─ Então, se eu e a mamãe começássemos a ter “problemas demais” o senhor iria embora, nos deixaria, pra não ser afetado?

─ É diferente. Vocês são minha família

─ Stiles e Scott são família pra mim, Isaac é família pra mim. Até a Lydia é família pra mim. Allison era família pra mim. Como pode ser diferente?

Ficamos em silencio. Meus pais se entreolham, a falta de argumentos expressa em seus rostos preocupados. Penso que devo ser a próxima a falar e tentar ao máximo não parecer uma adolescente problemática e birrenta. O que muito provavelmente sou.

─ Eu admito minha atitude não foi das melhores. Por isso eu peço desculpas, aos dois, mas principalmente ao papai. Por ter confrontado o senhor daquele jeito. E prometo parar de ser tão impulsiva, ou ao menos vou tentar.

─ Desculpas aceitas ─ meu pai por fim diz, se levantando e me abraçando, seguido por minha mãe. Quando percebemos, estamos envolvidos num desconfortável e cansado abraço familiar. Quando finalmente estamos nos separando e estou indo para o quarto, minha mãe chama:

─ Como está o Isaac afinal?

─ Como é de se esperar. Mas está indo morar na França...

─ França?!

─ Sem detalhes, nem eu sei muita coisa.

─Ok, boa noite.

─ Boa noite mãe.

─ Ah, Julie? Ah proposito, você esta de castigo. Uma semana sem Tv no quarto, computador só do escritório, pra trabalhos escolares supervisionados.

Suspiro, por um momento me sentindo uma adolescente completamente normal e injustiçada. Termino rindo e respondendo:

─ Achei que ia passar em branco, mas se passasse não seria a senhora. Boa noite.

***

Finalmente de volta ao meu quarto, tomo um banho, esperando que a agua quente lave todas as sensações ruins, os segredos, as preocupações, a saudade, a tristeza, tudo embora. Mas claro, ela não faz isso. Tudo que consigo é um gostoso cheirinho de lavanda.

Ouço batidas na porta do meu quarto quando estou me afundando nos cobertores quentes esperando terminar um bom livro que comecei semanas atrás.

─ Pode entrar ─ digo, enquanto procuro a pagina em que parei.

Meu pai entra seu rosto imparcial, os cabelos molhados por causa do banho e as mãos inquietas.

─ Lembra quando você era pequena, e íamos assistir os jogos da major liga no bar do Anton? ─ ele pergunta com um olhar perdido nas lembranças.

─ Claro! Eu amava gritar junto com todo mundo quando os Yankees rebatiam ─ respondo, rindo da memória feliz ─ A mamãe por outro lado, não gostava que me levasse pra lá. Dizia que não era coisa de menina.

─ Pois é ─ ele diz, sorrindo também ─ Bem, amanhã tem jogo, Yankees e Lakers. Pensei em te levar no Antom e relembrar os velhos tempos...

─ Seria muito legal ─respondo.

***

Estou sentada num banco no bar do Antom, esperando meu pai enquanto finjo comer uma tigela de amendoins, que mais parecem pequenas pedras na minha boca, enquanto as mastigo devagar. Há muito tempo não venho aqui, mas tudo parece exatamente igual: janelas escuras de vidro colorido, uma tv no canto direito, um enorme balcão de madeira que corta o bar ao meio.

Meu boné dos Yankees esconde parcialmente meu rosto, meu cabelo cai em ondas em minhas costas. Estou usando minha jaqueta de couro favorita sobre uma regata azul marinha, e jeans escuros que escondem a falta de cicatriz na minha perna. Nos pés, um par de tênis all-star surrados.

Fico assistindo o pré-jogo enquanto meu pai não chega. A esta hora normalmente, homens e mulheres costumam vir do trabalho dar uma passada aqui e tomar uns porres, mas no fim de semana a quantidade de adultos desiludidos com a vida está surpreendentemente baixa.

─ Srtª Starter, posso ver sua identidade, por favor? ─ouço uma voz masculina me chamar, peto demais pra ser um dos garçons, e com um tom macio, definitivamente não meu pai.

Quando me viro, me deparo com Jordan Parrish em seu melhor look despojado: jeans azuis, camisa em gola V marrom, jaqueta preta. Ele sorri e se senta junto a mim no balcão, e passa os dedos por meu boné.

─ Precisa ter 21 pra frequentar um lugar como esse.

─ Tecnicamente, precisa ter 21 pra beber. Eu só estou assistindo TV. ─ respondo finalmente saindo do transe.

─ Tuchê ─ ele responde, pedindo uma cerveja.

Fico querendo puxar conversa, mas todos os diálogos criados em minha mente terminam comigo dizendo algo ofensivo ou invasivo que vai afasta-lo, então permaneço em silencio.

─ Yankees hã?─ ele diz, apontando para o boné com a garrafa ─ Tem bom gosto.

─ Herdei do meu pai. Que por sinal está atrasado.

Checo meu celular e percebo novas mensagens de minha mãe

“Seu pai esta com infecção intestinal, vou leva-lo pra uma desintoxicação no hospital. Vai ficar tudo bem, Esteja em casa ás dez.”.

“Se precisar de mim pra QUALQUER coisa, me avise imediatamente. Diga ao papai que eu o amo e que os Yankees vão ganhar por ele hoje” , respondo, tentando não ficar muito preocupada. Suspiro e coloco o aparelho no bolso da jaqueta. Aparentemente a sessão de lembrar os bons tempos vai ficar pra outro dia.

─ Está tudo bem? ─ Parrish pergunta, me lembrando de sua presença ─ Parece frustrada

─ Meu pai comeu alguma besteira e está com infecção intestinal. Íamos ver o jogo juntos...

─ É uma pena

─Pois é

─ Podemos assistir juntos se quiser.

─ Eu quero. ─ respondo , tentando não sorrir tanto quanto gostaria.

Nunca pensei que eu pudesse definir uma partida de baseball como desconfortável, mas é a melhor palavra que vem à mente. Concentrei minha atenção em não chamar todos os jogadores de idiotas como era o costume da minha família, e tentei fazer alguns comentários inteligentes. Mas a presença de Parrish me deixa nervosa.

Por algum motivo, eu quero que ele pense que eu sou uma garota legal, ou normal pelo menos. E desde que ele me ajudou com o caso de Carter, eu sempre penso demais quando ele esta por perto. Fico calculando meus movimentos, minha risada, até meus pensamentos. Isso não pode ser saudável.

O jogo acaba, e os comentaristas fazem a reprise. Minha tigela de amendoins está vazia, e estou pensando seriamente em ir embora disfarçadamente. Mas Parrish puxa conversa, e me sinto aliviada quando ele o faz:

─ Meu pai também sempre me levava pra ver os jogos ─ ele começa

─ Bem, definitivamente é um bom programa pra pais e filhos. Acho que meu pai queria um menino ─ eu respondo, rindo um pouco e logo percebendo que desviei a conversa em me pus em foco. Que egoísta.

─ Fico feliz que não teve ─ ele rebate

─ Bem, de onde você é de qualquer forma? Não é como se aqui fosse uma cidade famosa, onde as pessoas sonham em morar... ─ pergunto tentando desesperadamente não pensar demais em como seus lábios são atraentes.

─ Sou de Boston.

─ Bem longe da família não?!

─ O suficiente ─ele diz, seu tom se tornando mais serio ─ Não é como eles precisassem de mim.

─ Parece solitário...

─ Às vezes é mesmo.

─ Não precisa explicar o porquê se quiser. Mas estou curiosa, devo admitir.

─ Não, está tudo bem. Meu pai morreu quando eu tinha 12 anos. Minha mãe se casou novamente um ano depois, e teve outros filhos. Eu segui a carreira militar, como meu pai, e... Bem, é isso.

─ Sinto muito pelo seu pai ─ é tudo que consigo pensar em dizer depois de alguns longos segundos.

─ Tudo bem, você também tem passado por momentos ruins. Como você está a proposito?

─ Levando, eu acho. Sem drama ─ tento soar como se não me importasse, o que parece impossível.

Continuamos conversando por vários minutos, e compartilhamos pequenas informações sobre nós mesmos, como comidas favoritas, gosto por livros, filmes, esportes. Começo a relaxar, e agir mais naturalmente, e de repente é como se uma música começasse a tocar ao fundo.

O silencio se instala, mas Parrish continua a me olhar nos olhos, sorrindo com os cantos dos lábios. “Droga, eu estou tão a fim desse cara!” penso, e torço pra que não aconteça como nos filmes, em que a garota pensa numa coisa, e quando nota disse em voz alta. Pra minha sorte, meu pensamento ficou só em minha mente.

─Eu... Eu acho que já vou indo ─ digo, deixando uns trocados no balcão pela tigela de amendoins, e guardando o boné no bolso da jaqueta.

─ É, eu também ─ ele responde, se levantando e me acompanhando até o lado de fora do estabelecimento, um estacionamento mal iluminado.

Estamos parados, de frente um pro outro e Parrish parece querer se aproximar, mas ele claramente esta hesitando. Sigo meus instintos impulsivos e chego mais perto, e devagar, finalmente o beijo. A música que tocava ao fundo em minha mente parece ficar mais alta.

“Não quebre meu coração antes que eu o dê a você.

Não me responda que não antes que eu pergunte.

Não diga que não encaixa ante de tentar,

Há muito a perder para dar errado.”

A principio Parrish retribui, mas logo depois ele se afasta. Milhões de pensamentos autodepreciativos passam por minha mente num segundo. Antes que ele sequer tenha chance, e disparo:

─ Me desculpe! Eu não sei o que me deu, eu não devia, eu... Desculpe.

─ Julie...

─ Não, não eu entendo. Você é um cara sério, um policial respeitável, e eu uma garota no colegial. Eu não devia...

─ Julie! ─ ele me interrompe, segurando meu rosto entre as mãos ─ Eu também queria. Só me surpreendi, por não ter tomado a iniciativa.

─ Oh ─ digo brilhantemente.

“E parece haver algo aqui,

Mas quero ver antes que desapareça.

E se houver algo real entre mim e você,

Nós dois estamos abertos pra isso?”

Ele se inclina em minha direção e nos beijamos, dessa vez, com consentimento mutuo.

“Todas essas possibilidades...

São muitas possibilidades.

Bem em frente de nós,

Perto o suficiente para tocar,

E longe o suficiente para ter algum tempo para ver.”

Estamos encostados contra uma parede do bar, apenas um pequeno feixe de luz ilumina ao nosso redor. Ele põe as mãos por dentro de minha jaqueta, apertando suavemente minha cintura, enquanto meus dedos se afundam em seu cabelo, e acariciam seu pescoço.

“Todas essas possibilidades...

Oh essas possibilidades!

Estão escritas nas estrelas.

Nós somos quem somos baby.

E eu não posso ajudar, mas penso que possivelmente,

Há possibilidades”

Quanto tempo se passou? Cinco, dez minutos? Meia hora? Não sei dizer ao certo. Mas quando perdemos o folego, Parrish olha rapidamente seu celular e pergunta:

─ Você tem horário pra chegar?

─ Ah, sim, sim ─ respondo, passando as mãos no cabelo, tentando me recompor ─ Tenho que estar de volta ás dez.

─ Então é melhor correr, são 22: 19.

Começo a ficar agitada e a falar dezenas de coisas sobre eu estar de castigo, meus pais estarem cansados por causa do hospital, e como eu teria que correr, mas ele me para, entrelaçando nossos dedos e afirmando que me levaria em casa.

Começamos a caminhar rápido e ,quando chegamos à frente da minha casa, Parrish encara a porta, e ainda sem soltar minha mão, diz:

─ Talvez eu devesse me apresentar e me desculpar por seu atraso.

─ Primeiro: eles já te conhecem. Segundo: eu me viro, não é como se eu sempre chegasse no horário em casa.

─ Tem certeza?

─ Tenho certeza. O que não me deixa muito tranquila é o fato de você voltar sozinho pra casa caminhando.

─ Eu sobrevivo.

─ Promete?

─ Prometo ─ ele responde, me beijando brevemente, e me observando até que eu esteja acenando de volta pela janela.

Não evito um suspiro quando ele vem, e a musica que toca em minha mente começa a finalmente a se tornar como um sussurro lento enquanto vou até o quarto de meus pais ver como estão.


“Todas essas possibilidades...

São muitas possibilidades!

Bem em frente de nós,

Perto o suficiente para tocar,

E longe o suficiente para ter algum tempo para ver.”

Notas finais
Espero q tenham gostado, eu nunca tenho muita segurança pra escrever cenas romanticas e tal... A musica do cap é essa: http://www.vagalume.com.br/freddie-stroma/possibilities-traducao.html estou viciadissima nela, e acho ela muito fofa, escutem. Deixem comentarios: Vcs gostaram? O que acham que pode acontecer agora? Shippam ou não? Sera que Julie vai contar o segredo dela de bom grado ou alguem vai descobrir?