Losing my Humanity
17 Cap 16 -- Control
Notas iniciais

─Não, você deprimiria o lugar ─ ele responde,fazendo menção de fechar a porta.
Eu interrompo o movimento antes que ele possa o terminar ,e por uma fração de segundo, Peter parece surpreso com minha repentina força,mas logo retorna à sua expressão de tédio/desprezo.
─ Derek está? ─ pergunto ,quase tendo certeza da resposta, afinal eu o escutaria se estivesse .Temo que a recepção não seria muito mais calorosa se fosse o outro Hale, me fazendo questionar novamente o porquê de ter vindo até aqui.
─ Você deveria saber melhor eu que onde ele está ─ele faz uma pausa e sua expressão mostra um certo deleite – A menos que tenha sido expulsa do ridículo bando do Scott por ser excessivamente chata.
─ Não importa, eu não quero saber – respondo balançando a cabeça e provavelmente fazendo um careta – Eu preciso de ajuda.E,pensando bem, é melhor que seja você.
─Exceto que eu não tenho interesse nenhum em te ajudar.
Ele tenta novamente fechar a porta,e dessa vez eu a seguro com mais força que da primeira vez, quase cravando as unhas no metal de 10 cm de espessura .Peter bufa com impaciência ,mas posso dizer que ele está ficando intrigado.Ele mostra seu reais olhos -os de lobisomem,azuis elétricos- e começa a rosnar,talvez tentando me amedrontar,mas não funciona.Eu o empurro pra dentro do loft e entro,e sem esperar reação, começo a falar o que estava preso na minha garganta já a algum tempo:
─Sabe, direta ou indiretamente, tudo que deu errado na minha vida, foi culpa sua.Se você nunca tivesse mordido Scott, talvez eu fosse uma humana, uma adolescente normal,tendo crises de adolescentes normais.Mas naaaão, você tinha de ser um sociopata fissurado por poder e vingança.- eu suspiro,enquanto noto a expressão de Peter mudar de confusão para curiosidade – Mas passado é passado.No entanto,recentemente coisas aconteceram comigo.Coisas ruins,que me mudaram e me ... Bem,me transformaram.Não foi uma experiência fácil,ou particularmente agradável.E não sei se devo encarar como uma benção ou uma maldição.
─ Então ─ele me interrompe─ Quer que eu decida por você se você deve se alegrar ou se sentar num canto e chorar pelo resto dos seus dias, por que indiretamente a ruína que você chama de vida foi alterada por mim?
─ Não ,isso eu vou decidir sozinha─ afirmo,mais pra mim mesma – Mas preciso aprender a me controlar.A minha raiva, a minha fome, a minha força. O único que conheci que era igual a mim ,eu matei. Então eu não tenho exatamente alguém que possa chamar de mentor.
─ Ah sim, agora eu vejo – ele responde ,passando a mão pelo queixo ,num gesto contemplativo -Sabia que algo em você cheirava diferente ,mas achei que era toda essa sujeira, e o fato de você ter vindo do cemitério ....Mas agora eu vejo. Mostre sua verdadeira forma, pequena wendigo.
Tenho de admitir, esse cara nunca para de me surpreender ,e eu sempre termino o subestimando. Tentando entender como ele me descobriu e como ele sabia da minha visita ao cemitério, eu tento chamar meu monstro interior, o que não é realmente difícil .Logo sinto os dentes afiados rasgarem minha gengiva e sinto minha visão mudar, ficando mais detalhada e perfeita.
Peter me examina de cima a baixo, dando voltas ao meu redor.Por um momento, me sinto como uma aberração, sendo estudada por cientistas malucos.Me afasto alguns passos dele e tento, pela primeira vez,falar na forma completa de wendigo.
─ Me ensine a controlar
Minha voz é grave,arranhada, e quase não consigo acreditar que sou eu mesma falando. Peter para, com sua comum expressão e desdém e diz:
─ Apesar de ser intrigante você ser a primeira wendigo eu conheço pessoalmente ,eu não tenho que te ajudar. Ou melhor: eu não quero te ajudar.
Mas ele se recusou cedo demais. Minha raiva tomou conta de mim rápido, e eu agarro seu braço. Ele rosna e mostra suas garras, mas por Peter ter voltado à vida recentemente,ele estava estava fraco .Numa briga, eu garantia que meus extintos iam vencer os dele.
─Você não está em posição de recusar –digo, soando mais ameaçadora do que achei que conseguia ser – Se eu não me controlar, você morre. Mesmo que não o devore totalmente ,eu me pergunto...O quanto você pode se regenerar? Um membro? Um órgão vital? Eu acho que não.E afinal, quem sentiria sua falta?
Ele ri. Ele deveria estar assustado, implorando por sua vida ,mas ele ri ,obviamente se deliciando com a cena e com minha audácia.
─ Você finalmente mostrou alguma personalidade – ele diz ,batendo palmas, como ao final de uma peça interessante – Só por isso eu vou te ensinar uma coisa ou outra.
Acho que nunca tentei sorrir quando estava desse jeito, principalmente por que não havia motivos até agora. Em resumo: doía. Um monte de dentes sobrenaturais e super afiados na minha boca ,prontos pra rasgar qualquer carne...Eu deveria ter imaginado.
Peter esfrega as mãos, como se fosse começar a correr, ou algo do tipo. Mas em vez disso, começa a falar, andando de um lado a outro do enorme cômodo ,e apontando pra mim de vez em quando.
– Não dá pra dizer com certeza se isso vai dar certo.Como disse, é a minha primeira vez com um wendigo,Mas vamos lá.Primeiro, você deve encontrar uma âncora. Pode não funcionar como para lobisomens,mas é importante que você foque em alguma coisa ,algum sentimento que te ajude a manter o lado humano .Não precisa ser necessariamente bom, apenas forte.Um momento onde suas emoções eram tão fortes ,que mais humana impossível. Talvez algo que a faça sentir culpada, ou ansiosa ,não importa. Apenas encontre sua âncora.
Eu comecei a pensar. Primeiro ,tentei passar pelos momentos mais felizes .A viagem que minha família havia feito até o Grand Canion, meu aniversário de dezesseis anos...Mas continuava na transformada .Pensei no momento em que reencontrei meus pais depois do cativeiro, como me senti segura e amada...mas nada aconteceu.
Parei de tentar evitar os pensamentos ruins que lutavam pra prevalecer em minha mente. Eu me vi de novo dentro da cela ,com Carter olhando aflito pra mim pela primeira vez .Lembrei da mordida na minha perna, do desespero e no medo que senti durante a fuga .A culpa por matar .E finalmente, eu vi o que mais me atormentava- a figura que sempre estava em meus sonhos, de um jeito ou de outro- a cabeça de Carter ,pendurada num gancho qualquer de açougue.
Carter havia sido torturado e morto por um wendigo─ por um da minha espécie .E isso me deixava com medo e culpa.Eu tinha medo de me tornar apenas no monstro, compulsivo e inumano .E me sentia culpada pela morte de Carter, apesar de não saber exatamente o porquê .
Eu sabia que a morte era inevitável, e alguns mereciam o fim antes que outros.De certa forma eu apressava o fim das minha vítimas,ou apenas vítima,até o momento.Mas em mim ainda existia a repulsa pelo que eu fazia.Pelo que eu havia me tornado.Me agarrei esse sentimento de repulsa e culpa.
Eu havia encontrado minha âncora. Não era um sentimento bom, mas estava funcionando .Meus dentes estavam retraindo, os olhos tomando a cor costumeira, minha garganta arranhando menos. Eu estava quase normal de novo.
Peter balança a cabeça , com satisfação.Quase havia esquecido sua presença.
– Muito bem.Mais talentosa que a maioria que já ensinei.Agora,dê o fora por favor.
Eu estava eufórica. Gargalhei como a muito tempo não ousei fazer, agitei minhas mãos no ar me sentindo quase invencível.Se controlasse minha transformação, eu poderia voltar a levar uma quase vida normal, sem medo de perder a cabeça e matar todo mundo.Não me contive, e me aproximei de Peter,que estava parado segurando a maçaneta da porta de metal e indicando a saída, e beijei sua bochecha desajeitadamente.
─Obrigada Hale.Você acaba de subir no meu conceito.
Ele esfrega o rosto, com uma cara de nojo e continua apontando para a porta.
─Apenas vá.
Começo a obedecer,e atravesso para o lado de fora. Mas antes ,algo me ocorre.
─ Isso... Fica entre nós.Tudo.Apenas haja como se nada tivesse acontecido,ou eu voltarei, e te matarei.
Ele sorri desdenhosamente,como se uma criança o estivesse chamando para uma briga, e responde:
─Sabe, eu imagino quem você comeu pra se tornar um wendigo.
─Eu fui mordida – digo-E só comi depois de totalmente transformada.
─ Ah não,não minha cara.A lenda é verdadeira.Você foi canibal antes mesmo da maldição.
Eu tenho vontade de chamar Peter de louco e ir embora,mas algo no meu intimo diz que ele fala com razão.E então uma memória atinge minha mente tão forte que tenho de me segurar contra a porta pra não desabar.
Quando estava fugindo, eu abri a geladeira em busca de comida. Encontrei pratos prontos com carne e purê. Mas se wendigos apenas comem carne humana, e Carter foi a única vítima encontrada...
Eu não conseguia acreditar .Parecia tão claro,mas eu me recusava.A culpa inconsciente que eu sentia ,tinha certo sentido. Eu era um monstro. Uma imbecil que não pensa antes de agir, só quer sobreviver.Uma egoísta ,louca, canibal.
Encaro os olhos azuis de Peter à minha frente. Ele tem uma expressão divertida no rosto. Queria soca-lo, mas ele não tem culpa. Ele só me mostrou a verdade. Sem consguir dizer nada, eu corro.
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