Losing It
6 Down
Era como nem tudo estivesse perfeito.
Elas ainda tinham coisas para falar. Quinn ainda não estava agindo exatamente da maneira que costumava. Era como se Quinn estivesse lá com ela, mas sempre um passo mais longe do que ela costumava ser.
Mas Quinn havia a convidado para assistir seriados no fim de semana então isso não era como se Rachel tivesse algo concreto para ter aquela conversa. Ela teve sorte que Quinn foi tão madura em relação ao acidente. Nas mesmas circunstâncias, Rachel não acha que iria reagir tão equilibrada.
Ela ainda não conseguia olhar para Quinn sem pensar na acusação ridícula de Finn.
Isso aconteceu em alguns momentos, como quando ela voltou do banheiro e encontrou Quinn dormindo no sofá ou quando ela estava sorrindo, balançando a cabeça ao longo de uma canção tocando no clube Glee, mesmo quando ela estava batendo as mãos em suas pernas ao ritmo da música.
Às vezes Quinn ganharia a atenção de alguém — até mesmo a de Rachel — cutucando-os na perna e esperando pacientemente três segundos antes de fazer isso de novo. Rachel não poderia parar de pensar sobre o que Finn disse quando uma sensação de calor reunia-se em seu peito, espalhando-se para baixo, para cada membro.
Não era culpa de Rachel que Quinn era tão difícil de desviar o olhar quando ela decidiu aprender a coreografia para cada novo número. Além disso, ela sempre foi parte em causa. Quinn poderia se machucar, até mesmo cair da cadeira.
Certamente não foi culpa de Rachel, que ela sabia os dias que os braços de Quinn precisavam de um descanso, Quinn às vezes concordou com ela perguntando se ela poderia empurrá-la para o carro. Não era culpa dela que Finn estava sendo ciumento e preocupado. Ela estava sendo amiga.
Ele teria que aceitar isso.
Alguns dias eram mais fáceis do que outros. Depois da briga deles, Finn tinha sido o único a pedir desculpas, raciocinando internamente que Rachel não tinha muitos amigos no passado e ela era a pessoa mais dada que ele já conheceu. Quando Rachel se preocupava com alguém, ela dava tudo a eles.
Se essa pessoa passou a ser sua ex-namorada, bem, que assim seja. Quinn era uma boa pessoa. Havia apenas uma sensação persistente de que ele iria perder alguma coisa se ele tirasse os olhos delas. Ele poderia admitir não ser o namorado mais atencioso e noivo ao longo de seu relacionamento — ser um noivo é a mesma coisa que ser o namorado de Rachel, só que agora ele estava em dívida por causa do anel — mas Finn notou a maneira que Rachel olhava para as pessoas. Rachel olhava para ele como se ele fosse a única coisa que ela podia ver. Era perfeito. Exceto que isso não havia acontecido desde o acidente quando a única pessoa que invocou respostas apaixonadas dela era Quinn.
Não havia exatamente um monte de coisas que Finn pudesse fazer sobre isso sem perder Rachel completamente. Então, ele pediu desculpas e que ele e Rachel teriam apenas que trabalhar em coisas para serem melhores. Não demoraria muito até que Rachel voltasse para ele com o rabo entre as pernas, pedindo desculpas pelos seus erros. Ele iria ser seu marido um dia. Ele foi a melhor coisa na vida de Rachel e ela era a melhor coisa na sua. Quando ela se lembrou disso, Finn percebeu que ele teria uma noite muito boa pela frente.
Rachel estava sentada atrás no ensaio do Glee, esperando que os últimos membros chegassem antes que eles começassem a lição. Finn e Puck ainda estavam sabe-se lá onde, mas não era um problema quando ela tinha outras coisas para focar sua atenção. Quinn ainda estava tentando ignorar desesperadamente o que quer que Rachel esteja fazendo na parte de trás de sua cabeça, no entanto, após cinco minutos, ela desistiu.
"O que você está fazendo?" ela perguntou sem virar para trás.
"Tentando fazer uma trança no seu cabelo."
"Por quê?"
"Fica bonito."
Isso era absolutamente verdade. Rachel achava que Quinn ficava linda com seu cabelo trançado. Agora, porque Quinn tinha o cabelo mais curto, não era como se Rachel pudesse trança-lo do jeito que realmente gostaria, mas ela resolveu fazer tranças menores; três delas, aleatoriamente espalhadas ao longo da parte traseira da cabeça de Quinn. Parecia que uma criança tinha feito isso.
"Eu vou te chutar se você me fizer parecer feia."
Era como se Quinn estivesse fazendo uma ameaça, mas nenhum movimento para impedi-la. "Eu adoraria que você me chutasse."
"Eu vou."
"Promete?"
"Você tem que esperar para ver."
"O que você vai fazer mais tarde? Meus pais prepararam um almoço nutritivo que eu ficaria feliz de compartilhar." As unhas de Rachel arranhando levemente o couro cabeludo de Quinn enquanto ela falava. "É um dia bom; podíamos sentar na grama e pensar em músicas para as Nacionais?"
"Tudo bem," Quinn disse um pouco distraída, puxando gentilmente a mão de Rachel de seu cabelo com seu rosto corado.
"Ou nós poderíamos fazer isso à noite? Obviamente teríamos que deixar a grama para outro dia, mas ainda pode ser divertido. Finn tem planos com Blaine, então."
"À noite eu vou ver o Joe."
Rachel tentou manter a voz leve, mas infelizmente ela tentou demais. Não parecia natural. "Você ainda o vê?"
"Na verdade, ele é muito legal."
"Ele parece uma tarântula."
"Não, não parece." Quinn ficou quieta por um tempo. "Você realmente acha que ele não é bonito?"
"Eu acho que não me sinto atraída por aracnídeos," Rachel disse.
"Cala a boca," Quinn mandou, antes ela não conseguia ver Joe como nada. Isso era tudo o que ela precisava. Agora era divertido com ele. Ele era bom para ela. Não era como se fossem algo próximo à sério. Ele era apenas uma boa distração. Ela não poderia pensar em tarântulas na próxima vez que ela o beijasse. Nenhum menino iria beijá-la novamente se ela literalmente gritasse na cara dele.
"Está ficando sério?"
"Eu não sei." Ela não tinha certeza se queria falar com Rachel sobre isto, e Rachel não poderia induzir uma resposta porque não era de sua conta e Joe não tinha feito nada de errado. Até agora.
***
"Isso não é estranho?" Quinn perguntou.
Ela estava na casa de Joe pela primeira vez. Tinha sido tão estranho para ela apenas sentar na cadeira ao lado do sofá, como ele, só por insistência dela, terminava de assistir os últimos minutos de um show que ela não sabia o nome. A tensão diminuiu quando eles tinham começado a conversar mais e Joe pegou algo para ela beber. Ele geralmente encontrava uma maneira de fazê-la relaxar e parar de ser autoconsciente.
Mas não havia nada que ele pudesse fazer para impedir o constrangimento intenso de Quinn quando sentiu que ele se levantou e pegou-a da cadeira, colocando-a em seu colo.
"Deveria ser?" Joe segurou a parte de trás da cabeça de Quinn. Ele sorriu quando sentiu uma pequena trança aleatoriamente sob seus dedos. Quinn era surpreendentemente estranha às vezes. Era uma das coisas que ele gostava sobre ela. "Não há nada de errado com você."
"Bem, isso não é verdade."
"Não tem nada de estranho nisso," ele disse, inclinando-se para beijá-la.
Quinn o correspondeu do jeito que ela tinha feito ultimamente. Joe realmente era uma boa distração. Suas mãos acabaram em ambos os lados de sua cabeça e com a sensação de seus dreads em suas mãos, um comentário anterior estalou em sua cabeça e ela soltou isso como se estivesse pegando fogo.
Ela iria matar Rachel.
"O que foi?"
Quinn sorriu. "Desculpe."
"Não, tudo bem."
As mãos de Joe eram gentis em torno dos quadris de Quinn e ele moveu sua cabeça, beijando seu pescoço. Beijar Quinn era sempre o ponto alto do dia. Ele virou-se para deitar após alguns minutos, puxando Quinn com ele.
"Tudo bem?" ele perguntou, exceto que sua voz não parecia a mesma.
Era quase como a de Rachel.
"Sim," Quinn disse, arrastando as mãos pelos lados dele e ficando com mais firmeza em cima dele. Seus beijos eram mais profundos nesse momento. Ela fez um barulho que poderia ter sido interpretado com um gemido quando as mãos dela fizeram seu caminho para a sua cabeça e sentiram cabelo macio.
***
Ser surpreendida era o eufemismo da semana.
Rachel teria dito ano, mas o pedido de casamento de Finn e o acidente de Quinn superaram isso.
"O que eu fiz?" ela perguntou, fazendo um esforço para não deixar muito de o seu aborrecimento alterar seu tom de voz. Foi uma grande conquista quando ela considerou a magnitude do jeito que ela estava irritada.
Quinn estava sendo distante com ela novamente e ela não tinha ideia do porquê.
Quinn estava inclinada para frente colocando livros de volta dentro de seu armário. Ela não olhou para cima. "Você vai me cortar no meio da frase, ou isso é um jogo de adivinhação?"
"Você está agindo estranha de novo!" Rachel acusou. Ela olhou ao redor e baixou a voz. "E mais uma vez, apenas Rachel Berry tem mudanças de humores. Pensei que já tivéssemos passado por isso?"
"Mais uma vez, você está fazendo tudo sobre você."
"O que eu devo pensar quando você começa a me afastar novamente quando nós estamos mais próximas do que nunca?"
"Você já considerou a possibilidade de que isso é tudo coisa da sua cabeça?"
Rachel aproximou-se. Ela colocou a mão no ombro de Rachel para impedi-la de se mover. "Não faça isso, ok. Não seja o Finn. Eu não estou paranoica com isso. Você sabe que está me punindo por algo que eu não sei o que fiz, então o mínimo que você pode fazer é me dizer o que é."
"Você precisa que eu soletre para você? Talvez você esteja se tornando ele depois de tudo."
Rachel fez uma careta. "Olha, e-eu estou passando por coisas também — todos nós temos problemas, mas eu não agi de forma diferente com você. Por favor, não aja diferente comigo. Seja lá o que for, tenho certeza que nós podemos passar por isso."
Quinn revirou os olhos. Os problemas de Rachel eram montículos comparados com suas montanhas. "Eu preciso de espaço," afirmou.
"Eu já te dei espaço."
"Eu preciso de mais."
"Por quê?"
"O quê?"
"Por que você precisa de mais espaço?" Rachel perguntou. "Dê-me uma boa razão."
"O fato de que eu pedi não é o suficiente?"
"Não, não é. Não dessa vez. Eu acho que eu mereço saber." Rachel olhou superior. "Isso é sobre o Joe, não é?"
Os olhos de Quinn se estreitaram. "Me desculpe?"
"É, tudo está fazendo sentido agora," Rachel disse. "Você conhece uma nova pessoa e devido a suas tendências sociopatas discutíveis, ele não sabe como compartilhar e é ameaçado por seus amigos mais próximos, então você começa a afastá-los um por um."
"Você realmente acha que eu sou tão fraca de espírito que eu deixaria um cara me controlar?"
"Você não tem que mentir para ele, Quinn. Eu vou falar com os meninos. Eles podem ter uma palavra quieta com seus punhos."
"Isso não é sobre o Joe," Quinn retrucou. "Não se atreva a mandar baterem nele por algo que ele não fez."
"Como tomar banho ou trocar de roupa regularmente?" Rachel perguntou baixinho. Infelizmente para ela, a audição de Quinn não tinha sido afetada pelo acidente.
"Agora você está sendo idiota. Você tem um problema com Joe, Rachel?" Quinn arqueou uma sobrancelha, sentindo-se mais alta que a morena pela primeira vez em tempos.
Não era muito frequente que Rachel se via sem palavras. Parecia àquelas vezes em que ela estaria em um teste importante e perdesse sua voz, só que dessa vez ela não estava acordando em sua cama no meio da noite. Quinn não estava desaparecendo, ela estava ali, ainda esperando por uma resposta. Rachel perguntou se ela estava se sentindo tão culpada quanto parecia. Era tudo culpa de Finn.
"Você acha que eu tenho?"
"Responda a pergunta."
"Sim! Tudo bem? Eu tenho um grande problema com ele." Ela assistiu a perplexidade no rosto de Quinn por um momento. "Se ele tentar te afastar de seus amigos — de mim, de que outro jeito eu deveria me sentir?"
Rachel parecia nervosa e sua voz tinha saído em um tom mais alto. Quinn engoliu a ansiedade em sua garganta. Tentando descobrir se Rachel sabia o que ela estava fazendo quando ela disse coisas de certa maneira exaustivas em si mesma.
"Ele não está, então você pode esquecer sobre ele," Quinn disse, seu tom de voz cortado. "Mas eu ainda preciso de espaço. Não é nada pessoal."
"Mas é. Sempre é comigo."
"Rach—"
Rachel deu um passo rápido para frente e virou-se, sentando-se no colo de Quinn antes que uma palavra pudesse ser dita. Se Quinn pensou que ela poderia convencê-la com uma desculpa esfarrapada desta vez, ela estava muito enganada.
"Nós estamos falando sobre isso mesmo você querendo ou não. Por que você não tenta novamente? Diga-me por que você precisa parar de falar comigo."
O rosto de Quinn corou com Rachel em cima dela. "Você é pesada."
"Ninguém nunca me chamou de pesada minha vida inteira."
"Eu lhe digo coisas sérias e diretas, lembra?"
"A julgar pela raiz dessa conversa, eu diria que você deve ter esquecido."
"Talvez," Quinn disse levianamente. "Talvez seja por causa do acidente de carro que eu estava quando estava correndo para o seu casamento estúpido. Isso bagunçou meu cérebro como bagunçou todo o resto." Foi um golpe baixo, mas ela não poderia retirá-lo agora apesar da expressão de mágoa sobre o rosto de Rachel. "Eu só não posso fazer uma pausa de mais nada em minha vida. Por mais que eu gostaria, eu não posso simplesmente me levantar dessa cadeira de merda e correr. E agora você está literalmente me prendendo, o que mais eu devo fazer, Rachel? Fale alguma coisa."
Rachel sentiu uma sensação nauseante rastejar até sua garganta e se agarrar a ela quando ela percebeu que ela estava literalmente prendendo Quinn, que tinha outros lugares para ir. Ela se levantou do colo dela de má vontade. "Eu não sei mais o que fazer. Você não pode lidar com isso sozinha. Podemos ir a algum lugar e conversar? Por favor."
"Eu não quero conversar. É tudo o que eu faço. Eu falo e penso, eu nunca faço. Agora é a hora de começar."
"Ok, tudo bem," ela disse suavemente. "O que você vai exigir do silêncio entre nós?" Rachel perguntou.
"Eu estou indo para o almoço."
Rachel balançou a cabeça. "Isso não é justo."
"Se você me der isso, eu prometo que vou explicar. Mas tem que ser quando eu estiver pronta, Rachel, não você."
Por mais que ela tenha ressentido, Rachel decidiu tomar uma decisão neste momento.
"Ok, quando você estiver pronta." Não havia mais nada que ela pudesse fazer, então ela assistiu Quinn ir para longe. Estava ficando cada vez mais difícil dar para Quinn o que ela precisava.
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