Lorem
15 Capítulo 14 - Um conto de três metades
Conto de Martin, Johnny e Stewart I
Onde estavam todos?
Martin, Johnny e Stewart caminhavam pelo prédio da H.A.N.K., verificando cada corredor, sala possível. Estavam obviamente sozinhos naquele prédio. Estranhamente, nada havia sido bagunçado, o que levava a crer que os haviam abandonado por livre e espontânea vontade. Mas para que o trabalho de os prender ali para os abandonar depois?
Os três chegaram ao final do último corredor no qual procuravam algum sinal de vida. Adentraram o elevador a esquerda e a porta fechou atrás dos três. Stewart apertou o botão que os levava até o térreo.
–Bem, acho que estamos sozinhos aqui. – comentou Johnny
–Pois é. – respondeu Stewart – Sem sinal de vida... e agora, o que fazemos?
–O mais óbvio, não? – falou em resposta Martin – Pegamos suprimentos e caímos fora daqui. Talvez a gente ache algo para voltar à Clare.
Os outros dois aprovaram a ideia, balançando a cabeça afirmativamente. Nesse momento, o elevador chegou ao seu destino, com o típico frio na barriga que se sente ao usar um elevador. A porta dupla deslizou, e os três saíram em um corredor similar a pelo qual entraram.
Na parede a frente do elevador, um grande mapa de toda a instalação estava pendurado. Martin tomou a frente, e localizou-os com o dedo indicador, trajando uma trajetória até o saguão de entrada, aonde poderiam sair. Mas antes, localizou alguns pontos estratégicos, como a dispensa e o refeitório, os armários e qualquer lugar onde pudesse conter algo útil.
–Certo... – disse ele para os outros, com os olhos ainda no mapa – Vamos passar pela dispensa primeiramente, depois vamos até onde ficam os uniformes, ver se achamos roupas próprias para o clima lá fora. Depois... podemos ir, creio eu.
Ambos os dois concordaram novamente com o amigo, e junto a ele rumaram para a esquerda, onde o primeiro destino os aguardava.
Conto do homem da vigilância I
A sala estava escura. Sem iluminação, natural ou artificial, apenas a luz que emanava dos monitores à sua frente. Uns trinta monitores cobriam toda a parede, mostrando pontos estratégicos da sede. Ele havia idealizado aquilo em sua geração, assim que pusera os pés no lugar pela primeira vez.
Abaixo e a frente dos monitores, havia um painel de controle, próprio para alterar as propriedades de cada monitor, como brilho, contraste. Era possível também movimentar as imagens, fazendo a câmera que gravava cada imagem se mover.
Quase nenhum dos trinta monitores apresentava algo de interessante. Apenas um, que ficava em um corredor próximo a dispensa. Mostrava as três cobaias escolhidas especialmente para aquele experimento pela H.A.N.K.
Aquele lugar escuro onde ficavam os monitores era a Sala de Vigilância e Monitoramento da H.A.N.K. Lá estava um homem, que apreciava atentamente as imagens, capturando quadro a quadro com seus olhos, identificando cada passo que cada um dos três amigos dava. Aquela tarefa era importantíssima, crucial para o andamento do projeto Genesis e, portanto, era um trabalho demorado.
O homem na sala de vigilância tomou um gole de seu café. Precisava manter-se acordado para ver o que acontecia com os três amigos. Até o que haviam feito com Stewart fizesse efeito, poderia demorar algumas horas. Talvez até mais de um dia, mas ele prezava muito pelo sucesso de Genesis e por isso ficaria ali, vigiando.
Pelo o que tinha ouvido da boca de Martin, estavam se dirigindo até a dispensa, para pegar suprimentos. Sábia decisão. Os três achavam que a sede da H.A.N.K. estava vazia. Mal sabiam do que realmente estava ocorrendo...
Conto de Claus I
Por que Pete o havia abandonado a mercê dos lorenses? Embora o acampamento daquelas criaturas estivesse vazio, não havia garantia de que eles não voltariam. Talvez Pete se desse conta disso e voltaria a segui-lo, ambos em busca de Jack. Até lá, prosseguiria sozinho.
Caminhando por aquele solo empoeirado, seus pés já começavam a doer levemente. Não era de fazer caminhadas, embora tivesse feito algumas no passado quando... bem, no passado. O calçado que usava não era próprio para caminhadas extensas, embora não fosse muito apertado.
Olhou para a esquerda e viu o prédio aonde tinham passado a noite. Passou reto, já haviam procurado pelo amigo lá. Então seguiu em frente.
Absorto em seus pensamentos, nem via mais para aonde se dirigia. Formulava teorias. Para onde levaram Jack? E por que apenas ele, quando poderiam ter levado tanto ele quanto Pete? Talvez... pela força de Jack? Apenas aquele Rornac saberia.
No horizonte praticamente vazio, ele avistou um ponto ao longe. Seria alguma pessoa? Ou alguma daquelas criaturas? Não havia por onde chegar furtivamente, pois a paisagem era inteiramente vazia. Então, arriscou, indo em direção ao seu objetivo ao longe.
E ficou surpreso quando viu que era um carro.
Conto de Martin, Johnny e Stewart II
Havia um saco na prateleira superior, o qual esvaziaram e começaram a colocar os suprimentos que consideravam de valor da dispensa. Como não iriam voltar ali, e aquilo poderia demorar, optaram por pegar alimentos que estragavam mais tardiamente, ou os imperecíveis.
Johnny ficou encarregado de levar os suprimentos alimentícios. Logo após terminarem de “saquear” o lugar, no qual havia um bocado de opções, eles saíram e se dirigiram ao guarda-roupas, onde se encontravam jalecos, ternos, alguns casacos e roupas de exploração. Optaram pelas últimas, roupas melhores equipadas, adaptadas para o clima extremamente quente do planeta.
Vestiram-na assim que a acharam. Camisetas levemente almofadadas, calças confortáveis, mas resistentes, sapatos aptos para longas caminhadas. Até cada um achar o tamanho que melhor lhe servia, alguns minutos se arrastaram.
Após terminarem, decidiram por deixar aquele maldito prédio. O que será que, de fato, havia acontecido ali, eles não sabiam. Mas também, não se importavam de ficar sem saber.
Chegaram ao saguão de entrada. Havia apenas um balcão com um sino, o resto era apenas um imenso piso de azulejos e a porta dupla, que dava para Lorem.
Sem perder tempo, os amigos correram até a porta, e a abriram, se libertando para o mundo exterior.
Na verdade, não.
Conto de Claus II
Os carros do tempo deles eram diferentes dos nossos. Não necessitavam mais de rodas, eles “flutuavam”, a partir da emissão de ondas eletromagnéticas, que repeliam o solo e podem ser ajustados para frente, trás, com diversas velocidades. O visual era mais aerodinâmico, necessário para evitar o atrito da atmosfera, mais pesada em Clare, e Lorem.
O carro que Claus havia encontrado estava vazio. Iniciado nas artes do roubo quando estava na máfia de Matt, fez ligação direta. Quem estava usando aquele carro? Lorenses? O próprio Rornac? Eram inteligentes o bastante para dirigir?
Com as questões na cabeça, pegou o carro. Seja lá quem o estava usando, não precisaria dele no momento.
O carro, na verdade, não era dos antigos, mas sim um modelo recente, do ano anterior. Não teve muita dificuldade em pilotá-lo.
Na metade do caminho durante toda aquela paisagem, avistou outro carro vindo na direção oposta. Quando os carros cruzaram entre si, ele não conseguiu identificar quem o estava usando, porém começou a seguir o caminho pelo qual ele veio.
E não foi em vão, quinze minutos depois e avistou o grande prédio da H.A.N.K., em toda a sua decadente glória.
Descendo do carro, entrou no prédio com cautela. Quem o estava usando?
Conto de Martin, Johnny e Stewart III e do Homem da Vigilância II
Ao abrir a porta, não se depararam com a Lorem que esperavam. E em sim em uma sala. Uma sala sem luz, escura, exceto por trinta monitores que davam em diferentes pontos do prédio. Em frente aos monitores, um painel de controle com uma xícara de café encima e uma poltrona logo na frente. Um homem estava lá.
Hank, o CEO de toda a corporação.
–Bem-vindos, Martin, Stewart e Johnny. É um prazer ver que chegaram aqui. – ele disse calmamente. – Creio que não fomos apresentados. Sou HANK, chefe executivo e CEO da corporação H.A.N.K., na qual se encontram.
–Bem, não quero estragar a sua graça – disse Stewart – Mas o prédio inteiro está deserto.
–Não, não está. – disse ele, com um sorriso, em resposta – Vocês ACHAM que está.
Os três estavam confusos. Hank, com um sorriso, estalou os dedos. Toda a sala de vigilância começou a se dissolver em torno deles, dando lugar a um escritório, onde havia uma grande escrivaninha, com Hank sentado atrás dela.
–Eu simplesmente criei uma ilusão. Gostaria de ver como vocês se dariam no caso de terem de sobreviver sozinhos... Logo após a cirurgia de Stewart, os três foram apagados e trazidos até a ante-sala daqui. Sobre sobreviver, foram até que bem. Pegaram suprimentos, mas creio que a escolha mais sábia seria simplesmente permanecer aqui.
Os amigos estavam estupefatos. Haviam sido ilusionados, nada daquelas horas que passaram fora real.
–E o que vai acontecer conosco agora? – Johnny perguntou
–Daqui a uns quinze minutos, quando o nosso último amigo chegar, vocês verão. Eu vou... evacuar o prédio primeiro.
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