Lorde de Família
17 Um Oco na Muralha
Notas iniciais
Loras olhava em volta, e tudo o que via eram árvores secas, neve e neblina. Isto falando no cenário, pois o zumbi divoso contava ainda com a presença do Pandinha de Três Olhos e o cara mascarado, cada um de um lado; o white walker da parada, liderando e marchando na frente de todo o grupo; e aquela enorme alcateia que os seguia com fidelidade.
Muito tempo se passara desde que o trio saíra de Delicium, e agora o destino não era simples: a Muralha. Entretanto, a passagem "arborizada" já estava liberando o caminho deles, e de lá a viam, enorme, imponente, sólida, um obstáculo que nem de longe parecia transponível.
– Rei da Noite! — chamou Loras, em voz bem alta.
– Que foi? — ele virou a cabeça para trás, respondendo com aquela voz bizarra de pano rasgando.
– Por acaso está pensando em escalar a Muralha sem equipamento nenhum? — desafiou. — White walkers podem voar?
– Êh... Pelo jeito você não sabe de nada mesmo, não é, (Loras das Neve)?! Simplesmente, todos nós que estamos aqui, usaremos nossa magia... Incluindo você.
– Magia?... — Isso aqui virou Harry Potter?
De fato nunca o haviam dito com detalhes, por que o perigo no Inverno era tão terrível. A ideia o assustara por um momento — pois sabia-se lá do que seria preciso -, mas uma voz sutil que vinha de seu coração morto o encorajava: a magia corria por sua alma, que continuava viva. E sua Deusa Interior o soprou uma inspiração carregada de ozadia quando Loras olhou novamente para a Muralha.
– Estamos chegandooo! — saltitava o Pandinha.
O galero todo estava agora a menos de 10 metros, e o fofinho correu apoiado nas quatro patas, sendo o primeiro a chegar ao destino.
– Panda-de-Três-Olhos, comece o ritual — ordenou o Rei da Noite, que também estava quase o alcançando.
– Certo! — confirmou. Fechou os olhos, fez uma concentração absurda, e do nada começou a brilhar, como se seu corpo fosse fluorescente.
Pôs as duas "mãos" na frente do corpo, e quando abriu novamente seus-três-olhos, foi como se virasse uma máquina de purpurina, e lançou o jato, continuamente, em direção a um ponto exato na Muralha.
O resto do grupo já se encontrava na distância perfeita. O white walker então ergueu sua lança com elegância, e dela irromperam raios azuis, que fundiram-se com a purpurina numa única rajada.
Foi agora a vez do mascarado, e sim, dos lobos. Eles mandaram mais rajadas azuis, que ajudaram muito a amplificar a força em si de todo o jato.
– Estamos quase lá! Loras, agora é a sua vez!! — exclamou o cara mascarado.
Então ele aproximou-se ainda mais, reuniu toda a coragem que existia em seu corpo frio, e foi tomado por uma sensação de liberdade muito loka. Jogou a cabeça pra trás e abriu seus braços, como uma brabuleta pronta pra avuar, e se surpreendeu quando uma grande energia na forma de uma rajada cor de laranja foi liberada de seu peito.
Divou tanto que, com a junção de todos os poderes, abriu-se um buraco (ou melhor, um oco) suficientemente grande para admitir a passagem de todos. Os raios e purpurinas cessaram, e puderam ver Vila Toupeira do outro lado, não mais inalcançável.
– Vamos, gente! — o pandinha foi animadeenho, e atravessou o buraco, seguido pelo black block e Loras, e o último sorria pela primeira vez em todo aquele tempo, tomado pelo ar de esperança que surgia após a conquista do primeiro objetivo.
Agora o Rei da Noite atravessava a passagem e reunia-se a todos os recém-chegados do outro lado, seguido pelos lobos. Dessa vez fazendo questão de ficar momentaneamente para trás, o white walker virou para o buraco que o grupo abriu, e sorriu...
Mas não de esperança, assim como Loras fizera. Era um autêntico sorriso maléfico, que surgia por razões que os outros presentes, por enquanto, desconheciam.
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