Lorde de Família
13 O Caminho dos Irmãos
Notas iniciais
Renly caminhava a horas sem parar e aos tropeços, enquanto os homens da Irmandade dos Mecânicos Sem Estandartes iam sobre seus vangloriosos cavalos bem cuidados; pois, como todos de Delicium sabiam, eles eram mecânicos de cavalos.
Alguém que o prisioneiro não conseguia ver aproximou-se:
– Você tem cara de quem quer relaxar. — falou o ser misterioso.
– Mas eu já estou trabalhando sendo arrastado aqui — Renly não se importava em olhar para a pessoa com quem conversava, desde que não fosse o terrível e vingativo Paulão Coração de Pedra, mas este sempre ficava na linha de frente da Irmandade.
– Nós podemos trabalhar e relaxar! — exclamou o homem.
Renly não compreendia.
– Como assim? Não entendi.
Então o jovem Baratheon foi surpreendido pela ação do mecânico, que "por acaso" chamava-se Kauan — o mesmo que ajudara Cersex e Nerd Stark em sua fuga.
– Mas o que é isso?! — bradou outra voz, com um ar de indignação — O vagabundo, ex-pedreiro e ex-Rei, enquanto estiver com a nossa irmandade não poderá fazer sexo algum!
Renly comovera-se com a expressão "ex-Rei". Realmente, agora ele só conseguia se achar um vagabundo digno de pena. Como tudo pudera dar errado tão rapidamente?
– Você está pensando em relaxar, Renly Baratheon? — chicoteou um outro homem alto da Irmandade. — Relaxe com isso! — o indivíduo cuspiu na cara do jovem com tanta força que fez seu rosto arder.
Da neblina quase opaca que era salpicada pela nevasca incessável surgira Stannis Baratheon à cavalo, que juntou-se imediatamente ao grupo e presenciou esta cena molhada.
– Que raios vocês estão fazendo agora com o meu irmão?! — sobrepôs-se, severamente.
Os responsáveis apenas olharam para ele, sem responder.
Então o recém-chegado cavalgou até a linha de frente, aproximando-se de Paulão Coração de Pedra.
– Que eu me lembre não estava em nossos planos cuspir no rosto do Renly, estava? — ele indagou novamente, em tom áspero.
– Eu não me responsabilizo pelo comportamento dos membros da Irmandade — rebateu o líder, sem nem sequer virar o rosto em sua direção.
– Tsc... O levarei antecipadamente ao castelo, e aproveitarei para consultar aquela pessoa.
Stannis percebeu que não houveram oposições, o que considerava uma resposta positiva — mas também tanto fazia a resposta ser positiva ou não. Voltou ao final do grupo, pegou o irmão pela parte traseira da camisa num movimento rústico e começou a arrastá-lo em direção ao castelo de Delicium, quase sem o encostar no chão congelado.
– Que delicadeza... — murmurou Renly, sua voz falhando.
– Estou fazendo de fato uma gentileza — respondeu friamente -, creio eu que você não estivesse gostando muito daquela escolta.
E ambos permaneceram em silêncio, ouvindo os cascos do cavalo afundarem na neve já distante do grupo, ao longo de metros e metros pela estrada.
Até que o prisioneiro tomo coragem para quebrar o silêncio.
– Stannis... eu imploro... aproveite que estamos longe deles agora, me liberte...
– Renly, sabe que não posso.
– Escute aqui — o ex-pedreiro-e-agora-ex-Rei ( portanto um derrotado) atropelou as palavras do outro — somos irmãos e temos o mesmo sangue de viado, esqueceu? Você poderia sumir comigo, morar numa cidade onde ninguém nos conheça, mudar de vida... já que pelo jeito a minha conquista de Delicium falhou miseravelmente.
Seu pedido realmente havia tomado um tom de súplica, e olhava para o irmão como se fosse chorar a qualquer momento.
– ...preciso consultar uma certa pessoa que está no castelo agora.
– Eu me sinto um pedaço de batata (WTF, man?!)... pelo menos me ponha em cima desse cavalo, até lá.
Stannis puxou Renly e o colocou "na bunda do cavalo". Mais horas depois, o animal finalmente parou no pátio — deserto — do castelo, ambos puderam descer e entrar pela Grande Porta; O mais velho duro like a cabo de vassoura e o mais novo ainda acorrentado.
– Alô! — cumprimentou Melisandre, que enrolava seu baseado sobre o Trono de Ferro onde estava recostada.
Fale com o autor