Lorde de Família
11 Novos Reis para uma Nova Guerra de um Novo Mundo
Notas iniciais
Não havia frio, dor, agonia, ou talvez uma luz. A luz no fim do túnel, é o que dizem... uma escada para a liberdade no paraíso.
Talvez Loras de Delicium realmente estivesse morto, mas não era isto o que ele sentia.
Abrir os olhos era uma escolha inevitável, mas, "como abrí-los?", pensou Loras. "Como os bebês recém nascidos sabem como abrir seus olhos? Alguém diz isso para eles? Por que ninguém fala comigo? Onde eu estou?..."
Então Loras sentiu um toque morno em sua face, permitindo a ele descobrir seus olhos, para então seus músculos com um leve movimento lhe abrirem as pálpebras.
Vislumbrou então um lobo que lhe lambia o rosto. Seu corpo estava deitado no chão e o lobo tinha o dobro do seu tamanho. Estava também praticamente todo coberto por neve, e repousado sobre ela, mas não sentia frio — o gelo agora fazia parte dele mesmo.
Eis que surgiu outro lobo, acompanhado por outros dois vindo atrás. Mais e mais lobos chegavam e Loras agora podia contar pelo menos dez ou onze. Brancos, negros, cinza, marrom ou com todas juntas, com suas diferentes cores eles eram esplendorosos. A cada passo eles (pisavam na cara do recalque) se firmavam mais perto dele, para acolhê-lo como um igual, um irmão.
Então, inesperadamente, uma voz falou de onde Loras não conseguia ver:
– Eles aguardavam muito por isso, meu caro irmão, mas alguém precisa mais de você do que eles.
O filho de Delicium levantou da neve e virou-se para confrontar a figura, lentamente, sem um pingo de preocupação. O que mais poderia acontecer a ele, depois de tudo?
– Quem é...
– Eu? — a figura era coberta por panos, alguns cinza e outros negros, que encobriam também o seu rosto e deixavam à mostra somente seus olhos; penetrantes e de cor azul-acinzentada. — Eu sou seu irmão agora, e é em mim, neles, e principalmente nele que você pode confiar.
– Muitas das pessoas que eu confiei agora estão mortas e... outra, me fez algo muito ruim, mas mesmo assim confiei, e me deixou assim... agora ele deve estar no Trono, governando e mandando no que não é seu.
O homem encapuzado lhe lançou um olhar intenso e respondeu:
– A vingança vem àqueles que realmente a merecem. Mas isso não importa agora, porque coisas realmente importantes ocorrem fora do alcance do Trono para que ele se preocupe. Coisas muito mais importantes do que Lordes, fidalgos, governantes ou um simples fazendeiro bêbado que vive em tavernas. Existe um mal que se esgueira pelo inverno, adentrando por florestas vilas e grandes cidades. A magia renasceu, irmão, não vê? Pessoas renascem da morte e ferimentos irrecuperáveis! O novo reino nasce, senhor, e com ele uma nova guerra, uma nova Era! Venha senhor, você precisa ser coroado para representar esse novo mundo, e ele mostrará o caminho para receber esta coroa.
O homem mascarado saiu da frente da visão de Loras, com a intenção de lhe revelar uma outra figura menor que ele próprio e o misterioso que acabara de lhe falar. Suas cores eram mistas entre preto e branco. Ele sabia o que era, só não lembrava do nome — um animal oriental, a única diferença aparentemente importante em relação aos outros estava em um pequeno detalhe.
– Este é o Panda de Três Olhos! — revelou o homem encapuzado.
E os lobos vieram para festejar a coroação, avisando a todos os seres que o dia havia chegado. O dia em que o Novo Mundo renascia, trazendo novas guerras e principalmente a sua magia.
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