Longevo

4 Capítulo 4


Quatro dias depois foi quando o dito cujo cumpriu sua palavra. Surpreendente, já que não dei crédito algum ao que falou.

De cara, enquanto se acomodava no sofá, perguntei-lhe sobre como soube meu endereço. Explicou-me que Carlos foi quem havia dado.

Estranhei. A troco do que meu filho estava tão solicito a alguém cuja face nunca viu mais magra?

— Não mudaste nada, sabia?! — comentou, me observando.

— Estou velho e com crises de labirintite, mas não cego, Abílio — cortei seu cortejo.

Riu-se como uma criança fazendo graça.

— Então estás vendo verdade em mim. Correto?

Qualquer pessoa encararia aquilo como deboche descarado. Já eu? Infelizmente, não. Ele estava certo.

Mesmo assim, não me impediu de manter a coisa sob rédea curta.

— E isso muda alguma coisa? — repliquei.

— Justamente — seguiu com os lábios de orelha a orelha — Não.

Pude ver sua mão direita indo, a passos de formiga, em direção a minha mão direita, mais próxima dele. Recuei.

— Tenha respeito pela Selma.

— Caso não tivesse, estaríamos juntos…

— Não, não estaríamos — repliquei, sério — Não encaramos a sociedade 40 anos atrás. Vamos encarar agora?

Novamente, o sorriso estava lá.

— Estamos aqui, não estamos?

Dito isso, levantou-se e saiu.

Notas finais
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