Longevo

12 Capítulo 12


Sequer saberia descrever o que me acometeu naquele instante, pois alegria, euforia ou até mesmo a corriqueira felicidade pareciam substantivos mais comuns do que naturalmente já eram. Vivia a vitória depois de uma copa do mundo para os amantes de futebol. Ou ganhar na loteria para os sortudos.

Aquela sensação que ninguém sabe nomear, mas todos sentem.

A moça explicou também que havia errado um número na discagem, por isso acabou caindo no meu telefone. Implorou mais de cem vezes por perdão, tanto que já estava até desistindo de fazê-lo, quando vi Abílio saindo acompanhado de Andria do corredor que levava a outros cômodos do lugar.

Nem esperei qualquer palavra sair de sua boca para correr e lhe abraçar o mais forte que meus braços conseguiam. Há muito queria fazê-lo. Aquele susto, por mais breve que tivesse sido, foi suficiente para me dar o pretexto ideal para tirá-lo do plano das ideias.

Notei a estranheza inicial dele com meu gesto, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco, seus músculos perceberam não se tratar de nenhuma brincadeira, mas sim, a mais pura verdade de um coração latente de saudade. Magoado sim, mas cheio de amor para compartilhar.

Pedi a Andria que nos deixasse a sós para conversarmos. Ao contrário da vez passada, mostrou resistência, insistindo em ficar pelo bem do pai, pois não toleraria mais agressões de minha parte por melhores justificativas que eu pudesse ter. Meu rosto queimou inteirinho de vontade de me enfiar embaixo da terra. Quem me salvou foi Abílio, garantindo estar tudo bem a filha antes de reforçar meu pedido.

Ela atendeu a contragosto, ficou claro isso. Mas não importava. Poderíamos pôr o ponto final no passado de vez.

Ao entrarmos no humilde quarto onde se hospedaram, sentei-me na ponta de uma das camas de solteiro e ele na outra, fitando seus olhos na tentativa de buscar explicações para minha mudança de ideia. Preferi esquecer um pouco das palavras para dar lugar a gestos. Um em especial.

Dei-lhe um selinho tão leve quanto às penas de um pássaro. Fazíamos isso nos primeiros encontros onde constatamos o interesse mútuo. Resolvi resgatar a lembrança como forma de selar a paz entre nós.

— Eu nunca vou entender tuas razões, Abílio. Nem acho que tu saiba amar — fui franco — Mas posso te ensinar.

Abriu aquele belo sorriso novamente antes de dar outro selinho, mais demorado, menos afoito, mas apaixonado.

Notas finais
Ah, o amor... hehehe Gostou? Deixa um review! Abração e até amanhã!