Lonely Girl

17 Lonely Girl II - Capítulo 17


Notas iniciais
Ha' eu recebi M-U-I-T-A-S reclamações de que vocês queriam uma continuação, eu havia parado de postar porque estava sem inspiração para essa Fanfic, mas vou postar a outra parte que já estava pronta, bem espero que gostem.

Porque por mais que machuque, você quer ele perto de você.

***

–– O que você deseja?

Sextas sempre eram um dia lotado no Dinner’s. Era o dia em que eu mais trabalhava.


–– Eu vou querer um suco de laranja e uma torta de maçã. – a loira à minha frente disse, enquanto se olhava no espelho, sem sequer se dar ao trabalho de me olhar. Era como se eu fosse um nada.
–– Eu já trago. – sorri forçado. – Suco de laranja e torta de maçã pra mesa oito, John.
–– Saindo em um minuto!


Olhei ao redor e me perguntei como eu havia parado ali. Na verdade, eu sabia muito bem...


Depois de deixar Konoha com minha mãe, viemos para New York. Tudo estava combinado, mas tudo deu errado e não tínhamos mais como voltar. Havíamos nos desfeito de tudo em Konoha.


Assim que minha mãe começou no novo emprego, ela começou a sentir-se mal. Foi aí que descobrimos que ela estava doente e não poderia mais trabalhar.


(...)


–– O tratamento é muito caro? – eu conversava com o médico, enquanto minha mãe terminava de se vestir.
–– Não vou te enganar, é um tratamento caro.
–– Ela não pode mais trabalhar?
–– Eu aconselho que não. Pode agravar ainda mais o estado de saúde dela.


Saí do hospital totalmente sem chão. O tratamento que minha mãe precisava sequer era disponível em um hospital público. Eu me sentia culpada; nós não devíamos ter saído de Konoha. As coisas pioraram depois que saímos de lá. Só podia ser uma praga bem jogada em mim.


–– Eu posso trabalhar mais leve. – minha disse no ônibus no caminho para casa.
–– Não, mãe. Você não pode mais trabalhar. – eu prendi o choro. – Eu já estou bem grandinha, já faz quatro anos que saímos de New Jersey. Eu já tenho 21 anos, não sou mais aquela garota. Eu posso cuidar disso.
–– Não quero que você saia da faculdade.
–– É uma faculdade horrível. – e era mesmo. – Eu tranco por uns tempos, e depois eu volto.
–– Não.
–– Já chega, mãe. Eu decidi. – eu disse decidida.
–– Não era para ser assim... – lágrimas desceram pelo rosto dela.
–– Mas é, mãe... Não podemos fazer nada.


(...)


Despertei do meu flashback com John me gritando para levar o pedido para a cliente.


–– Que demora. – ela disse com voz antipática quando coloquei a torta à sua frente.
–– Desculpe. – o que eu podia fazer? Xingá-la e ficar sem o único emprego que eu consegui nessa cidade? Achei melhor não.


Passei o resto do dia como todos os outros, servindo mesas. A cada dia da minha vida, eu tinha a impressão que eu havia feito algo errado, já que tudo parecia não sair como eu planejava. Senti-me fracassada pela milionésima vez na semana.


–– Aonde vai, Sakura? – John me chamou quando eu estava indo para casa.
–– Para casa.
–– Você tem que lavar os pratos.
–– Eu já terminei o que tinha que fazer! – eu estava indignada.
–– É isso ou rua.


Mais uma vez eu abaixei a cabeça. Eu precisava daquele emprego, pelo menos, ele era suficiente para comprar os remédios da minha mãe.
Depois de terminar de lavar os pratos, eu recebi o meu salário e finalmente fui para casa. Já era tarde, devido ao tempo a mais que fiquei fazendo hora extra. Quando entrei no metrô, meu corpo estava exausto. Joguei-me em um banco qualquer e fiquei olhando pela janela.


Percebi que dois sujeitos estranhos entraram no mesmo vagão que eu e olhei para os lados só para ter a afirmação que eu era a única no vagão. Segurei minha bolsa e olhei séria para frente.


–– Passa a bolsa! – o cara de touca gritou para mim, me assustando.
–– Por favor, não. – eu implorei.
–– Passa ou leva chumbo. – ele mostrou a arma. Fiquei apavorada; eu não consegui me mexer só de olhar para aquela arma. Torci para que alguém entrasse no vagão, mas ninguém entrou. – Passa logo ou eu vou tomar e aí vai ser pior.
–– Tudo bem.


Mesmo com lágrimas nos olhos, eu entreguei a bolsa com o dinheiro para ele. O comparsa dele revirou tudo, pegou o dinheiro e me atirou a bolsa. Quando o metrô parou, os dois saltaram contando todo o dinheiro.


Apoiei-me no banco, minhas pernas tremiam e meu coração batia forte. Eu pensei que iria morrer. Que eu não conseguiria entregar o dinheiro e levaria um tiro. Depois do choque inicial, eu consegui chorar, mas não chorei pelo roubo. Eu chorei porque me lembrei de tudo que eu tinha que pagar. Dos remédios de minha mãe e do aluguel da casa que estava atrasado. Tive vontade de saltar do metrô e acabar com tudo.


(...)


–– O que aconteceu, filha? – minha mãe correu até mim vendo o estado que eu me encontrava; meu corpo tremia.
–– Eu fui assaltada. – sentei no sofá, abaixei a cabeça e comecei a chorar descontroladamente.
–– O importante é que você está bem, não te fizeram nada. – ela acariciou os meus cabelos.
–– Eu tinha acabado de receber, o que vamos fazer?
–– A gente dá um jeito. Eu posso falar o Senhor Lujan para nos dar um prazo maior.
–– Já está atrasado, ele não vai aceitar. – eu enxuguei as lágrimas. – Eu vou pensar em algo.


(...)


Acordei com o corpo todo doído e o meu psicológico estava um caos. Pensei em não ir trabalhar, mas do jeito que John é mesquinho, me demitiria na hora.


Tomei um banho e coloquei o uniforme de garçonete, por cima, um casaco e saí sem falar com minha mãe. Ela não precisava ver minha cara desesperada.


–– Sakura. – era o senhor Lujan. – O aluguel!
–– Claro, na volta eu pago. – eu disse sem nem mesmo me virar e saí correndo para pegar o metrô a tempo.


Quando cheguei na lanchonete, John começou a dizer que eu estava atrasada e que da próxima vez ia me demitir. Tive vontade de gritar na cara dele e mandá-lo ir para um lugar nada agradável.


Peguei o bloco de anotações e fui atender os clientes que começavam a chegar. Novamente, eu coloquei o meu sorriso falso como se nada nunca estivesse errado.