Alguém já destruiu o seu sorriso com simples palavras?

*

Eu só havia ficado com um corte na boca, devido ao anel que Melisa usava. No caminho para minha sala eu pensava no que eu ia dizer pra minha mãe, ela não poderia saber que eu havia brigado, por sorte o colégio não ligava pra casa de ninguém.


–– Está ficando louca? – parei no meio do corredor. Era a voz dele, a voz que eu não ouvia há dias.
–– Não te interessa. – quem o entende. – Agora você fala comigo?
–– Não!
–– O que deu em você? Será que pode dar uma explicação lógica? Acho que pelo menos isso eu mereço. – o encarei séria, mas na verdade eu queria desabar ali na frente dele.
–– Simples. Eu não quero ser amigo de uma pessoa como você, todos dessa escola estão certos. Perdi meu tempo com você.


Não pude me controlar, as lágrimas que teimavam em cair finalmente caíram por minha face. Aquelas palavras eram afiadas assim como uma faca que atravessava meu peito e perfurava meu coração, nunca pensei que algo poderia doer tanto assim.


–– Que bom para você Uchiha. – senti os olhos dele vacilar por um instante, mas depois aquela mascara fria voltou. – Acho melhor então a gente não se falar mais.
–– O que você acha que eu estou fazendo?


Não me dei ao trabalho de responder, nem que eu pudesse conseguiria responder. Fui para a minha sala assistir o ultimo horário, assim que entrei todos me encararam como sempre, mas dessa vez eu não tinha a mínima paciência. Sentei-me no meu lugar e prestei atenção na aula.

(...)

Já havia duas semanas que Sasuke nem si quer olhava para mim, na hora do recreio eu ia para o mesmo lugar de sempre, mas ele nunca estava lá. Quando ele passava por mim no corredor ou em qualquer outro lugar era como se ele passa-se por ninguém.

–– O seu amiguinho não fala mais com você? – Sasori me abordou na hora do lanche.
–– Eu nunca tive amigo nenhum. – eu disse de forma sombria.
–– Quem sabe eu posso ser seu ‘amiguinho’, vou fazer melhor que ele. – ele disse zombando. Eu havia entendido muito bem o sentido de suas palavras, mas preferi apenas ignorar e sair da cantina. Quando eu ia saindo meus olhos se cruzaram com os de Sasuke, de repente eram os olhos do meu Sasuke.

(...)


–– Mãe, eu cheguei. – eu disse acendendo as luzes de casa. – Mãe? – encontrei um bilhete dela preso a geladeira.


“Vou ter que fazer hora extra hoje, o almoço esta no fogão é só esquentar. Amo-te!”


Peguei a comida e deixei esquentando enquanto eu tomava um banho. Depois que comi assisti um pouco e fui dormir, estava muito cansada daquela escola.


Acordei com alguém batendo forte no portão, levantei-me e olhei no relógio, já era 18h05min. Fui até o portão mesmo ainda estando sonolenta e o abri, era Sasuke.


–– O que está fazendo aqui? – mal terminei de falar ele entrou e fechou o portão atrás de si. – Sasuke!
–– E o seu amiguinho, cadê? – ele cheirava álcool, quando percebi isso me assustei, mas tentei manter a calma. – CADÊ?
–– Vai embora da minha casa. – tentei empurrá-lo para fora, mas foi inútil era como empurrar uma parede.
–– Então ele está ai, não é? – ele me puxou pelo pulso com força e me arrastou pra dentro de casa. – Vamos procurar!
–– Sasuke me solta, você esta louco, não tem ninguém aqui. E se tivesse não é da sua conta. ME SOLTA. – eu tentava me soltar inutilmente. – Está me machucando.


Ele continuava a me arrastar pela casa como se procurasse alguém, apertava o meu pulso com força eu chegava a querer gritar de dor. Ele não era o Sasuke que eu conhecia, eu odiava bebida. Ele empurrou a porta do meu quarto com força, à luz estava apagada e a cama desarrumada pelo fato de eu ter acabado de acordar.


–– O que você fez Sakura? – a voz dele era de um tom possessivo. Senti-me um animal encurralado.
–– Sasuke pare com isso, me solta ou eu vou gritar.
–– Então grita que eu quero escutar. – foi nesse momento que toda a calma que eu tentava aparentar morreu, comecei a tentar me soltar desesperadamente empurrei-o com força mais de nada adiantava. Ele me arremessou com força em minha cama e abriu meu guarda-roupa.
–– Para com isso Sasuke, por favor. – as lágrimas desciam por minha face.
–– Por que você esta fazendo isso Sakura? – ele bateu a porta do guarda-roupa com força.
–– Eu não te fiz nada.
–– Fez sim. – ele aproximou-se de mim deitando-se por cima de mim na cama, virei o rosto para o lado para não sentir o cheiro de bebida que vinha dele. – Quem é seu novo ‘amiguinho’? – ele usou o mesmo tom do Sasori.
–– Não tem ninguém, não tem ninguém. – minha voz saiu embargada pelo choro.
–– Mentira! – ele disse apertando meus pulsos. – Me diga a verdade agora.
–– SOCORRO! – ele tapou minha boca com velocidade quase me sufocando.
–– Eu sei que tem, você é rápida mesmo. – eu queria gritar e correr dali, mas eu nada podia fazer. Estava totalmente a mercê dele, Sasuke era muito mais forte do que eu e estava me segurando para que eu nada pudesse fazer. ‘O que viria a seguir?’Essas palavras ecoavam em minha mente. – Escuta bem Sakura, mesmo que eu não fale mais com você eu sou seu único amigo, e não quero ninguém no meu lugar, esta entendendo?


Tentei falar mais a mão dele sobre minha boca me impedia disso, lentamente ele tirou a mão que tapava minha boca.


–– Sasuke...
–– Diga! – ele apertou meus pulsos contra a cama me fazendo gemer de dor.
–– Você... É o único. – eu disse em meio às lágrimas.
–– Isso... – eu tentava respirar, minha respiração estava pesada, pela primeira vez eu sentia medo do Sasuke e mesmo assim ainda o amava, eu me odiava por isso. – Boa menina. – ele curvou o corpo até perto do meu rosto e beijou o meu pescoço, um beijo molhado como se estivesse tentando me beber. Com uma mão ele segurava minhas mãos me deixando incapacitada de me defender com a outra ele acariciava a minha perna.
–– Pare... Por favor, Sasuke, pare. – eu supliquei, não queria que fosse assim.
–– Seu cheiro é bom... – ele continuava a beijar o meu pescoço e a passar a mão por minha perna.

“–– Na verdade precisa sim. Que eu saiba você pode ser um psicopata e querer me matar.
–– Esse é meu plano, eu vou entrar no seu quarto a noite quando você inocentemente abrir a porta pra mim. Ai eu vou te estuprar e te matar.
–– Não podia só me matar? – eu disse brincando.
–– Ai fica sem a melhor parte.”


Debati-me em baixo dele, eu não queria que minha primeira vez fosse assim, tomada a força por alguém, mesmo que esse alguém fosse o Sasuke. Tentei me soltar com todas as minhas forças e mesmo assim foi inútil.


–– Sasuke por tudo que é mais sagrado... Não. – chorei por clemência da parte dele.
–– Eu sei que você também quer. – ele tentou me beijar, mas eu virei o rosto. Ele segurou meu rosto para que eu não desviasse.
–– Você está bêbado Sasuke, me solta. Eu vou fingir que isso nunca aconteceu.
–– Por que esta fazendo isso comigo? – ele parou de tentar me beijar e apenas ficou me encarando. – Para de chorar! Assim eu não consigo.
–– FILHA! CHEGUEI! – minha mãe gritou da entrada da casa.
–– Me solta Sasuke. – ele me soltou e ficou de pé em um pulo. – Rápido se esconde em baixo da cama. – o empurrei pra de baixo da cama no mesmo tempo que minha mãe abriu a porta do quarto. – Oi mãe. – tentei parar de tremer.
–– O que aconteceu com você? – droga eu tava chorando.
–– Eu tava chorando com saudade do pai. – menti.
–– Eu sei que é difícil filha, mais tudo vai dar certo. – ela me abraçou. – Vou tomar um banho e ir dormir, minhas costas estão doendo.
–– Tudo bem, eu vou dormir também.
–– Boa noite. – ela saiu do quarto.


Sei que devem esta se perguntando por que eu ajudei o Sasuke, mas eu não podia deixar que minha mãe nos visse naquela situação. O que ela pensaria do Sasuke? Ele não era má pessoa, algo devia ter acontecido a ele pra ele ter feito tudo aquilo, além disso, ele não estava sóbrio.


–– Ela já foi? – Sasuke saiu de baixo da cama, com uma cara mais normal.
–– Está no banho, agora vai embora. – eu disse me segurando.
–– Sakura... Eu... Me desculpa, não sei o que aconteceu comigo.
–– A gente conversa depois, agora vai embora daqui. – ele se virou e foi em direção a porta. – Sasuke você esqueceu isso. – e quando ele se virou eu dei um tapa com toda as minhas forças no rosto dele.
–– Eu mereço isso. – ele passou a mão no rosto.


(...)


Durante a noite toda vez que eu fechava os olhos a imagem daquele Sasuke transtornado de raiva me vinha à mente, eu tremia só de imaginar o que poderia ter acontecido se minha mãe não tivesse chegado. Será que ele seria capaz de me forçar daquela maneira? Esse pensamento me fez tremer. Mesmo depois do que aconteceu eu não o odiava, que maldito amar é esse em meu coração que mesmo depois de tudo não me deixa odiá-lo? Só posso ser masoquista mesmo.


No dia seguinte eu evitei Sasuke o dia inteiro, eu não queria nem mesmo olhar para ele. Isolei-me o máximo possível, na hora do lanche fui para a diretoria e fingi que precisava falar com a diretoria. Se eu fosse para os fundos da escola ele com certeza saberia que eu estava lá, afinal aquele era o nosso lugar.


–– Sakura... – Sasuke finalmente me encontrou na hora da saída. – Precisamos conversar.
–– Pode falar. – tentei parecer fria.
–– Aqui não, vamos pra outro lugar.
–– Eu não vou para lugar nenhum com você.
–– A escola toda esta olhando para nós. – ele estava certo, cada um ali nos olhava com intensa curiosidade.
–– Vamos para um lugar publico então.
–– Está com tanto medo de mim assim? – senti a dor nos olhos dele.
–– Não era pra ficar depois do que você tentou me fazer?
–– Eu de fato me odeio por isso. – ele abaixou a cabeça.


Comecei a andar para uma praça que tinha perto da escola, era mais calmo e mesmo assim ainda tinha gente por lá. Sentei-me na grama mantendo certa distancia dele.


–– Pode falar. – eu olhava para as crianças que brincavam no parquinho.
–– Eu sei que desculpas não vão apagar o que eu te fiz, mas eu gostaria de pedir desculpas mesmo assim. Ontem uns amigos me chamaram pra sair e eu acabei fazendo o que eu quase nunca faço que é beber bebida alcoólica. E enquanto eu bebia fiquei pensando besteira e isso me fez pensar coisas erradas, por isso eu fui parar na sua casa daquele jeito. – ele tomou ar. – Por favor, Sakura, você sabe que eu não sou assim, eu não sei o que me aconteceu... Me perdoa.
–– Você não sabe como eu me senti quando você entrou na minha casa daquele jeito e me tratou daquela maneira. – segurei para não chorar, eu não ia chorar.
–– Eu sei. Toda vez que eu fecho os olhos eu vejo o seu rosto, me sinto um imundo. – os olhos dele estavam marejados de lágrimas. – Vou entender se nunca mais quiser olha na minha cara.
–– Eu sei que você estava fora de si, porque em sã consciência nunca olharia pra mim. – olha eu falando besteira. – Digo... – eu tinha que falar isso. – Sasuke, eu te perdoo, mas talvez você tenha razão, perdeu seu tempo comigo. – me levantei do chão, meu coração doía. – Acho que esse é o fim. Adeus.


(...)