Lonely Girl
38 Capítulo 38
(...)
Nos meses seguintes, ambos continuaram a encontrar-se em segredo. Na escola, Sasuke parecia nem notar a presença da jovem que, a cada dia, suspirava mais apaixonada pelo jovem Uchiha.
Depois de uma briga com seu pai, Sasuke resolveu que iria fugir de casa, iria para bem longe fazer o que quisesse da vida. Não precisaria ter que assumir nenhum negócio da família, se quisesse poderia se apaixonar e ter uma vida simples.
Ao saber o que ele faria, Ana insistiu em ir junto. Ela mataria dois coelhos com uma cajadada só, se livraria da família insuportável e ficaria com Sasuke.
–– Eu te amo! – os dois adolescentes beijavam-se em cima do capô do carro. – Por isso, eu estou fugindo com você.
–– Ana... Você ‘tá fugindo comigo porque não suporta a sua família. – Sasuke largou a moça e entrou no carro dando a partida.
–– E você porque não quer assumir a empresa e ser como seu pai. – ela gargalhou. – Mas é sério, eu te amo.
–– ‘Tá... – ele nunca respondia aquela pergunta.
(...)
–– Alô? – Sasuke atendeu ao telefone no banheiro do hotel de beira de estrada. Ana estava deitada na cama esperando que ele terminasse o banho, queria ter ido com ele, mas o mesmo não quis.
–– Sasuke Uchiha. – Sasuke reconheceu na hora a voz de seu pai, Fugaku. – Que idiotice é essa que você está fazendo? Fugindo de casa com essa vagabunda?
–– Ela não é vagabunda. – “Talvez um pouco”, Sasuke pensou. – Não vou voltar.
–– Se você não voltar eu vou te deserdar, você não vai ver nenhum centavo da sua herança, vai morrer na miséria. – Fugaku não seria capaz de fazer isso com o filho, mas essa era a única cartada que ainda tinha. – E é bom você deixar essa vagabunda por aí.
–– Você não tem coragem. – Sasuke queria fugir, mas não tinha a mínima intenção de viver na miséria. Começou a rir quando percebeu que estava sendo idiota, fugindo com uma vagabunda – como dissera seu pai – com apenas 16 anos.
–– Chamei o advogado, vou deixar tudo para o seu tio Madara. – Fugaku blefou.
–– Você não pode deixar tudo para aquele... – não terminou.
–– É só você voltar.
–– Tem razão, foi idiotice mesmo minha. Estou voltando.
–– Ótimo. Estamos te esperando.
Sasuke saiu do banheiro rápido, pegou suas coisas e jogou dentro da mala, Ana o encarou sabendo do que se tratava.
–– Você vai voltar?
–– Sim. – ele respondeu frio.
–– Fica... Por mim. – ela disse chorosa.
–– Quando você vai entender que eu não te amo? – ele disse se soltando e fechando a mala em seguida.
–– Eu vou arrumar minhas coisas. – ela disse ignorando o que ele disse, enquanto enxugava as lágrimas.
–– Você não vai comigo. – ele disse abrindo a porta.
–– Como assim? – ela deixou a mala cair.
–– Isso que você escutou. – ele apertou a maçaneta da porta, sentia-se mal de deixá-la ali, mas ele tinha que a desiludir totalmente. – Adeus.
Ana ficou ali naquele hotel de beira de estrada chorando por horas, até que tomou forças e voltou para casa.
Fugaku tirou Sasuke da escola e o mandou para um colégio público bem longe do antigo colégio particular. Foi na nova escola que ele conheceu Sakura e tinha aceitado a estúpida ideia do amigo de apostar uma conquista com a garota.”
.:Terceira pessoa narrando OFF:.
(...)
Abri meus olhos lentamente, mas tudo estava embaçado. Eu só conseguia ver uns borrões à minha frente, fechei meus olhos novamente tentando fazer minha visão entrar em foco. Novamente abri os olhos, dessa vez, consegui ver a parede do meu quarto nitidamente, do lado, a porta aberta mostrando o corredor.
Minha cabeça parecia que ia explodir, meu corpo estava cansado, era uma sensação parecida como a de quando acordei no hospital, mas eu sabia que estava assim por causa da bebedeira da noite anterior.
Forcei minha mente a me lembrar de alguma coisa, mas tudo o que eu me lembrava era de ter bebido bastante no bar, depois ter vindo para casa com Ana e bebido mais e... Tinha mais alguma coisa que eu não conseguia lembrar... Uma pessoa... Minha cabeça doeu.
Fechei os olhos de novo, na tentativa de clarear a mente. Isso que dá beber tanto sem nunca ter bebido nada antes. Não sei o que deu em mim, eu odeio bebida e, de repente, lá estava eu dançando bêbada.
–– O QUE DIABOS É ISSO?! – abri meus olhos rapidamente focando Sasuke parado na porta do meu quarto, eu não entendia porque ele tinha o rosto tão transtornado de raiva.
–– Sasuke... – nossa, eu realmente estava mal, parecia que estava dopada ou algo do tipo.
–– Quer me explicar? – ele entrou no quarto batendo a porta com força, nesse momento, senti alguém se mexer ao meu lado. Sentei-me na cama rapidamente e olhei para o meu lado, quase cai para trás, parecia que era mentira. Do meu lado na cama estava Madara, deitado, seminu. – É isso que você faz quando eu saio?
–– Sasuke, eu... – era difícil pensar, imagina só como estava sendo terrível falar. – Não sei o que está acontecendo.
–– Pois eu sei. – eu podia sentir a raiva na voz dele. – Você transou com o homem mais desprezível da face da Terra.
–– Ah, bom dia, Sasuke. – Madara disse levantando-se da cama e colocando as calças, como se tudo aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
–– Bom dia o caralho, eu vou matar você! – Sasuke foi em direção a Madara e o empurrou com força contra a parede. – Como você pode ter tocado nela?
–– Ao contrário de você, não foi à força e ela gostou muito. – Sasuke deu um soco no rosto de Madara, o que fez com que ele caísse no chão. – A verdade dói, não é?
–– CALA A BOCA. – eu não tinha reação nenhuma, mas eu pude sentir quando as lágrimas desceram por meu rosto. Será que eu tinha mesmo ido para a cama com ele? Não era possível, eu sei que, mesmo bêbada, eu não trairia o Sasuke, mesmo que ele fizesse isso comigo.
–– Sasuke, eu não fiz nada... – eu tentei me levantar da cama enrolada nos lençóis, mas fui ao chão, minhas pernas não me obedeciam.
–– E como você explica essa cena? – ele me olhou de cima, eu podia ver o desprezo nos olhos dele. – Olha só para você! – olhei para mim mesma, estava de roupas íntimas, uma lingerie preta com detalhes vermelhos. Eu segurava o lençol fino na frente do meu corpo.
–– Eu não me lembro... – era terrível aquela sensação de que haviam apagado a sua memória. – Por favor, eu não fiz nada, acredite em mim. – tentei ficar de pé mais uma vez, mas não consegui.
–– Fez sim! – Madara riu levantando-se do chão. – Fez muito bem, eu diria. – nesse momento, eu pensei que Sasuke ia matá-lo, eu vi os punhos cerrando-se de raiva, o vi tremer de puro ódio.
–– SAI DA MINHA CASA, MADARA! – Sasuke tentou dizer calmamente. – Eu admitia tudo, você querer a minha empresa, você querer a minha casa, você querer a minha vida, mas ela não.
–– Na verdade, eu só a queria mesmo. E como foi bom, sobrinho. – senti uma dor cortar meu peito, eu não conseguia parar as lágrimas, sentia-me suja tendo ido para cama com ele.
–– Saia agora! Antes que eu seja preso por te matar! – eu permaneci no chão ao lado da cama, sentada como uma vagabunda que espera a sua sentença. – Eu vou me acertar com ela. – eu senti o tom de ameaça na voz dele. – E você, não pense que eu vou me esquecer. Porque eu não vou. Você vai preferir a morte, eu juro. – ele disse olhando diretamente para Madara, os dois encaram-se friamente por segundos, era uma guerra em silêncio.
–– Faça o melhor. – Madara pegou o resto das suas roupas e saiu do quarto batendo a porta com força.
(...)
Pareceu uma eternidade o tempo que ele ficou de pé encarando a porta pela qual Madara havia saído. Depois ele voltou-se para mim e me encarou daquela maneira fria, senti-me o pior ser do universo.
Sasuke caminhou lentamente até mim, instintivamente encolhi-me contra a cama apertando o lençol contra o meu peito, as lágrimas ainda rolando. Não posso negar que tinha medo do que ele me faria, com certeza ele queria ferir muito mais a mim do que ao tio.
Sasuke abaixou-se à minha frente ficando no mesmo nível que eu, encarei seus olhos, eu sabia que provavelmente ele ia me jogar para fora da casa dele, eu nunca mais o veria.
–– Sasuke, eu... – minha voz era fraca.
–– Cala a boca. – parei de falar no mesmo momento. Ele era infinitamente mais forte do que eu, com certeza, eu não poderia fazer nada contra ele. Ele levou a mão até o meu rosto e segurou em meu maxilar me fazendo encará-lo.
–– Sasuke, eu não fui para cama com ele... – isso era mais uma súplica por piedade do que uma explicação. – Ele me deu alguma coisa, eu não me lembro, mas eu sei que não dormi com ele, por favor... – eu dizia em meio ao choro.
–– Fica em pé! – ele mandou, levantando-se.
–– Eu não posso... Não consigo. – eu não lembrava, mas eu tinha certeza que Madara tinha me dopado. Eu nunca iria para a cama com ele de livre e espontânea vontade, mesmo ele sendo um homem lindo, eu não transaria com ele só por diversão, porque eu amava o Sasuke.
Sasuke segurou em meus braços e me fez ficar de pé, minhas pernas pareciam faltar, mas eu as sentia ali. Ele me segurou contra o seu corpo impedindo que eu caísse no chão. Assustei-me quando ele me colocou na cama e foi até o meu closet, pegou um casaco comprido e jogou na cama.
–– Veste isso. – puxei o lençol e coloquei o casaco, tudo isso com os olhos dele sobre mim.
–– O que vai fazer comigo? – eu perguntei enquanto ele pegava o celular e fazia uma ligação.
–– Sim, preciso que venha para cá agora mesmo. – ele fez uma pausa enquanto andava até a janela do meu quarto. – Sim, é um serviço para você. – ele olhou para mim. – Sim, dez minutos estão ótimos.
Enxuguei as lágrimas com dificuldade, minha respiração estava acelerada. Encarei meus pés. Eu esperava que, em dez minutos, entrasse pela porta do meu quarto um assassino profissional, que me mataria com um tiro à queima roupa e usaria um silenciador para que ninguém ouvisse o tiro. Sasuke assistiria tudo, o pagaria depois do “serviço” pronto e mandaria que ele desovasse o meu cadáver no rio Hudson. As lágrimas voltaram a cair depois daquele pensamento.
–– O que vai fazer comigo? – eu tornei a perguntar mesmo com medo da resposta.
–– Você já vai saber. – ele sorriu olhando pela janela. O assassino profissional com certeza havia chegado.
Ouvi alguém bater de leve na porta, Sasuke caminhou até lá e a abriu. Um senhor entrou no quarto, ele segurava uma maleta de couro e usava um terno. Parecia ser um simpático velhinho, devia ser algo para disfarçar o seu verdadeiro trabalho.
–– É ela. – Sasuke apontou para mim. – Eu vou sair. – Sasuke saiu do quarto e me deixou sozinha com o velhinho.
–– Tudo bem, querida, não vai doer nada. – ele disse vindo em minha direção, enquanto abria a maleta. Fechei meus olhos, só sentir a dor já seria o suficiente, eu não precisava vê-lo empunhando a arma e depois, ver o sangue se espalhar por minha roupa. Era melhor morrer sem detalhes.
Abri os olhos quando senti uma liga sendo amarrado no meu braço. Encarei o senhor que tirava uma agulha da maleta, em seguida, ele segurou meu braço e procurou por uma veia. Vi a agulha entrar lentamente no meu braço e, em seguida, começar a encher com o meu sangue. Quando o senhor terminou, ele guardou a amostra em sua maleta e jogou a agulha no lixo do meu quarto mesmo.
–– Prontinho. – ele disse sorridente, não consegui retribuir o sorriso, mesmo estando aliviada por não ter tomado um tiro. Nesse momento, me senti uma idiota ao pensar que aquele senhor era um assassino profissional.
O senhor saiu deixando-me sozinha no quarto, joguei o meu corpo para o lado deitando parcialmente na cama. Fiquei por minutos encarando a porta, eu podia ver as sombras se movimentando em frente ao meu quarto, escutava a voz do Sasuke bem longe e também escutava a voz do senhor que acabara de sair do meu quarto. Fechei meus olhos para pensar melhor, não percebi que acabei dormindo, mesmo naquela posição incômoda.
(...)
Perdi totalmente a noção do tempo. Quando abri meus olhos novamente, o quarto estava escuro. A única luz que iluminava o ambiente era a luz da lua que entrava pela varanda. Olhei para o relógio no criado-mudo, que marcava 21h30min.
Levantei-me da cama com um pouco de dificuldade, fiquei aliviada por já poder andar sozinha, embora ainda sentisse o corpo doído e a cabeça, latejando. Tirei o casaco e o joguei no chão do quarto, enquanto eu caminhava para o banheiro do meu quarto e despia todas as peças de roupas que eu usava.
Meu corpo relaxou quando a água quente do chuveiro caiu sobre minha pele, era como se toda aquela confusão estivesse sendo lavada e corresse em direção ao ralo. Tomei um susto quando me olhei no espelho, meus olhos estavam vermelhos e meu rosto, um pouco inchado devido ao choro.
Coloquei a calça do meu moletom e uma regata leve, me joguei na cama e percebi que eu estava com fome. Resolvi descer para comer algo, mas não consegui sair do quarto, a porta estava trancada, tentei abrir, mas nada adiantou. Bati na porta com força e gritei para que alguém abrisse, mas minha única resposta foi o silêncio.
Sentei-me na cama abraçando minhas pernas. Sasuke havia me trancado no quarto para que eu não saísse. Ele tinha sido muito brando comigo, era óbvio que ele faria algo mais tarde. Mas eu ainda não entendia o porquê daquele senhor ter vindo coletar o meu sangue.
Depois de meia hora sentada na mesma posição e estar quase desmaiando de fome, deitei-me virada para a porta, encarando a mesma como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Meus cabelos molhados estavam espalhados na cama, quase secando. Isso era uma prova de que eu já estava ali há muito tempo. Olhei o relógio, 23h48min.
Eu já estava pegando no sono mais uma vez quando escutei passos, abri os olhos a tempo de ver a porta ser aberta. A luz do corredor refletiu em meu rosto fazendo-me cerrar os olhos.
–– Trouxe algo para você comer. – Sasuke disse entrando no meu quarto. Ele colocou a bandeja em cima de um móvel e fechou a porta novamente. – Deve estar com fome. – eu permaneci deitada, encarando-o.
–– Por que você me trancou? – eu disse simplesmente. – Sabia que eu estou quase morrendo? – eu aumentei um pouco só pra ver se ele sofria um pouco.
–– Desculpe-me por isso. – eu não sentia mais aquela raiva na voz dele, era quase como se nada tivesse acontecido. – Acho melhor você sentar para comer. – sentei-me na cama com certa dificuldade, enquanto ele trouxe a bandeja para mim.
Sasuke colocou a bandeja de comida na minha frente e, mesmo estando morrendo de fome, eu não ataquei a comida. Comi devagar e delicadamente, seja o que for que ele estivesse fazendo, eu não queria dar nenhum gostinho para ele. Tomei um copo de suco de morango e então, eu estava satisfeita.
Sem falar uma palavra, Sasuke tirou a bandeja da minha frente e saiu do quarto. Corri até a porta, mas ele já havia a fechado. Bati na porta desesperadamente.
–– Sasuke! – eu gritava. – Me tira daqui, caramba! Isso não tem graça.
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