Lonely Girl
35 Capítulo 35
Acordei na manhã seguinte de mau humor. Fui até o banheiro do meu quarto, tomei um banho quente e coloquei uma roupa de frio. Desde a noite passada nevava.
Tomei o café da manhã sozinha, no fundo, eu achei melhor Sasuke não estar lá, evitaria um clima desconfortável entre nós.
–– Senhora. – Ami me chamou.
–– Oi, Ami. Bom dia. – eu não precisava descontar o meu mau humor em ninguém.
–– Bom dia, senhora. – ela sorriu. – O Sr. Sasuke deixou isso para a senhora. – ela entregou-me uma carta.
–– Obrigada. – peguei a carta das mãos delas.
–– Com licença.
Eu já havia acostumado com as pessoas daquela casa me chamando de senhora, cheguei a pedir diversas vezes para me chamarem pelo nome ou de você, mas não deu muito certo.
Respirei fundo e abri o envelope.
“Sakura,
Tive que fazer uma viagem para Miami. A empresa não vai muito bem, pois os acionistas estão me pressionado. Volto em breve, aí conversaremos.”
Sim, eu fui embora antes que ele pudesse falar comigo. Por alguma razão, eu me sentia muito humilhada para ter qualquer conversa com quem quer que fosse.
(...)
Na manhã seguinte, acordei cedo, arrumei minhas malas e peguei o primeiro voo para Konoha. Já fazia um bom tempo que eu não via Ino, então quis aproveitar aquela oportunidade para visitar a minha amiga em paz. Depois que ela teve o bebê, eu ainda não tinha tido tempo para ir visitá-la. Se ainda a conheço bem, deve estar querendo me matar.
Eu tinha ido ao casamento da Ino e do Gaara. Tinha sido uma cerimônia linda e eu realmente poderia dizer que naquele casamento tinha amor, ao contrário do frio casal de padrinhos, Sasuke e eu.
Será muito difícil, mas eu quero o antigo Sasuke de volta. Aquele Sasuke do colégio, mesmo que tenha sido fingindo, que cuidava de mim, que era engraçado... Depois de tudo que havia acontecido, resolvi parar de me culpar, parar de culpá-lo, parar de culpar qualquer um. Eu só queria aquele amor de volta... O meu amor.
–– Sakura! – Ino veio correndo até mim, assim que eu desembarcava. – Ai, que saudades, amiga.
–– Pensei que você estaria querendo me matar. – eu desconfiei, enquanto entregava a minha mala para Gaara, que a colocava no porta-malas do carro.
–– Que é isso, Sakura. Não temos tempo para isso, a vida é curta para ficar remoendo o passado. – a frase da minha amiga me tocou no mais profundo do meu coração. De repente, aquilo me fez refletir. Se eu não tivesse me martirizando com o passado, talvez tudo tivesse sido diferente.
–– Cadê a sua filha? – eu estava ansiosa para ver a filha dos meus amigos, quem diria que aqueles dois do colégio estariam casados e com uma filha?
–– É menino, Sakura. – Gaara disse sorrindo freando no sinal. – O ultra-som tava errado.
–– A gente já tinha comprado tanta coisa rosa. – os dois sorriram. – Bem, tivemos que trocar a maioria.
–– Droga, eu te dei um berço rosa. – lamentei-me. – Quer que eu troque?
–– Não, eu dei um jeito nisso. – Gaara parecia ter realizado o feito do século. – Chegamos.
Ino praticamente me puxou de dentro do carro, arrastando-me para dentro da sua mais nova casa de boneca. A nova casa era linda, era inteiramente pintada de amarelo e tinha um jardim gracioso na frente. O interior da casa era ricamente adornado, desde o mais simples até partes com um toque de luxo.
Subimos as escadas correndo e ela abriu uma porta levemente como que para não acordar alguém. Vi-a aproximar-se lentamente do berço azul – deduzi que Gaara realmente deu um jeito – e olhar carinhosamente para o bebê, que estava dormindo ali. Aproximei-me lentamente e espiei por cima do ombro de Ino, senti meus olhos se encherem de lágrimas. Lá estava ele, um dos bebês mais graciosos que eu já tinha visto, e era da minha amiga, nunca eu tinha imaginado isso.
–– Minha mãe ficou cuidando dele. – ao se referir ao filho, ela tinha tanto carinho emanando na voz. – O que foi, Sakura? – ela olhou para mim e me viu a ponto de chorar.
–– É que... – não contive, as lágrimas rolaram por minha face. – Ele é tão lindo.
–– Ai, Sakura, nem sei como descrever. – ela se sentou na poltrona perto da janela. – É uma sensação indescritível, nunca pensei que ia amar tanto uma pessoa assim.
–– Imagino como é... – uma amargura se apossou da minha voz.
–– Por que essa cara?
–– É que acho que nunca vou ter isso. Essa felicidade, sabe? – olhei pela janela admirando a vizinhança. – Minha vida é uma bagunça, uma verdadeira farsa.
–– Percebi que essa coisa com Sasuke não era de verdade. – eu nunca poderia mentir para ela. – Mas eu sinto que ele te ama e digo o mesmo de você.
–– É... Amo. Mesmo depois de tudo, sou uma idiota mesmo.
–– Não é. Amar não é ser idiota. – ela suspirou. – Se você quiser, tenho certeza que pode fazer tudo dar certo. – ela se levantou e ficou ao meu lado. – Prometa-me que não vai desistir.
–– Eu prometo. – eu sorri e a abracei.
(...)
Passei dois dias na casa de Ino, pois eu não quis mais incomodar e resolvi voltar para casa, mesmo ela insistindo que eu passasse o resto da semana. Durante os dois dias, havia sido ótimo estar naquele ambiente familiar saudável, ao contrário do que eu estava acostumada.
Cheguei em casa cansada, tomei um banho e me joguei na minha cama ainda com os cabelos molhados e usando só o roupão. Sasuke ainda estava em Miami resolvendo negócios da empresa ou isso era o que ele dizia. Mas eu não duvidava nada que ele estivesse com alguma mulher.
–– ACORDA! – dei um pulo da cama. – HOJE É MEU ANIVERSÁRIO!
–– A-Ana? – eu ainda estava morrendo de sono. – Sua louca, por que não me chama como uma pessoa normal? – ela e suas manias de invadir o meu quarto, assustando-me.
–– Porque eu não sou normal. – ela sorriu abrindo o meu guarda-roupa.
–– Que ‘tá fazendo? – fui até ela.
–– Escolhendo algo bonito e muito sexy para você vestir. – ela jogou um vestido vermelho em cima da minha cama. – Este ano eu não vou ter festa, então vamos curtir noite adentro. Chamei mais umas amigas.
–– Que tipo de curtição?
–– A melhor possível. Hora de parar de se martirizar, hoje eu vou fazer você botar para quebrar. Chega dessa depressão minha amiga, hora de levantar e sacudir a poeira.
–– Sabe, você tem razão. – eu disse pegando umas jóias na penteadeira. – Chega de sofrimento, não? EU CANSEI.
–– É ASSIM QUE SE FALA! – Ana parecia já ter tomado umas doses a mais. – Agora anda. Arrume-se logo, enquanto eu vou dar uns telefonemas.
(...)
.: Sasuke narrando ON:.
Eu havia passado praticamente toda a semana em Miami. Adoraria estar ali para curtir as praias e as festas, mas, pelo contrário, eu estava ali para uma tediosa reunião com alguns acionistas da empresa. Uma parte começava a achar que eu não era bom o suficiente para cuidar do império do meu pai, os negócios não andavam muito bem no momento.
–– Depois que você assumiu a presidência, os negócios andam mal. – eu odiava aquele velho decrépito do Danzo, ele adorava puxar o meu tapete. Quando eu tivesse tempo, eu mesmo compraria as ações dele, só para me ver livre daquela cara amarga.
–– O que você quer que eu faça? Estamos em crise mundial. – lógico que a culpa de uma queda no rendimento não era minha. – Não posso fazer o mercado financeiro inteiro sair desse buraco.
–– Sasuke tem razão, Danzo, não pode jogar a culpa nele. O mercado está em crise. – Aoba disse calmamente do outro lado da grande mesa. – Precisamos focar aqui no que interessa, sem jogar culpa em ninguém.
O resto da tarde foi um tédio, ficamos ali conversando sobre estratégias de reverter o caminho para onde a empresa seguia. Por fim, chegamos a uma conclusão simples e que, com certeza, daria certo.
No final da noite, eu estava no meu quarto de hotel sozinho. Puxei uma poltrona e me sentei apreciando a vista do mar, aquela visão me lembrava dela.
Pela milionésima vez, eu havia a magoado e ferido todo os sentimentos dela. Quando se tratava dela, eu parecia não ser humano. O remorso me esmagava toda noite que eu estava sozinho, toda noite que eu lembrava do rosto dela e de como as lágrimas corriam por sua face. Sentia-me um ser frio e sem coração.
Doía-me saber que ela talvez nunca me perdoasse, que ela contava os dias para esse casamento de mentira acabasse e ela pudesse, finalmente, se ver livre de mim. E o que mais doía era que, mais uma vez, eu não ia superá-la, mais uma vez, eu iria me divertir com muitas sem realmente amar ninguém. Mais uma vez, eu transaria com várias a imaginando ali de bom grado, sem ser forçada.
Depois daquele dia – que eu nem gostava de nomear, porque fui muito mais do que estúpido –, eu tinha prometido que ia mudar, que ia afastar aquele lado mau de mim, que ia tentar mudar as coisas. Mas ela estava cada dia mais distante, e, com o tempo, ambos ficamos distantes.
A cada dia, eu me sentia pior, esse não foi o tipo de homem que meu pai me ensinou a ser. Deixei-me levar pelo desejo e pelo orgulho, a cada vez que ela fugia, mais eu a queria. Era doentio.
–– Senhor Sasuke! – um dos empregados do hotel me chamou. – Suas malas já estão no carro.
–– Obrigado.
.: Sasuke narrando OFF:.
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