Lonely Girl

39 Capítulo 39


“–– Tem para você também, Sakura. – Ana se levantou de cima do homem e foi até a garrafa, tomando mais um gole, fazendo a garrafa secar. – Não é, Madara?

–– Sim. – ele olhou para Sakura no outro sofá e lançou-lhe aquele olhar sedutor combinado com o sorriso. – Vem cá. – ele bateu no sofá.

–– Vocês estão loucos. – Sakura estava começando a achar Ana uma tremenda louca.

–– Deixa de ser boba, Sakura. – Ana segurou no braço da amiga e a levou até o sofá onde Madara estava deitado. – Até parece que o Sasuke não ‘tá fazendo coisa pior.

–– Se o conheço, está fazendo a coisa pior. – ele sorriu segurando no pulso de Sakura.

–– Eu vou pegar mais uma garrafa. – Ana saiu cambaleando mais uma vez em direção ao escritório de Sasuke.


(...)

–– Voltei, queridos. – ela sacudia outra garrafa no ar. – Madara, faça as honras. – jogou a garrafa para Madara que a parou no ar, em seguida, a abriu e tomou um gole.

–– Sua vez. – ele praticamente fez com que Sakura tomasse a bebida forçada. – Isso, toma tudo. – ele olhou para Ana e sorriu. – Parabéns.

–– Pelo quê? – Sakura quis saber tentando parar de beber o que Madara a forçava tomar.

–– Por nada. – ele sorriu. – Agora toma tudo.

–– Não... Eu não quero. – empurrou a garrafa da sua mão. Tentou ficar de pé, mas cambaleou e caiu, estava extremamente tonta, sentia-se extremamente mal. – Me solta, Madara.

–– Vamos, vou te levar para o seu quarto. – ele a segurou firme e, praticamente, arrastou-a escada acima.

–– ANA! – ela gritou. – Não deixa ele me levar. – o teto começou a rodar. – Ana... – e tudo ficou escuro.”

Acordei espantada, a luz do sol entrava pela minha janela. Eu tinha certeza que aquilo não era um simples sonho, era uma lembrança daquela noite.

Nesse momento, eu sentia como se alguém tivesse me jogado um balde de água fria, Ana estava junto com ele em tudo aquilo, ela trouxe aquela bebida, ela me arrastou até ele. Como eu podia ser tão idiota? Eu sentia dificuldade de respirar, era difícil imaginar que uma das pessoas que eu gostava naquela cidade havia feito isso comigo.

Deitei-me novamente encarando a porta, na mesma posição da noite anterior. Isso era horrível, ficar presa ali naquele quarto sem nada melhor para fazer. Eu não entendia por que ele estava fazendo isso, seria uma espécie de castigo? Era difícil para eu entender a mente de Sasuke Uchiha. Mas o que era mais difícil era entender a minha mente masoquista. Eu, definitivamente, estava tentando esquecer tudo que ele já havia me feito, e, nesse momento, eu só queria saber o motivo de eu estar ali trancada no meu quarto.

Vi uma sombra pela fresta da porta, virei-me de costas para a mesma rapidamente. Não sei o porquê, mas fiquei nervosa em ver o Sasuke.

–– Trouxe o seu café. – a voz melodiosa dele falou. Eu podia sentir o perfume dele encher as minhas narinas, assim que a porta foi fechada.

Pouco a pouco, os passos dele foram se aproximando da minha cama, escutei-o colocar a bandeja em cima do criado-mudo, em seguida, senti-o se sentar na cama. – Você está se sentindo bem?

–– O que você acha? – eu disse com a voz fraca. Tinha um dia que eu estava ali e aquilo estava me deixando louca.

–– Isso é para o seu bem. – virei-me para ele, o rosto dele estava calmo, e o jeito que ele me olhava eu já não via desde o colegial.

–– Me prender aqui é para o meu bem...? – eu perguntei confusa.

Ele não respondeu, ele inclinou o corpo sobre o meu, os lábios dele tocaram o meu suavemente. Às vezes, nós dávamos selinhos na frente da mídia, mas nada demais. Mas a forma que ele me beijava agora era uma mistura de carinho e amor, parecia o nosso primeiro beijo. Entreabri meus lábios permitindo que ele aprofundasse o nosso beijo. Os lábios dele abandonaram a minha boca e foram em direção o meu pescoço, dessa vez, eu não fugiria, cada parte de mim o queria. Mas, então, ele parou e sentou-se na posição anterior.

–– Sasuke, eu... Juro, eu não dormi com o Madara.

–– Eu sei. – ele disse simplesmente. Então, ele pegou um envelope em cima do criado-mudo e me entregou. Sentei-me, ficando próxima dele, peguei o envelope e o abri. Eu só entendi uma linha, e era a que mais importava.

“Positivo para dope.” Agora eu entendia o porquê da coleta de sangue.

–– Então, por que me deixou aqui trancada? – ele sorriu.

–– Porque fiquei com medo que você fugisse antes que o resultado chegasse. – ele acariciou os meus cabelos.

–– E se desse negativo? – perguntei receosa.

–– Eu teria que te matar. – ele disse sério, mas depois começou a sorrir. – Acho que eu não ia fazer nada com você, mas com ele... – vi um lampejo de raiva nos olhos dele. – Eu sabia que tinha algo errado, o jeito que você estava. É óbvio que não estava bêbada. E bem... Eu acho que, mesmo depois de tudo que eu já te fiz, você não faria isso comigo.

–– Eu não faria mesmo. – eu admiti. – Mas eu me lembrei de algo.

–– O quê?

–– Ana, ela ajudou o Madara, eu tenho certeza. – vi-o ficar rígido.

– Ela veio aqui naquele dia, disse que era o aniversário dela e me fez beber. Depois o Madara apareceu e os dois começaram a se beijar. Eu disse para pararem com aquilo, então ela me puxou... – essa parte era um branco para mim. – E depois trouxe uma bebida, o Madara me forçou a tomar, e depois disso, eu só lembro-me dele me arrastar para cima e eu gritar para ela me ajudar, mas ela não fez nada.

–– Mas por que ela faria isso? – ele parecia pensativo.

–– Eu também não sei. – eu suspirei. – Talvez ela seja secretamente apaixonada por você. – ele quase teve um ataque de risos. – É possível.

–– Eu nunca ficaria com ela. – Sasuke se deitou na cama se encostando nos travesseiros. – Ela não faz o meu tipo.

–– E quem faz?

–– Você. – encarei-o por alguns segundos, sem acreditar no que ele havia dito. – Quero aproveitar esse momento de paz para te pedir desculpas por tudo de ruim que eu já te fiz. Eu sei que não foram poucas coisas, mas eu me arrependo mesmo de todas. Eu vou entender, de verdade, se você não quiser mais olhar na minha cara, e vou até entender se você me achar o pior homem do mundo. – ele voltou a se sentar, dessa vez, me olhando profundamente. – Mas eu também quero que você saiba que daquela vez, depois do seu acidente, quando eu disse que te amava, eu não estava mentindo. E, mesmo depois de todo esse tempo, eu tentei te esquecer, mas eu não consegui, por isso eu havia virado aquela pessoa desprezível.

–– Sasuke, eu...

–– Espere, eu ainda não terminei. – ele segurou na minha mão. – Mas eu mudei a tempo, e eu quero te dizer pela última vez que eu te amo. – ele colocou a mão no bolso e puxou uma chave e a depositou na minha mão. – Eu não quero que você fique comigo por causa do trato que a gente fez e nem quero que fique por medo. – eu encarava a chave na minha mão enquanto ele falava. – Você pode ir... Se você quiser.

–– Obrigada. – eu apertei a chave em minha mão e fui em direção à porta, eu podia sentir os olhos dele seguirem meus movimentos.

(...)


Coloquei a chave na fechadura e a girei, era mesmo a chave da porta. Passei a chave na porta e a tranquei de novo.

–– O que está fazendo? – Sasuke perguntou incrédulo.

–– Eu não quero ir. – eu voltei e sentei-me na cama. – Você sabe que eu não sou boa nisso. – eu sorri. – Mas eu te amo, eu não posso te deixar. – ele parecia não acreditar no que eu dizia.

–– Mas... Eu te fiz tanto mal, você devia me odiar, isso não é certo.– coloquei minhas mãos no rosto de Sasuke.

–– Eu não quero mais fugir, eu quero você. – uma lágrima solitária desceu por meu rosto.

–– Viu? Eu sempre te faço chorar, sempre te faço sofrer.

–– Eu não ‘tô sofrendo, eu estou feliz, porque o antigo Sasuke voltou. O Sasuke que eu sempre amei e eu sabia que ele estava aí dentro em algum lugar. – ele sorriu.

–– Eu te quero muito... – ele inclinou o corpo na minha direção e nossos lábios se tocaram suavemente, as mãos dele escorregaram por minhas costas. – Mas só se você quiser.

–– Sim, eu te quero. – senti-o sorrir.
Sasuke deitou-me lentamente na cama sem partir o nosso beijo, eu sentia uma sensação diferente, era desejo e amor, nada de medo, nada de hesitação.

As mãos dele deslizaram por baixo da minha blusa, o contato das mãos quentes dele me deixaram arrepiada, fazendo-me suspirar. Em um movimento rápido, minha blusa foi parar no chão, fiz o mesmo com a blusa dele, beijando-o em seguida. Ele se afastou por um segundo encarando-me.

–– Desculpe-me por sua primeira vez ter sido daquele jeito. – senti dor nos olhos dele. – Eu ainda me odeio por ter te feito aquilo.

–– Eu te desculpo... – eu disse sincera, beijando-o novamente.
Continuamos nos acariciando e nos amando da maneira mais intensa. Eu não queria que fosse com mais ninguém, só com ele, porque era a ele que eu amava. Era o meu amor por ele que me consumia, que deixava cada parte de mim em chamas.

–– Tem certeza? – ele perguntou-me antes de chegarmos finalmente lá.

–– Sim. – eu não fechei meus olhos dessa vez, eu queria ver o rosto dele, eu queria ver como ele se sentia. Era assim que eu esperava que fosse fazer amor com o Sasuke, com carinho, sem pressa, só o nosso amor.

–– Sakura, eu... – ele disse com a fala entrecortada sussurrando no meu ouvido. – Te amo.

–– Eu também... Te amo. – chegamos ao clímax juntos, ele saiu de cima de mim e deitou ao meu lado, puxando-me para um abraço, em seguida, puxou o lençol sobre nós (n/a: Sou horrível para escrever cena 'hot', aushuas não me matem.).

(...)

O sol batia no meu rosto, abri meus olhos lentamente, eu estava só na cama. Será que tudo não passara de um sonho bonito? Mas tinha sido tão real...

–– Que cara é essa, bela adormecida? – Sasuke vinha saindo do meu banheiro, os cabelos molhados.

–– Nada. – eu sorri para ele.

–– Que bom. – ele se jogou na cama ao meu lado. – Hoje vão abrir o testamento do meu pai. – ele disse pensativo. Virei para o lado e o abracei, ele retribuiu.

–– Posso ir com você? – eu o encarei. – Se eu não puder tudo...

–– Claro que pode. – ele sorriu me beijando em seguida. – Enquanto você se arruma, eu vou ao meu quarto me trocar.

–– Acho que devemos mudar isso, não é?

–– O quê?

–– Você quer ficar em um quarto separado de mim? – eu fiz uma falsa cara de choro.

–– Ah, é isso. – ele sorriu, beijando meu pescoço em seguida. – Por mim, eu mudava para cá agora mesmo, mas podemos cuidar de tudo amanhã.

–– Certo. – levantei-me da cama e fui em direção ao banheiro.
Enquanto eu tomava um banho, Sasuke se trocava. Fui até o meu guarda-roupa e coloquei um vestido azul e sapatos de salto, fui até a penteadeira e fiz uma maquiagem leve, penteei os cabelos e coloquei algumas jóias. Peguei minha bolsa e desci para tomar café.

–– Bom dia – eu disse sentando-me para tomar café. A empregada logo serviu meu café.

–– A senhora está com uma cara ótima. – sim, eu estava muito feliz, isso estava estampado no meu rosto. – O senhor Sasuke também, escutei-o cantando. Faz tempo que não o vejo cantando.

–– Que ótimo. – eu sorri. Assim que a empregada saiu, Sasuke chegou e sentou-se ao meu lado.

–– Nem me dá bom dia. – ele falou. – Até parece que dormiu comigo.

–– Deve ser porque eu dormi. – desde que casamos, aquele estava sendo o melhor dia, nada de brigas, nada de ódio. – Eu estava com saudades de você. – eu disse sem pensar, fazendo-o me encarar.

–– Como assim?

–– Sabe... – eu pausei. – Assim, alegre, o Sasuke que eu me lembrava.

–– Você me deixa assim. – ele segurou minha mão. – Eu quero que fique com isso. – ele colocou uma caixinha de veludo em cima da mesa. – Era da minha mãe.
Peguei a caixa de cima da mesa, tive uma surpresa quando abri, era uma aliança muito bonita, encarei-o sem entender.

–– Eu já tenho uma aliança.

–– Eu quero me casar com você de novo, dessa vez direito. – não pude esconder o sorriso enorme que surgiu nos meus lábios. – Você quer se casar comigo de novo?

–– Sim, sim. – eu o beijei ainda emocionada.

(...)

–– Bem... Estamos aqui hoje para a abertura do testamento de Fugaku Uchiha. – o advogado ia dizendo, enquanto lia um dos papéis à sua frente.

Sasuke e eu estávamos em um lado da mesa, do outro lado estava Madara, Mikoto não pode vir, então pediu para que o filho a representasse. Brian também estava presente, já que era o advogado de Sasuke. Senti um aperto no coração ao me lembrar que ele estava sendo enganado.

Eu podia ver a fúria nos olhos de Madara, o plano dele havia ido por água abaixo. Sasuke e eu estávamos sentados felizes e era óbvio em nossos rostos que estávamos muito bem e mais felizes do que nunca.

–– Para a minha amada esposa, Fugaku Uchiha, eu deixo 20% das ações da empresa. – A família Uchiha era detentora de 70% das ações da empresa e os outros 30% eram divididos entre acionistas minoritários. – Outros 50%, eu deixo para o meu amado filho Sasuke Uchiha. – o advogado continuava lendo o testamento. – Creio que, a esta altura, ele tenha cumprido o meu pedido, e se casado com Sakura. – olhei para Sasuke, que me deu um sorriso. – Para o meu irmão Madara, eu deixo minha casa nos Alpes suíços e a cobertura em Londres.

–– O QUÊ? – Madara se levantou da mesa rapidamente. – Esse velho me deixou só isso?

–– Olha como você fala do meu pai. – Sasuke se levantou também, pronto para voar no tio e o fazer calar a boca.

–– Acalmem-se. – o advogado alertou.

–– Aquele decrépito. – Madara praguejou. – Para mim, chega disso tudo e de você, seu mimado. – ele apontou para Sasuke. – E da sua mulher vagabunda.

–– Lava a sua boca para falar da minha mulher. – levantei-me segurando Sasuke pelo braço para que ele não fizesse nenhuma besteira, mas bem que eu queria que ele quebrasse a cara de Madara. – Você acha que eu caí naquele seu plano idiota para nos separar? Não seja idiota.

–– Que plano? Está louco agora?

–– Senhor, a polícia está aqui. – um dos seguranças da empresa disse, abrindo a porta acompanhado pela polícia.

–– Eu entreguei tudo para a polícia, Madara. As câmeras de segurança da minha casa, o exame da minha esposa e as provas da sua pequena lavagem de dinheiro e sonegação de imposto. – Madara parecia não acreditar no que estava acontecendo, ele tentou vir na direção de Sasuke e de mim, mas os policiais o seguraram e colocaram uma algema em seus pulsos.

Sasuke me abraçou de lado, como se quisesse dizer que estava tudo bem e que eu não precisava me preocupar.