Lonely Girl

33 Capítulo 33


–– Sakura! – Ana veio até mim no intervalo entre o primeiro ato e o segundo. – Amei esse vestido, onde comprou?
–– Eu não sei, Sasuke me deu. – ela sorriu.
–– Eu forcei Brian a me contar tudo.
–– Como assim?
–– Ele já sabe do que você fez. – ela ajeitou o cabelo. – Parece que a vagabunda terminou com ele e ficou com aquele “noivo”. – ela fez aspas com as mãos. – Ela foi esperta, o velho já ‘tá com o pé na cova.
–– Eu sabia que ele sabia. – eu ri da frase que eu tinha acabado de pronunciar. – Eu também o achei meio estranho.
–– ‘Tá mesmo. É algo no olhar. – ela olhou para onde Sasuke estava conversando com Brian.
–– Acho que sim... – suspirei. – Raiva? Ódio mortal?
–– Não... ‘Tá mais para... – Ana foi interrompida por uma amiga que a cutucou no ombro. – Hey, quanto tempo. – ela estava quase para dizer o que era, que droga. Tive vontade de matar essa fulana. – Essa é a Sakura Uchiha, esposa do Sasuke.
–– Oi. Prazer. – a mulher loira me cumprimentou com um sorriso.
–– Prazer é meu. – tentei ser educada.
–– Amei o vestido. – ela me disse de forma simpática.
–– Obrigada. – nós três começamos a conversar, mas eu não podia deixar de notar o olhar de Sasuke sobre mim. Mesmo quando eu o olhava ele não desviava, continuava a me encarar por completo, desde a barra do vestido até o último fio de cabelo. Aquele olhar me deixava arrepiada.


–– Não, Sakura? – Ana me cutucou.
–– Hã?! – as duas riram.
–– Parece que, pelo menos, um casal aqui ainda tem chama. – a outra brincou.
–– Eu e Brian ainda temos chama. – Ana se fez de ofendida. – Vamos indo, o segundo ato vai começar.


Eu estava me dirigindo para o camarote quando senti Sasuke me segurar firme pela cintura, encarei-o e ele apenas riu.


(...)


A ópera finalmente terminou com o juiz de paz celebrando o casamento de Rosina com o conde. As pessoas começaram a se levantar de seus lugares e irem em direção a saída, fiz o mesmo, acompanhada por Sasuke.


–– Que tal irmos jantar? – Brian disse assim que nos encontramos.
–– Não, obrigado. – Sasuke se pronunciou. – Nós vamos para casa. – ele segurou em meu braço.
–– Tudo bem então, amanhã nos vemos no escritório. – Brian e Ana se distanciaram e sumiram na multidão, não sei o porquê, mas eu tive vontade de correr atrás dos dois.


No caminho para casa, Sasuke permaneceu em silêncio, parecia pensar em algo. Diversas vezes tive vontade de quebrar o silêncio, mas algo me travava. Eu não queria mais permanecer sentindo aquela irritação ao estar perto dele, eu estava disposta a tentar ser amiga dele. Certo que eu nunca esqueceria o que aconteceu no final daquele baile, mas eu poderia, pelo menos, conviver amigavelmente até o fim desse casamento.


–– Então... – eu pensava em algo. – Como foi em Tóquio? – não, não pensei em algo melhor.
–– Foi muito bom. – ele me olhou. – Exceto por um telefonema. – eu tive a impressão que ele falava daquela ruiva.
–– Que pena. – ele sorriu de lado.
–– Nem tanto. – ele me olhou daquela forma fria.


Assim que chegamos em casa, todas as luzes estavam apagadas e os empregados já estavam dormindo. Madara provavelmente não estava em casa, já que o carro dele não estava na garagem. Fui para o quarto, enquanto Sasuke foi até a cozinha. Soltei o meu cabelo e fui até o banheiro tomar um banho e tirar a maquiagem.


Depois de tomar um bom banho, fui até o closet e coloquei uma camisola básica, que ia até a altura do joelho. Eu queria algo confortável e que não chamasse de jeito nenhum a atenção do Sasuke.


Quando entrei de volta no quarto, Sasuke já estava lá e ainda usava o smoking, mas estava só com a blusa branca. A mesma estava aberta, também estava descalço. Ele estava encostado à parede de braços cruzados. Era uma visão extremamente sexy de se ver.


–– O que foi? – olhei para mim mesma para verificar que não tinha nada errado.
–– Nada. – ele parecia tenso. – Você pode pegar uma água para mim na cozinha?
–– Você não estava lá?
–– Eu esqueci.
–– Tudo bem, eu pego.


Eu saí do quarto e fui até a cozinha lentamente, abri a geladeira e coloquei água em um copo de vidro. Eu não sei o que estava acontecendo, mas meus sentidos estavam alerta, e eu sentia uma sensação estranha dentro de mim.


Não volte! Saia daí...


Uma voz veio na minha mente, olhei em volta da cozinha, eu estava sozinha. Isso me deu medo, será que essa casa era mal-assombrada? Eu ri da minha hipótese.


Peguei a água e voltei para o quarto. Assim que entrei, as luzes estavam apagadas. Tudo que iluminava o ambiente era a fraca luz que entrava pela varanda.


–– Sasuke...? – chamei-o, mas não tive resposta. – Sasuke, isso não tem graça. – eu esbarrei no sofá, enquanto andava pelo quarto.
Senti algo me agarrar por trás, o que me fez derrubar o copo de água no chão fazendo-o se partir em pedaços e a água molhou meus pés.
–– Me solta, Sasuke! – tentei me soltar dos braços dele.
–– Fica quieta. – a voz dele era autoritária.


Meus pés abandonaram o chão quando ele me ergueu, debati-me em seus braços com todas as minhas forças, mas parecia ser inútil.
Eu não conseguia vê-lo muito bem, só conseguia identificar os traços dele no meio da penumbra. Eu arranhava os braços dele na tentativa de me soltar, mas, mais uma vez, era inútil.


Pisei no pé dele com força, o que o fez me soltar, corri até a porta na tentativa de fugir, mas esta estava trancada. Fiquei em pânico. Naquele momento, eu consegui identificar o olhar dele, era um olhar de desejo.
Virei-me na tentativa de identificar algo no escuro. Eu não o vi mais. Ele estava jogando comigo, estava querendo me aterrorizar, me fazer pagar pelo o que eu tinha feito a ele. Aquela sensação era horrível, eu me sentia um bicho acuado esperando a hora em que o caçador me mataria.


Apoiando-me nos móveis, fui até a penteadeira pegar a chave reserva. Abri a gaveta desesperada e a revirei no escuro, procurando sentir a chave. Senti Sasuke empurrar meu corpo contra a penteadeira, me prendendo ali. Todo o ar parou de circular nos meus pulmões devido ao susto.


–– Está com medo? – ele me segurou pela cintura prensando meu corpo com o dele, em resposta eu só consegui acenar com a cabeça. – Você foi muito má. – ele sussurrou no meu ouvido.


Eu era uma presa e ele era o predador. Mesmo naquelas circunstâncias, eu sentia o meu corpo reagir ao dele, se arrepiar com o seu toque e a sua voz.


Os lábios dele pousaram sobre o meu pescoço, meio que por extinto, tentei recuar e me afastar dele.


–– Para... – eu o empurrava, mas parecia apenas que eu me apoiava nele.
–– Não! Eu quero você... – ele beijou meus lábios de forma possessiva.


Ele levantou meu corpo e me segurou em seus braços, me debati com força, mas Sasuke me apertou com mais força, não me deixando sair. Ele me jogou em cima da cama, recuei instantaneamente abaixando a camisola que tinha levantado pelo impacto contra a cama.


O corpo dele pousou sobre o meu, eu sabia o que viria a seguir e isso me deixou em desespero. Parte de mim desejava aquilo, mas outra parte queria lutar, e essa parte era mais forte. Eu não queria que minha virgindade fosse tomada daquela maneira. As lágrimas continuavam a escorrer por minha face, enquanto eu ainda me debatia contra o corpo dele.


–– Não lute contra mim. – Sasuke disse de forma autoritária. – Será pior...


Nesse momento, eu parei de me debater, meu cérebro parecia não conseguir assimilar o que estava acontecendo. Eu queria gritar e pedir por socorro, mas meu corpo não respondia.


As mãos dele invadiram minha camisola, o que me fez tentar me soltar de novo. Com todas as minhas forças, minha mão foi de encontro com a face dele, atingindo-o provavelmente de vermelho com a bofetada. Ele segurou meus pulsos firmemente em cima da minha cabeça, me deixando imobilizada.


–– Por favor, não... – fui calada pelos lábios dele sobre o meu de forma violenta, ele os sugava como se tivesse sede. Aos poucos, o beijo ficou mais calmo, até que ele abandonou meus lábios. – Para... – eu soluçava. – Você não e-entende.


As mãos dele percorriam o meu corpo de forma urgente, o que me deixava com medo e excitada ao mesmo tempo. Debati-me mais uma vez quando as mãos dele tocaram os meus seios.


Era inevitável lutar, tudo o que eu fazia não dava certo. Aos poucos, meu corpo ficou imóvel, minha mente parecia ter sido totalmente apagada, eu só sentia as lágrimas escorrerem por meu rosto e o peso do corpo dele sobre o meu.


Fechei os olhos com força quando eu soube que aquele momento estava chegando. Ele afastou minhas pernas com o joelho, e, em seguida, eu senti dor e o corpo dele se impulsionar sobre mim. Um grito de dor escapou dos meus lábios, fui calada por mais um beijo dele.


Eu havia acabado de perder minha virgindade daquela forma, tomada à força por ele. Certo que ele não deveria saber que eu ainda era virgem, mas isso não o dava o direito de me forçar dessa maneira.


O corpo dele dançava sobre o meu, eu podia escutar a respiração pesada dele em meu ouvido. Eu só queria que ele acabasse logo. Finalmente, ele atingiu o ápice deixando o corpo pesar sobre o meu. Ele tomou ar e saiu de cima de mim, me virei de lado ainda chorando e me encolhi.


Não só meu corpo doía, mas meu coração parecia sangrar. Era difícil respirar e as lágrimas não paravam de rolar por minha face. Sasuke deitou-se ao me lado e me puxou para perto dele, me abraçando de lado.


Ele parecia chorar pelo o que fez, mas, mesmo assim, eu sentia raiva dele. Eu sentia nojo do toque dele. Sentia-me mal, parecia que, a qualquer momento, eu não aguentaria mais.


Por fim, ele adormeceu ao meu lado ainda me abraçando. Eu permaneci lá, eu não dormi, eu apenas chorei e sofri ao me lembrar daquela cena.