Lonely Girl

20 Capítulo 20


Passamos o resto da tarde fazendo compras. Ana me obrigou a comprar dois iPhone caríssimos, um para mim e outro para minha mãe. Tentei convencê-la que minha mãe nem saberia mexer daquilo, mas ela não é fácil de persuadir.


Logo depois fomos ao cabeleireiro; eu nunca tinha entrado em um salão tão grande como aquele. Fiz um corte de cabelo mais leve, permanecendo com a franja; meu cabelo estava enorme. Eu não tinha tempo para cuidar de mim, já que tudo era sobre o trabalho e minha mãe. Foi bom esse tempo para me cuidar.


Aquele salão disponibilizava tudo para os seus clientes. Ana e eu tomamos um banho de banheira e depois, nos trocamos para festa lá mesmo. Logo depois, maquiadores fizeram maquiagens para a festa em nós. Eu usava um vestido preto soltinho, bem luxuoso, e salto alto. Ana usava um vestido também, mas o dela era bem colado ao corpo e na cor vermelha.


–– Por que não liga para a sua mãe e avisa que vai chegar tarde? – ela me sugeriu no carro.
–– É verdade. – peguei o iPhone e liguei para a minha mãe. Ela reclamou um pouco, mas logo entendeu. – Pronto. – eu pausei. – Acho que não vou conseguir.
–– É simples. – ela retocou o batom. – Não terá jantar, é só um coquetel. Coloca um sorriso no rosto, fique do lado do Sasuke. Simples.
–– Menos a parte do Sasuke. – nós rimos.


(...)


A frente da casa onde seria a festa estava lotada de carros; carros luxuosos, desde Porsches a Jaguares. Havia manobristas, que estacionavam os carros dos convidados assim que estes chegavam, e a entrada estava iluminada com luzes delicadas. A frente da casa tinha um jardim belíssimo que fazia jus aquela mansão.


–– Gostou? – Ana me perguntou, assim que subíamos os degraus.
–– É linda.
–– É a sua futura casa. – olhei-a atônita, ela sorriu com minha cara. – Imaginei que essa seria a sua reação.


As enormes portas de mogno estavam abertas, e, já na entrada, circulavam pessoas elegantes com taças de champanhe na mão. Os homens eram todos elegantes e tinham aquele ar de realeza, e as mulheres nem se fala. Pareciam que haviam saído de editoriais de moda. Senti-me um nada naquele meio.


Ana segurou meu braço e me puxou para dentro da casa; ela procurava o marido e, provavelmente, Sasuke também. Parecia que eu estava fora de mim e observava tudo como uma terceira pessoa.


–– Aí está você! – ela foi em direção ao marido. – E você também. – Sasuke estava ao lado de Brian. Ele estava lindo usando um traje social; os cabelos arrumados com aquele jeito descolado. O ar saiu dos meus pulmões e parecia não mais querer voltar.
–– Quem é a sua amiga? – Brian brincou. – Você está linda, Sakura. – ele me abraçou em forma de cumprimento. Sasuke permaneceu em seu lugar, encarando-me. – Vamos deixar os noivos a sós, Ana.


Os dois saíram abraçados deixando Sasuke e eu ali sozinhos, sem saber o que dizer um para o outro.


–– Você está linda. – ele finalmente falou. – Meus amigos vão ficar com inveja da minha noiva. – ele sorriu, mas eu não consegui esboçar nada.
–– Obrigada. – eu disse fria. – Espero que não se chateie quando vir a conta do seu cartão. Ana me obrigou a comprar metade do shopping.
–– Não tem importância. – ele se aproximou passando a mão por minha cintura, guiando-me até uma roda de homens. – Pessoal, essa é a minha linda noiva. – todos da roda me olharam de cima a baixo.
–– Quem diria que sua noiva era mesmo tão linda, Sasuke? – um rapaz loiro brincou. – Estou com inveja.
–– Vai ficar eternamente com inveja, porque esta já tem dono. – como eu queria acertar um soco na cara do Sasuke.
–– Prazer, cavalheiros. – eu sorri e cumprimentei-os.
–– Além de linda, é educada. – eu sorri. – Mas onde se conheceram mesmo?
–– Na escola. – Sasuke respondeu. – Ela era minha melhor amiga.
–– Era! – eu disse sem pensar e todos me encaram. – Porque agora somos noivos. – eu consertei. Sasuke pareceu aliviado.
–– Com licença, vou cumprimentar mais uns amigos. – Sasuke disse, me tirando de lá. – Você quase estragou tudo. – ele me repreendeu.
–– Que pena. – eu debochei. – Onde está me levando? – ele subia as escadas enquanto me puxava pelo braço.


A parte de cima era igualmente linda. O corredor era coberto por uma passadeira vermelha persa e nas paredes, quadros raros.
Sasuke abriu a primeira porta e me fez entrar. Era um quarto, provavelmente um dos hóspedes, já que não era tão luxuoso.


–– Isso é sério, Sakura. – ele disse batendo a porta. – Se você está pensando em estragar tudo, é melhor cair fora.
–– Ótimo. – eu fui em direção à porta.
–– Só pense em um jeito de me pagar tudo o que gastou hoje. – eu parei segurando a maçaneta. – Creio que não foi nada barato.
–– Eu devia saber. – virei-me para ele. – Você parece só ter ficado pior. – ele sorriu. Eu odiava quando ele sorria daquele jeito. Era uma mistura de sensualidade e maldade, que me deixava arrepiada.
–– Eu vou cumprir a minha parte, claro. Mas eu não sou idiota, então acho bom você cumprir a sua. – tive vontade de matá-lo.
–– Eu vou cumprir. – eu disse vencida, encostando-me à porta.
–– Que bom.
–– Pare de usar esse tom de ameaça. – eu fui em direção a ele, disposta a lhe dar uma bofetada na cara, mas ele segurou meu pulso e me puxou em direção ao seu corpo.
–– Ou o quê? – ele falou próximo de mim.
–– Me solta. – tentei empurrá-lo.
–– Você fica linda com raiva de mim. – ele beijou meu rosto.
–– Eu já disse! Me solta, Sasuke! – ele curvou o corpo em minha direção e eu senti a respiração dele bater em meu rosto quando escutei a porta se abrir. Separamo-nos rapidamente.
–– Devia saber que estavam fazendo isso. – na porta, estava um sujeito de aparentemente trinta e seis anos de idade, que era muito semelhante a Sasuke. O mesmo ar de sensualidade.
–– Madara... Não posso ter um momento de privacidade com a minha noiva? – Madara riu. Depois, me olhou de cima a baixo, como se tivesse tirando cada peça de roupa que eu vestia. Sasuke me abraçou pela cintura ao ver o olhar do tio.
–– Então essa é sua noiva? – ele se aproximou. – Belíssima. – ele pegou minha mão e a beijou, enquanto olhava em meus olhos. – Não devia esperar menos de você, Sasuke. – os dois se encararam por um longo tempo, até que Madara desviou o olhar para mim. – Posso saber o seu nome?
–– Sakura. – eu disse tentando aparentar tranquilidade.
–– Madara. – ele me olhou daquela maneira novamente. – Muito prazer. – eu sorri sem graça.
–– Será que você pode sair?! – Sasuke me soltou e encaminhou o tio à porta. – Estamos ocupados agora, conversamos depois. – praticamente empurrou o Madara para fora e fechou a porta passando a chave. – Inconveniente como sempre. – ele parecia irritado.
–– Esse é o tio que pode ficar com a sua herança? – sentei-me na cama.
–– É! – Madara parecia ter o dom de deixar Sasuke extremamente irritado. – Há anos ele quer assumir a empresa. Ele mal esperou meu pai ser enterrado e já queria assumir tudo.
–– Ele parece ser muito ambicioso mesmo. – espantei-me quando me dei conta que eu estava conversando com Sasuke.
–– Principalmente com as coisas que me pertencem. – ele me encarou profundamente. – Não percebeu que ele estava tirando as suas roupas com os olhos?
–– Não. – eu menti. – Acho melhor voltarmos para a festa. – levantei-me e segui em direção à porta. – Você não vem?
–– Preciso ficar um pouco só.
–– Tudo bem.