Lonely Girl

18 Capítulo 18


Estava tudo tão bem, eu estava tão feliz, meu sorriso era tão sincero, não havia com o que eu me preocupar. Aí eu acordei.

***

–– Sakura! – John me gritou quando eu estava lavando os pratos para ir embora. – Vai atender os clientes que chegaram!
–– Pensei que estivéssemos fechando. – eu coloquei os pratos na pia e fechei a torneira.
–– Você não é paga pra pensar. – com certeza até o outro lado da avenida ouviu. – Agora vai. E coloca um sorriso nessa cara.


Arrumei o meu cabelo, que estava um pouco desarrumado, coloquei o melhor sorriso no rosto e fui até a mesa. Só havia um homem sentado lá e ele olhava uma revista. Sem querer, acabei olhando a capa, Forbes, revista de milionários. Perguntei-me o que ele fazia ali.


–– O que deseja? – ele me olhou de cima a baixo e sorriu.
–– Muito bom mesmo. – ele sorriu pervertido.
–– Como? – fingi-me de desentendida.
–– Por que não se senta, Sakura? – ele apontou para a cadeira à sua frente.
–– Obrigada, mas estou no meu horário de trabalho. E, além do mais, meu chefe me mata. – eu fiz uma pausa. – Como sabe meu nome? – eu não usava crachá.
–– Você já vai descobrir. E eu me entendo com o seu chefe. – ele abaixou a revista e a colocou em cima da mesa, deixando-a aberta, de forma que eu pude ler o título da matéria. “Morre o dono de um dos maiores impérios, Fugaku Uchiha!” Eu quase caí para trás quando li. Fugaku havia falecido e eu nem sequer sabia. Eu poderia ter ligado para Mikoto. – Algum problema? – ele olhou para a revista.
–– Não. – eu me sentei; quis ver o que aconteceria quando John viesse me gritar. – Vai querer o que mesmo?
–– Eu tenho uma proposta para você.
–– Seja o que for, eu acho que não vou gostar. – eu imaginei certas coisas, como programa, e quis me levantar da mesa.
–– Com certeza não é o que você pensa. – ele sorriu.
–– Não mesmo. – olhei para onde a voz vinha. – Bom... Talvez. – ele sorriu.


Levantei-me da mesa tão rápido que fiz a cadeira cair. Meu coração disparou e minhas mãos suaram frias; pensei que eu desmaiaria ali mesmo. Lá estava ele, Sasuke Uchiha, parado na entrada da porta do Dinner’s. Ele usava uma roupa social e, por cima, um casaco pesado devido ao frio. Sasuke veio em nossa direção, tirou o casaco e sentou-se ao lado do homem.


–– Você, apressado como sempre. – o sujeito com quem eu falava revirou os olhos. – Não podia esperar?
–– Não. – Sasuke disse simplesmente. – Não vai se sentar? – ele disse me olhando.
–– Não! Eu não tenho nada para falar com você. – eu controlei as minhas emoções o máximo que pude.
–– Sakura, eu sei que provavelmente você me odeia... – mesmo depois de tudo, eu ainda sentia algo por ele. Não posso me enganar, eu ainda o amo. Mas ele me machucou tanto que eu ainda sinto raiva em mim. – Mas eu preciso da sua ajuda.
–– Claro que não vai sair de graça... – o outro sujeito se pronunciou.
–– Eu não vou me vender. – mesmo que eu precisasse. – Muito menos para você. – eu o olhei friamente.
–– MAS O QUE DIABOS É ISSO? – John veio até nós gritando. – Sakura, isso não é lugar de conversinha! Eu te pago para trabalhar, não para ficar batendo papo!
–– Que inconveniente. – Sasuke revirou os olhos, enquanto pegava a carteira tirando umas notas de cem dólares. – Isso paga o tempo de conversa dela. – John pegou o dinheiro e foi caladinho para a cozinha. – Esse é o meu advogado, Brian.
–– Prazer. – meio que contra minha vontade, eu sentei de novo na cadeira. – O que vocês querem? Café? – eu fingia que anotava.
–– Que tal se fôssemos ao Central Park? – Sasuke sugeriu.
–– Eu tenho mais o que fazer ou o meu amado chefe me demite.
–– Se você aceitar a nossa proposta, pode se demitir agora. – isso me deixou intrigada. O que faria Sasuke vir até mim depois de tanto tempo?
–– Foi muito bom te ver, Sasuke... Não, eu ‘tô mentindo, não foi bom te ver. – eu sorri. – Mas acho melhor vocês irem.
–– Escuta, mocinha... – eu me virei para aquele advogadozinho. – Isso é um assunto sério. Por que você, pelo menos, não escuta?
–– Tudo bem. – sentei-me de novo. – Pode falar.
–– O meu pai morreu. – Sasuke tinha um ar triste na voz; me doeu saber que isso aconteceria. Eu soube desde o dia na casa do Sasuke, mas eu nunca pude contar. – E eu vou herdar tudo.
–– Hm, que bom. – meu tom era de “não tenho nada haver com isso”.
–– O senhor Uchiha deixou no testamento dele que, para que o Sasuke receba a herança, teria que se casar. – Brian disse folheando a revista.
–– Só você se casar com a sua namorada. – eu disse olhando para a porta da cozinha como se, a qualquer momento, John fosse sair dali com uma faca na mão.
–– Acontece que o meu pai gostava muito de você. – Fugaku era uma pessoa e tanto. – E colocou uma cláusula no testamento que a minha esposa tem que ser... Você. – eu senti meu rosto ficar branco.
–– Isso é uma piada, não é?
–– Não. – Brian respondeu.
–– Nem morta eu me caso com você. – eu olhei pela janela.
–– Não vai ser de graça, Sakura. Se você e Sasuke ficarem casados por dois anos, você recebe dez milhões de dólares. – eu o encarei. Eu realmente precisava muito do dinheiro, não por mim, claro, mas por minha mãe. Com esse dinheiro, eu poderia pagar o tratamento dela.
–– Você não vai mais precisar ser humilhada aqui. – Sasuke inclinou-se para frente. – A menos que sinta falta do colégio. – ele referiu-se ao que eu sofria no colégio. – Eu sei que você está precisando muito. Pode cuidar da sua mãe...
–– Como sabe isso? – encarei-o.
–– Fizemos pesquisas. – eu suspirei.
–– Digamos que eu aceite... – um sorriso se formou no rosto de Sasuke. Se eu não precisasse tanto, eu poderia mandá-lo para o inferno com o dinheiro dele. – E digamos que eu não aceite... O que acontece?

–– Se você aceitar, a gente se casa e finge ser um casal feliz. Você recebe o seu dinheiro e eu recebo minha herança. – ele pausou. – Se você não aceitar o meu “amado” tio Madara vai ficar com tudo. – esse poderia ser o meu momento de vingança, mas eu não era tão má assim para fazê-lo perder tudo o que Fugaku construiu.
–– E esse casamento seria por quanto tempo?
–– Coisa pouca. – Brian respondeu. – Só dois anos.
–– DOIS ANOS? – dois anos com ele, no mesmo teto, convivendo o tempo todo, não sei se eu conseguiria.
–– Sei que é uma coisa difícil de pensar, mas eu não tenho muito tempo...
–– Sakura! – John me gritou da cozinha. – ANTES DE IR, LAVE OS PRATOS. – tive vontade de matar aquele imundo.
–– Será que vocês podem esperar lá fora um instante? Eu vou pensar.
–– Claro. – Brian e Sasuke foram para fora do Dinner’s.


Respirei fundo, empurrei a porta da cozinha com força, fazendo um barulho que assustou John. Ele me olhou de cima a baixo.


–– O QUE PENSA QUE ‘TÁ FAZENDO? VENHA FAZER ESSE SEU TRABALHO.
–– Por que não faz você, seu porco imundo? – eu disse tudo que estava entalado na minha garganta. – E aproveita e cuida dessa sua cara feia. – eu joguei o avental no chão e peguei o meu casaco. – E a propósito, eu me demito. – quando eu saí do Dinner’s parecia que o ar estava mais leve. – Eu aceito, Sasuke. – foi difícil dizer isso, mas era preciso. Era a minha única saída.
–– Agora nós só precisamos organizar tudo. – Brian disse animado. – Vou ligar para a Ana, tudo tem que ser rápido.
–– Vai ser discreto, não é?
–– Temos que chamar atenção para o “amor” de vocês.
–– Eu preciso de tempo para dar a notícia para a minha mãe. Claro que ela não vai acreditar que o casamento é por amor... – Sasuke abaixou a cabeça. – Eu vou para casa.
–– Eu te levo. – Sasuke pronunciou-se.
–– Eu vou só.
–– Sakura, querida, você agora é noiva de um milionário. Não pode sair por aí assim, pode ser sequestrada. – Brian disse como se fosse a coisa mais óbvia.