Londons Sin

21 .Chapter Twenty-One.


- Ela não pode exigir tanto!

- Sim, Behwi, ela pode. Você sabe que pode.

- Não a conheço, mas a odeio. Por pensar que pode controlá-lo. Por tratá-lo como um objeto.

- Não valho mais que isso...

- Oh, Michael, não fale assim. – ela tocava-lhe o rosto.

- Preciso ir. Volto na próxima semana.

- Tudo bem. Cuide-se.

- Você também. – beijou-lhe a testa e saiu.

Do lado de fora, avistou Rebecca, que o olhava, ainda sentada no mesmo lugar.

- Até breve Rebecca.

Ela apenas deu-lhe um sorriso amarelo e desviou o olhar. Por um momento, Michael sentiu uma vontade de ir até ela e beijar-lhe até acabar o fôlego, mas preferiu afastar dali o quanto antes. Transformou-se em um morcego e foi-se.

Frank, no horário de almoço voltou à gruta. Cuidou do ferimento de Gwen e voltou ao trabalho, prometendo retorno.

Ela teria fugido, se não houvesse torcido o pé com a queda. Era uma torturar depender de outra pessoa. Estava faminta. Toda aquela comida trazida por aquele mortal, não a atraía e nem a saciaria. Precisava sair... precisava do seu alimento. Tentou ficar de pé mais uma vez. Um gemido escapou-lhe dos lábios e ela caiu ao chão, também, mais uma vez, chorando compulsivamente.

Ao anoitecer, arrastou-se para fora da gruta e capturou a primeira criatura que viu, bebendo-lhe todo o sangue. Sentia-se mais forte. Parte do ferimento se reconstituiu. Mas seu pé ainda permanecia torcido. Voltou arrastando para a gruta, e ficou ali sentada sozinha ate que Frank chegou.

- Sente-se melhor?

- Sim. Um pouco. Meu pé ainda dói, mas logo passará.

- Trouxe mais curativos e uma faixa para seu pé. Não conheço muito sobre o assunto, mas posso perguntar a... a uma amiga.

Gwen lançou-lhe um olhar irônico. Amiga? Nem mentir o pobre sabia!

- Agradeço a sua preocupação. Mas já disse que sou capaz de me cuidar sozinha.

Frank a ignorou completamente e começou a trocar-lhe o curativo.

- Mas... como? Mais cedo, quando a deixei aqui, estava com um ferimento horrível!

- Eu disse que posso me cuidar...

- Estou... sem palavras. Como é possível?

- Creio que não entenderia.

- Acredite, entendo muitas coisas...

- Sei... Mas não contarei nada. Não confio em você. Não confio em ninguém.

- Sinto lhe informar, Srta. Moore, confiando ou não em mim, a senhorita terá que me suportar. Cuidarei da senhorita até que esteja totalmente curada. – ela abriu a boca, tentando falar algo, mas foi interrompida. – E não adianta protestar!

Gwen sentiu uma vontade incontrolável de estrangulá-lo. No entanto, manteve sua compostura. Não adiantaria discutir com ele. Era um mortal ignorante... Ignorante e prestativo. Prestativo e... ainda atraente.

Frank colocou um dos braços femininos em seu ombro e saía de lá, decidido.

- Aonde pensa que me levará?

- Não penso. A levarei. Mesmo que carregada. Vamos à minha casa. Lá, cuidaremos de você.

- Não quero ir. Eu... não posso.

- Não está em condições de escolher, Stra. Moore.

- Será que você poderia simplesmente me deixar em paz? Deixe que eu morra de uma vez! Não faço diferença nenhuma neste mundo de pessoas hipócritas, medíocres e mesquinhas...

Frank, penalizado, a olhou. Ela, disfarçadamente, chorava. Preferiu não comentar. Apenas a jogou em suas costas e saiu dali. A Lua iluminava o caminho, enquanto a moça rebelde esmurrava suas costas exigindo que parasse e a deixasse ali, em meio à floresta. Era uma louca varrida. Ele ainda mais, por mesmo assim estar a levando para sua casa. O que diriam todos? Como reagiriam com a presença de uma estranha. Na próxima semana, seria lua cheia. Seria mesmo uma boa idéia levá-la até lá?

Balançou a cabeça procurando não pensar. Concentrou-se em algo muito mais... envolvente.

O cheiro dos cabelos daquela estranha, que estava o deixando louco.

Ao chegar em casa, todos já haviam se retirado. Precisavam dormir. As noites que passavam em claro estavam por vir. Precisavam estar descansados e preparados. Acreditavam em uma profecia, a qual sobre ninguém comentava a ele. Teria a morte de Matt a ver com isto?

Adentrou sua casa. Estava empoeirada e mal cheirosa. Não vivia mais ali, desde que assumiu Madeline como sua companheira. Precisava de uma limpeza, mas era um lugar seguro para a senhorita Moore.

- Fique à vontade. Volto mais tarde.

Saiu. Ao sair, trancou a porta, impossibilitando qualquer possibilidade de fuga que pudesse ocorrer.

Gwen praguejou baixinho. Era inútil discutir. Aquele baixinho imbecil era muito mais teimoso que ela mesma. Decidiu dar o braço a torcer e fazer o que ele queria... por enquanto.

Frank caminhava a passos largos até a casa da Madeline. Lá chegando, encontrou-a jantando, serena e dispersa de tudo o que acontecia. Ela largou a refeição sobre a mesa e pulou no colo do namorado, beijando-o com paixão. É... Ele não poderia contar-lhe nada. Não... por enquanto.

.Uma semana depois:.

- Preciso dar uma volta pela cidade. Vamos comigo, meninos?

- Queria esperar por Michael, papai. Depois de uma semana em casa, ainda não o vi.

- Mesmo se ele chegar em casa daqui a algumas horas, meu filho, você não conseguiria falar com ele. Está sempre trancado naquele quarto durante todo o dia, dormindo.

- Sei... Assim sendo, vamos. – olhou para Thomas que mordia um pedaço de pão. – Vamos também?

- Não. Preciso fazer minhas orações... Agradeço ao convite Sr. Way.

Donald assentiu com a cabeça e saiu, sendo seguido por Gerard.

- Você é tão quietinho, Sr. Vegan.

- Algo que se aprende no seminário, Sra. Way. Temos de ser discretos e prudentes.

- Qualidades que são perfeitamente visíveis no senhor. – sorriu amigavelmente. – Se não o considerar desfeita, Sr. Vegan, preciso cuidar do almoço e de alguns afazeres. – Donna se levantou da mesa, fazendo com que Thomas, em um gesto de cavalheirismo, se levantasse também.

- Absolutamente, Sra. Way. Não se preocupe comigo.

Donna sorriu novamente e saiu, deixando Thomas sozinho e pensativo.

- Não posso me esconder para sempre... – suspirou e foi para o quarto, determinado a ser seu.

- Oscar! Quanta surpresa!

- Donald, meu amigo! — se abraçaram. – Como vai?

- Muito bem... Este é meu filho, Gerard.

- Muito prazer, meu jovem. Sou Oscar Cowell.

- O prazer é todo meu, Sr. Cowell.

- Donald! E quanto ao meu convite?

- Convite?

- Sobre o jantar em minha casa... Não se lembra?

- Confesso que já tinha me esquecido. Em meio aos problemas com a reunião marcada para o próximo ano, minhas idéias se encontram um tanto perdidas...

- Sei como é... Que tal se fossem hoje? Leve sua esposa e filhos.

- Certamente irei, meu amigo.

- Te aguardo às 19h.

- Combinado.

Trocaram um aperto de mão formal e ambos seguiram seu caminho.

- Quem é papai?

- Ele também foi membro do antigo parlamento.

- Hum... entendo... Bom, creio não poder ir a esse jantar.

- Por quê?

- Papai, sou um homem de Deus. Preciso fazer minhas preces e...

- Quanta desculpa para fugir do meio social, Gerard. Você mesmo já nos disse ontem que não queria mais voltar ao Seminário.

- E não quero...

- Então, por que tudo isso?

- Tudo bem, papai. Eu irei.

Behwi saiu da cabana. Precisava ir até a cidade comprar algumas coisas, as quais não era possível encontrar na floresta. Como completar novamente seu estoque de curativos e faixas e alguns alimentos para ela, por exemplo.

Ao andar na rua, esbarra em um homem vestido todo em negro.

- Desculpe-me. – ao lançar-lhe um olhar, ficou sem reação.