Londons Sin

62 .Chapter Sixty-Two.


Ryan olhava para o casal à sua frente e sentia-se cada vez mais irado. Instigou o cavalo a avançar sobre eles, porém Olsen não o permitiu.

- Não é assim que se resolve as coisas, Ryan.

- Deixe-me, Olsen. Preciso acabar com a vida deste homem.

- Não se faz justiça com sangue, Ryan...

Ele encarou o amigo por um longo tempo.

- E o que faremos então?

- Surpreenderemos-os.

- E depois?

- Darei voz de prisão ao rapaz.

- Apenas isso?

- E o que quer que eu faça? Arranque seus olhos e o jogue para os corvos?

- Não seria má idéia...

- Ryan, Ryan... Ele não a obrigou a fugir...

- Não perguntei sua opinião.

- Mas insisto em dá-la. Bem, não ganharei nada em discutir com você. Vamos agir logo.

Olsen não esperou pela resposta de Ryan e seguiu à sua frente. Ryan, sem alternativa, o seguiu. Seguiram calmamente a fim de não alarmá-los.

Gerard conversava com Lauren, até que ouviu algo estranho.

- Aí ele me disse...

- Shhh!

- Mas o q...? — Gerard a calou com uma mão sobre sua boca.

- Vamos! Entre na gruta!

- Por quê?

- Não questione, Lauren! Entre na gruta!

- Por quê, Gerard? O que houve?

- Ouvi um ruído. Tem mais pessoas aqui perto.

- Eu não ouvi nada...

- Lauren, por favor, entre na gruta!

Ambos levantaram-se e já se encaminhavam para a gruta até ouvirem uma voz:

- Parados! Ou não hesitarei em atirar...

Gerard virou-se e deparou com Ryan e um outro homem, que apontava uma pistola em sua direção. Temendo que qualquer reação

impensada pudesse prejudicar Lauren, Gerard obedeceu-o.

- Lauren, venha! — Ryan disse calmamente, porém havia um tom de ameaça em sua voz. Gerard segurou-se para não matá-lo ali, naquele momento.

- Não irei a lugar algum... — ela disse, altiva.

- Lauren, não me obrigue a buscá-la. Você irá comigo nem que seja arrastada...

- Já disse que não irei...

- Meu anjo, vá...

- Mas... Gerard...

- Por favor, vá!

- Eu... não posso!

- Pode! — ele tomou-lhe o rosto entre as mãos. — Eu nunca desistirei de você, me entendeu? Nunca!

- Gee... Casarei-me em dois dias...

- Lembra-se da promessa?

- Claro.

- Então, vá. Confie em mim.

Lauren olhou-o com lágrimas nos olhos. Ele passava-lhe segurança pelos olhos. Algo que ele não possuía dentro de si.

Entregava sua amada de bandejas. Tudo pelo medo de se revelar a ela. Tudo por haver se tornado um monstro.

Ela andou até o noivo, que a colocou sobre o cavalo e montou em seguida. O detetive, então, olhou-o e disse em alto e bom tom.

- Você, Gerard Way, está preso por seqüestro.

- Ele não me seqüestrou. Eu fugi com minhas próprias pernas...

- Cale-se, Lauren!

- Você não manda em mim, Ryan...

Ryan acertou-lhe com um tapa no rosto delicado. Gerard instigou em sua direção, porém a voz de Olsen o impediu.

- Mais um passo e eu atiro.

Gerard sabia que um tiro não o mataria. A bala atravessaria-lhe o peito e o mesmo se reconstituiria, porém aquela situação poderia assustar sua amada. Assim sendo, parou no mesmo instante.

- Não precisa prendê-lo, Olsen. Quero vê-lo em meu casamento. Seria uma honra para nós; não é mesmo, querida?

Lauren o olhou enojada e não o respondeu.

- Tem certeza, Conde?

- Absoluta. Porém, Way, fique de sobreaviso, se você aproximar-se de minha Lauren uma vez sequer, não hesitarei em mandá-lo para a prisão. E saiba que lá não é nada agradável...

- Já a conhece? — Gerard disse, irônico.

- Calado. — Olsen dizia. — Então vão vocês na frente, enquanto o mantenho sob vigilância.

Ryan anuiu e saiu em disparada com Lauren em seu cavalo. Olsen olhava para Gerard misteriosamente.

- Guerra? Que guerra, Michael?

- É um pouco complicado para explicar agora... Mas fui praticamente obrigado a participar dela...

Obrigado? Ninguém pode obrigá-lo a nada, Mikey...

- Sim, Rebecca! Podem... Pertenço a um clã. E devo obediência a minha criadora...

- Sua criadora... Sua criadora... Sempre ela!

- Becca... Entenda...

- Não é tão simples assim, Michael. Você poderá morrer nesta guerra... E o motivo da mesma eu nem ao menos sei...

- Contarei então... Isso te acalmaria? — Rebecca anuiu. — Pois bem... Tudo começou há alguns anos atrás... Corsel, o chefe de um clã vampírico, os Vylians, apaixonou-se perdidamente por uma Werewolf...

- E o que é Werewolf?

- São aparentemente homens; lobos à luz da lua cheia.

- Ah sim! Já ouvi falar, embora nunca tivesse acreditado. Depois do que me aconteceu, acredito até em Papai Noel.

- Desta paixão nasceu, Ilie. A razão de todos os problemas. A aldeia dela, queria que Ilie ficasse com eles, já o clã dela, bem, queria que Ilie pertencesse ao mundo e seguisse às tradições vampíricas. Iniciou-se aí o primeiro conflito. Desde então, travou-se uma guerra. Ambas as espécies tornaram-se intolerantes demais. E esta guerra, bem, já estava predestinada há séculos. Bom, esta foi a versão da história que eu li. Não sei se possui outras...

- E qual foi o motivo que levaram a travar esta guerra?

- Gwendolyn Moore, irmã de minha criadora, foi seqüestrada e é mantida refém em uma aldeia de Werewolves...

- Pelos Anjos Caídos!

- Pois bem... Devido a tudo isto que contei, terei que lutar nesta guerra. Porém, lutarei feliz, sabendo que me espera...

Sabendo que, depois de toda esta loucura, poderemos nos casar e sermos felizes. Então, Becca, aceita se casar comigo?

Becca olhava-o com seu semblante impassível.