Londons Sin

52 .Chapter Fifty-Two.


Lauren e Gerard se beijavam ternamente quando foram interrompidos por um pigarro. Assustados, afastaram-se abruptamente.

- Lauren, vá para seu quarto!

- Mas, papai...

- Não discuta!

Lauren olhou rapidamente para Gerard, que passou-lhe segurança pelo olhar. Depois, saiu em direção à casa, deixando o noivo e o pai sozinhos.

- Bem, Lord Cowell, o que houve?

- Peço-te, de forma amigável, que se afaste de minha filha.

- O-o quê?

- Isso mesmo que ouviu.

- Mas... Por quê?

- Porque conheço-o e sei quais são suas reais intenções. Minha filha é pura e íntegra e sua honra permanecerá intacta enquanto eu viver.

- As minhas intenções para com ela sempre foram as melhores...

- Eu descobri tudo, Way.

Gerard sentiu o sangue faltar-lhe no rosto cadavericamente pálido.

- T-tudo?

- Sim, Gerard. Sei que não possui negócio nenhum com seu irmão. Que passa o dia todo dormindo, assim como seu irmão, seu pai me contou. Tudo não passa de uma mera desculpa para visitar minha filha à noite.

- Não é isso, Lorde Cowell... Eu... Eu amo sua filha. Lauren é o que mais tenho de importante na vida. Por favor, tire-me o ar, mas não a tire de mim... — Gerard suplicava-lhe com lágrimas nos olhos. Ele sabia que seria descoberto mais cedo ou mais tarde, mas não esperava que fosse assim tão rápido.

Se casariam na próxima semana. Lorde Cowell não poderia fazer-lhes aquela injustiça. Ambos se amavam e seria cruel caso houvesse a separação.

- Não acredito em você, Way. Espero que acate as minhas ordens e as obedeça para seu próprio bem e para o dela também. Se a ama, deixe-a.

Sem esperar por qualquer reação que viesse de Gerard, Oscar se retirou. Gerard ficou arrasado. Caiu de joelhos ao chão, enquanto mantinha os olhos na janela do quarto de Lauren. Não conseguiria viver sem vê-la, tocá-la, senti-la... Preferia morrer a passar sua triste eternidade sem sua amada. Lágrimas escorriam por seus olhos. Nada poderia fazer. Afinal, Oscar era o pai dela, dono da residência, e poderia, facilmente, impedí-lo de adentrar a mesma. O que faria? Como a veria?

Secou as próprias lágrimas com as costas das mãos e se levantou. Com pesar, deixou a casa dos Cowell, jurando a si mesmo que não desistiria de Lauren. Não tão fácil assim...

Michael e Rebecca andavam de mãos dadas pelas ruas londrinas. Rebecca olhava maravilhada todas aquelas pessoas desconhecidas e alheias ao redor.

- Fazia tempo que não via tanta gente...

- Tanta gente? É noite, Rebecca. A maioria das pessoas encontra-se em casa. Durante o dia, essas ruas são um inferno.

- Eu me lembro. Sei que é... Mas... É diferente. Nos últimos meses, tenho apenas convivido com você e Behwi. Vi seu irmão apenas uma vez e... Não mais ninguém. É uma emoção o fato de estar, em parte, convivendo com outras pessoas.

Michael sorriu-lhe e a abraçou pelos ombros.

- Sinto-me culpado...

O coração de Rebecca queria saltar-lhe pela boca. Ele iria, enfim, confessar sua tamanha crueldade?

- Por...?

- Por trazê-la a esta vida. Por minha culpa, você é obrigada a se esconder nas sombras...

Rebeccao olhava, incrédula. Ele estava a um passo de confessar-lhe tudo e o que lhe diz? Sentia vontade de esmurrá-lo até que ele dissesse-lhe a verdade.

- Não se preocupe. Você disse que não houve outra saída...

- Pois não houve. Eu me odeio por ser o que sou. Jamais a tornaria em uma de nós se não fosse por tais circunstâncias.

- Hum...

Rebecca desviou o olhar para a rua úmida à sua frente. Por que simplesmente não o matava e acabava com todo aquele sofrimento? Ela não podia, não conseguiria... O amava demais para tanto.

Michael a envolveu pela cintura e a puxou para mais perto de si. Envolveu em um abraço meigo e caloroso. Becca apenas deixou-se ser abraçada. Necessitava daquele momento como nunca. A confusão em que sua cabeça se encontrava apenas aumentava a dor que carregava dentro do peito. Fechou os olhos e tentou esquecer de tudo que lhe aflingia a alma. Nem que fosse apenas por alguns instantes...

Gwendolyn ainda encontrava-se deitada em sua cama, nua, enquanto chorava. Em seu peito, uma angústia e na garganta, um nó. Odiava o jeito prepotente do pequeno vampiro, porém o amava mais que a si mesma. Seu eu não existia sem ele. E todo o rancor que ele alimentava por ela, todo o desprezo, a deprimia. Era triste saber que nunca seria para uma pessoa o que esta era para ela.

Escutou um ruído diferente. Em seguida, vozes.

- Capitão!

\"O que...?\". Não teve tempo de finalizar o pensamento, pois, ao olhar para a porta, três homens a olhavam com olhos recheados de desejo. Ela se cobriu com o lençol e tentou afastar-se deles o máximo quanto pôde. Porém, eles a seguiram e chegavam cada vez mais perto da jovem vampira.

Gwendolyn entrou em um desespero aparente. Sem mais saídas, tranformou-se. Seus olhos, muito vermelhos e caninos bem afiados, por um momento os assustaram. Bem, apenas por um momento. O susto repentino transformou-se em um ódio incompreendido por ela e eles continuaram a avançar sobre ela.

O desejo, antes presente em seus olhos, transformou-se em uma fúria incontrolável. Era visível o desejo de matá-la. Um deles a segurava pelo pescoço com uma força incrível. Ela tentava tirar-lhe a mão. Ficava cada vez mais sem ar. Quando viu-se sem saída, uma mão o capturou pelo ombro e o atirou para longe.

- Capitão...

- O que pensam estar fazendo aqui?

- O senhor não sabe o que ela é, capitão. Abriga um demônio em sua residência...

- Saiam daqui agora!

- Capitão...

- Agora.

Os três soldados acataram as ordens e se retiraram, enquanto olhavam para Gwendolyn ameaçadoramente. Frank trancou a porta de casa e voltou para o quarto, onde encontrou a jovem trêmula sentada na cama.

- Vampira...

Um soluço escapou-lhe dos lábios. Então, ela se jogou aos braços do amado, enquanto chorava compulsivamente.

- Oh Frank, foi tudo tão horrível...

- Eu sei, meu amor, eu sei...

- Por favor, não me deixe sozinha... Não me deixe sozinha...

- Não a deixarei, Vampira...

- Você... Você promete? — ela olhou-lhe nos olhos. Seu rosto estava molhado pelas lágrimas.

- Nunca deixarei ninguém machucá-la. Eu prometo...

- Você não pode prometer o que nem mesmo você é capaz de cumprir, Frank... — deitou-se sobre o peito másculo, enquanto buscava refúgio e a paz que apenas eles eram capaz de proporcionar-lhe.

Frank também chorou, disfarçadamente, claro. Envolveu-a com mais carinho e beijou-lhe os cabelos, enquanto alisava-os. Custava admitir, mas amava-a. Segurou-lhe o rosto entre as mãos e olhou-lhe nos olhos.

- Desculpe-me, sim?

- Você não tem culpa. Não foi você...

Frank não sabia como dizer-lhe que não a pedia desculpas exatamente pelo o que houve. Ela, então, beijou-lhe sutilmente nos lábios, sentou-se em seu colo e aninhou-se a ele, enquanto sentia-se protegida nos braços do único homem a quem amou na vida.