Londons Sin

54 .Chapter Fifty-Four.


Com um suspiro satisfeito, Frank se jogou ao lado de Gwendolyn na cama. Ela, por sua vez, cobriu-se e se virou de costas a ele.

- Vampira...

- Deixe-me, Frank... — ele a puxou pela cintura, fazendo-a virar-se para ele e a olhando fixamente nos olhos. — Por favor...

Frank continuou impassível. Em um movimento brusco e inesperado, Gwendolyn se afastou dele, levantou-se e andou pelo quarto. Frank também se levantou e a seguiu.

Durante aquela semana, mal se falaram. Assim como todos os outros dias anteriores, o relacionamento mais profundo existente entre eles era o sexo. Porém, Frank sabia que quanto mais passavam-se os dias, mais envolvido sentia-se por ela.

Ela passou por ele e seguiu para a sala.

- Vampira...

- Já amanheceu, Frank. Durma. Descanse. Você ainda trabalhará mais tarde.

- Por que não vem descansar comigo?

- Por que não estou cansada...

Ele se aproximou dela e puxou-lhe o lóbulo da orelha com os dentes.

- Então deixe que eu a canse...

- Frank, por que você só olha para mim com esses olhos?

- Que olhos?

- Não se faça de idiota.

Gwendolyn levantou-se irritada.

- Vam...

- Nem inicie! Me deixe em paz.

Gwen adentrou o quarto, retirou um lençou limpo do baú, pegou seu travesseiro e jogou-os para Frank.

- Mas...o que...?

- Bom dia, Frank! — Assim dizendo, trancou-se no quarto enquanto Frank olhava para o mesmo boquiaberto.

Lá dentro, ela sentia-se triste. Os dias passavam e Frank ainda a olhava da mesma forma. No fundo, sempre teve a esperança de conquistar seu coração. Lágrimas escorriam por seu rosto quando ela deslizou pela porta do quarto, enquanto abraçava-se aos joelhos. Amava-o, porém ele apenas a desejava, ansiava por seu corpo e pelo prazer que ela o proporcionava.

Lá fora, Frank sentia-se surpreso. Não esperava esta atitude dela. Tentava ser o mais carinhoso e atencioso possível. Porém, era sempre mal interpretado. Não que não merecesse isso... Deveria dizer-lhe como se sente, mas o orgulho não o permitia. Amava-a, porém ela o odiava pelo crápula que ele havia sido e o modo como a tratava. Este ódio, era a única coisa no mundo a qual sentia medo.

Rebecca estava envolvida pelos braços de Michael enquanto ouvia mais uma das histórias dele. No fundo sentia-se mais em casa do que nunca. Estar com Michael era reconfortante e, ao mesmo tempo, torturante para sua alma. Sempre atencioso e carinhoso, ele a confundia demais e a deixava desencorajada para por seu plano em prática. Em seu coração sentia-se culpada pelo que estava fazendo, em sua mente, sentia-se realizada.

- Então acordei com minhas costas em carne viva e uma dor insuportável tomava conta de mim. Não conseguia, nem ao menos, me mover... — ele relatava a primeira vez que, após se tornar um vampiro, teve contato com a luz solar.

Ela levantou o rosto e o olhou penalizada.

- Deve ter doído tanto...

- Você nem imagina o quanto. Mas... — beijou-lhe sutilmente os lábios. — Pode ficar tranquila que eu cuidarei para que nunca aconteça isto a você. — alisou-lhe os braços. — Sua pele tão lisa e tão macia não merece tal tratamento...

- O que ela merece? — Rebecca o olhava maliciosamente.

Michael virou-se na cama e posicionou-se acima do corpo feminino.

- Prefiro mostrar-lhe a dizer...

- Pois mostre... — Rebecca fechou os olhos, sentindo as caricias ousadas de Michael dominar-lhe o corpo.

Carnaby Gazette — November, 7, 1687

CASAL CAMPBELL É ENCONTRADO MORTO EM SUA PRÓPRIA RESIDÊNCIA CONSUMIDA PELO FOGO

Devido à inúmeras reclamações de mal-cheiro, os policiais resolveram investigar seu real motivo. O pior foi constatado: o odor vinha da pequena chácara da família Campbell, cujo casal fora encontrado já em estado de decomposição. De acordo com informações da própria polícia, o patriarca da família teve o corpo carbonizado, sendo reconhecido por seu inseparável anel.

Lady Campbell fora encontrada ao lado do marido com uma espada cravajada em seu peito. Suspeitas de um possível homicídio tem deixado a polícia atenta. Era uma família reservada, portanto não possuía muitos amigos. O casal possuía uma filha, que até então não foi encontrada.

O correspondente deste conversou com um dos detetives do caso. Disponho aqui as informações passadas:

- Boa tarde, Detetive Rowntin. Sou Steve Houston do Carnaby Gazette. Tenho algumas perguntas a fazer-lhe, se puder me responder.

- Senhor Houston, infelizmente eu não poderei passar-lhe as informações que me solicita. Ainda estamos em processo de investigação. Qualquer informação passada a esta altura seria um ato impensado e anti-ético.

- Não poderia, nem ao menos, dizer-me o motivo das mortes tão trágicas?

- Meu jovem, é o que tentamos descobrir com afinco. Se foi, realmente, um homicídio, o criminoso fora bem astuto. Nenhum vestígio fora deixado no local. Nada que pudesse levar-nos a ele. O que nos resta é pedir a vocês da imprensa para que aguardem os resultados mais apurados da investigação. Ainda encontraremos a causa de tanta brutalidade e não hesitaremos em dar-lhes uma entrevista já com as provas em mãos.

- Obrigado pela entrevista, Detetive Rowntin.

O incidente ocorreu há dois dias e, até hoje, a polícia ainda não encontrou pista alguma sobre o criminoso. Porém as investigações continuam incansavelmente. Onde se encontrará a Srta. Campbell? Eis mais um mistério a ser desvendado...

Lauren abandonou o jornal sobre a mesa, enquanto lágrimas de profunda tristeza tomavam posse de suas bochechas. A família Campbell estava morta. Rebecca!! O que teria acontecido a sua grande amiga?

Voltou os olhos para a data do jornal. Há mais de um mês. Já estaria morta... Rebecca era frágil e medrosa. Não sobreviveria muito sozinha...

- Oh meu Deus! Por quê? Era tão jovem, tão linda... Tão saudável. Por que papai não havia me contado antes? O que ele pretendia? — levou a mão até o rosto, enxugando as lágrimas. Com um grande suspiro levantou-se e, altiva, saiu da biblioteca.

Oscar estava em sua poltrona, enquanto fumava. Lauren se aproximou, decidida:

- Por que não me contou o que houve com os Campbell?

Oscar a olhava com seu semblante impassível. Em seus lábios, um meio sorriso.