Londons Sin

58 .Chapter Fifty-Eight.


Gerard chegou em casa e foi diretamente para seu quarto. Ficara ali por um bom tempo, até ouvir um barulho na sala.

Caminhou até o local e avistou Michael, meio alterado.

- Aconteceu alguma coisa, irmão?

- Sim, Gerard... Algo que não poderei evitar ou fugir...

- Isto não é bom...

- Com certeza... Bom, você me parece abatido...

- Fiquei sabendo que minha Lauren vai casar-se daqui a cinco dias.

- C-como?

- Sim. Não sei se soube, mas meu noivado foi desfeito há alguns dias. Devido ao escândalo, o pai a obrigou a casar-se com outro, mais poderoso, por sinal...

- Mas você sempre disse que a amava. Por que desfez o noivado?

- Eu não desfiz... O pai dela nos obrigou a romper-nos. Tudo por culpa deste destino sombrio a qual sou destinado. Eu não posso vê-la durante o dia e minhas visitas noturnas foram mal interpretadas...

- Puxa...

- Pois é meu irmão. Que triste vida a minha...

- Não pense assim, Gerard. Tudo se resolverá.

- Mas... E você? Por que está tão abatido? O que aconteceu de tão ruim?

- Fui obrigado a lutar em uma guerra. O pior é que nem sou tão bom assim com espadas...

- Obrigado?

- Sim. Por meu clã. Nossas forças foram unidas às do poder supremo. Conde Drácula, grande pai e poderoso de nossa espécie, se aliou a Angelus Vooctry para uma temível guerra contra os Werewolves. Será a última e a sentenciosa. Onde vence o mais forte... E o mais forte, imperiará sobre o mais fraco...

Gerard sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha.

- E você foi obrigado a participar disto tudo?

- Sim. Você também estaria, se Mia Moore e seu prepotente primo soubesse de sua mera existência...

- Prefiro permanecer anônimo. — Gerard riu. — À propósito... Podemos nos transformar em morcegos?

- Sim. Quando quisermos. Conseguimos tudo o que queremos apenas pelo poder da mente. Tudo o que é necessário é muita concentração...

- Bom saber disto... — Gerard disse enquanto voltava para o quarto... — Muito bom...

Michael olhava para o irmão com um leve sorriso sobre os lábios. Bom, pelo menos Gerard descobriu algo bom para si e como tirar proveito de seus poderes. Caminhou até o quarto e encontrou Rebecca adormecida. Despiu-se e deitou-se ao seu lado. Enquanto a aninhava em seus braços e adquiria a paz que apenas ela lhe proporcionava.

- Vampira... Eu só peço que seja paciente comigo. Amo-a, porém eu preciso de um tempo maior para confiar totalmente em você...

- Frank, entenda! Por que desconfia tanto do que contei? Eu não teria motivos para mentir, muito menos para tentar enganá-lo ou traí-lo. Frank, sou capaz de trair minha espécie, mas nunca trairia o homem que amo...

Frank a olhava maravilhado. Por mais insensível que tentava transparecer, mais próximo sentia-se de Gwen. A puxou para si e a abraçou com ternura.

- Provarei para você que isto não se trata de mera atração sexual...

- Como?

- Não tocarei em você até que acredite em mim, ok?

- Frank...

- Vampira, deixe-me prová-la. Se eu não conseguir, você terá a certeza do que suspeita.

- E se conseguir...?

- Está disposta a viver comigo aqui na colônia e esquecer seu clã e sua espécie?

Ela o analisou por infinitos segundos.

- Eu o amo, Frank. Como eu já disse, estou disposta a tudo por você. Ainda mais sabendo que ficarei para sempre ao seu lado...

Frank sorriu, triunfante. Beijou-lhe os cabelos e disse:

- Que tal um passeio pela floresta?

- Eu adoraria...

Frank vestiu-se e ambos saíram pela floresta. Por todo lugar por onde passavam, eram observados. Por alguns momentos Gwendolyn se sentiu incomodada, mas foi coisa, como já mencionada, momentânea.

Pararam em frente a um local desconhecido, para Gwendolyn, claro. Frank a olhou com os olhos brilhantes.

- Eis aqui meu exército. Homens leais e fiéis, dispostos a perder suas vidas pelo nome e a hora de sua espécie. Homens a quem aprendi a admirar e a estimar.

- Pela forma como fala, Frank, parece que haverá uma guerra... — Gwen sorria de forma discontraída. Como se o que acabara de dizer não passasse de simples piada...

- E haverá...

- C-como?

- Esta é a moça dos meus sonhos... — uma voz trêmula soou ao fundo. Quando Gwendolyn se virou, deparou-se com um rosto marcado pelas linhas do tempo e destacado por expressivos olhos azuis.

- Perdão...?

- Vampira, esta é Yan Forse. Nosso... hum... oráculo.

- Oráculo?

- Sim. Ela preveu a guerra... Sabe da profecia que está destinada nossa colônia. Agora, esta história de sonho eu não entendi, Yan...

- Ela é a causa Frank... Ela é a causa... — disse de forma calma. — O fim está próximo. Muito sangue, muita dor e sofrimento. Mas aprendemos com os sofrimentos, meu pequenino... — alisou-lhe o rosto com suas mãos enrugadas. — E você saberá lidar com eles.

.Três dias depois.

Lauren andava de um lado a outro pelo quarto. Embaixo de sua janela, uma mala repousava. Dali a poucos minutos, Gerard chegaria, e eles fugiriam. Sim. Viveriam felizes juntos, para sempre.

Sentou-se em sua poltrona enquanto esperava pelo amado.

Gerard pegou poucas coisas. Apenas coisas necessárias, como uma muda de roupa. As demais, deixaria onde estava. Não poderiam levantar suspeitas por alguns dias. Fugiriam. Viveriam suas vidas da forma como planejaram e sonharam tanto nos últimos meses. Lançou um último olhar pelo quarto e saiu.