London

5 Corujinha


Notas iniciais
OLA!! Gnt me desculpem a demora, de vdd Mas acho q pelo jeito esse vai ser o ritmo : n tenho mto tempo p poder me dedicar a historia mas n qro abandonar Enfim Vou me esforcar p postar com mais frequencia Btw amei seus reviews, cada um deles :3333 Anyway, enjoy~~
A casa estava em festa, o ar cheirava a bolo e o som estava empestado de risadas infantis, todas vindas da mesma criança. Uma garotinha que agora estava completando sete anos acabara de acordar. Abraçou os pais, os quais lhe deram um pequeno chapéu pontudo e colorido e a levaram para o quintal. A garotinha tinha cabelos loiros e lisos, herdados de seu pai e olhos grandes e muito azuis, que lhes foram dados pela mãe.

Seus olhos.

Eles sempre foram motivo para as outras crianças começarem a zombar dela, comparando-a a uma coruja. Mas não eram só as crianças que estranhavam esses olhos, mesmo porque sua mãe também os tinha. Os vizinhos, os chefes da mulher, todos que os conheciam.

E apesar de tudo isso, sua mãe sempre foi uma moça sorridente e animada.

"Corujas são símbolo da deusa da sabedoria grega" ela citou uma vez, enquanto acalentava a menina, mas isso nunca era o bastante e ela continuava a se sentir solitária e triste.

Porem não naquele dia.

Aquele era um dia especial e nada poderia estragar isso. Ou pelo menos ela queria que nada o tivesse feito.

Assim que entrou no quintal, a menininha viu um bolo cheiroso e colorido, todo enfeitado com velas, sobre a mesa de madeira que ficava no meio do quintal, acompanhado de alguns pratos, refrigerante, garfos e copos. Ela correu ate la, seguida de seus pais, sentou-se num dos bancos, bateu palminhas alegres de excitação e esperou a mãe cortar o bolo. Mas assim que ela começou a se aproximar, ouviram barulhos. Barulhos muito altos de vários passos em coro. Passos fortes e furiosos, parecendo vir de dentro da casa. O casal se entreolhou preocupado e depois tornou a mirar sua filha. Esta, que não fazia ideia do que estava acontecendo, olhou-os confusa.

Nesse momento, tudo pareceu desacelerar.

Seu pai falou algo urgente para a mulher, que correu e pegou a filha no colo, correndo para a lateral da casa enquanto ouvia a pequena perguntar o que estava acontecendo. Pararam ao chegar na casinha do cachorro que eles uma vez tiveram. A mãe pediu para a loirinha entrar lá e assim ela fez.

– Minha querida, — seus olhos brilhavam com as lágrimas e faziam a pequena pensar em grandes bolas de gude azuis. — a mamãe e o papai vão ter que ir embora.

– O que? Por que? — ela olhou para a mãe com olhos arregalados. — O que está acontecendo, mamãe?

Ouviu-se o estrondo de uma porta sendo arrombada.

– A mamãe não pode explicar agora, mas você vai entender, ok? — o choro começou a rolar por seu rosto. — Promete pra mim que vai ficar aqui até não ouvir mais nada?

Hesitante, ela assentiu.

– Eu te amo muito, minha corujinha. — a mãe fungou e acariciou o rosto de sua filha. — Quando tudo isso acabar, procure sua tia. Você sabe onde ela mora.

Novamente, a pequena acatou todas as ordens da mãe.

– Eu também te amo, mamãe.

Então se abraçaram. E foi aí que a garotinha soube que seria um adeus.

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A loira se virou assustada, soltando um gritinho rouco e baixo. Seu rosto era redondo como um anjinho daqueles pintados em igrejas, porém, nao era rechonchuda. Pelo contrario, a menina era extremamente magra e parecia não comer há dias. Mas mais que tudo isso, Ethan ficara vidrado em seus olhos, grandes e profundamente azuis, faziam-no jurar que até suas pupilas eram dessa cor. Atrapalhada ela recuou, tropeçando em si mesma algumas vezes, sem cair, como um filhote acuado.

– Espere! — exclamou. — Por favor, não vai.

Mas a mais nova continuou recuando ate esbarrar na parede atrás de si. Ao perceber-se num beco sem saída, o pânico pareceu tomar conta do seu semblante. Vendo-a tão assustada, o garoto tentou acalmá-la, os braços estendidos para a frente, com as palmas abertas, fazendo sinal para que ficasse tranquila.

– Olha, — gaguejou — eu juro que não vou te machucar.

– O que você quer? — sua voz soou aguda e fraca.

Aquela era uma boa pergunta.

Ethan começou a examinar a garota novamente, procurando algo que o desse alguma brecha para puxar assunto.

– Casacos! — disse, pensando um pouco alto, gesticulando nervoso. Reparara no jeito como ela tremia. — Você parece estar morrendo de frio.

A loira não negou. Mirou-o desconfiada, com o rosto meio de lado e os braços cruzados, pura manifestação tanto de frio quanto de insegurança.

– Eu tenho alguns casacos em casa. — tentou de novo. — Se você puder me acompanhar até lá, posso te dar.

A garota esbarrou o olhar nos pés do garoto a sua frente, para depois voltar a fitar seu rosto. Mesmo desconfiada, estava tentada a aceitar a oferta, já que não era todo dia em que se podia adquirir casacos assim. E foi o que fez. Ela conseguiu vislumbrar o leve alivio e a felicidade que passaram no rosto do garoto como um metrô passa por um túnel. Rápido. Ilumina e depois se vai.

Os dois caminharam juntos até o Fishmarket Apartment em silêncio. A loira tremia e agora não era apenas por frio, mas também por temor. Além da própria tia e do pai, não conhecia mais ninguém como Ethan. E o tipo dele a apavorava. Ela podia ver a nuvem pesada e invisível ao redor dele e aquilo a fazia sentir-se diferente de uma maneira muito ruim.

Foi tirada de seus devaneios por Ethan, que anunciara a chegada ao prédio. Assim que ela levantou o olhar para vê-lo, teve vontade de vomitar. Era o mesmo prédio amarelo claro e quadrado que havia estado antes. A loira pôs a mão sobre a barriga e a outra na boca.

– Não posso entrar aí. — disse e já ia sair correndo, mas dessa vez o mais velho foi mais rápido e agarrou seu braço.

– Eu insisto. — ele praticamente implorou. — Por favor, suba comigo, eu juro que vai ser rápido.

Pausa.

Ela assentiu de modo hesitante.

O casal de estranhos subiu as escadas e adentrou no apartamento do garoto, que a levou até a sala de estar e pediu que esperasse. Em seguida Ethan foi até o quarto para buscar os casacos, deixando-a sozinha. Esta, por sua vez, começou a olhar ao redor. Aquele lugar provocava-lhe calafrios. Era exatamente o mesmo lugar. Podia lembrar das revistas empilhadas ao lado do sofá acolchoado branco, móvel no qual podia-se perceber algumas manchas escuras que se inspecionadas de perto podiam-se identificar como sendo de refrigerantes. A cozinha bagunçada de decoração cafona e a bancada de mármore que separava aqueles dois cômodos. Ao seu lado esquerdo, assim que olhou, ela sentiu um calafrio. A porta aberta dava-na a chance de ver o banheiro, agora limpo. Porém, ao olhar aquele espaço, a imagem do corpo de Snow suspenso e inerte atravessava-lhe a mente como uma flecha atravessa uma maçã.

Forçou-se a não gritar e decidiu que não podia continuar ali. Correu pela sala até a porta destrancada, abriu-a e saiu do imóvel de Ethan. Correu até sair do Fishmarket Apartment e tratou de desaparecer daquele bairro.

Minutos depois, um Ethan entusiasmado voltou de seu quarto com vários casacos nos braços. Despejou-os no sofá e ia começar a falar, até que percebeu que estava sozinho. Seu sorriso sumiu e ele se sentiu extremamente frustrado. Ela fugiu? Ela desapareceu? Ou quem sabe nunca tenha existido? Talvez ele estivesse se sentindo sozinho demais.

Frustrado e entediado, ele pegou o celular e assim que desbloqueou a tela viu o número de Jo salvo em sua agenda. Talvez ela o tivesse feito na manhã em que houvera acordado ali, enquanto Ethan ainda dormia. Suspirou, lembrando-se da expressão no rosto da morena antes de sair de seu prédio. Arrependeu-se profundamente e desejou verdadeiramente que ela o perdoasse algum dia.

Ethan estava começando a se revoltar quando ouviu a campainha. Uma luz passou por seu rosto. Quem sabe a garota havia voltado? Apressou-se a levantar e abrir a porta, porém, sua agitação tão logo se esvaiu ao ver Meredith ali. Um tanto animada, ela desejou bom dia e começou com seu discurso para cobrá-lo mais uma vez.

Mas aquele com certeza não era o melhor momento. Ethan começava a ficar mais e mais bravo com a senhora à medida em que esta ia falando. Até que finalmente explodiu. Gritou para a mais velha que logo ela estaria livre dele e que não precisava se preocupar, atirou-lhe palavrões e mandou que fosse embora, batendo a porta com força em seguida. Ele recostou as costas nesta, a qual não abafava muito os sons de suspiro e resmungo que eram proferidos pela idosa.

A raiva, a frustração e a solidão começaram a tomar conta do garoto, o qual deixou-se deslizar pela madeira gélida da porta até sentar no chão. Imagens de Snow voltaram a atordoá-lo e pensou em como nunca houvera sentido tanta falta do amigo. Mas o que mais lhe partia o coração, era o fato de que aquela pessoa nunca mais voltaria. Parecia um fato distante e impossível, mas era um fato.

Ethan desabou pela segunda vez.

Deixou que o choro levasse em suas lágrimas salgadas ao menos um quinto do que sentia. Toda a amargura e mágoa que seguravam seus pés todos os dias e o impediam de seguir. Chorou e soluçou desesperadamente até se sentir um pouco mais calmo. No entanto a dor de cabeça não permitiu.

Resmungando, ele buscou sua caixa de remédios na cozinha, pegou uma cartela de pílulas analgésicas e tomou dois comprimidos, sem saber muito bem porquê houvera pego tal quantidade. Depois, sentou-se no sofá, espreguiçando-se. Olhou em volta e refletiu sobre o despejo que se aproximava sorrateira e ameaçadoramente. Decidiu preparar-se.

Tendo chegado a tal conclusão, decidiu se levantar e começar a arrumar as malas.

Notas finais
Espero que tenham gostado, desculpem qq coisa o/ Obg e adeus P.S.: Mereço reviews? 6.6
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.