Notas iniciais
Penúltimo capítulo, já estou sentindo saudades desse casal.

A noite foi infernal para Sigyn, ele só dormiu quando desmaiou de exaustão. Ela acordou com o barulho das costureiras, elas haviam terminado o vestido e já era de madrugada. Aparentemente o casamento seria cedo, servas a levaram para uma banheira numa outra cela, deram banho com água morna e óleos perfumados. Ao sair cheirosa da água, as costureiras a vestira, ela calçou as rasteiras cravejada de diamantes e as senhoras colocaram o véu e a grinalda nela. O vestido de noiva era branco, com decote coração, a parte de cima era colada ao corpo até os quadris com pequenos cristais cravejados em, abaixo deles o tecido era solto sem ornamentos como o de uma princesa.

A moça foi escoltada por guardas e as servas ficaram logo atrás para garantir que o vestido não fosse arruinado. Ao sair do castelo ela caminhou por um caminho de pedra em direção a um rochedo, as águas quebravam abaixo enquanto o sol nascia lentamente, o céu era estrelado e iluminado pelos raios solares, criando uma profusão de cores amarelo, laranja, preto, roxo, carmesim e azul. O vento balançava o véu e o vestido da noiva, ela caminhava lentamente despedindo-se da vida que teria de deixar pra trás. Ela ergueu a cabeça, se fosse para cair ela cairia com dignidade. Uma das servas entregou um buquês de lírios rosas do campo para que ela segurasse. Ao chegar no rochedo nobres, cavaleiros e damas levantaram-se, a maioria compreendeu o porque do rei querer casar-se com ela, os presentes cochichavam sobre sua beleza. Ela caminhou até o noivo e parou diante dele, metade do sol já surgia no horizonte como estive-se saindo das ondas do mar.

O noivo removeu o véu dela, ela viu o rei, mas algo havia de diferente no olhar. Não era um olhar de malícia, e sim de ternura. Ele sorriu, o mestre de cerimônia usava uma túnica roxa com detalhes prateados. Ele começou o cântico do casamento, enquanto ele cantava o noivo segurou as mãos de Sigyn e foi neste momento que Loki mostrou sua verdadeira identidade, o sol já estava completamente fora das águas frias da madrugada e as pessoas levantaram-se sem entender o que estava acontecendo, perguntando-se onde estaria o rei, um dos guardas correu para libertar o verdadeiro rei. Sigyn sorriu e lágrimas escorreram de seus olhos, Loki apenas sorriu e limpou carinhosamente o rosto da noiva. Hal perguntou a Loki se ele desejava aceitar amar e respeitar Sigyn em todos os momentos de adversidade durante toda a sua vida. Sem tirar os olhos dela ele disse "Sim", o coração dela batia forte e rapidamente, o mestre fez a mesma pergunta para a noiva. Ela sorriu e respondeu o mesmo, Hal os declarou marido e mulher. O príncipe de Asgard a beijou como nunca a havia beijado antes, ela o abraçou durante o beijo e ele acariciava a cintura dela.

Assim que o beijo terminou ele encostou a testa na dela e sorriu, era a maior loucura da vida dele, apesar do medo de machucar-se ele sentia-se sem qualquer explicação uma felicidade sem limites. Sigyn acariciou o rosto dele e antes que pudesse dizer algo uma voz interrompeu aquele momento de felicidade.

– Que coisa mais linda, pena que essa noiva é minha!

– Ela não é mais sua noiva, ela é minha esposa. Esqueça Theoric, nem Odin pode separar-me de minha mulher.

– É o que veremos, Loki Odinson, eu te desafio a um duelo.

– Aceito.

Loki desembainha a espada e dá dois passos, Sigyn segura o braço dele e ele olha pra ela. A recém esposa deu um beijo apaixonado de boa sorte e disse tocando o rosto dele.

– Eu te amo.

O príncipe sorriu, ao virar-se para Theoric ele ficou extremamente sério. Loki só poderia sair daquele lugar se vencesse o oponente. O rei avançou contra Loki, todos os que assistiam estavam de pé observando atentamente, Hal ficou tremendo do lado de Sigyn. Ela estava séria, porém preocupada com o marido.

As espadas encontrava-se soltando leves faíscas, de início Theoric é quem estava no ataque, Loki desviava e bloqueava seus ataques com maestria. Ele repentinamente para a esposa, ver ela deu-lhe forças descomunais. Loki parou de defender-se e começou a atacar com ferocidade. Sua espada assobiava no ar devido a velocidade que Loki colocava no braço. Até que por fim ele transpassou a espada no estômago do rei, este caiu com sangue na boca. O príncipe virou-se caminhando até a esposa, porém Theoric ainda não estava morto. Sigyn sorria para o amado até ver uma adaga na mão do rei. Ela correu e a adaga voou, Loki virou-se achando que iria ser atingido, mas Sigyn colocou-se na frente. A lâmina adentrou o ombro dela. Theoric sorriu pois sabia que a adaga estava banhada em veneno, ele tossiu sangue e morreu.

Loki pegou a esposa e a deitou, ele tirou o casaco e fez pressão sob a ferida assim que removeu a adaga. Ele cheirou a lâmina e sentiu o cheiro do veneno. Ele a olhou nos olhos, sem pensar duas vezes ele a carregou e começou a correr. Robert o capitão da guarda entregou-lhe o cavalo.

– Use meu corcel para salva-la.

– Obrigado, sabes onde tem algum especialista em venenos?

– Existe um curandeiro a sudoeste daqui, ele mora numa cabana de madeira.

Sem despedir-se Loki colocou a esposa no corcel e logo em seguida montou no animal, ele galopou o mais rápido que podia, após três horas de cavalgada ele chegou ao lugar, Sigyn estava pálida e sem forças para andar. Loki desceu do cavalo e pegou sua esposa no colo e correu até a entrada, o curandeiro viu tudo pela janela e abriu rapidamente a porta. O príncipe entrou e a colocou no sofá, e tirou a adaga do bolso.

– Ela foi atingida com isso, por favor, diga-me se tem cura.

O homem de idade avançada pegou a adaga e cheirou a lâmina. Ele fez uma cara nada contente.

– Existe, mas a cura não é fácil. Precisamos criar uma essência a partir das maçãs de ouro de Idun e uma mecha de cabelo da vítima de quando ela era inocente e pura.

– Como vou conseguir a mecha?

– Você deve ir para o passado.

– Quanto tempo ela tem?

– Uma semana, traga muitas maçãs douradas, darei uma para ela comer e tornar-se asgardiana. Assim ela poderá resistir por nove dias.

Só havia uma pessoa nos nove reinos com o poder de levar alguém ao passado. Loki beijou a testa dela e saiu da cabana as pressas, não poderia perder tempo. Ele montou no cavalo e galopou o mais rápido que podia, foram dois dias de montaria incessante até Asgard, ao chegar lá o cavalo morreu de exaustão. Loki correu escondido pelo castelo e encontrou-se com a Amora.

– Necessito da sua ajuda, quero que traga-me uma saca de maçãs de ouro de Idun. Leve para os estábulos, estarei lá esperando.

– Nossa quanto tempo Loki, o que tens feito ultimamente?

– Amora, sem brincadeiras. Tenho que salvar a vida da minha esposa.

– Esposa? Por Valhalla, você passa dias longe de Asgard e volta casado, nem convidou-me. Ajudarei, estarás em dívida comigo.

Loki ignorou o tom debochado dela, em outra ocasião teria gritado com ela, mas não poderia perder tempo. Ele correu até os estábulos e encontrou-se com Sleipnir, o cavalo de oito patas mais rápido dos nove reinos. Ele selou o cavalo e montou nele, Amora atravessou correndo pelo pátio e entregou a saca de maçãs douradas ao príncipe. Ele saiu em disparada sem olhar para trás, antes que Heimdall notasse ele já estava fora do reino. O que um cavalo comum levava dois dias para galopar, Slepinir levou apenas um e sem estar exausto. Enquanto Loki entrava na cabana o cavalo de oito patas bebia água no lago.

– Está aqui as maçãs.

– Ótimo, irei fazer a essência, não esqueça a mecha.

O príncipe aproximou-se de sua esposa e a beijou, ela estava fraca e sem cor nas bochechas. Ele entregou uma maçã de ouro para ela comer, sem hesitar ela comeu toda a fruta. Sigyn sorriu e abraçou o marido, porém ainda estava fraca.

– Eu vou te salvar, em nome de Odin, eu farei de tudo para trazer a cura. Não desista de viver.

– Jamais desistirei, não agora que finalmente nos entendemos. Vou esperar você, tenho fé em ti.

Antes de sair ele a abraçou e deu-lhe outro beijo longo e apaixonado. Ele montou Sleipenir e rumou para Nifflheim. Este reino era tomado por trevas, ao longe podia-se ouvir as almas daqueles que não morreram dignamente em uma batalha. O lugar era frio com intensos nevoeiros, totalmente inacessível aos vivos, com exceção de alguns Aesires e Vanires. Por conhecer aquele lugar Loki conseguiu contornar as armadilhas que sua filha Hela havia deixado para evitar visitas indesejadas. Ele chegou ao trono, a rainha de Nifflheim estava sentada, seu olhar era frio e penetrante.

– Eu sei o motivo de tua visita Loki, a pergunta que desejo fazer a ti é, o que tens em troca?

– O que desejas prole minha?

– A adaga que atingiu ela, o veneno absorvido pela lâmina é uma ótima peça para minha coleção.

Loki havia guardado a adaga na cintura, ele a removeu do cinto de couro e deu para a filha, ela sorriu e entregou a uma serva. Com as mãos ela envolveu o pai em uma magia antiga e poderosa que mandou ele direto para o passado. Ele viu as pessoas e imitou as vestimentas de um dos homens, ele ficou de blusa social branca, calça social preta e sapatos sociais muito bem engraxados.

Ele viu adiante uma menina brincando sozinha, ele a reconheceu na hora. Era Sigyn mais jovem, ela sorria enquanto imaginava-se numa batalha feroz, ela estava de costas para um declive. Ao pisar em falso ela quase caiu, porém Loki foi rápido e a segurou.

– Tu deverias tomar mais cuidado.

Ele falou olhando nos belos olhos violetas dela, ele sorria ao ver o quanto Sigyn era alegre quando criança.

– Obrigada.

– Por nada querida... Estavas brincando de quê?

Sygin ficou tímida com a presença do deus.

– Eu estava numa batalha pra salvar o reino.

Loki lembrou-se da atual condição da esposa, um nó formou-se em sua garganta e seus olhos ficaram vermelhos como fosse chorar. Ele ajoelhou-se e tentou recuperar a compostura.

– Eu necessito salvar uma donzela, e para isso preciso que me dê uma mecha do seu cabelo.

Sigyn estranhou, mas aceitou de bom grado. Até porque ele havia salvado ela de uma queda feia. Loki pegou uma adaga simples e cortou uma mecha da nuca para que ninguém notasse a falha.

– Muito obrigado querida.

– Por nada.

Ele beijou a testa da menina e levantou-se para distanciar-se dela, ela não poderia ver ele partir através e magia. Loki retornou a Nifflheim e agradeceu a filha por ter ajudado e partiu para Vanenheim para salvar sua esposa. Após uma longa cavalgada ele avistou a cabana, Sleipnir estava fumegante. Ele teve de desmontar o animal e dar água no lago, diferente do corcel do Robert, Sleipnir era seu filho. Loki não mataria a própria prole, ele olhou para a cabana que parecia tão próxima, porém estava muito distante.

O cavalo conseguiu recuperar as forças, Loki o montou e cavalgou até a cabana. Ele desmontou e entrou correndo, sua esposa estava muito debilitada, porém sorriu ao ver o marido. O príncipe entregou a mecha ao curandeiro, ele imediatamente foi preparar a poção. Loki sentou-se ao lado dela e acariciou o rosto da amada.

– Estou aqui querida, logo tu ficarás boa e poderemos ir para Asgard.

– Senti sua falta.

Ela falou com uma voz fraca, quase num sussurro. Aquilo foi demais para ele, lágrimas escorreram dos olhos do deus, Loki sentiu-se um idiota por parecer fraco perante a esposa. Por um longo tempo ele havia desrespeitado ela, agora arrependia-se de cada palavra que havia dito a Sigyn. A mão dela ergueu e tentou limpar as lágrimas dele, Loki pegou a mão dele e beijou os dedos delicados dela.

O curandeiro trouxe uma cuia com a poção dentro e a levou para a moça, Loki ajeitou o corpo dela para que ela pudesse beber da poção. Sigyn bebeu tudo, assim que terminou seus olhos fecharam-se e o corpo dela ficou frio, não havia mais cor em seus lábios e ela não respirava. Loki deixo ela no sofá e estourou com o curandeiro, ele começou encher ele de socos e chutes.

– Tu disse que ela sobreviveria, que minha esposa ficaria bem depois de beber a poção. Tu a mataste criatura vil, e vingar-me-ei da única mulher em todos os nove reinos que verdadeiramente amo.

– Não entendo porque não funcionou, deveria ter funcionado. Tem certeza que você trouxe a mecha certa?

O deus intensificou a violência de seus ataques, lágrimas rolavam de seu rosto por ter perdido a mulher tanto amava e jamais havia dito a ela seus sentimentos mais profundos. A raiva que ele sentia não era somente pelo curandeiro, mas por si também. Ele sabia que o arrependimento o seguiria para o resto da vida, até que ele ouve uma voz fraca e feminina.

– Loki.

Ele imediatamente olha para Sigyn, ela estava acordada e levantando-se devagar. O príncipe esqueceu-se do curandeiro e correu para abraçar ela, para ele não havia coisa melhor do que sentir o coração dela bater contra o seu e sentir a respiração da mulher que amava em seu pescoço. Loki ajoelhou-se e a olhou nos olhos, Sigyn sorriu e limpou as lágrimas do amado.

– Por dias tenho sido cruel contigo, não porque te odiava, mas por teimosia minha de não aceitar um sentimento forte. Pelo medo de machucar-me novamente evitei o que jamais deveria ter evitado, o meu amor por ti.

Sigyn deu um sorriso largo e o abraçou, Loki retribuiu e a beijou apaixonadamente. Como ela alimentou-se das maçãs douradas Sigyn não teria mais um tempo de vida de humana e sim de asgardiana, ele não necessitaria mais preocupar-se com o tempo de vida da amada.

Notas finais
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