Loki and Jane, When I first saw you
10 Capítulo 9 A chegada a Svartalheim
Notas iniciais
“Logo após a saída de Loki, Verdandi foi até o corredor, por sorte a deusa encontrou Isys.
—-Diga para Sigyn vir até aqui. A deusa lançou um olhar demoníaco para a serva.
—-Sim Majestade. Respondeu Isys, que em seguida localizou a princesa.
—-Sua mãe está a sua procura, ela está com um humor... Sigyn já sabia o que a esperava.
—-Vou vê-la agora mesmo. Obrigada Isys. A princesa seguiu a passos lentos para o quarto da mãe, não tinha pressa alguma em ter aquela conversa. A filha de Verdandi entrou no quarto, de cabeça baixa, não queria ver a expressão decepcionada da mãe.
—-Tramou tudo pelas minhas costas, como pode? Debaixo do meu teto! Gritou Verdandi, a deusa tremia de tão irada e nervosa. Sigyn não disse nada, iria ouvir tudo calada e esperar que a raiva de sua mãe passasse.
—-Não vai me dizer nada? Vai ficar com essa cara de sonsa?
A deusa se aproximava de Sigyn, que como estava de cabeça baixa não percebeu a proximidade da mãe. Verdandi surpreendeu a princesa com um tapa no rosto, o golpe foi tão forte que a vanir caiu em sua cama. A jovem levou uma mão ao rosto e começou a chorar audivelmente, além de ter sido enganada pelo deus ainda tinha que enfrentar a ira da rainha.
—-Você parte hoje mesmo para Svartalheim, não suporto mais olhar para sua cara, até sua respiração me insulta. Verdandi proferiu aquelas palavras carregadas de ódio.
—-Por que você me odeia tanto mamãe? Perguntou Sigyn, com a voz tremula e ainda de cabeça baixa. Aquela era uma pergunta que a
princesa sempre fazia para si mesma, mas nunca tinha tido a coragem de confrontar sua mãe.
—-Você faz de tudo para ser odiada e a culpada sou eu? Quantas jovens gostariam de estar no seu lugar? Tinha um futuro promissor, poderia conquistar o mundo se quisesse. E o que você fez? Estragou tudo, como sempre.
—-De que adianta ter tudo isso, se não sou digna do seu amor? Sigyn finalmente ergueu a cabeça para encarar Verdandi, a jovem estava com os olhos marejados. Amor e compreensão é o que Sigyn nunca teve, Loki havia preenchido aquela lacuna da vida da jovem.
—-Eu cansei dessa conversa, estou satisfeita por me livrar de você. Agora é um problema para a sua tia Skuld e não para mim.
Verdandi simplesmente ignorou a pergunta da filha. A deusa do destino abandonou o quarto e Sigyn ficou sozinha, limpou suas lágrimas e decidiu que a opinião de sua mãe não mais importava. Tentar agradá-la ou fazer de tudo para que ela a amasse sempre fora inútil. Horas depois a princesa estava chegando em Svartalheim, a morada de sua tia Skuld. Skuld era a deusa do destino voltada para o futuro, diferente de Verdandi, ela era sempre doce e gentil.
—-Que bom que veio criança. Disse a tia de Sigyn, dando-lhe um abraço apertado. A deusa se afastou para encarar a sobrinha, sua expressão mudou subitamente ao ver um arranhão no rosto da jovem, o anel que Verdandi usava acabou ferindo Sigyn, com o tapa dado pela deusa. Skuld acariciou o rosto da sobrinha e disse:
—-Sua mãe é inconsequente e não sabe o que faz, mesmo depois de quinhentos anos ela continua a mesma, deve perdoá-la minha querida.
A princesa assentiu com a cabeça, não queria continuar aquela conversa. Skuld conduziu a sobrinha até seus aposentos, o quarto de Sigyn ficava na parte superior do castelo, na torre mais alta. O quarto da jovem era belissimamente decorado, a primeira coisa que Sigyn notou foi o piano, que ficava no canto ao lado da janela. Embora tudo fosse muito bonito, cama confortável, cortinas douradas, lençóis de seda... a princesa percebeu que o lugar era na verdade uma prisão. A jovem não teria livre acesso a saída, durante o tempo que ficasse ali, o piano seria seu único companheiro.
—-Bem eu vou deixá-la a vontade, sei que a viagem foi longa e precisa descansar. Quando a deusa estava se afastando Sigyn a chamou.
—-Eu só queria lhe agradecer, por tudo.
—-Não precisa me agradecer, eu a entendo melhor do que ninguém.
Como deusa do futuro, Skuld podia prever todo sofrimento que ainda estava por vir, queria tornar a estada da sobrinha o mais agradável possível. Para a deusa era agoniante ser tão poderosa, prever os acontecimentos, saber o destino de todos e não poder interferir em nada. Seu dom era ao mesmo tempo sua maldição.
Sigyn ficou sozinha no quarto, a primeira coisa que fez foi tomar um longo banho. Já era tarde da noite, a jovem vestiu uma camisola e quando já estava vestida, olhou para o piano. A princesa sentou-se no banco que ficava em frente ao instrumento e começou a dedilhar algumas notas. A melodia era triste, melancólica, capaz de fazer qualquer um chorar. Enquanto Sigyn estava sozinha em seu quarto, Loki cruzou a grande sala do trono de Svartalheim, usava a aparência de Isys. Skuld percebeu a presença do deus, ela já sabia que ele viria.
—-Boa noite Isys. Disse a deusa do futuro.
—-Boa noite majestade. Loki fez um gesto de reverência.
—-Sigyn está na torre, segundo corredor a direita, suba as escadas até o fim.
—-Muitíssimo obrigada majestade. "Isys" disse aquelas palavras e saiu.
Skuld não simpatizava muito com Loki, mas sabia que a vida da sobrinha seria curta, decidiu deixá-la aproveitar o pouco tempo que tinha. Loki entrou no quarto de Sigyn, ela dedilhava o piano violentamente. Com o barulho a jovem nem notou a presença do deus. Loki sentou-se calmamente ao lado da princesa e começou a tocar o instrumento. Ao ver aquela mão pálida ao lado da sua, Sigyn sentiu as batidas do seu coração se acelerarem. Com uma certa dificuldade, Sigyn continuou tocando, sem olhar para o deus. A princesa estava realmente magoada e decepcionada com Loki. O deus colocou sua mão direita, sobre a mão esquerda da jovem. O jotun viu que ela usava o anel que ele havia lhe dado. Sigyn puxou sua mão e levantou-se rapidamente.
—-Se não me ama por que não me deixa em paz? Já se divertiu bastante as minhas custas. A princesa disse aquelas palavras com a voz embargada.
—-Quem disse que eu não a amo? Loki se aproximou de Sigyn.
—-Suas atitudes. A princesa disse aquilo, com a voz um pouco elevada, o que Loki estranhou, pois Sigyn era sempre tão calma.
O deus segurou o rosto a jovem em suas mãos, Sigyn tentou virar sua face, para não encarar o deus, mas Loki continuava segurando o rosto dela. Todas as vezes que a princesa olhava no fundo das orbes verdes do deus, acabava fraquejando. Ao encarar o deus, Sigyn percebeu que Loki estava com a aparência péssima, seu olhar era triste e parecia exausto, como se não dormisse há umas três noites. A bondade de Sigyn e seu instinto protetor
falaram mais alto.
—-Você está bem? A princesa perguntou acariciando o rosto de Loki e esquecendo sua mágoa.
O deus não respondeu nada, apenas abraçou a jovem. Sigyn retribuiu o gesto enquanto passava sua mão nas costas de Loki, de maneira terna. A revelação feita por Verdandi havia pego o deus de surpresa, Loki estava cheio de rancor, queria se vingar de todos, exceto Sigyn e talvez Frigga. O deus veio buscar conforto nos braços da filha de Verdandi. Sigyn pegou a mão do deus e o conduziu até sua cama, ela deitou-se e fez com que Loki fizesse o mesmo, o jotun descansou sua cabeça no ventre de Sigyn. A princesa acariava os cabelos do deus, confortando-o de maneira silenciosa.
Mesmo o conhecendo pouco, Sigyn sabia que ele não gostava de falar de seus sentimentos, mas ela estaria disposta a ouvir quando ele estivesse pronto para desabafar. Aquilo era exatamente o que Loki precisava, alguém que estivesse ao seu lado, sem lhe fazer perguntas ou cobranças. Alguém que estivesse ali, apenas para lhe fazer companhia, sem exigir nada em troca.
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