Loki and Jane, When I first saw you
17 Capítulo 16 Afinal, quem é John?
Notas iniciais
Logo após o velório, quando Loki e Frigga chegaram em Asgard o deus a puxou pelo braço, impedindo que ela entrasse no castelo.
—-Não quero que diga absolutamente nada sobre isso a Thor ou Odin.
—-Claro que não, vou respeitar sua decisão meu filho.
Thor tinha outras preocupações, como o seu relacionamento com Sif. O deus estava completamente apaixonado pela guerreira e passava boa parte do seu dia correndo atrás dela, sequer notou que ultimamente Loki estava sempre ausente. O deus do trovão era tão ingenuo que achou que Loki havia lhe dado ouvidos quando ele pediu que o irmão não se atrevesse a cortejar a filha de Verdandi.
Enquanto isso, em Vanaheim...
Logo após ver a cabeça do servo jogada em sua cama, Verdandi vestiu um hobby, em seguida alguns criados vieram acudí-la. Ela saiu dos aposentos reais e se dirigiu ao quarto de Sigyn, enquanto os servos limpavam toda a sujeira. A deusa teve uma sensação de nostalgia ao olhar para o piano no canto do quarto, a rainha fechou os olhos, sua dor era quase insuportável.
A deusa correu os olhos por cada canto do lugar, havia um livro na mesa de cabeceira, que chamou sua atenção. A deusa pegou o objeto em suas mãos, sua capa era de couro, com o brasão da familia real. A rainha abriu o livro e para sua surpresa a primeira frase escrita era: "Querido diário" A deusa teve um mal estar súbito e deixou o diário cair no chão.
Assim que se recuperou, Verdandi juntou o diário e começou a lê-lo, foi direto para a última folha, pois queria ler as últimas palavras que sua filha havia escrito. No meio das anotações de Sigyn, havia uma folha solta. Verdandi abriu o papel dobrado e se surpreendeu ao perceber que era uma carta.
"Bem, como começar? Eu nunca escrevi uma carta de despedida antes, mas acho que devo começá-la da seguinte maneira:
—-Adeus! Adeus as grades e paredes do meu quarto. Adeus as correntes invisíveis que me prendem a essa cama e me impedem de viver. Adeus a imensa saudade que sinto de Loki e as barreiras que não permitem a nossa união. Adeus a essa tristeza imensa que me consome pouco a pouco.
Rainha Verdandi, se a senhora está lendo está carta, significa que o inevitável aconteceu. Gostaria de isentá-la de qualquer culpa que possa estar sentindo e dizer que se parti nessa viagem sem volta é porque sou fraca, como a senhora mesma diz, puxei a fraqueza do meu pai. Sou uma covarde e saí desse mundo pela porta dos fundos. Nunca estive preparada para a vida, não para essa vida triste e sem sentido que estou levando.
Não quero que se culpe de forma alguma, pois sei que fez o melhor que pode, eu é que não fui boa o bastante, nunca consegui atender as suas expectativas. Talvez esse seja o único arrependimento que carrego comigo, não ter sido a filha que a senhora esperava.
Quero agradecer por todos os bons momentos que me proporcionou, levarei comigo as histórias que me contava quando criança, as músicas de ninar que espantavam o meu medo do escuro, as noites de sono que a senhora perdeu por minha causa... Quero principalmente lhe pedir desculpas, me perdoe por tê-la magoado de alguma forma e obrigada por tudo o que fez por mim..."
Uma lágrima molhou a folha de papel e borrou a tinta da caneta. Verdandi não conseguiu continuar. Realmente algumas pessoas só conseguem dar valor as coisas que perdem. Sigyn era um ser incomparável, de um altruísmo fora do comum. A rainha estava preparada para ouvir palavras de ódio e desprezo contra si, mas ao invés disso, a princesa só quis evitar que a mãe sentisse remorso.
Verdandi se levantou, ao ler a carta tivera uma idéia que não havia lhe ocorrido antes. Só uma pessoa poderia lhe ajudar naquele momento, a deusa precisava ir até Hellheim.
Quando Verdandi chegou ao reino de Hella, a deusa já a aguardava. A deusa do destino estava cabisbaixa e não tinha a postura elegante de sempre, estava com os ombros caídos, não estava bem maquiada ou trajando os vestidos luxuosos que costumava usar.
—-Boa noite Verdandi, o que a traz aqui? Deixe-me adivinhar, quer que eu deixe sua filha voltar não é mesmo? A rainha de Vanaheim apenas assentiu com a cabeça.
—-Claro, vou mandá-la de volta agora mesmo. Verdandi encarou Hella com desconfiança.
—-Há, há! Você acreditou nisso? Hella tinha um genio insuportável, era sádica e muito mais venenosa do que Verdandi.
—-Você é a minha última esperança. Venho lhe pedir, pedir não, implorar que me conceda essa graça. Verdandi engoliu todo o seu orgulho, estava praticamente rasteijando aos pés da deusa.
—-E o que eu ganho com isso? Sabe muito bem que não faço favores, apenas acordos e no seu caso eu preciso de algo muito valioso em troca.
—-O que quiser, qualquer coisa, é só pedir. Verdandi estava sem saída, estava nas mãos de Hella.
—-Que tal a sua vida? Perguntou a deusa, lançando um sorriso malicioso para a deusa do destino.
—-É sua. A rainha não pensou duas vezes antes de responder.
—-Trato feito. Vou lhe devolver Sigyn e ainda lhe darei um brinde. Ela voltará para você como um bebezinho, vai poder curtir todos os momentos. Trocar fraldas, amamentar e aquela coisa toda...
—-Só tem um detalhe, bem pequenininho. Você vai ter que levá-la para ser criada em Midgard, pois vou colocar a alma dela no corpo de uma criança midgardiana. Vai criá-la como uma humana, sem jamais revelar a verdade. E tem mais uma coisinha. Essa é a parte que eu mais gosto. Mais um sorriso irônico se formou nos lábios da deusa.
—-Se ela descobrir quem realmente é... você morre. Hella disse secamente.
—-Que assim seja. Respondeu Verdandi, resignada.
—-Ótimo. Só quero que saiba, que não faço isso por você nem pelo cretino do Loki. Sua vadia, cínica e egoísta. Só estou lhe concedendo este benefício por Sigyn, ela merece uma segunda chance. Quero que me entenda, pois não posso trazer o seu netinho junto. Hella levou a mão direita a boca, como se tivesse cometido uma indiscrição, mas na verdade havia dito aquilo de propósito.
—-Está querendo me dizer que minha filha estava grávida? Verdandi levou as mãos a cabeça, as coisas não paravam de piorar.
—-Ops, esqueci que você não estava sabendo da gravidez. Ela estava se divertindo com o sofrimento de Verdandi.
A rainha de Hellheim já tinha tudo pronto, uma serva da deusa apareceu na sala, trazendo uma criança. Verdandi segurou a menina em seus braços. O bebe olhou direto para seus olhos, era estranho como o olhar daquela criança era expressivo. A deusa esboçou um sorriso ao sentir aquele corpo pequenino em seus braços. As esperanças da rainha estavam subitamente renovadas, aquele seria um recomeço, a oportunidade de fazer tudo diferente.
—-Você será o bebe mais amado dos nove reinos. Disse Verdandi, limpando uma lágrima de seu rosto.
—-Está tudo muito bom, todo mundo ficou feliz, mas agora você deve ir para Midgard. A rainha de Hellheim disse impacientemente.
Hella criou um portal e enviou a deusa do destino para a terra dos humanos. Verdandi foi parar em uma rua deserta, estava em New York. A deusa deu alguns passos adiante e estava em meio a rua mais movimentada da cidade. Havia carros por todos os lados e pessoas transitando incessantemente. O barulho daquela multidão era ensurdecedor. Acidentalmente um homem acabou esbarrando no ombro de Verdandi.
—-Me perdoe, eu estava distraído. Assim que a rainha ergueu os olhos para encará-lo, a deusa perdeu a fala. Como deusa do destino, as vezes o próprio lhe pregava algumas peças. E aquela era mais uma das irônias do destino.
—-Bergelmer? Verdandi? Os dois perguntaram ao mesmo tempo. O homem abraçou Verdandi como se jamais fosse soltá-la. Bergelmer era um homem alto e robusto, seu cabelo era loiro, na altura dos ombros. Ele lembrava Thor, por isso Verdandi simpatizava tanto com o deus do trovão. Bergelmer era seu grande amor e verdadeiro pai de Sigyn.
—-Cuidado, vai machucá-la. Disse Verdandi olhando para o bebê.
—-Tem razão, desculpe. É que estou muito feliz por vê-la. Os olhos dele brilhavam.
—-Agora está feliz por me ver? E por que me abandonou? Eu o amava, Bergelmer. Verdandi só não caiu em prantos porque não tinha mais lágrimas pra chorar.
—-Eu não a abandonei, Hella me exilou em Midgard. Disse que eu ficava com ela, ou não ficaria com ninguém mais. Verdandi ficou pensando nas palavras do jotun, que tinha aparência asgardiana.
—-De quem é essa criança? Não me diga que é sua filha. Ele perguntou ainda incrédulo, a deusa sempre disse que não queria ser mãe.
—-Nossa filha. Disse a deusa. O jotun sorriu, e fez um gesto de negação com a cabeça.
—-Infelizmente não há essa possibilidade. Venha comigo. Vamos para a minha casa, quero que me conte essa história direitinho.
Verdandi acompanhou Bergelmer. A casa do pai de Sigyn era luxuosa, uma mansão, cheia de seguranças e empregados. O jotun havia se dado muito bem em Midgard, como todos os gigantes de gelo, Belgermer era muito esperto e tinha um dom para os negócios. Juntando isso às suas habilidades com magia, o jotun conseguiu prosperar na terra dos humanos.
Bergelmer fez com que Verdandi o acompanhasse até o seu quarto, a deusa depositou a menina na cama, pois a princesa já estava dormindo.
—-Bergelmer...Disse Verdandi, sendo interrompida pelo jotun.
—-Me chame de John, adotei esse nome desde que cheguei em Midgard. Verdandi assentiu com a cabeça e começou a contar toda a história, porém a deusa contou a sua versão.
John ouvia tudo atentamente, o jotun olhou para a criança que estava deitada em sua cama. Aquilo tudo parecia impossível, mas Verdandi não aparentava estar mentindo. O jotun pegou a menina no colo e ficou a observando enquanto estava em seus braços. Percebeu que ela tinha suas feições. O jotun sempre quis ser pai, não podia conter sua alegria, estava eufórico com a notícia.
—-Como se chama? Perguntou John, que ainda olhava para a pequena.
—-Sigyn. Disse Verdandi com um sorriso no rosto, seu sonho havia se realizado, finalmente estava ao lado do pai de sua filha.
—-Sigyn não. Ela vai se chamar Jane.
—-É um belo nome, disse Verdandi se aproximando de John e depositando um beijo terno, nos lábios de seu amado. Naquele momento recomeçou o romance que há anos atrás fora interrompido.
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