Loki and Jane, When I first saw you
32 Capitulo 31 Crying In The Rain
Notas iniciais
Uma semana se passara desde o desaparecimento dos pais de Sigyn. O asgardiano era um lider nato, sempre teve o dom de se impor e se fazer respeitado. Loki dava uma atenção especial a formação do exército, pois considerava Vanaheim um reino muito vulnerável. O deus precisava de um exército bem treinado, para dar início aos seus planos de expansão dos domínios do reino. As duas jóias do infinito associadas a um exército composto por bravos guerreiros, tornariam o deus praticamente invencível.
Sigyn passou a visitar diariamente um abrigo para crianças que perderam os pais em batalhas. A jovem sempre teve vontade de dar assistência as crianças que moravam naquela espécie de orfanato, mas por imposição de sua mãe, nunca pode realizar esse desejo. Sigyn passava horas e horas entre os pequenos, dando lições de piano. Tudo corria perfeitamente bem, exceto pela desconfiança que a vanir ainda tinha em relação ao esposo. O desaparecimento dos pais não fora muito bem explicado e as suspeitas recaiam sobre Loki. O deus vinha governando Vanaheim mesmo sem ser coroado, mas aquele era o dia da formallização de sua posse.
—-Sigyn, acorde! Acorde logo. Isys sacudiu o corpo da princesa.
—-Que susto! O que aconteceu? Perguntou a esposa de Loki.
—-Você está atrasada para a cerimônia de coroação. Depressa!
—-Como pude esquecer? Sigyn levantou-se da cama e começou a se vestir com a ajuda de Isys.
—-Príncipe Loki perguntou por você e ele não está de bom humor. Aliás nunca o vi tão irritado. Comentou Isys. Sigyn queria poder ficar o dia todo em seu quarto, sem precisar encarar o deus.
—-Eu preciso mesmo ir? Perguntou a princesa, em um tom desanimado.
—-Não vou nem responder essa pergunta. Por que vocês estão dormindo em quartos separados?
—-É ma longa história Isys. Respondeu Sigyn, encerrando a conversa.
Alguns minutos depois, a princesa estava pronta, desceu as escadas e viu que Loki já estava diante do conselheiro mais velho, Eldór. Sigyn se aproximou de ambos e se curvou respeitosamente diante do conselheiro, olhou para Loki, mas ele a ignorou completamente. Eldór pronunciou breves palavras sobre as responsabilidades do rei e rainha de Vanaheim. O ancião finalizou seu discurso com um juramento, que foi repetido Loki e Sigyn repetiram. O amigo de Njord entregou o cetro real para Loki encerrando assim a "coroação".
—-Aqui se inicia uma nova era para Vanaheim. Disse Loki.
O deus ergueu o cetro até a altura de seus olhos, esboçou um sorriso vitorioso, acabara de realizar seu maior sonho. Finalmente Loki era rei, desfrutando do seu direito de nascença. Sigyn sentiu um aperto no peito ao ouvir as palavras do esposo, não sabia o real significado delas. A cerimônia fora simples, sem convidados nem festividades, devido as circunstâncias. Durante o almoço Sigyn sequer tocou na comida, estava preocupada com o desaparecimento dos pais, a gravidez e a maneira estranha como o deus vinha se comportando.
—-Precisa se alimentar. O asgardiano comentou despreocupadamente.
—-Não tenho fome. Respondeu Sigyn, sem olhar para o deus. Loki segurou o queixo da esposa, virando o rosto dela na direção dele.
—-Não perguntei se tem fome, disse que deve comer. Rosnou o asgardiano. A pouca paciência do deus estava se dissipando. O rei respirou fundo para manter a calma, nada o irritava mais do que ser contrariado.
—-Está me machucando. Sussurrou Sigyn. Loki soltou o rosto da esposa e percebeu que havia deixado a marca de seus dedos. Sigyn levantou-se da mesa e andou até a saída do palácio. Para o deus, a vanir estava agindo como uma criança mimada. Embora Loki não percebesse, o uso das pedras alterava seu comportamento, estava mais nervoso, impaciente, irritadiço e ainda mais impiedoso do que de costume.
—-Sigyn, Sigyn! Volte aqui! Gritou o asgardiano, enquanto a rainha corria em direção aos grandes portões.
—-Se me permite, peço licença para me retirar majestade. Eldór ficou revoltado com a cena que acabara de presenciar. Sigyn definitivamente não merecia aquele tratamento tão hostíl.
—-Não permito e já estou cansado das suas intromissões. Loki empunhou o cetro, contendo a pedra da mente e tocou o conselheiro, deixando o mesmo sob seu comando. O velho amigo de Njord ficou com um olhar distante, frio e imóvel, como se sua alma tivesse sido roubada de seu corpo.
A rainha saiu para espairecer, precisava organizar suas idéias e respirar um pouco de ar puro. Sigyn cavalgou para longe do palácio, tirou as sandálias que calçava e tocou o gramado verde com os pés, sentou-se na beira do lago, contemplando a paisagem. Seus cabelos que atingiam a altura da sua cintura, estavam sendo levados
pela brisa quente daquela tarde ensolarada. A vanir permitiu que sua mente vagasse para longe, se perguntando como seu conto de fadas havia se tornado um pesadelo em tão pouco tempo.
A rainha não se deu conta do passar do tempo, ficou ali por mais de uma hora. Houve uma brusca mudança de tempo nesse período, o céu escureceu e uma tempestade se formou. As primeiras gotas de chuva começaram a cair, misturando-se as lágrimas dela. Quando Sigyn voltou para o palácio, subiu direto para o quarto e trancou-se lá. A jovem pegou seu diário e começou a escrever. A vanir ouviu batidas na porta, guardou o diário na gaveta da escrivaninha e foi atender a porta.
—-Isso é para você. Isys entregou um livro para Sigyn. A filha da deusa do destino leu o título: Infinity Gems.
—-Quem lhe deu isso?
—-Um mensageiro de Asgard. Ele disse que eu deveria entregá-lo somente a você. Sigyn abriu o livro e percebeu que havia um bilhete.
" Me encontre amanhã, ao nascer do sol, na entrada do bosque vanir."
O bilhete não estava assinado, mas a jovem sabia que o mesmo fora escrito por Thor.
—-Preciso que me acompanhe até o bosque na primeira hora da manhã. Ah! E não diga nada sobre isso a ninguém. A dama de companhia assentiu com a cabeça e lançou um sorriso de cumplicidade para a rainha.
—-Isys, você viu Eldór? Sigyn precisava conversar com o ancião, o velho era o mais sabio de todo o reino. A jovem se sentia perdida, precisava dos conselhos dele.
—-Sim, ele estava na sala do trono. Quer que eu peça que ele venha até aqui?
—-Não, eu vou até lá. Obrigada. Sigyn desceu as escadarias que davam acesso a sala real, a vanir se espantou com o que viu. Eldór estava de joelhos, diante do deus. Loki o observava com ar de superioridade e olhar de desdém. Ela se aproximou e tentou erguer o ancião, que a afastou com o braço. A rainha segurou o amigo de Njord pelos braços.
—-Eldór, sou eu Sigyn, está me ouvindo? Perguntou a esposa de Loki, com a voz tremula.
—-Deixe-nos a sós. Ordenou o asgardiano. Apenas após ouvir a voz do rei o ancião se moveu. A vanir ficou estática, não entendeu absolutamente nada.
—-O que está acontecendo aqui? Sigyn levou uma das mãos a cabeça, sentiu uma tontura e tudo ficou escuro de repente. Loki a segurou em seus braços. Minutos depois a jovem abriu os olhos lentamente, sentiu uma terrível dor de cabeça. Sigyn estava nos aposentos reais. Quando viu que a rainha estava acordando, Loki
sentou-se na beirada da cama, ao lado da esposa. O deus depositou um beijo na testa da vanir. Sigyn pensou em questionar o trapaceiro sobre o acontecido, mas não tinha ânimo para iniciar mais uma discussão.
—-Eu estava esperando a hora certa para lhe contar que... eu estou grávida. Sigyn desviou o olhar, havia imaginado várias formas de contar ao deus, mas não tinha sido como ela esperava.
—-"Então ela já sabe" Pensou o trapaceiro. O rei fez a expressão mais surpresa e admirada que conseguiu.
—-Eu vou ser pai. Loki repetiu para si mesmo, como se não acreditasse no que havia ouvido. Embora o deus já soubesse, ouvir da boca da própria Sigyn tinha um significado especial. A rainha sorriu em resposta. O asgardiano olhou no fundo dos olhos da esposa e disse algo que ele não costumava dizer. Na verdade nunca disse com todas as letras, apenas dizia: "Eu também" sempre que Sigyn confessava seu amor.
—-Eu te amo. Loki se aproximou de Sigyn e uniu seus lábios aos dela, de forma terna e demorada. Sigyn estava confusa, as vezes o deus era tão carinhoso e apaixonado outras arrogante, ríspido e cruel, como se tivesse dupla personalidade.
—-Eu estava esperando um momento muito especial para lhe dar isto. O rei tirou algo do bolso, era uma corrente com um pingente de esmeraldas, as pedras eram semelhantes as do anel que Sigyn havia ganhado do deus. O asgardiano colocou o colar no pescoço de Sigyn.
—-É lindo. A rainha beijou o deus mais uma vez e o abraçou de maneira desesperada, precisava senti-lo, inspirou profundamente inalando o perfume dele. Sigyn se afastou do deus para observá-lo. Loki tinha olheiras, sua pele estava pálida, com algumas gotículas de suor na testa, os cabelos negros estavam revoltos. A aparência do deus era assustadora. Sigyn segurou o rosto do esposo em suas mãos.
—-Você não está bem, está doente. Precisa ser examinado por um curandeiro. Disse Sigyn se levantando da cama.
—-Não, eu nunca me senti tão bem. Loki a encarou com um olhar insano, sua voz era suave e amedrontadora. O rei descansou sua cabeça no ventre da esposa, enquanto a jovem acariciava seus cabelos. Sigyn chorou baixinho, pois sabia que havia algo errado com o esposo, aquele não era o mesmo Loki que havia conhecido em Asgard. A vanir via que o esposo estava caindo em um abismo, se destruindo aos poucos sem se dar conta. Loki ergueu a cabeça em um movimento brusco, lançou um olhar lascivo para a esposa e afastou as pernas de Sigyn.
—-Não Loki. A vanir recuou, tentando levantar-se da cama, o deus a puxou pelo braço e rasgou o vestido de Sigyn com violência. Loki voltou a deitar a jovem e se colocou sobre ela. A rainha o empurrou com força.
—-Já disse que não! Gritou Sigyn.
A jovem tentou se cobrir com o que sobrou de suas vestes e saiu do quarto, correndo. O deus passou as mãos nos cabelos, revirando os olhos e bufou. Tirou as pedras do bolso e ficou admirando-as, pensou em talvez usar a pedra da mente em Sigyn. Loki sacudiu a cabeça espantando aquele pensamento e foi até a banheira tomar um banho frio.
Antes mesmo do nascer do sol a vanir começou a se preparar para a partida, abriu a porta do quarto e viu que Isys já a aguardava do lado de fora. Isys havia deixado tudo pronto, dois cavalos encilhados estavam aguardando-as. Quando chegaram na entrada do bosque, Thor ainda não havia chegado, as duas esperaram por quase quinze minutos, até que o deus surgiu no horizonte.
—-Fique aqui comigo Isys. Sigyn sussurrou no ouvido da amiga.
O asgardiano deu um breve aceno com a cabeça, cumprimentando Isys e depositou um beijo na mão de Sigyn. A rainha apenas sorriu timidamente, toda aquela situação era muito constrangedora, se encontrar as escondidas com o cunhado em um lugar tão afastado do reino. Ao menos Sigyn havia levado sua dama de companhia.
—-O assunto do qual quero tratar é muito pessoal, se puder nos dar licença por um instante... Disse Thor se dirigindo a Isys. A criada jamais deixaria de atender um pedido do filho de Odin. A rainha de Vanaheim olhou para serva como se pedisse ajuda, mas Isys fez uma breve reverência, montou em seu cavalo e partiu.
—-Serei breve, entendo que deve voltar logo para casa. Sei que as jóias do infinito estão com Loki.
—-Como sabe que estão com ele? Sigyn se virou de costas para o deus e começou a caminhar nervosamente de um lado para o outro.
—-Fui até o cofre de Odin e as duas jóias que você mencionou, quando estavamos na biblioteca, simplesmente sumiram. Thor estava sério, com uma expressão nada amigável. Sigyn ponderou por um momento, talvez se livrar das infinity gems realmente fosse o melhor a fazer.
—-E se Loki estiver com as pedras? Perguntou a jovem, encarando o deus atentamente.
—-Eu serei obrigado a contar a Odin sobre o desaparecimento das jóias e Loki irá pagar pelo crime que cometeu. Entenda Sigyn, não quero chegar a esse ponto, não quero que meu irmão seja punido. Sinceramente não sei qual castigo meu pai daria a ele.
—-Não, isso não. Eu me comprometo em devolvê-las, mas deixe o pai de todos fora disso. Só preciso de um pouco de tempo. A vanir sabia que corria um sério risco, tentando enganar o próprio deus da trapaça. Mas Sigyn faria qualquer coisa pelo deus, mesmo que tivesse que protegê-lo dele mesmo. Em contrapartida, Thor poderia ter confrontado o próprio Loki, mas preferiu tratar sobre o assunto com Sigyn, apenas para ter um pretexto para vê-la.
—-Eu irei me casar com Sif. Pode entregar as jóias no dia da cerimônia.
—-Que assim seja, tem a minha palavra. Sigyn estendeu a mão e apertou a mão do deus. Thor olhou no fundo dos olhos cor de ambar de Sigyn, aquele olhar carregado de inocência, ternura e melancolia. O deus se afastou da vanir, parecendo nervoso e montou em seu cavalo.
—-Tem até o fim da semana. Gritou Thor. Sigyn não entendeu a mudança de humor repentina do deus. A verdade é que Thor se sentia incomodado na presença da jovem, ou melhor, tentado.
A vanir nunca imaginou que seria tão forte, seu fardo era pesado, mas tinha muita motivação para continuar. Só pensava em Loki e no bebe que carregava em seu ventre, correria qualquer risco, arriscaria qualquer coisa por eles.
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