Locked Out of Heaven
25 Your love's so cruel...
Notas iniciais
– Em primeiro lugar, da William McKinley High School: NEW DIRECTIONS! – Svengoobles, o vampiro, anunciou.
Para Sebastian, parecia que a Terra passara a girar em câmera lenta. Mas, ao mesmo tempo, tudo passava em um borrão. Ele viu alguém lhe entregar o troféu de segundo lugar e viu também Blaine vindo até ele, para um breve aperto de mãos. Kurt o encarava de longe, com uma expressão que ele não conseguia definir. Na verdade, não importava. Nada mais importava.
Ele viu uma garota das Troubletones correndo até Svengoobles para abraçá-lo e, quando olhou para Santana, ela não estava olhando para ele. Ela estava sorrindo, no meio de um abraço coletivo de comemoração, e ele viu um braço musculoso rodeando a cintura dela. Aquilo aumentou sua raiva e, por um momento, toda a troca de olhares de alguns minutos atrás — e tudo o que ela representava -, estavam esquecidos.
Os Warblers começaram a se retirar do auditório e Sebastian apenas os seguiu, sem olhar para trás. E foi exatamente por não olhar para trás, que ele não percebeu um par de olhos negros que o observava em meio à comemoração.
[...]
– E agora? – Podia ser só um eco dos seus próprios pensamentos, mas era a voz de Quinn fazendo uma pergunta para a qual Santana não tinha uma resposta.
Ela continuava com as mesmas roupas, os mesmos sapatos e a mesma tiara adornando seus cabelos soltos. Continuava com as mesmas dúvidas e a mesma melhor amiga chata, que não a deixava em paz, querendo que ela tomasse resoluções para as quais ela mesma não estava pronta.
Talvez ela só quisesse estar congelada no tempo. Talvez ela estivesse mesmo congelada no tempo, em uma espécie de limbo, esperando que uma decisão fosse tomada. Ela só não queria ser a pessoa a ter que tomar uma decisão. Mas ela sabia que, de uma forma ou de outra, assim que colocasse os pés para fora daquele auditório, tudo seria diferente. Na verdade, tudo já era diferente. Ele perdera e ela ganhara, e a matemática não era assim tão difícil de ser feita; agora ela não tinha mais nenhum motivo que a obrigasse a vê-lo. Daqui em diante, toda vez que ela o visse, seria por vontade própria. E querer vê-lo era exatamente o problema.
– Eu não sei, Quinn. – Santana suspirou.
– Sim, você sabe. – A loira discordou. Quinn sempre fora assim tão irritante ou ela adquirira essa característica com o tempo? Santana não sabia. Só sabia que Quinn era uma das poucas pessoas no mundo que eram capazes de aguentá-la, quando nem ela mesma tinha paciência para si.
– Está me dizendo para ir atrás dele?
– Como sabe se ele não está te esperando em algum lugar lá fora? – Quinn indagou, mas Santana apenas balançou a cabeça em negativa.
– Não vou sair daqui e encontrá-lo chutando alguma carteira em uma sala de aula qualquer. As coisas nunca acontecem duas vezes da mesma forma, Quinn. Além disso, porque você acha que sou eu quem tem que ir atrás dele?
– Porque você acabou de ganhar as Regionais e é muito mais fácil pra você ser uma pessoa razoável agora, do que para ele; Porque ele foi atrás de você naquele dia em que você tinha brigado com a Britt e estava triste por causa da sua avó; Porque ele disse a você que não parasse de cantar, depois de perder as Seccionais. Quer que eu continue?
Nota mental: parar de contar à Quinn tudo o que acontecia com tantos detalhes.
– Não, Grilo Falante. Já chega, você venceu. Eu vou. – Santana começou a se levantar e Quinn recolheu uma caixa que estava sobre uma das cadeiras nos bastidores do palco. Só então Santana se deu conta da existência de tal objeto. Ela sabia exatamente do que se tratava, porque tinha uma caixa igual em seu próprio quarto. A caixa em que viera...
– O uniforme das Cheerios. – Santana disse ao mesmo tempo em que Quinn levantava a tampa e revelava as típicas vestes das líderes de torcida.
– É. Essa semana, eu pedi a Sue pra voltar, mas ela me disse não. Agora parece que ela mudou de ideia. – Quinn tinha um sorriso genuíno no rosto, o que fez Santana sorrir também. – Não voltarei como capitã, é claro, mas... Eu começo na segunda-feira.
– Agora nós vamos ganhar mais um campeonato nacional juntas! Britt já sabe?
– Sim, ela encontrou comigo quando eu tava saindo do escritório da treinadora Sylvester. Ela ficou muito feliz por mim, é claro. E disse que...
– A Trindade Profana tá de volta! – Santana comemorou, fazendo coro às palavras de Quinn.
As duas começaram a rir enquanto o auditório ficava para trás.
[...]
Agora que estacionara o carro na frente da casa dele, Santana já não sabia se aquela tinha sido uma boa ideia. Provavelmente não era. Mas, agora que estava ali, voltar atrás seria covardia demais. Ela respirou fundo e soltou o cinto de segurança. Quando saiu do carro, sentiu o vento frio bater em seus braços descobertos. Ela abraçou-se e caminhou até a porta da frente. Tocou uma vez a campainha e esperou. Estava muito nervosa e ela odiava se sentir assim. Quando seu dedo estava a meio caminho de apertar o botão novamente, a porta se abriu, revelando um Sebastian incrédulo.
– Lopez? O que tá fazendo aqui?
Santana queria dizer muitas coisas, mas as únicas palavras que saíram foram:
– Vim ver se você estava... Como foi mesmo que disse? Ah! Chorando “lágrimas de sangue”.
– Ah, veio tripudiar, é claro. – Sebastian revirou os olhos, com uma nota de irritação na voz.
Ela queria responder “é óbvio que não, seu idiota!”, mas ouviu-se dizer:
– Na verdade, eu... Eu quero saber se nós vamos mesmo fingir que nada aconteceu. – Santana disse, cruzando os braços e erguendo o rosto.
– Acho que você decidiu isso sozinha no momento em que fugiu daqui semana passada. – Sebastian abriu um sorrisinho sarcástico.
– Eu não tinha nada pra falar. – Santana falou quase num grunhido.
– E agora tem?
– Eu não sei, ok? Não sei o que fazer, não sei o que falar... Estou aqui na esperança de que você saiba o que está acontecendo com a gente. – Santana começou, mas ela cometeu o erro de olhar para os olhos dele. Ela pôde ver a confusão e o questionamento naqueles olhos, então percebeu que tudo aquilo era em vão. — Mas você também não sabe, não é? – Ela constatou o óbvio.
Sebastian desviou os olhos para o chão e balançou a cabeça minimamente. Um aceno negativo.
Naquele momento, Santana só chegou a uma conclusão: ela queria sentir aquilo de novo. Aquilo que só sentira uma vez, quando estivera com ele. Aquele fogo a consumindo, aquele desejo que talvez não tivesse relação alguma com amor ou com qualquer outro sentimento. Essa era sua única certeza.
Foi aí que ela o beijou. E é claro que ele correspondeu.
Quando Sebastian pôde senti-la de novo em seus braços, todas as dúvidas haviam sumido. Quem se importava com o que iria acontecer dali em diante? Quem se importava com toda aquela história de ele gostar de homens e ela gostar de mulheres? O que eles tinham não era sobre gostar e, pela primeira vez, aquilo ficou claro. Não era hora para questionamentos ou resoluções importantes. Pela primeira vez, Santana tomara a iniciativa. Não importava que ela tivesse fugido da última vez, porque ela acabara voltando. Ela estava ali. E a única resposta que tinham era o desejo mútuo.
E, por enquanto, aquilo bastava.
[...]
Sebastian entrou em casa de costas, puxando Santana pela cintura, sem interromper o beijo. Ele soltou uma mão apenas para empurrar a porta, fechando-a. Eles foram subindo a escada sem se soltar e parecia que a única coisa que mudara desde a última vez em que estiveram naquela situação era o teor de álcool em seus organismos. A urgência dos beijos e de todos os outros gestos era a mesma.
Eu estive esperando por você
Tem sido assim por um longo tempo
Eu sabia exatamente o que faria
Quando eu ouvi sua música
A próxima coisa que eu senti foi você
Me abraçando perto
O que eu vou fazer?
Eu me deixei ir
Sim, era exatamente isso que Santana estava fazendo, se deixando ir, se deixando levar pelos beijos que Sebastian distribuía por todo o seu corpo. Era impossível ter qualquer preocupação quando ela o tinha sobre si daquela forma.
Nada mais a dizer
Tire meu fôlego
Suspirando meu nome
Me amarre com correntes
Ninguém o põe pra baixo como eu
Todas as peças de roupa já haviam sido cuidadosamente retiradas e tanto Sebastian quanto Santana estavam nus. Agora, estavam totalmente entregues um ao outro.
Eu não carrego nenhuma força
Me faça implorar por mais
Subindo pelas paredes
Batendo nas portas
Sabendo que você ouve meu grito
Assim oh
Seu amor é tão cruel
Você me faz querer ir, ir, ir, ir, ir oh oh
Todas as coisas que você faz...
Você me faz querer ir, ir, ir, ir, ir, ir oh
Sebastian movia-se lentamente sobre ela. Ambos mantinham os olhos fechados. Não precisavam de contato visual. A sensação dos corpos totalmente em contato um com o outro já era mais do que suficiente para levá-los à borda da loucura.
Capturado sem esforço
Essa é a forma como foi
Aconteceu tão naturalmente
Eu não sabia que era amor
Você preencheu meu coração com um beijo
Você me deu liberdade
Você sabia que eu não pude resistir
Eu precisava de alguém
Nada mais a dizer
Tire meu fôlego
Suspirando meu nome
Me amarre com correntes
Ninguém o põe pra baixo como eu
Eu não carrego nenhuma força
Me faça implorar por mais
Subindo pelas paredes
Batendo nas portas
Sabendo que você ouve meu grito
Santana dera livre curso aos gemidos e Sebastian soltava pequenos grunhidos. Todo o controle fora embora e eles não faziam ideia de por que costumavam brigar tanto, já que na cama eram o par ideal.
Assim oh
Seu amor é tão cruel
Você me faz querer ir, ir, ir, ir, ir oh oh
Todas as coisas que você faz
Você me faz querer ir, ir, ir, ir, ir, ir oh
Porque quem é você
Pra me fazer... hum...
E é você... oh...
E você vai, e você vai...
Oh
Seu amor é tão cruel
Você me faz querer ir, ir, ir, ir, ir oh oh
Todas as coisas que você faz
Você me faz querer ir, ir, ir, ir, ir, ir oh...
As respirações já estavam ofegantes e os batimentos cardíacos, mais do que acelerados. Não foi preciso muito mais tempo para que chegassem ao limite do prazer. Mesmo quando as sensações proporcionadas pelos seus respectivos orgasmos passaram, eles continuaram se beijando. Não queriam que aquele momento acabasse; não queriam ter que voltar a uma realidade onde teriam que parar para pensar em tudo o que acontecera, onde precisariam lidar com as consequências de seus atos.
E foi por isso que Santana empurrou-o, ficando por cima dele e começando tudo outra vez. Eles só parariam algumas horas depois, quando ambos adormecessem lado a lado.
[...]
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