Notas iniciais
Sim. Eu estou viva.

— Imagino que isso não signifique que a gente vai poder se falar normalmente no McKinley. – Sebastian disse, enquanto observava Santana se vestir.

— Imaginou certo. – Santana confirmou.

— E isso inclui o fato de a gente não poder se pegar no armário do zelador? Porque, se você me perguntasse, eu diria que aquilo foi muito quente.

— É... – Santana deu um sorrisinho. – Bom, acho que sobre isso não tem problema. Eu só não quero ser vista em público com você.

Sebastian deu um sorriso amargo.

— Então toda essa conversa de que você estava errada em me julgar esse tempo todo e esse seu “pedido de desculpas” não passam de uma desculpa pra ganhar uma foda, não é?

Santana revirou os olhos e se levantou da cadeira onde estava sentada, terminando de calçar os sapatos.

— Não é? – Sebastian insistiu.

— Olha, eu não sou burra, então eu sei que você também não é. – Ela parou de frente ao garoto e cruzou os braços. – O que as pessoas iriam achar se eu – a pessoa que, depois do Kurt, mais queria a sua craveira no Glee Club – de repente começasse a falar normalmente com você, como se nada tivesse acontecido? – Ela observou a expressão de Sebastian por um segundo e continuou: — Exato. Ia ser muito estranho. As pessoas iam começar a fazer perguntas e, eu não sei você, mas eu não acho que nós precisamos de gente enchendo nosso saco nesse momento.

Sebastian não pode deixar de notar que ela estava se referindo a “nós” – os dois, e não somente ela. Ele conteve um sorrisinho de vitória.

— Tudo bem então. – Ele consentiu.

— Outra coisa: se você espera que eu pare de te julgar precipitadamente, precisa parar de ME julgar precipitadamente.

— Quando foi que você ficou assim tão esperta?

— Alguém aqui tem que ser. – Santana deu de ombros. – Além disso, sou mais velha que você.

— O que é bem interessante. – Sebastian lambeu os lábios.

Santana voltou a revirar os olhos.

— É só nisso que você pensa? – Ela questionou.

— E você não? – Ele rebateu. – Achei que era por isso que você estava aqui. E, falando nisso, não sei porque está indo embora. Se eu bem me recordo, você tinha prometido passar a noite.

— Isso foi antes. – Santana respondeu. – Hoje realmente não dá.

Sebastian apenas ergueu as sobrancelhas, esperando uma resposta mais elaborada.

— Papá não tem plantão hoje, então Mamá espera que tenhamos um jantar em família. A essa hora as enchiladas já devem estar quase prontas.

— É, com isso não dá pra competir. – Sebastian assentiu.

— Então... – Santana colocou as mãos nos bolsos, sem saber muito bem como agir. Era estranho estar realmente se despedindo de Sebastian dessa vez. – Te vejo amanhã?

— É. Te vejo amanhã. – Sebastian disse, se jogando nos travesseiros mais uma vez. – Você pode bater a porta quando sair?

— Claro. – Santana disse, já saindo pela porta do quarto.

Foi só quando ela fechou a porta da casa atrás de si que, finalmente, pode suspirar aliviada. Talvez as coisas pudessem mesmo se aquietar dali em diante.

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Tremendo engano.

As coisas estavam bem longe de se aquietar.

“Período livre agora depois do intervalo. E você?” – Sebastian digitou, enquanto andava distraído por um dos corredores do Mckinley High.

“História dos Estados Unidos. Dispensável.”

Ele sorriu ao ler a resposta da latina.

“Onde?” – O celular do garoto vibrou pela segunda vez.

“Me diga você.” – Ele respondeu. – Estou no corredor da esquerda, segundo andar.”

“Te vejo em um minuto.”

Sebastian estava digitando um “Ok.” que nunca chegou a enviar. Antes disso, esbarrou em uma figura mais ou menos do seu tamanho, e a expressão no rosto do garoto, que parecia um dos jogadores do time de futebol, era pra lá de hostil.

— Olha só... – O garoto falou, olhando Sebastian de cima a baixo. – Parece que mais uma bichinha resolveu entrar pra merda do Glee Club.

— Sinceramente, cara. De onde foi que você veio? – O segundo perguntou. É claro que o idiota não estava sozinho. — Tanta escola pra gente do seu tipo e você vem logo pro McKinley? – Ele segurou a mochila de Sebastian e o empurrou pro terceiro garoto.

— O problema é que essa escola não é pra você. Não é bem vindo aqui. – O terceiro disse, muito sério.

— Ah é? – Sebastian respondeu, encarando seriamente o terceiro garoto, que o segurava pela camisa. Ele juntou as palmas das mãos e deu um empurrão, conseguindo se soltar do jogador. – E vocês? Acham que tenho medo de vocês? Me poupe. Vocês são ridículos.

— Vamos ver quem você vai achar ridículo quando a gente acabar com você. – O primeiro garoto voltou a falar. Em seguida, avançou para dar um soco em Sebastian.

Antes que o seu punho atingisse o rosto de Sebastian, porém, um braço foi de encontro ao seu e impediu o golpe. Um outro garoto acabava de se meter na briga.

— Sai fora, Austin. Isso não tem nada a ver com você. – O segundo jogador falou.

— Azimio! Brandon! Diniz! – Uma terceira voz gritou. – O que tá acontecendo aqui? – A voz da garota era um misto entre irritada e furiosa. – Diniz! ¿Quieres que cuento a tu madre qué estás haciendo cuando estás en el intervalo de la escuela? Estoy seguro de que ella se encantaría, así como su padre. (Você quer que eu conte a sua mãe o que você está fazendo quando está no intervalo da escola? Tenho certeza de que ela ficaria encantada, assim como o seu pai.) – Ao ouvir isso, Diniz soltou Sebastian quase que instataneamente.

— O que ela disse, cara? – Brandon perguntou, mas o amigo o ignorou.

— E vocês! – Santana continuou. – Vou pedir à treinadora Sylvester para ter uma conversa especial com a treinadora Beiste sobre como vocês voltaram a importunar o pessoal do Glee Club. Aposto que não quer perder o seu lugarzinho de merda no time não é, Azimio?

O terceiro garoto apenas a encarou, com raiva.

— Anda, caiam foram! – Santana repetiu, impaciente. – Os três!

Eles a olharam por mais um segundo, e se viraram para seguir caminho.

— Não pense que acabamos por aqui. – Azimio apontou um dedo para Sebastian.

Santana soltou um ruído de irritação.

— Avisa a tus amigos que, si ponen un dedo en él, pueden olvidar sus posiciones en el equipo. – Santana encostou a mão no peito de Diniz. Impedindo que ele seguisse caminho. – No estoy jugando. – O garotou empurrou a mão dela e foi embora com os amigos.

Sebastian apenas observava toda a ação, perplexo.

— E você? – Santana se voltou para Austin. – Quem diabos é você?

— Um amigo. – Austin respondeu, sem se abalar.

Santana o mediu da cabeça aos pés, mas apenas voltou à atenção para o grupo de pessoas que havia se juntado para assistir à cena que ocorria.

— O show acabou, otários. – Ela disse. – Circulando. – A latina comandou, mas poucas pessoas se mexeram. — Vão!

E então os alunos começaram a se dispersar.

— Precisa de mais alguma coisa? – Ela se virou de volta para Sebastian, que ainda a encarava.

— Ah... – Ele murmurou, saindo do transe. – Pode me levar até a minha próxima aula? – O garoto tentou arrumar alguma desculpa para continuar na companhia da latina, aproveitando o alarme que indicava o término do intervalo começar a soar.

— Sebastian, eu... – Austin começou.

— Não sou sua babá, Smythe. – Santana cortou o garoto. – Mas, como estou de muito bom humor hoje, vou fazer essa caridade. – E então se virou, seguindo caminho.

— Te vejo depois, Austin. Obrigado. – Sebastian falou rapidamente, logo seguindo Santana.

Os dois se distanciaram um pouco e Santana começou a subir as escadas.

Eles subiram mais e mais degraus em silêncio. Quando o alarme parou, Santana abriu uma porta e eles saíram no que parecia ser o terraço da escola.

Sebastian não perdeu tempo e atacou os lábios carnudos; a latina apenas ergueu os braços para agarrar o cabelo dele.

— A gente pode fazer isso de novo? – Sebastian quebrou o silêncio, entre beijos no pescoço dela. – Você fica dez vezes mais gostosa quando tá brava. E cem vezes mais quando está brigando em espanhol.

Santana apenas ignorou, enquanto se soltava do abraço dele e afastava-se alguns passos para observar a vista, em silêncio. Sebastian percebeu que algo a incomodava.

— Não estava nos seus planos fazer essa cena, não é? – Ele disse, ao mesmo tempo em que ela perguntou:

— Quem é o seu amigo?

Sebastian conteve um sorrisinho.

— Eu respondo a sua pergunta, se você responder a minha. – Ele propôs.

— Tudo bem. – Santana concordou, revirando os olhos. – Não é isso. Eu não ia querer que ninguém machucasse esse rostinho. Não sem a minha permissão. – Ela sorriu maldosa antes de acrescentar, séria: — Aqueles caras são uns idiotas. Viviam atormentando o Kurt. Sem falar que o Brandon é burro como uma porta. Ele ficava perguntando às pessoas quem, entre eu e a Brittany, as pessoas achavam que iria se transformar em homem primeiro, para ser o lado masculino da relação. – Ela concluiu fazendo uma careta de desgosto.

Sebastian apenas balançou a cabeça em negação.

— Ridículo.

— É. – Santana concordou. – Mas e então. Quem é o seu... Amigo? – Ela perguntou, cruzando os braços.

— Eu pensei que você conhecesse todo mundo por aqui.

— Eu respondi sua pergunta bem diretamente. – Santana disse exasperada. – Você não pode simplesmente fazer o mesmo?

Sebastian observou a latina por alguns segundos. Ele sabia que ela não iria aceitar facilmente o que ele tinha para lhe dizer. Com um suspiro, ele respondeu:

— Somos conhecidos. Eu vi ele no Scandals uma vez.

Santana quase podia sentir o próprio sangue correr mais rápido pelas veias. Ela sabia que ver alguém no “Escandalo” – como sua abuela costumava se referir aquele "antro da perdição" – significava muito além do que aquelas simples palavras poderiam dizer.

— Quando? – Foi o que ela decidiu perguntar.

— Na noite daquele dia em que nós nos beijamos pela primeira vez.

[...]

Notas finais
E sim. Eu estou de volta! ♥