— Eu vou falar com ele. – Sebastian disse, depois de alguns minutos em silêncio.

Ele e Santana estavam deitados na cama em seu quarto.

— Ele quem? – Santana murmurou. Ela estava distraída pelos dedos longos traçando padrões sem sentido em suas costas nuas.

— Austin. – Sebastian explicou e repetiu: — Vou falar com ele.

Santana levantou-se abruptamente.

— Eu não acredito que eu estou ouvindo isso depois de tudo que aconteceu hoje, depois que concordei em vir aqui. – Ela exasperou-se e já começou a esquadrinhar o quarto em busca de suas roupas que, como sempre, estavam jogadas pelo chão. — Logo quando eu acho que finalmente...

— Pode se acalmar e me ouvir por um minuto? – Sebastian levantou-se e deu alguns passos em direção a ela, pegando as mãos morenas e segurando-as em suas próprias mãos. — Eu vou falar com ele porque quero que ele se afaste de mim. – Ele explicou, baixando um pouco a cabeça enquanto procurava fazer com que Santana olhava em seus olhos. – Eu não tenho nenhum interesse em ficar com ele de novo. Foi uma noite só, e não tem a mínima chance de se repetir. Não estou interessado.

Santana mordeu o lábio inferior e não disse nada. Não parecia muito convencida, e Sebastian sabia disso.

— Eu falo sério, Santana. – Ele tratou de afirmar. – Não quero ficar com ele. E não quero mais problemas entre a gente. Nós dois já arranjamos problemas demais sem uma terceira pessoa interferindo.

É claro que ela não iria admitir, mas ele tinha razão.

— Tudo bem.

— Além disso, ele me defendeu daquela briga. Não posso simplesmente virar as costas sem dizer nada antes.

— Tá, tá bom! – Santana fez uma careta. Não queria saber os detalhes. – Eu já disse que tudo bem!

Sebastian conteve uma risada e voltou para a cama, mas Santana continuou em pé o encarando.

— Por que está me dizendo isso? Ainda mais depois de tudo que acabamos de fazer nessa cama? – Ela cruzou os braços, o que fez com que seus seios ficassem em evidência e Sebastian secasse seu corpo dos pés à cabeça antes de responder.

— Porque eu não estava brincando quando disse que não quero mais guardar segredos. Se existe alguma chance de fazer o que isso que nós temos, seja lá o que for, funcionar, eu não vou mais te esconder nada. E quero que você faça o mesmo.

— Não é porque você cantou meia dúzia de versos sobre isso, não quer dizer que eu acredito. – Santana disse, mas percebeu que ele tinha um tom calmo e sério, enquanto o seu próprio soava um tanto agressivo. Ela suspirou e sentou-se à beira da cama, recolhendo um travesseiro para colocar sobre suas pernas. – Eu não confio em você. Sei que não é isso que quer ouvir, mas estou sendo sincera. Vai levar algum tempo até isso acontecer.

Sebastian concordou com a cabeça.

— É exatamente por isso que estou te dizendo que vou falar com ele. Não quero que você nos veja juntos, ou escute que alguém nos viu juntos, e interprete isso de forma errada.

Santana abriu a boca, mas nunca chegou a responder àquelas palavras. Naquele momento, eles ouviram um barulho de chaves e passos no andar inferior, seguidos de uma única palavra:

— Sebastian?

Sebastian arregalou os olhos. Era a voz de Emma.

— Mamãe. – Sebastian disse apenas, ao que Santana praticamente pulou da cama e começou a catar suas roupas pelo quarto numa velocidade que faria Sebastian rir, se ele próprio não já estivesse procurando pelas suas. – Estou aqui em cima, mãe! Um minuto!

— E agora?! – Santana sussurrou, enquanto pulava para fazer a calça jeans subir pelas pernas. – Esse seu maldito quarto tinha que ser no segundo andar! Como vou pular da janela agora?

— Pular da janela? – Sebastian repetiu as palavras dela enquanto passava as mangas de sua camiseta preta pelos braços. – Você enlouqueceu?

— Não existe a menor possibilidade de eu descer as escadas e eu dar de cara com a sua mãe. – Santana explicou enquanto alisava os cabelos nervosamente. – Não mesmo.

— O que você sugere? Ficar trancada no meu armário? — Sebastian quase riu da própria piada. – Não vou te fazer voltar pra nenhum armário, Lopez. Nem mesmo o meu.

Santana revirou os olhos.

— O que você sugere, então? – Ela ainda sussurrava.

— Não tem outro jeito de você sair daqui a não ser pela porta da frente, então...

Santana sentiu o próprio estômago revirar, e, antes que pudesse protestar, Sebastian a pegou pela mão e praticamente a arrastou para fora do quarto.

Eles desceram as escadas e não viram ninguém no hall de entrada, então seguiram até a sala de estar, onde Emma acabava de tirar Bonnie de seu bebê conforto, o que fez Santana imediatamente encarar a criança.

— Oi, mãe. – Sebastian disse, indo até ela para abraçá-la. De onde Santana estava, conseguia ver o modo como os olhos da mulher se fecharam no mesmo instante que Sebastian a cercou com os braços e ela suspirou feliz com a presença do filho. A garotinha sorria alegremente com seus dois dentinhos da frente e seus olhos extremamente azuis transbordavam verdadeira adoração pelo irmão mais velho, o que fez Santana sentir um calor crescendo dentro de si, lutando com o frio em sua barriga.

— Olá, querido. – Emma respondeu. – Me desculpe por entrar sem ter tocado a campainha. Agora vejo que não deveria ter entrado sem me anunciar antes.

— Não, tudo bem. – Sebastian respondeu, tentando parecer confiante como sempre, em vez de demonstrar que estava, na verdade, bastante nervoso. – Mãe, quero que conheça Santana. Ela estuda comigo no McKinley, e também frequenta o clube do coral.

Emma passou Bonnie para os braços de Sebastian e se aproximou de Santana, olhando-a curiosamente.

— É um prazer te conhecer, Santana. – E, surpreendendo a garota, abraçou-a ao invés de apenas estender a mão para um aperto.

— Muito prazer, Sra. Smythe. – Santana disse com uma voz bastante firme para alguém que queria sair correndo dali.

— Me chame de Emma, querida. – A mulher se afastou, mas não soltou-se completamente do abraço. – Gostaria de ficar para o jantar? Acabei de chegar de Columbus, mas tenho certeza de que posso preparar algo rapidinho pra nós três.

— Mãe... – Sebastian começou.

— Não, não. De jeito nenhum vou incomodar vocês. – Santana tentou soar educada. – A senhora, quer dizer, você deve estar cansada da viagem, e eu já estava mesmo de saída. Meus pais devem estar me esperando para o nosso jantar.

— Se é assim, tudo bem. – Emma sorriu para a garota. – Mas espero ver você em breve de novo. É muito bom finalmente conhecer uma... Amiga do Sebastian.

Santana engoliu em seco.

— Claro, claro. — Santana disse, esperando que suas bochechas não estivessem vermelhas de tanta vergonha. – Bom, eu já vou indo.

— Eu te levo até a porta, Santana. – Sebastian se ofereceu.

— Até logo, querida. – Emma disse e Santana sorriu para ela.

Santana virou-se para seguir em direção à porta e Sebastian a seguiu de perto, ainda com Bonnie em seus braços. A garotinha estendeu a mãozinha gorducha e segurou uma mecha do cabelo preto em suas mãos durante todo o curto caminho. Quando chegaram à porta, Santana virou-se e encarou os dois pares de olhos azuis que a encaravam.

— Então... Acho que já vou indo.

Ela parecia bastante desconfortável, mas Sebastian entendia. Ele também estava.

— Até segunda? – Ele disse, sem muita convicção.

— É, até segunda. – Santana respondeu, também sem prestar muita atenção.

Bonnie esticou o bracinho novamente, querendo alcançar o rosto de Santana, o que a fez sorrir.

— Acho que ela gostou de você. – Sebastian disse.

— Eu também gostei dela. – Santana encarou a menina. – Os olhos são lindos, como os do irmão. – Ela soltou antes que pudesse pensar a respeito, mas rapidamente acrescentou: — Tchau, bebê. – Santana aproximou-se até chegar bem perto do rosto dela. – Foi bom te conhecer.

Bonnie apenas deu uma risada satisfeita, enquanto Sebastian sorria ao observar as duas. Ele abriu a porta e disse:

— Me avisa quando chegar.

— Tá bom. – Santana concordou e finalmente deixou a casa.

“Me avisa quando chegar?” – Sebastian fez uma careta enquanto ainda encarava a porta por onde Santana tinha acabado de passar.

“Os olhos são lindos, como os do irmão?” – Santana quis dar tapas em seu próprio rosto enquanto, do lado de fora, caminhava rapidamente até seu carro. Ela só queria sair dali o quanto antes.

Do lado de dentro, Sebastian caminhava de volta até a sala e se preparava psicologicamente para enfrentar a própria mãe.

[...]

Notas finais
Não sei ainda se é uma volta definitiva, mas resolvi tentar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.