Notas iniciais
Tá bem. Eu sou uma piada. Não consigo ficar longe por muito tempo, mesmo tendo mil coisas pra fazer e estudar. Li os comentários e fiquei tão feliz, que foi impossível não correr pra escrever esse capítulo assim que começou o feriado. Espero que gostem!

Santana acordou, mas não abriu os olhos de imediato. Ela começou a sorrir, porque reconheceu em seu corpo as sensações de quem tinha tido uma esplêndida noite de sexo. Então abriu os olhos devagar e deu de cara com costas de pele branca e, ao contrário da cabeleira loura que Brittany tinha, ela viu cabelos castanhos e percebeu que abraçava aquele corpo pela cintura. Os olhos dela se arregalaram e ela puxou o próprio braço, se virando na cama e levantando bruscamente.

Aquela agitação não passou despercebida pela pessoa que permanecia na cama e que acabou acordando do ótimo sono pós-sexo em que se encontrava segundos antes. Sebastian estava desnorteado e, ainda grogue, perguntou:

– Onde é o incêndio?

Santana olhava-o horrorizada. Ela observou-o enquanto ele esfregava o rosto para acordar melhor e, logo depois, ela olhou o chão. Cenas da noite anterior começaram a passar por sua cabeça e ela entreabriu a boca, fazendo uma careta a cada lembrança. Sua ida ao Breadstix, a música de Sebastian, a música com Sebastian, as identidades falsas, os incontáveis copos de bebidas que eles deixaram vazios, os beijos, o caminho no táxi até a casa dele – que parecia interminável -, as roupas jogadas pelo chão, mais beijos, chupões e Sebastian jogando-a naquela cama; os gemidos, a sensação de estar por cima e por baixo, de ter Sebastian por toda parte. A sensação de gostar de tudo aquilo. Santana urrou em desgosto.

Ela virou-se e caminhou até o espelho de corpo inteiro que havia num canto do quarto. Queria olhar o próprio corpo, que estava totalmente descoberto. Não. Aquilo não era fruto de sua imaginação. Realmente tinha acontecido. Ela, Santana Lopez, tinha transado com Sebastian Smythe. Seu corpo era a prova viva disso. Seu cabelo estava bagunçando e, quando ela ergueu as mãos para fazer um coque frouxo com os próprios fios, conseguiu ver marcas de chupões no pescoço e de dedos em seus braços; Santana desceu o olhar e continuou sua avaliação. Podia ver marcas aqui e ali espalhadas pela barriga, mas havia um chupão bem intrigante em seu mamilo direito. Ela fez uma careta e desfez o coque do cabelo, soltando os fios para que eles cobrissem aquele estrago. Infelizmente, seu cabelo acabava um pouco abaixo dos seios, então foi tudo o que ela pode cobrir. Ela olhou para suas pernas e, na parte interior de suas coxas, podia ver e sentir a umidade que ainda havia ali. Espera. Ela não deveria estar assim tão molhada. Não depois de horas, pelo menos. A não ser que... Horrorizada, a latina interrompeu seu minucioso exame para vasculhar o quarto em busca de camisinhas que pudessem ter sido usadas durante aquela noite abominável, mas não encontrou nenhuma. Era só o que faltava! Ela fizera sexo selvagem com aquele vagabundo por uma noite inteira e não usara proteção nenhuma vez? Deus... Como ela podia estar tão ferrada?!

Ela virou-se para Sebastian, que nesse meio tempo, sentara-se na cama e agora contemplava o corpo nu de Santana com um misto de curiosidade, apreensão, admiração e desejo nos olhos azuis. Entretanto, ela não sentiu vergonha. Por que sentiria? Depois daquela noite, ele já deveria ter visto o corpo moreno de vários ângulos diferentes, talvez até mesmo de todos os ângulos. Santana focalizou o abdômen de Sebastian, descoberto pelo lençol, e sacudiu levemente a cabeça. Não podia distrair-se. Ela respirou fundo e disse:

– Camisinhas. Nós não usamos nenhuma, não é?

Sebastian arregalou os olhos e empalideceu.

– N-não. – Foi a primeira vez que Santana o ouviu gaguejar. Ela virou-se e começou a procurar suas roupas pelo chão. Ela avistou a calcinha e depois o sutiã; estavam em cantos praticamente opostos do quarto, o que seria até engraçado, se a situação não fosse tão trágica.

– Tá. Não importa. – Ela catou e vestiu a calcinha. Depois foi até o sutiã e fez o mesmo. Sebastian observava em silêncio aquela movimentação. Ela continuou: — Vou comprar pílulas do dia seguinte assim que der. Por favor, me diga que você não tem nenhuma doença.

– É claro que não, sua idiota. – Sebastian replicou, irritado. – Você tem?

– É claro que não, seu idiota. – Santana devolveu e ele revirou os olhos. Ela apanhou o vestido e começou a vesti-lo.

Nenhum dos dois sabia mais o que dizer. Sebastian finalmente levantou-se da cama e foi até a garota, que parara de costas para ele, tentando subir o zíper na parte de trás do vestido.

– Aqui. Deixa que eu fecho pra você. – Ele disse, encontrando o lugar onde as mãos dela seguravam o tecido. Quando Santana sentiu o toque de Sebastian, ela imediatamente deixou os braços caírem, como se tivesse levado um choque. Ele ignorou o gesto e subiu o zíper suavemente, tapando a visão das costas de Santana e do sutiã preto que ela usava. Agora ela estava vestida, mas ele continuava nu, coisa que Santana não demorou a descobrir; ela virou-se e seu olhar imediatamente recaiu sobre “a coisa” de Sebastian.

– Gosta do que vê, Sant? – Ele perguntou, sorrindo maliciosamente.

– Não enche, Smythe. – Ela revirou os olhos e passou por Sebastian, abaixando-se mais uma vez para pegar o par de meias pretas que estavam jogadas próximas à cama de casal. Sebastian observou o movimento e descobriu que aquele vestido era um verdadeiro perigo para Santana e para ele mesmo. Se não tivesse cuidado, acabaria tendo outra ereção. Outra. Porque, assim que acordara, ele estava duro como um canhão pronto pra atirar. Vira Santana nua e o desejo só piorara, mas então ela citou a falta do uso de preservativos e aquilo o fizera murchar. Ele sacudiu a cabeça para desviar aqueles pensamentos e resolveu seguir o exemplo da latina e vestir-se. Mas, ao contrário de Santana, não se deu ao trabalho de catar as roupas jogadas pelo chão. Sebastian caminhou até o guarda-roupa e tirou de lá uma calça de moletom, vestindo-a rapidamente. Ele percebeu que Santana estava parada em pé, de braços cruzados, observando-o. Ela tinha uma expressão séria no rosto. Sebastian fechou a gaveta de onde tirara a calça de moletom e começou a encará-la também.

– Então... – Ele começou.

– Então nós transamos. – Ela cortou. – Eu não sei onde eu estava com a cabeça para fazer uma coisa dessas, mas eu fiz. Em algum momento da noite passada, eu consenti em vir aqui e sabia o que aconteceria, por mais que estivesse bêbada. Mas isso não significa que sinto alguma coisa por você. Aliás, eu sinto sim. Sinto raiva, ódio. Você não presta. E eu sinto nojo de mim por ter feito sexo com você. Tudo o que quero agora é chegar em casa e tomar um banho, na esperança de me limpar dos vestígios dessa noite catastrófica.

Sebastian virou o rosto de lado por um momento e Santana finalmente reparou que ela não era a única ali que tinha marcas. Sebastian estava numa situação muito pior. A pele branca evidenciava ainda mais os chupões arroxeados no pescoço; marcas de unhas deixavam os ombros vermelhos e Santana lembrou-se do momento em que acordara e vira as costas dele, totalmente marcadas por arranhões. Momentaneamente, ela ficou feliz, porque não era a única que teria de conviver com marcas incômodas por dias. No entanto, quando é que ela tinha se tornado tão violenta?

Quando Sebastian voltou a olhá-la, a expressão em seu rosto era de pura fúria.

– Você está na minha casa, no meu quarto. Você dormiu na minha cama e gemeu o meu nome incontáveis vezes durante essa noite. Você tem noção do quanto soa falso e ridículo tudo o que você acabou de dizer? – O olhar dele era mortal, mas Santana não se sentia intimidada. Não. Ela não tinha medo dele. Sebastian começou a aproximar-se dela e, com um tom de voz mortífero, continuou: — Mas eu fico feliz que você não sinta nada de bom por mim. Porque eu também não sinto nada de bom por você. Sinto desprezo, porque você é tão pequena e insignificante...

Santana cruzou os braços, mas não deixou de olhar nos olhos azuis. Sebastian continuava a se aproximar. Ele continuou:

– Você quer ser tão forte e cheia de si o tempo todo, mas não passa de uma garotinha assustada.

– Você não sabe nada sobre mim. – Santana retrucou, irritada. Ela deu um passo em direção a ele, sem nem mesmo se dar conta disso.

– E você sabe alguma coisa sobre mim? – Ele perguntou. Mais um passo para perto dela.

– Sei o suficiente para ter certeza de que você é um merda pretensioso e arrogante. Você quase cegou o Blaine! Além disso, você está me insultando depois de ter gemido o meu nome tantas vezes quanto eu gemi o seu essa noite. Seu filho da mãe hipócrita! – Ela apontou um dedo indicador para ele. Os dois estavam parados há menos de um metro de distância. Santana deu mais um passo.

– Então você admite! Admite que eu te dei prazer, que você estava louca de tesão ontem e era por minha causa! – Mais um passo.

– Olha só quem é o ridículo agora! Que tipo de necessidade é essa que você tem de autoafirmação? Eu não vou dizer nada. Nós dois sabemos o que aconteceu aqui nesse quarto. – Santana deu mais um passo e arrependeu-se logo depois, pois notou que ele estava perto demais. Podia sentir a respiração dele e os olhos azuis piscavam a poucos centímetros de distância.

– O que estou querendo dizer é que é bem insultante você dizer que sente nojo, mesmo quando você estava tão entregue ontem à noite. – Sebastian falava devagar. Ele ergueu uma mão e tocou o braço direito de Santana apenas com a ponta de seus dedos. – Você não gosta... Do meu toque?

Santana queria afastar-se, mas era como se houvesse cola prendendo-a no chão. Ela não teve nenhuma reação. Nenhuma reação voluntária, pelo menos. Porque, contra a própria vontade, ela acabou se arrepiando.

– Não gosta... Dos meus beijos? – Sebastian afastou uma mecha do cabelo preto com a mão e abaixou a cabeça, começando a beijar o pescoço de Santana. Ela mordeu o lábio inferior e, quando Sebastian afastou-se para olhá-la, ele sorriu. Parou a milímetros dos lábios carnudos e disse: — Eu não vou beijar você, Sant. Não... Você é quem tem que me beijar. A escolha é sua. Você pode sair por aquela porta e fingir que nada aconteceu. Mas eu devo lembrá-la que, na próxima semana, nos veremos de novo, nas Regionais. Então qual é o sentido de fugir agora, se você terá que me enfrentar depois?

Ele era tão bonito... E tão ordinário. Santana percebeu que, para ele, aquilo era apenas um jogo. Ele estava se divertindo às custas dela. De acordo com ele, era ela quem deveria ceder e beijá-lo. Como se aquilo não fosse nada humilhante. Ela poderia ir embora, mas – em seu íntimo -, ela não queria ir realmente. Se ela se movesse um milímetro para frente, mesmo que por mero descuido, ela poderia beijá-lo. Mas não. Não podia dar esse gostinho a ele. Então Santana fitou os olhos azuis e não viu o desprezo que ele antes citara; não viu nem mesmo raiva. Porque a única coisa que havia ali era desejo. Nesse exato momento, ela descobriu que tinha uma terceira opção: entrar naquele jogo e divertir-se também.

A latina sorriu e desceu o olhar. Ela levou uma de suas mãos até o elástico na cintura da calça preta que Sebastian vestia. Ela desceu um pouco mais a mão e deixou- ali, pousada no membro coberto apenas pelo fino tecido. Sebastian fechou os olhos, sentindo o toque.

– Eu não vou beijar você, Seb. Porque você tem sido um garoto muito mal e porque me disse coisas horríveis. Não... Você não merece um beijo meu. – Santana disse e subiu a mão devagar, até encontrar a pele nua de Sebastian. Ela colocou a mão dentro da calça dele e começou a fazer movimentos lentos de vai-e-vem com aquela parte do corpo de Sebastian que ela, pouco a pouco, ia conhecendo tão bem.

A mão de Sebastian voou para o pulso de Santana, detendo-a por um momento. Santana olhou para o rosto dele e constatou que seus olhos continuavam fechados, impedindo-a de ver as íris azuis. Sebastian começou a ajudá-la nos movimentos e Santana sorriu. Ela inclinou-se para frente e beijou levemente o pescoço marcado, que era o que estava ao seu alcance. A latina ficou na ponta dos pés e foi subindo os beijos até a mandíbula, parando próxima aos lábios rosados de Sebastian, que se aproximou para beijá-la. No entanto, Santana afastou os lábios em direção à orelha esquerda dele, depositando uma leve mordida no lóbulo macio. Sebastian gemeu e, com isso, Santana deu-se por satisfeita. Ela puxou a mão de dentro da calça e afastou-se um passo. Sebastian então abriu os olhos, com uma expressão de indignação no rosto e um volume anormal na parte frontal da calça. Santana sorria.

– Você está brincando com fogo, Lopez. – Ele observou. Santana se perguntou se seu sobrenome sempre fora tão sexy ou se aquilo era fruto apenas do tom de voz que Sebastian usava.

– O bom de brincar com fogo é que a gente aprende a não se queimar. – Ela deu de ombros. Sebastian cruzou a distância entre eles e depositou as duas mãos nos ombros de Santana. Ele desceu as alças do vestido e escorregou as mãos até as costas dela, abrindo o zíper da roupa de qualquer jeito. Logo depois, puxou a peça pela cabeça de Santana, deixando-a apenas com o conjunto preto de peças íntimas. Santana encarava-o e ele olhou-a por um par de segundos antes de beijá-la. Os braços dela rodearam seu pescoço e suas pernas enlaçaram a cintura dele. Em meio ao beijo, Sebastian sorriu. Por mais que ela não admitisse, ele sabia que Santana o queria tanto quanto ele a queria. Ele caminhou até a cama com a morena no colo, e deitou-se por cima dela.

Estava claro que nenhum dos dois iria à escola naquela quinta-feira.

Notas finais
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