Locked In Insanity
2 Capítulo 2
Terminei meu banho e saí do banheiro com uma toalha felpuda enrolada no corpo, me dirigi até o quarto encontrando vestes refinadas largadas cuidadosamente sobre a cama , permaneci estática por alguns minutos tentando entender o significado daquilo. Lilith saiu de dentro do armário fazendo roupas saltarem para todo lado.
“O que significa isso?” questionei atônita. Ela me olhou confusa. “Como assim ? Você não lembra?”
“Lembro do que?” peguei o vestido com as duas mãos observando-o cuidadosamente.
“Do chá das seis, seus parentes distantes aqueles de Liverpool vem só por causa disso.” ela disse com um tom de tédio na voz. “Por isso eu escolhi esse vestido pra você!” continuou , sorrindo triunfante.
“Ahn...obrigada.” agradeci ainda sem reação. Como pude esquecer? Eu esperei semanas por esse dia, estava com muita vontade de ver minha prima Aya, ela que sempre me contava aquelas histórias fantásticas. Devo ter passado a maior parte do tempo me preocupando com o País das Maravilhas, ou quem sabe com meu estado mental. Tanto faz. Puxei a toalha jogando-a por cima de Lilith que praguejou baixinho. Vesti as peças íntimas e logo em seguida passei o vestido por sobre a cabeça ajeitando-o em meu corpo , chamei Lilith para me ajudar a fechá-lo atrás, ela o fez mesmo a contragosto. Me olhei no espelho enquanto calçava os sapatos. Suspirei. “É até que não está tão ruim.” afirmei fazendo uma careta em seguida. “Ah bobinha...você está adorável.” ela disse sorrindo divertida. “Aliiiice !!” minha mãe gritava do andar de baixo. “Já está pronta?” questionou. “Me vesti mas falta arrumar o cabelo, você me ajuda ?” “Claro querida, já estou subindo.” avisou-me. Sentei na cama bagunçada olhando para Lilith que dizia estar entediada o tempo todo. “Vá até o jardim ver como está a organização , aproveite e descubra algo interessante para fazer.” ordenei suspirando ao fim da frase. “Sim majestade” falou revirando os olhos.
***
A decoração em si estava maravilhosa, assim como o chá e os bolinhos. A única coisa que realmente estava me perturbando ali era o gosto estranho que eu sentia na boca. Sabe quando você tem um pressentimento ruim ? Bem, é diferente para cada pessoa. Uns sentem arrepios , outros sentem dor de barriga e ficam inquietos, no meu caso é um gosto ácido na boca. E sim, eu tenho certeza que não tem nada haver com o chá ou os cupcakes. Deve ser porque Lilith ainda não voltou. O que será que ela está aprontando dessa vez? “Alice...” ouvi alguém sussurrar próximo ao meu ouvido. Virei-me para ver se reconhecia o dono da voz. Era um garoto magro , de pele branquinha e olhos de um tom rosa claro. Seu cabelo era na altura dos ombros com um repicado que o fazia parecer rebelde no meio daquela gente elegante. Nada respondi apenas abri a boca com menção de falar algo mas logo fechei-a quando vi que as palavras não teriam sido devidamente escolhidas, não que eu precisasse de um daqueles discursos revisados e decorados em uma situação dessas. Ah poupe-me, por que não consigo simplesmente responder ? “Er...Alice ?” Responda imbecil. “O-Oi, como sabe meu nome? Por acaso somos parentes ou algo do tipo?” perguntei tentando acalmar o conflito interno. “Parentes? De onde tirou isso Alice ? Você não tá lembrando de mim ? Por acaso a Lebre misturou alguma coisa no seu chá?” balancei a cabeça em sinal de negação. “Desculpe, é que você está no jardim da MINHA casa um lugar ocupado por pessoas da MINHA família, não acho que te conheça e de que Lebre você tá falando? Acho que quem bebeu algo inapropriado aqui foi você.” respondi, e por Deus eu juro que não queria ser mal-educada, mas sabe como é né ? Ele nada respondeu apenas segurou meu braço direito puxando-o , fazendo com que eu me levantasse e quase levasse a mesa junto. Ok isso não foi muito educado da parte dele. Arrastou-me por entre as mesas até o centro do jardim, onde vários casais desfrutavam da boa música dançando lentamente. “Se queria dançar era só me avisar. Não era preciso todo esse alvoroço.” o reprendi. “Você me conhece, apesar de estar fazendo-se de tonta por algum motivo que eu ainda não descobri, não é só dançar, ou melhor simplesmente dançar.” explicou-se. “Quero apresentar-lhe uma amiga.” continuou. Fiquei calada apenas aguardando o que viria a seguir , ele pôs a mão em minha cintura puxando meu corpo para frente fazendo com que ficássemos mais próximos. Eu finalmente entendi o que ele queria, então pus minha mão esquerda no ombro dele e começamos a dar os primeiros passos. Meio desajeitados e fora de ritmo. Mas o importante não é isso. O importante mesmo é o que aconteceu a seguir. O cenário a nossa volta começou a modificar-se conforme girávamos no ritmo da música. Eu pensei em soltá-lo, até tentei livrar minha mão daquele aperto, que em resultado disso foi ficando mais forte a cada movimento relutante que eu fazia. Quando já estávamos no último giro, pude ler nos lábios dele: “Desculpe-me , agora já é tarde.”
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