Sete

Chegamos em torno de duas horas depois à cabana de Paul. Ele sorriu ao me ver e cumprimentou Mason com um aceno de cabeça, mas Mase fez uma careta.

– Kyla, Mason. Sentem-se.

Nós obedecemos e Mason e eu nos entreolhamos.

– Quero que orientem uma loba nova. Ela se chama Anne.

Mason quase pulou no pescoço dele e o matou, mas eu segurei sua mão.

– Deixe-me ver se eu entendi. Você. Nos. Chamou. Aqui. Agora. Para. Isso?

– Sim. Algum problema?

– Nenhum. – Mason mentiu, rosnando. Ele se controlava para não atacar.

– E quem é a garota? – disse eu, para aliviar a tensão entre os dois.

– Oh, sim! Ahn, entre Anne.

Uma garota minúscula, porém bonita, entrou na cabana, sorrindo. Os cabelos ruivos caíam em seus ombros, deixando-a com aparência bastante frágil. Julguei, pela cor de seus cabelos, que ela era uma loba castanho-avermelhada.

– Oi. – sorri – Eu sou Kyla.

– Anne. – ela apertou minha mão.

– Mason. – ele sorriu e piscou – Às suas ordens.

– Obrigada. – ela ruborizou. Senti uma ponta de ciúmes.

– Acho que está em boas mãos, Anne. – Paul sorriu – Vocês três podem ir para casa agora. Kyla?

– Sim, alfa?

– Gostaria de conversar com você, se não se importa, à sós.

– Estou às suas ordens.

Mason e Anne nos deixaram à sós. Paul beijou minha testa (graças à Deus!) e eu olhei em seus olhos.

– O quê foi?

– Precisamos conversar sobre... O seu potencial para ser... Alfa.

– Você sabe que eu não quero isso, Paul.

Eu disse isso como se conversasse com meu pai. Ele inclinou-se para frente e beijou-me (cumprimentou-me) de leve nos lábios.

– Kyla... Você tem mais potencial para isso do que pensa e... Acho... Não, tenho certeza, de que será uma perfeita líder.

– Eu preciso ir.

Afastar-me dele foi a melhor coisa que já fiz. Sem o contato físico, perdi (quase toda a atração física por ele. Mason e Anne me esperavam perto do rio e eu acenei para eles.

– Vamos nadar, Johnson? –Mason sorriu, me provocando.

– Mas é claro! – respondi no mesmo tom que ele me provocara – Quando?

– Ora essa, agora! Vamos, Johnson! – ele se aproximou mais de meu rosto e sussurrou em meu ouvido, mordendo minha orelha – Estou louco para te ver de biquíni. Ou, como é o caso, roupas íntimas.

Ele manteve o sorriso malicioso no rosto, o que me fez ter um certo desejo. Anne nos olhou por um momento e, depois de uns segundos, ela foi comer umas frutas. (deve ter percebido que havia um certo desejo entre Mason e eu e ela devia cair fora)

Mason e eu nos entreolhamos e ele tirou o sorriso do rosto. Antes de entrar na água, ele fez um gesto para que eu o seguisse. Pulou na água e eu ri. Tirei a baby-look e o jeans desgastado e entrei na água. Mason me puxou para baixo e eu afundei na água com ele. Quando voltamos à superfície, ele me sufocou com seus beijos urgentes. Agarrei-me à seu corpo e mordi sua orelha.

– Quer dizer que agora você não quer mais Anne? – provoquei.

– Você sabe que é muito melhor do que ela, princesa. E, aliás, não devia ficar com ciúmes. Se você pode ter gracinhas com Paul, por que eu não posso ter amigas?

– Eu não tenho gracinhas com Paul! – tentei me defender.

– Ah, não? E o quê ele disse para você, hein?

– Mason, nós estamos tendo mesmo essa briga de casal? – eu ri.

– Eu acho que estamos. – ele sorriu – Nós somos um casal?

– Não sei. – entrelacei meus dedos nos dele e o beijei outra vez. Ele ria, entre beijos, e isto me fazia desejá-lo cada vez mais. Como ele podia fazer isso comigo? – Você quer que sejamos?

– Não seria má idéia, sabe, Johnson? – ele disse, me olhando nos olhos – Você me excita. – seus olhos ficaram negros de desejo.

Mase voltou a me beijar de novo; suas mãos tateavam meu corpo, parando em meu peito. Sufoquei um gemido e continuei a beijá-lo, agarrando-me à ele.

– Ei, posso te contar um segredo? – ele disse, entre beijos, num tom brincalhão – Hein?

– Fale logo, Stanley. – disse eu, rindo, sem querer me afastar dele.

– Eu estou apaixonado por você, Johnson. – ele disse, num tom sério – Sem contar que você me deixa... Louco de desejo. UGH! – ele gemeu, rindo, e uivou, inclinando a cabeça para trás.

Suas palavras me pegaram de surpresa. Fiquei de boca aberta e ele riu.

– Três pontos para Stanley, um para Johnson! Whoo-hoo!

Soquei seu ombro e ele uivou.

– É por isso e muito mais que te amo, princesa.

Mason colou nossas bocas outra vez e eu senti que realmente o amava. Não importava o que eu sentisse por Paul. Era só uma atração física. Mason me deixava... Mais selvagem. E não era só a parte humana. Meu lado animal o queria também.

– Eu acho melhor a gente ir para casa, Mase. Ou eu vou me ferrar mais.

– Está bem. Vamos.

Não conseguia fazer meu corpo se mexer. Eu precisava sair dali e me vestir, mas meu corpo não obedecia nenhuma ordem minha. Só pude me concentrar em algo quando Mason saiu da água e, num salto, se transformou no lobo cor de chocolate. Seus olhos me lançavam olhares de desejo e eu corei. Saí da água e me vesti, me transformando logo em seguida. Anne pulou de uma arvore (Deus! Será que ela me vira com Mason?) e se transformou também, comprovando minha teoria sobre a cor de seu pelo. Começamos, então, a correr para casa.

“Onde nós vamos?” questionou Anne.

“Bom, eu vou para casa. E você?”

“Não sei. Preciso encontrar um lar.”

“Você pode ficar na minha casa.”
“Obrigada, Kyla.”
“E então...”
Mason por fim disse “O quê Paul e você conversavam?”

“Nada de mais.” recordei-me sobre nossa conversa e nem percebi que Mason e Anne leriam meus pensamentos.

“Ser alfa? Uau! Princesa, eu sempre soube que você era especial!” Mase uivou, brincalhão.

“Nem tanto, Mase. E ainda não acredito que fui chamada aqui para isso.” suspirei.

“Nem eu...” uma imagem se passou pela cabeça dele. Mason rosnava e sufocava Paul, de raiva.

“Não exagere. Paul não queria assustar vocês sobre a guerra.”

“Guerra?” Mason e eu paramos de correr bruscamente e quase fomos lançados para uma árvore. “Que guerra, Anne?”

“Bem,” ela também parou de correr “não sei muito sobre isso, mas me parece que alguns lobos orientais querem desafiar nós, lobos da América. Paul tenta evitar a luta, mas não sabe como. Aí chamou uns amigos da Inglaterra e França. Você sabe, a maioria dos lobos da matilha são brasileiros ou argentinos.”

“Os lobos orientais?” imaginei vários lobos, que em sua forma humana tinham os olhos rasgados, nos desafiando para um combate. Aí imaginei a gente dilacerando eles. É, fazia tempo que não havia alguma ação.

“Johnson, não exagere!” Mason riu com minhas idéias.

“Desculpe. Mas um pouco de ação não faz mal à ninguém.”
“Você é diferente das outras garotas que conheci. Você gosta de ação!”

“Isso é bom ou ruim?” questionei, curiosa. Mason podia me surpreender.

“Bom. Isso é bom. Me... Excita.” ele provocou.

Anne pareceu meio desconfortável com nossa conversa. Ela estava no meio do, digamos, Clark Kent e da Lois Lane. (comparação absurda, eu sei) Mas, de qualquer jeito, ela estava no meio de um casal e isso não é tão agradável. Resolvi, então, voltar a correr. Ela e Mason me seguiram.

“O quê mais você sabe?” questionei, mudando de assunto.

“Infelizmente, mais nada. Só sei que Paul quer escolher um novo alfa, pois ele não sabe se vai resistir à guerra.”

“Nós temos que ajudá-lo!” disse eu, preocupada. “Paul não pode lutar sozinho.”
“E não vai. Ele vai esperar um tempo e convocar os outros lobos.”
respondeu Anne.

“O quê quer dizer outro dia de aula perdido...” suspirei.

Quando chegamos em minha casa, Mason me deu um beijo rápido e correu para sua casa – ainda sob a forma humana. Disse à minha família que Anne era uma amiga que ficaria conosco por um tempo porque seus pais estavam viajando. Ela e Josh logo ficaram amigos – creio que a faixa etária deles eram as mesmas.

– Kyla, finalmente você me apresenta uma amiga sua legal. – sussurrou Josh em meu ouvido.

– O quê houve com sua paixonite por Katheryn?

– Ahn, nada. – corou ele – Ah, me deixa em paz!
Gargalhei e fui me deitar, exausta. O dia passara em uma velocidade absurda. Anne dormiria no quarto de minha tia e parecera conquistar o coração de todos.

Antes de dormir, imagens sobre a tal guerra me vieram à mente. Pensei sobre aquilo durante boa parte de meu dia. Eu devia me preparar para a tal guerra e logo.