Lições de Vida

12 12. Mudanças e Novas Perspectivas


Ficamos um mês longe de casa curtindo nossa lua de mel e quando voltamos tudo estava no seu devido lugar. Chegamos ao entardecer e como era bom estar em casa. Coloquei minhas malas em um canto e fui deitar na minha cama. Joshua me acompanhou e se deitou ao meu lado. Levantei um pouco a mão e vi no meu dedo a aliança. Ele segurou minha mão e me olhou de lado.


Ficamos deitados ali por horas, conversando sobre coisas do futuro. Demos um passo a mais na nossa vida e que tudo a partir de agora seria diferente e sabíamos disso. Olhei para ele que tinha expressão feliz em seu rosto.


Alguns dias se passaram ate que recebemos uma ligação do Spencer, ele estava viajando com o Jon e estavam passeando pelo Japão. Comentei a novidade com Joshua na tarde de quinta-feira que começava a chover.


– Imagina os dois falando japonês Alec.


– Ia ser engraçado.


Ele caminhou ate o nosso quarto e voltou com um embrulho nem pequeno e nem médio, mas com um tamanho significativo.


– Alec, esse é o seu presente de casamento. Só meu.


Abri rapidamente o embrulho. Era uma guitarra nova: uma Fender — Sig Series Jeff Beck Custom Shop.


– Joshua, muito obrigado mesmo. – Fui ate ele e sentei de lado sobre suas pernas. O beijei como forma de agradecimento e ele ficou um pouco sem jeito.


– Vou testar agora mesmo e você vem comigo. – Levantei, segurando suas mãos e o puxei para irmos ao estúdio. Afinei minha nova guitarra e ele dedilhou uma música no teclado que eu conhecia. Era “In My Eyes”, e quando ele começou a tocar e cantar me derreti todo e o acompanhei com a guitarra.


Depois de ele ter me dado um presente a altura, idéias se passaram pelo meu pensamento em como retribuir o gesto de carinho. Pensei em lhe dar outro bicho de pelúcia, mas ele já tinha bastante desde quando começamos a namorar, os presentes foram sempre isso, quando não eram flores ou chocolates. Resolvi dar algo diferente.


Sábado tinha chego e eu sai sem avisar. Aproveitei que ia comprar o presente e fiz minha caminhada. Entrei em relojoaria e vi uma corrente de ouro com o pingente de coração e neste dava para colocar uma foto. Uma foto nossa.


Voltei para casa e ele me olhou com um pouco preocupado.


– Onde você foi Alec?


– Caminhar Josh, não esta vendo? – Disse apontando para minhas roupas molhadas de suor.


– Tudo bem Alec. Vá tomar um banho e depois vamos almoçar.


– Joshua, não precisa se exaltar e nem ficar inseguro, porque eu não vou te deixar. E mais tarde quero te fazer uma surpresa, então se comporte Urie.


– Surpresa, é? Adoro quando você me prepara algo. Você que manda Ross.


A tarde foi tediosa e ele acabou dormindo um pouco. Eu fiquei lendo um livro que tinha comprado em Miami. Quando a noite caiu, liguei pedindo pizza. Ele recebeu do entregador enquanto eu tomava meu banho. Sentamos-nos ao redor da mesa de centro que havia na sala e ficamos por ali mesmo, acabamos fazendo uma competição para ver quem comia mais pedaços.


– Vem comigo, quero te mostrar uma coisa.


– Uh, Alec. Esta me convidando para alguma coisa?


– Controle o “Joshinho”, Josh.


– “Joshinho”?


– O seu amigo ai.


– Vai dizer que o “Aleczito” ai não gosta?


– O “Aleczito” aqui adora o “Joshinho”. Mas não é sobre isso que te chamei ate o quarto. Quero te dar isso. – Estendi a mão com o pequeno embrulho. Ele pegou e abriu a pequena caixa que tinha o conteúdo. Segurou em uma das mãos e viu o pingente com formato de coração e a nossa foto.


– Alec, é lindo. Obrigado.


– Deixa que eu coloco para você. – Sentamos na cama e ele ficou de costas para mim. Coloquei a jóia em seu pescoço. – Joshua, eu estive pensando da gente mudar de cidade.


– Porque disso agora? Não precisamos nos mudar, podemos comprar um apartamento para passarmos algumas temporadas de vez em quando lá.


– Ah Joshua. A gente se casou, não? Acho que é momento certo para a gente conhecer um novo lugar e deixar que as mudanças aconteçam em nossas vidas.


– Por esse lado você tem razão Alec. Pra onde você pensou em ir?


– Chicago.


– Então vamos para Chicago.


– Serio Josh?


– Não é o que você quer? Um apartamento em Chicago?


– É.


– Por mim tudo bem.


Dois meses se passaram e eu iria conhecer o nosso novo apartamento em Chicago para curtas temporadas. Após cinco horas de viagem, chegamos. Pegamos um taxi e seguimos ate o endereço, não sabia onde era. Quem tinha negociado o apartamento e feito a compra tinha sido o Joshua. Era a primeira vez que estaria vendo o nosso novo endereço. O prédio era de um tom verde musgo. Nosso apartamento ficava no ultimo andar do prédio.


– Alec, fecha os olhos para não estragar a surpresa. – Fiz o que ele tinha me pedido. Fechei os olhos e ele abriu a porta. Ele me conduziu para dentro do primeiro cômodo. – Pode olhar. – Um apartamento bem espaçoso e com os moveis.


– Joshua, ficou lindo.


– Hoje a gente dorme aqui e amanha voltamos para Los Angeles.


Passamos a noite ali, sozinhos e sem ninguém para atrapalhar. Tudo que precisamos estava ali dentro tínhamos um ao outro por uma noite em um local que a principio era estranho. Estávamos deitados na cama, com o lençol tocando a nossa pele.


– Joshua?


– O que Alec?


– Eu estive pensando e se a gente adotasse uma criança?


– Serio Alec? – Ele ficou de lado e ficou me olhando.


– É Joshua!


– Eu iria gostar de compartilhar o amor que sinto por você com uma criança.


– Alec, você é incrível. Nunca eu iria encontrar alguém como você. E a criança se chamaria George Boyd Ross Urie ou teria outro nome?


– Para um nome de menino seria bom, mas pensei em uma menina. E se chamaria Gabrielle Ross Urie.


– Gostei. E quando você quer entrar com o papel de adoção?


– O mais rápido possível. Seriamos ótimos pais.


– Você seria uma ótima mãe Alec.


– Joshua, seriamos bons em educar uma criança e não se fala mais nisso.


– Alec, você tem certeza disso? Não quer pensar mais um pouco. Você sabe que temos e teremos responsabilidades, não?


– Sei que temos responsabilidades.


– Alec, não quero excluir a sua idéia, mas acho que deveríamos pensar melhor, só isso.


– Por quê?


– Como porque Alec? Temos a banda e quando estivermos em turnê, que vai cuidar dessa criança?


– Nos. A gente tem que tentar Joshua, no começo vai ser difícil, mas depois vamos pegar pratica e cuidar direito dela.


– Tudo bem então, Alec. Vou providenciar esses papeis e seremos uma família. – Sorri feliz como forma de agradecimento e encostei minha mão na sua pele macia. Sussurrei um “Muito obrigado” e ele retribuiu com um sorriso.


Acordamos por volta das dez da manha e pegamos nosso vôo às onze horas de volta para Los Angeles. Uma semana depois Joshua foi ate um advogado entrar com um pedido de adoção, o mesmo foi encaminhado e a única coisa que teríamos que fazer era esperar um contato do serviço social.


Spencer e Jon ainda não tinham voltado do Japão e nos ficávamos ensaiando no estúdio algumas musicas inéditas, outrora covers. O que viesse na nossa cabeça a gente fazia. Uma coisa eu aprendi depois que discutimos sobre em adotar ou não uma criança: Tudo teria uma nova perspectiva em nossas vidas, mudanças seriam necessárias e o destino nos ensinaria uma lição. Amar o próximo como a si mesmo. Amávamos e queríamos compartilhar isso com outro alguém. Tínhamos amor de sobra um para com o outro e não nos faltaria, porque nosso amor é como uma fonte que se reabastece a cada segundo.