Nada melhor do que pedalar com esse solzinho irradiando o dia, escutando uma boa musica e essa brisa gostosa batendo nos meus cabelos. É, hoje nada pode estragar o meu dia, nada! — falei colocando os fones de ouvido nos ouvidos, enquanto estava sentada no assento da bicicleta.

Até que de repente, um ser surge na minha frente, e pelo jeito ele não estava me vendo.

EI! — gritei apertando os freios da bicicleta.

Ele olhou rapidamente para traz, mas foi tarde de mais. Atropelei o moço.

Nossa você não me viu não? — questionei brava.

Calma ai nervosinha Eu estava distraído — falou ele.

É, eu percebi Ai que droga, machuquei meu joelho — Falei olhando para o meu joelho ensanguentado.

Calma, eu acho que tenho água e uns band-aids aqui na minha mochila — Falou ele abrindo a mochila.

Não, não precisa Eu me viro — Disse subindo de volta na bicicleta.

Fala sério né?! Deixa eu pelo menos te levar em casa Não dá pra você pedalar desse jeito, vai forçar muito o seu joelho — falou ele colocando as mãos no guidom da bicicleta.

Eu devo deixar ele me levar até em casa? Não. Afinal, eu nem conheço ele Ele é só mais um cara atraente, que foi feito geneticamente para irritar pessoas como eu. Não Antonieta, você não vai deixar ele te levar em casa

Tá Tudo bem Pode ser — Falei quase me arrependendo.

Eu sei, eu não deveria, mas meu joelho está ferrado, e eu preciso de ajuda.

Então vamos lá nervosinha, sobe na garupa — falou ele dando um sorrisinho torto.

[]

A viagem até a minha casa foi longa e silenciosa. Achei que nunca iria chegar.

Pronto, é aquela casa ali — falei apontando.

Prontinho, entregue a salvo! — falou ele descendo da bicicleta.

É, se não fosse você eu estaria morta na ciclovia Com o joelho ensanguentado, com fome e com medo Meu Heroi! — falei dando um sorriso amargo.

Como você é ingrata em? Te trago até em casa, poupo o seu joelho de sangrar mais, e é assim que você me agradece? Nossa, se soubesse tinha te deixado lá — falou ele olhando nos meus olhos.

Vai Antonieta, Pede desculpas pra ele Pede logo!

Tá Foi mal Muito obrigado por me trazer em casa, e ter poupado meu joelho de ter sangrado mais — falei olhando para ele.

Então tá Agora vou indo nessa Tchau nervosinha — disse ele sorrindo e colocando a mochila nas costas.

Ai vai te catar vai — revirei os olhos e fui andando com a bicicleta em direção do portão de casa.

Tchau pra você também — falou ele dando as costas.

Tá, tchau pra você — falei fechando o portão de casa.

Era só o que me faltava hoje, atropelar alguém e ainda machucar meu joelho. Agora é só me preparar para a palestra que a minha avó vai fazer Porque pelo amor de Deus viu, o mulher que gosta de falar.

[]

Oi pessoal — falei meio sem graça e já pronta para ouvir.

O QUE ACONTECEU ANTONIETA? — gritou vovó.

Calma vovó, eu to bem Eu só atropelei sem querer uma pessoa, e acabei caindo da bicicleta e machuquei meu joelho Fica tranquila, não foi nada de mais — falei tentando tranquilizar ela.

Nada demais? E a outra pessoa? Está bem? Ai meu Deus Nieta, vai lavar esse joelho antes que infeccione — falou ela preocupada.

Como a outra pessoa está? Como assim vovó? Sua neta está com o joelho ferrado e a senhora se preocupa com aquele idiota? Ah vovó como a senhora pode fazer uma coisa dessas

É vovó a outra pessoa está bem, não se preocupe — falei andando em direção da lavanderia.

Ai meu Deus Nieta, você tem que tomar mais cuidado Poderia ter acontecido algo pior — falou vovó fechando a porta da sala.

Tarde demais vovó, aconteceu algo pior Atropelei um cara chato e ainda fui obrigada a conversar com ele.

Tá vovó, agora tá tudo bem Não se preocupe. — falei lavando o joelho.

Ai que raiva! Porque aquele imbecil tinha que aparecer logo na minha frente?! Estragou minha pedalada e meu bom humor. Que ódio viu!

[...]

Hmm, quem fez esse almoço delicioso? — falei olhando para a mesa farta e com água na boca.

Seu avô — falou vovó.

Sou um cozinheiro de mão cheia! todos amam a minha comida! — disse vovô rindo e colocando os pratos na mesa.

Isso é verdade! Sempre achei você um ótimo cozinheiro... Lembra quando você fez aqueles sanduíches para o nosso primeiro piquenique no parque Everdeen?

Lembro... aquele foi o melhor dia de toda a minha vida...

Pra mim também...

O que aconteceu naquele dia vovô?- perguntei curiosa.

Bom Nieta, naquele último dia de outono, eu e sua avó, decidimos ir fazer um piquenique no parque. O dia estava lindo, pássaro cantando, o ar estava fresco e o céu estava num tom azul encantador. Então nos sentamos embaixo de uma linda árvore e conversamos muito...

E depois de tanta conversa e risada, seu avô me pediu em casamento... Foi o dia mais lindo e feliz da minha vida... Nunca irei me esquecer.

E é nessas horas que meu coração aperta, porque nunca saberei como meus pais se conheceram e como eles se casaram... E talvez nunca irei saber o motivo pelo qual eles se separaram.

Que lindo vovô! — falei com um tom feliz e doce na voz.

Bom, chega de papo, vamos comer porque meu estômago já está reclamando — falou vovó.

É meu vô é realmente um cozinheiro de mão cheia! Tudo está maravilhoso e bem temperado; aliás, amo o tempero da comida do meu avô, ele coloca tudo na medida certa.

Depois do almoço vou descansar um pouco e mais tarde vou até a biblioteca... Chegou um livro que estava louca para ler — informei aos meus queridos avós.

Sinto muito Maria Antonieta, mas você não vai a lugar nenhum com o joelho nesse estado. — falou vovó num tom severo.

Por incrível que pareça minha avó é a mais exigente e severa da família, já meu avó é totalmente liberal, mas isso não significa que ele não seja cuidadoso.

Mas vovó eu preciso ir! Eu nunca deixo de ir, a senhora sabe.. — falei colocando o copo de suco em cima da mesa com uma certa força.

Calma Nieta. — disse meu avô tentando equilibrar as coisas.

Não Antonieta, de casa você não sai até que seu joelho melhore! Esse tipo de ferimento exige cuidado, porque se não for cuidado de uma forma correta pode piorar — falou vovó cortando o bife macio.

Mas...

Deixa Nieta, não vamos mais falar nesse assunto — disse meu avó com um tom de voz abaixo do que o normal. — E além do mais tenho planos para nós dois hoje!

Planos? Que tipo de planos? Ir a lanchonete da Rosalina comer a mesma coisa de sempre? Hambúrguer e torta de amora? Não vovô, muito obrigado, mas prefiro passar o resto do meu dia na biblioteca, onde eu possa ter um tempinho se quer pra mim. — falei com raiva. Agora eu acho que peguei pesado, nunca tinha agido dessa forma com meu avô, que tanto fez minhas vontades e foi tão gentil comigo desde a separação dos meus pais. — Desculpa vovô... Eu não queria ter sido grossa desse jeito... E por favor não pense que eu não gosto de passar o meu tempo ao seu lado... Eu gosto, é só que as vezes eu preciso de um tempo para mim sabe? Só pra mim...

Eu entendo Nieta... Mas se ainda quiser sair comigo, poderíamos ir a outro lugar, quem sabe ir na loja de cd's do Luiz ou talvez...

Tudo bem vovô, eu vou sair com o senhor, não se preocupe — falei deixando um sorriso escapar. É incrível como ele é uma pessoa boa, e não digo isso só porque ele as vezes faz as minhas vontades, mas ele é assim com todos! Sempre gentil e solidário. Tenho que admitir, vovó é uma mulher de sorte.