Livros E Uma Xícara De Café
1 Prazer, Beatrice.
Notas iniciais
Se quizerem meu twiter: @maanuschneider
Se não gostar de algo, faça uma crítica construtiva, que eu tentarei melhorar.
Talvez eu demore um pouco para atualiza-la, é por que eu não tenho muita criatividade, então só posso escrever um capítulo novo quando a criatividade vem até mim. xx
Sempre fui muito solitária. Livros, uma xícara de café, e lembranças terríveis são minhas únicas companhias. Eu sou aquela que chamam de deprimida, antissocial, estranha, problemática, louca. Não sei muito da vida, tenho apenas 17 anos, faço 18 em agosto, finalmente poderei ter minha carteira de motorista, e portanto, poderei dirigir por ai, sozinha. Amizade, para mim, era perda de tempo. Sim, já tive ‘’amigos’’. Mas esses “amigos” eram do tipo falsos. Afinal, se alguém te denuncia para a polícia, esse alguém não é seu amigo, certo?
O que uma adolescente fria e sozinha, sabe da vida? As únicas lições que aprendi foram a não confiar nas pessoas, por mais simpáticas que sejam, e a ser você mesma, não importa quais sejam as consequências. As pessoas julgam por que se sentem inseguras, por tanto, precisam achar alguém que seja inferior as suas falhas. Não é confuso, e também não é preciso muito para ser perfeito, basta ser perfeito do seu jeito, e aceitar a perfeição um do outro. Se você acha que é perfeito usando pijamas, então use pijamas, e se suas vizinhas, primas, amigas, etc. se sentem perfeitas usando roupas que a sociedade diz ser feita somente para homens, qual é o problema? E se seu amigo é gay, qual é o problema? Não gosta disso? Não faça isso, mas respeite quem faz. Não é nada complicado.
Você deve estar se perguntando se eu estou feliz. Sim, eu sou. Mas sou feliz do meu jeito. A minha felicidade se resume a livros, e uma xícara de café. Minha vida não é exatamente feliz, até por que minhas lembranças não permitem isso. Para muita gente, a felicidade se resume nos sorrisos, em se sentir bem, em amar. Mas para mim é diferente. Eu gosto dos livros, por que uma coisa é certa, todos eles, apesar de alguns não aparentarem, tem um final feliz, por mais triste que ele seja. Eu me imagino sendo o personagem, então, eu posso ter um final feliz sendo uma princesa, um mago, um robô, uma imortal, ou ter um final feliz sendo simplesmente uma humana qualquer. Eu escolho.
Mas eu não fui sempre assim. Quando eu tinha 15 anos, eu era uma das mais populares do colégio, tinha olhos castanhos muito escuros, costumavam dizer que meus olhos representavam minha corajem, nunca entendia isso, mas hoje dizem que eles representam a minha esquisitice. Tinha cabelos castanhos, longos e finos, que se movimentavam de uma forma inexplicavelmente linda, ainda mantenho esse mesmo cabelo, mas com uma franja que esconde meu olho esquerdo. Até tinha um namorado, Gabe, ele tinha lindos cabelos cor de caramelo, e uma franja penteada para o lado que cobria suas sobrancelhas. Seus olhos eram azuis, tão profundos quanto o mais fundo oceano, mas revelavam sua tristeza. Gabe perdera seu melhor amigo de infância, Michael. Quando tinha 13 anos, Gabe e Michael estavam dando uma volta ao redor da cidade, eles estavam na margem de um rio, eles nunca tinham entrado naquele rio antes, Gabe queria desafiar Michael.
– Aposto dois euros que você não atravessa esse rio.
– Essa aposta é séria? – Perguntou Michael com cara de quem estava pronto para ganhar dois euros., por que tinha certeza de que conseguiria.
– Mas é claro que é – Disse Gabe, em um tom desafiador.
– Você acaba de perder dois euros – Afirmou Michael.
Ele tirou sua camisa, e esvaziou os bolsos de sua bermuda, e entrou no rio. Mas antes de fazer a aposta, Gabe não havia reparado que havia muita correnteza no rio. Michael conseguiu atravessar, mas na hora de voltar, ele começou a ser arrastado pela correnteza, e foi achado 3 dias depois na margem do rio, morto. No dia do seu enterro, Gabe colocou dois euros dentro do caixão, afinal, Michael tinha atravessado o rio. Acho que até hoje Gabe se sente culpado pela morte de Michael. Mas Gabe não é a única pessoa que se sente culpado pela morte de alguém.
Aconteceu dia 16 de Agosto, no dia do meu aniversário. O Dia em que matei meus pais e minha irmã. Tecnicamente eu não matei, mas sei que fui a culpada de tudo. Estávamos nós quatro no carro, quase chegando ao restaurante onde iríamos comemorar meu aniversário, ao som de Hey Jude, dos Beatles, quando reparei que minha irmã estava usando meu suéter.
– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ESTA USANDO O MEU SUÉTER NOVO, JILLIAN! – Gritei tanto que meus pulmões quase explodiram.
– E DAÍ, VOCÊ ESTA USANDO MEU COLAR DE CORUJA E EU NÃO ESTOU RECLAMANDO! – Gritava minha irmã, quase mais alto do que eu.
- MAS EU PEDI O COLAR EMPRESTADO ANTES DE USAR, SUA IDIOTA! – Gritei, mas logo depois me arrependi do que disse.
Minha mãe estava dormindo no banco do caroneiro, portanto não ouviu a briga, e meu pai virou para trás.
– JÁ CHEGA, EU NÃO AGUENTO. – Mas ele não conseguiu terminar a frase.
Na hora em que virou para trás, meu pai não percebeu que havia uma curva logo ali na frente, e o carro bateu em uma árvore enorme, e capotou. A partir dali, eu não me lembro de absoltamente nada. Acordei no hospital, minha cabeça estava doendo muito. Uma enfermeira entrou no quarto, eu pedi a ela o que havia acontecido, e ela me contou, preferia que não tivesse. Eu fiquei em coma por dois meses e meio. Meu pai morreu no hospital, minha irmã e minha mãe morreram instantaneamente. E eu desejei que eu tivesse morrido também.
As únicas coisas que me ajudaram, foram os livros, eles me faziam esquecer a minha vida, e viver uma totalmente diferente, uma vida feliz, a vida do personagem, e as muitas xícaras de café me mantinham acordada para lê-los. Agora acho que você entende o meu ‘’amor’’ por livros e café.
Fale com o autor