Livro II: O Eco dos Nossos Passos
28 Epílogo: O Legado Styles-Lâfrer
Cinco anos depois...
O sol do início de verão brilhava generoso sobre os extensos jardins da mansão em Tribeca. As imensas árvores que contornavam a propriedade agora serviam de sombra para uma tarde perfeitamente barulhenta e feliz. O clã Styles-Lâfrer estava reunido em peso no grande deque de madeira, onde confortáveis sofás de linho claro e mesas com jarras de suco natural, taças de champanhe e petiscos davam o tom de uma celebração sem pressa.
A atmosfera era de absoluta plenitude. Sentados juntos no sofá principal, James e Hope observavam o gramado. James, aos quarenta e sete anos, exibia fios prateados charmosos nas têmporas e uma expressão de paz que nenhum fechamento de mercado em Wall Street jamais seria capaz de lhe dar. Ele mantinha um dos braços longos firmemente ao redor dos ombros de Hope. Ela, por sua vez, estava mais deslumbrante do que nunca aos vinte e sete anos, com os cabelos loiros presos em um rabo de cavalo prático e os olhos azuis brilhando com uma satisfação profunda.
Logo ao lado, Garret e Sofia dividiam uma namoradeira. Garret abraçava a esposa por trás, descansando o queixo em seu ombro, enquanto Sofia ria de alguma piada que Lucian e Elise — orgulhosamente sentados em suas poltronas de vime — haviam acabado de fazer. Ricardo Andrade, sempre o espírito mais animado do grupo, estava recostado no parapeito, segurando uma taça e comandando as risadas.
Mas a atenção de absolutamente todos os adultos estava magnetizada no centro do gramado, onde duas pequenas forças da natureza comandavam o espetáculo.
Thomas, o filho de Hope e James, agora com cinco anos, exibia os mesmos cabelos claros da mãe e os olhos escuros e intensos do pai. Ele corria descalço pela grama, vestindo uma camiseta pequena de um time de futebol americano. Logo atrás dele, tentando roubar a bola de suas mãos com uma determinação feroz, estava a pequena Maya, de quatro anos — a filha caçula de Garret e Sofia, que nascera apenas alguns meses depois de Thomas. Maya tinha os cachos castanhos da mãe e o temperamento absurdamente teimoso e competitivo de Garret.
Portanto, a dinâmica era deliciosa: Thomas era sobrinho de Maya, mas por terem idades tão próximas, eles funcionavam como dois irmãos implicantes que se adoravam.
— Thomas! Devolve a bola! Meu pai disse que eu sou a running back hoje! — a pequena Maya gritou, a vozinha aguda e firme, batendo os pés pequenininhos na grama enquanto tentava cercar o sobrinho.
— Não vale, Maya! Você tem que me pegar primeiro! O papai me ensinou o spin ontem! — Thomas rebateu, soltando uma risada gostosa, dando um drible de corpo curto e elegante que fez o garotinho escapar do abraço da tia.
No deque, Garret imediatamente se inclinou para a frente, batendo a mão no joelho, com os olhos brilhando.
— Olhem isso! Olhem o movimento de quadril da minha garota! Vai, Maya! Derruba ele! Mostra o sangue Styles de West Valley! Ela vai pegar ele, James! Pode apostar a holding!
James soltou uma risada grave e rouca, apertando sutilmente os ombros de Hope antes de rebater o sogro com aquele tom de superioridade divertido que nunca morria.
— Garret, o seu otimismo é comovente, mas o garoto tem a leitura de jogo dos Lâfrer. Ele já antecipou a linha de corrida dela há três jardas. Olha lá, ele vai fazer o touchdown na cerca viva.
— Ah, não vão começar vocês dois de novo com jargão de esporte a essa hora da tarde! — Hope interveio, revirando os olhos azuis com um sorriso enorme, ganhando uma piscada cúmplice de Sofia. — Eles são crianças, deixem eles brincarem em paz.
— Deixe que discutam, minha filha — Elise comentou da sua poltrona, ajustando os óculos escuros com toda a elegância que o tempo lhe dera. — É bom ver que o seu pai continua perdendo para o James, seja nos negócios ou no jardim de casa. Algumas tradições precisam ser mantidas.
A mesa inteira explodiu em gargalhadas, fazendo Garret bufar de mentira e esconder o rosto no pescoço de Sofia, que o acariciou com carinho.
— Não liga para eles, meu amor. Para mim, você ainda é o melhor atleta da casa — Sofia consolou, rindo baixo.
No gramado, a perseguição atingiu o ápice. Thomas tropeçou sutilmente na ponta de um irrigador de jardim e, antes que pudesse se recuperar, a pequena Maya jogou-se com tudo, agarrando-o pela cintura. Os dois rolaram juntos na grama fofa, a bola de couro voando para longe enquanto os dois soltavam gargalhadas altas, espalhando folhas pelo cabelo.
— Te peguei! Eu ganhei, Lâfrerzinho! — Maya gritou, sentando-se em cima da barriga de Thomas, com as mãozinhas sujas de terra espalmadas no peito dele.
— Você trapaceou, tia Maya! Você me puxou pela camisa! — Thomas reclamou, mas ria tanto que mal conseguia empurrá-la.
James levantou-se do sofá, caminhando até a borda do deque com as mãos nos bolsos do moletom, olhando para os dois com um orgulho que não cabia em seu peito. Ele olhou para o filho cheio de vida e depois voltou os olhos para Hope, que se aproximou e entrelaçou seus dedos aos dele.
— Eles são a nossa melhor versão, não são? — Hope sussurrou, apoiando a cabeça no ombro largo do marido, sentindo o calor do corpo dele.
— Eles são tudo o que eu passei a vida inteira sem saber que precisava, Styles — James respondeu, a voz saindo mansa, profunda e carregada de uma emoção sincera. Ele virou o rosto, depositando um beijo demorado nas têmporas dela. — Obrigado por não ter desistido de mim quando eu era apenas um homem ranzinza em Manhattan.
— Eu nunca desisto do que é meu, Lâfrer — ela sorriu de canto, os olhos azuis faiscando com aquela mesma audácia que, anos atrás, havia quebrado todas as regras do executivo.
— Ei, casal de comerciais de TV! — Ricardo gritou lá de trás, erguendo sua taça. — Menos romance e mais champanhe! O sol está descendo e nós temos uma vida inteira para brindar!
James e Hope sorriram um para o outro, um entendimento silencioso passando entre eles. O tabuleiro de Nova York, que no passado fora cenário de disputas de poder, segredos e uma paixão proibida que quase os consumiu, agora servia apenas como pano de fundo para o império mais valioso que haviam construído: a sua própria família.
Eles desceram os degraus do deque juntos, caminhando de mãos dadas em direção às crianças na grama, sob os olhares atentos e felizes dos Styles. O infinito que James havia prometido no altar não era apenas uma palavra bonita; ele estava vivo ali, nas risadas das crianças, no calor das mãos entrelaçadas e na certeza absoluta de que o final feliz deles havia chegado para ficar.
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