Living With The Death - O Começo
7 Passado conhece presente
Tive uma noite de sono razoável.
Não estava me sentindo mais tão segura, mas Carl e Rick cuidaram de mim durante a noite.
Eles dividiram turnos para me olhar, porque ainda corria o risco de que eu ficasse doente.
Me senti culpada por tirar uma noite de sono deles antes de uma missão, mas na manhã seguinte, os dois pareciam muito bem.
— Ally, vamos procurar algumas coisas aqui por perto, fique perto do Carl, atire somente quando necessário, certo?
— Sim.
Saímos usando o mesmo Jeep que Daryl e Rick haviam usado algum tempo antes. Eu não sabia ao certo o que iriamos procurar.
— Tudo bem. Tem uma plantação ali. Eu vou sozinho, fiquem juntos aqui. Não se separem. Fiquem de vigia. Estarei bem ali na frente. Virei se precisarem.
Carl e eu ficamos sozinhos por algum tempo, até que ouvimos passos do lado oposto ao que Rick tinha ido.
— Ally, fique aqui.
— Carl, ele disse para não nos separarmos.
— Fique aqui. Eu cuido disso e já volto. Não acho que sejam mais do que dois ou três.
Eu hesitei, mas sabia que não faria Carl desistir da ideia.
Ele adentrou a mata e eu fiquei ali sozinha.
Ouvi um barulho atrás de mim e me virei pronta para atirar.
Mas o que vi foi um homem. Vivo.
Ele tinha algo tampando seu olho, e usava um grande casaco escuro.
— Alexia. – ele disse, surpreso.
— Como... Como sabe meu nome? – perguntei, recuando alguns passos.
— Eu quero conversar com você.
— Quem é você?
— Eu sou seu pai, Ally.
Eu senti meu rosto ferver e algo se revirar no meu estomago.
Meu pai?
E então tive outra forte dor de cabeça.
Coloquei a arma no cinto, perto da minha faca, antes que caísse no chão.
"Eu segurava uma foto na minha mão.
O homem que eu já conhecia, Charlie, estava parado na minha frente.
— Não queria que achasse isso.
— A minha mãe escondeu. Mas eu encontrei. É o meu pai, não é?
Charlie não respondeu.
— É o meu pai. – eu mesma me respondi.
— Ally...
— Ele está aqui, não está? Ele está bem perto de nós. Foi por isso que a minha mãe me mandou para cá. Ela queria que eu o achasse. Ela ainda o ama?
— Ally, por favor.
— Charlie. Esse é o meu pai, e eu preciso encontra-lo.
O homem na foto tinha cabelos curtos, olhos esverdeados.
Carregava no rosto uma expressão muito séria. "
Eu não teria reconhecido o homem se não fosse o seu outro olho e a mesma expressão séria.
Era ele. De verdade.
— Você... Você está vivo...
— Você também. Fico orgulhoso que...
— Governador?! – Carl gritou. – Fique longe dela! Fique longe da Ally!
— Você está com esse garoto, Alexia? Você está no grupo com eles?
— O que quer dizer? Você os conhece?
— Ally, de onde conhece esse homem? – Carl perguntou, parando bem ao meu lado.
— Ele é... Ele é o meu pai.
— O QUÊ? – Carl gritou. – Ele é do mal! Ele matou um monte de pessoas! Ele quer todos nós mortos! Ele é seu... seu pai?
— É. – sussurrei.
— Você se lembra dele?
— Eu acabei de me lembrar, da foto... Uma foto que a minha mãe tinha. Eu a encontrei, não me lembro quando.
— Eu quero que venha comigo, Alexia. – o homem a minha frente disse.
Eu neguei com a cabeça.
— Eu não posso.
E não podia mesmo.
Eu sabia que em toda a minha vida sempre quis encontrar meu pai.
Mas eu não deixaria as pessoas na prisão.
Se aquele cara, o meu pai, era o Governador que todos temiam, eu não chegaria perto dele.
— Ally, você vem comigo! Eu sou seu pai, e você tem que ficar comigo! – ele gritou, tentando se aproximar.
Carl atirou em seu pé.
Ele gemeu de dor e eu gritei quando ele pegou a arma.
O tal homem que era meu pai atirou em Carl, e ele caiu no chão, bem abaixo dos meus pés.
— Carl! – gritei, me jogando no chão e levantando seu rosto. – O que você fez? – gritei para o homem na minha frente. Ele estava pronto para atirar outra vez.
— Largue essa arma, Philip. – Rick disse, atrás de nós. – Carl! – ele gritou.
Era esse o nome dele? Philip?
— Precisamos leva-lo, Rick, Hershel precisa cuidar dele. – eu disse, chorando. – Carl, não feche os olhos, por favor. Mantenha-os abertos!
— Eu vou acertar minhas contas com você por isso. – Rick avisou, enquanto pegava Carl nos braços e o colocava dentro do carro.
Eu pulei para dentro também e segurei a mão de Carl.
Lancei um olhar decepcionado para o homem que ficava para trás.
Ele não atirou novamente.
— Carl, ei. Olhe para mim, certo? Não feche os olhos.
— Está... doendo. – ele sussurrou.
— Shhh. Eu sei, mas vai ficar tudo bem. Eu prometo.
***
Quando chegamos à prisão, corremos com Carl para Hershel.
— Saiam, saiam. Não podem ficar aqui. Eu vou fazer o possível. – Hershel disse.
Eu não conseguia parar de chorar, e Rick muito menos.
— Ele vai ficar bem. – murmurei, mais para mim mesma do que para Rick. – Carl vai ficar bem.
Depois de alguns minutos, Hershel saiu da cela.
— Carl perdeu muito sangue, Rick. Outra vez.
Como assim outra vez?
— Não tem problema. Ele ficará bem se eu doar o meu?
— Você não pode. Se algo sair de você, você morre. Não pode.
— Eu não me importo! Temos que salvar o Carl!
— Qual é o tipo sanguíneo do Carl?
— A. A+.
— Eu posso. Eu posso doar.
— Ally, você é muito nova, é perigoso. Muito perigoso. – Hershel protestou.
— Hershel, eu não me importo. Talvez... Essa pode ser a minha função, não é? Salvar a vida de Carl. Ele me salvou... Me salvou daquele maluco, aquele maluco que é meu pai.
— O Governador? Ele é seu pai?
— Acho que não temos tempo para isso agora. Carl está correndo perigo, Hershel, vamos logo com isso.
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