Living With Bieber
2 Capítulo 2 - The Canada
Notas iniciais
Bom, não tenho tanto tempo pra fazer as notas, pois tenho que estudar pra prova de matemática de amanhã. Mesmo assim aqui tem o segundo capítulo! :)
“A saudade batia a cada instante, e aquilo me machucava demais. Lágrimas escorriam, enquanto minha tia me abraçava, confortando uma filha sem mãe.”
Confesso, cochilei. Mas logo minha tia me acordou, informando-me de que havíamos chegado no aeroporto. O motorista retirou nossas malas do carro, e minha tia pegou um carrinho pra colocá-las dentro. Ajudei ela com duas menores e ela colocou o resto (no total 6 malas, entre tudo o que era meu, e dela, e de várias cores e tamanhos), me sentei sobre uma delas, e fomos em direção aos portões. A moça fez a checagem, e perguntou se eu queria uma cadeira de rodas.
– Sim, acho que é melhor mesmo! – Respondi em português, pra facilitar “as coisas”.
Ela pegou-a, e eu me sentei. Minha tia me levou até meu assento no avião, e devolveu a cadeira à um segurança da porta. Se sentou ao meu lado, e em menos de 15 minutos, já estávamos voando.
Olhar toda aquela paisagem, lembrar de tudo, dos momentos no carro. Lembrar de tudo, desde os momentos mais felizes, até os momentos mais tristes. Se arrepender de tudo o que você falou, respondeu, brigou com sua família. Segurei o choro, eu teria que ser forte pro resto da vida, e chorar não mudaria nada. Eu tinha meus tios, meus amigos que talvez estejam em Toronto, meus amigos que talvez se lembrem de mim e que talvez me perdoem por deixá-los lá.
Fechei meus olhos com força e suspirei. Minha tia deitou minha cabeça em seu ombro, e eu adormeci.
Acordei quando senti um impulso do avião encostando no chão. Notei que eu estava de cinto, então perguntei:
– Você quem colocou meu cinto?
– Sim! – Minha tinha respondeu me entregando as duas muletas.
Fomos direto ao banheiro, e depois pegamos nossas coisas. Novamente me sentei sobre uma bolsa, e ficamos em frente ao aeroporto esperando meu tio.
– Olá meninas! – Ele falou me olhando com os cheios d’água – Eu sinto muito, querida, muito mesmo! – Me abraçou e falou em meu ouvido – Você cresceu muito! Está uma moça linda!
– Pena que não vai poder ver a Natasha e a Anne. – Falei abaixando a cabeça – Elas estavam tão lindas... – Minha tia me deu a mão e ergueu minha cabeça, colocando uma mecha de cabelo por trás da orelha. Fomos até o carro, e tio Robert colocou as coisas no porta-malas e levou o carrinho até a porta. No caminho paramos em um Starbucks, compramos alguns biscoitos e cappuccino e depois meu paramos em uma loja de decoração.
– O que fazemos aqui? – Perguntei.
– Bom, precisamos de algumas coisas pro seu quarto.
– Ok! Que cor ele é?
– Preto com detalhes em azul.
– Tá! – Peguei umas coisas e fomos até o caixa.
– Deu $1.000! – A moça do caixa falou e eu já fui tirando algumas coisas quando meu tio segurou minha mão e colocou tudo de novo. Sorri pra ele que pegou a caixa com as coisas e levou até o carro.
Chegamos na minha nova casa e eu sorri. “E aí, gostou?”, “Como não gostar? É gigante e linda!”. Fiz o máximo pra correr até o sofá, e depois pulei nele. Super macio e confortável. Eles me mostraram a casa toda, e depois fui pro meu quarto. Ele era incrivelmente lindo, acredite: milhões de vezes mais bonito do que o quarto de qualquer garota no Brasil, já que aqui as Canadenses/Norte-americanas/Britânicas/etc, tem costume de ter os quartos mais perfeitos. Mas o meu se superava. E sabe, lembrava muito como ele era quando ainda morávamos aqui. Terminei de arrumar as coisas que havia comprado, coloquei meu notebook sobre a escrivaninha, guardei minhas roupas no closet, e coloquei meus produtos de higiene e outras coisas no banheiro, algumas também no quarto.
Me sentei no sofá, peguei algumas almofadas e liguei a televisão. Deixei em um canal comum, onde passam séries, programas, jornais... Acessei a internet através do meu Iphone. Entrei no twitter e já tinham: “Força, Kend!”; “Deus acompanhe sua vida, em meio aos obstáculos”, ok, eu sou anti-cristo (não quer dizer que eu seja satânica, mas eu apenas acredito em um único Deus, odeio a Igreja, odeio a Bíblia, tudo, apenas acredito em Deus). Mas o tweet que mais me chocou mesmo foi esse “Soube que você sofreu um acidente, força amiga, vou sentir sua falta aqui no Brasil, fica bem, tá? Te amo”, era da Mariana, minha melhor amiga desde que me mudei pra Sorocaba. Vou sentir muita falta dela, muita mesmo...
Fiquei vidrada na noticia do meu acidente, não conseguia deixar de assistir, eu chorava muito, gritava com a almofada socada no rosto, apesar de estar ouvindo atentamente cada palavra do repórter. Pensei em me jogar da janela, pensei em me matar, mas eu tinha que ser forte, eu sempre fui forte, meus pais sempre me disseram: não deixe que os maus emocionais atrapalhem na sua vida, se algo acontecer conosco. Era isso que eles me pediram, e era a única coisa que eu deveria cumprir enquanto ser humano.
Bebi aproximadamente um gole de água, desliguei a televisão e me acalmei. Me desconectei de celular e computador, e fui dar “uma volta pela casa”. Desci as escadas calmamente, com um óculos de sol no rosto pra não notarem meus olhos vermelhos de tanto chorar. Atravessei a sala, e fui até a cozinha.
– Kendell! – Não vi nada, apenas senti alguém me abraçando.
– Oi... – Falei meio confusa. A pessoa me largou, e pude ver quem era: Pattie – Tia Pattie! – Praticamente pulei em cima dela – Que saudade, tia! – Ok, ela não era minha tia.
– Sinto muito querida, sinto muito pelos seus pais... – Ela falou e eu dei de ombros.
– Não pude fazer nada pra evitar. Bom, mas eu quero esquecer tudo isso. É melhor pra mim, prometi à eles que não me abaixaria se algo acontecesse. Vou cumprir, eu preciso cumprir! – Falei e ela tentou tirar meus óculos, porém eu os segurei – Desculpa, é que...
– Ok, eu entendo. – Ficamos nos olhando um tempo – Eu acho que você vai gostar da surpresa que eu trouxe pra você.
Senti alguém me abraçando e cheirando meu cabelo, senti o perfume mais suave e as mãos mais calmas e seguras me tocando. Olhei pra trás e era o Justin, meu Justin! O abracei com toda a minha força. Lágrimas escorreram de seus olhos, e eu limpei-as.
– Ei! Não está feliz em me ver, é, mocinho? – Falei com os olhos marejando também.
– Estou, mas é... Orgulho, sabe, da menina feia que você era. E agora tá... A menina mais linda do mundo. – Fiquei sem jeito – Me desculpa por deixar você ir. Se vocês não tivessem ido nada disso teria acontecido. – Sussurrei em seu ouvido: “Não é culpa sua, foi só uma comemoração de aniversário boba” – Bom, mas, deixa isso pra lá, quero poder ter minha chatinha de volta! Ah! Olha, tá aqui seu presente – Ele falou me entregando uma caixa.
Peguei em sua mão, e fomos até o jardim. Nos sentamos em cima de umas pedras que tinham ali, e eu sorri pra ele abrindo a caixa. Tinha um plano preto não muito fundo. E em cima, tinha um colar com as inicias: “J&K”. Olho para seu braço, e ele está com uma espécie de pulseira. É uma daquelas de tecido, com as mesmas inicias, só que invertido.
– Tira esse pano preto...
Tirei o pano e ali estavam todas as coisas que nós dois compartilhávamos quando crianças. Desde um pedaço mofado de bombom até uma cartinha que eu dei à ele.
– Você guardou! – Falei o abraçando.
– Nunca deixaria de guardar... – Sorri e apontei pro meu quarto. Subimos as escadas, e eu peguei a maleta do meu notebook. Também tinha um “compartimento falso”. O retirei, e mostrei à ele todas as cartas que ele tinha me dado, além de outro pedaço do bombom mofado. Ele sorriu e nos abraçamos novamente.
Nossos rostos estavam próximos um do outro. Eu não queria que isso acontecesse novamente.
FLASHBACK –
Eu e o Justin estávamos passeando no parque onde sempre vamos. Lá tem uma caverna que poucas pessoas entram. Fomos até lá e nos sentamos no chão. Ele me olhava cada vez mais de perto. Eu fiquei um pouco assustada, mas sempre quis dar meu primeiro beijo nele. Ele se aproximou e me deu um beijo. Na verdade foi mais um selinho. Depois ele tirou dois anéis do bolso da calça, e colocou uma delas no meu dedo. Nós já “namorávamos” há algumas semanas, e só agora fomos nos tocar de verdade. Eu estava muito feliz, só que tinha medo do que meus pais fossem falar se me vissem como essa aliança.
KENDELL –
Eu tinha medo do que acontecesse igual aconteceu quando fui embora. Justin jogou nossos anéis no chão e pisou em cima. Eu chorava muito, e não tinha culpa de ter que partir. Depois ele me empurrou, e eu cai no chão. Ele estava extremamente furioso.
Abaixei a cabeça, me afastando dele. Ele levantou minha cabeça e fez com que eu voltasse a chorar.
– Desculpa pelo que fiz. Eu não queria ter que dizer adeus a você. Sabes disso. Eu te amei, e te amo até hoje, nunca deixei de te amar, Kend.
– Eu não queria ir pro Brasil. Não queria te deixar, e mesmo assim você não entendeu. Eu também te amei muito, Justin. Mas eu tenho medo, a gente, entende?
– Acho que também ficaria assim se estivesse em seu lugar. – Sorri pra ele e ele sorriu pra mim.
Deitei em seu colo ali mesmo no sofá. Ele encostou sua cabeça no mesmo, e nós dois fechamos os olhos.
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