Living Life
1 Capítulo 1
Ponto de vista de Rick.
Nada era mais monótono que a aula de filosofia. A professora falava milhões de informações ininteligíveis sobre Rousseau e Hobbes, e as diferenças entre o que cada um pensava e dizia.
Enquanto narrava a história do surgimento da sociedade individualista, segundo Rousseau, eu prestava atenção na menina mais bonita da sala.
Katherine Beckett estava sentada a duas carteiras de mim, na fileira ao lado. O ângulo era perfeito para que eu tivesse uma visão nítida de seus longos cabelos castanhos e de cada movimento que fizesse.
Tudo que eu desejava era que ela se virasse e seus olhos verdes encontrassem o azul dos meus, mas ela parecia incrivelmente entretida pela matéria absurda que a professora explicava.
"Richard Rodgers! Pare de encarar a menina nova e preste atenção na aula."
Isso mesmo. Kate era aluna nova, tinha chegado há uns dois ou três meses. Veio do Canadá e o sotaque foi o que mais me encantou. Kate era... extraordinária.
Ela corou ao olhar para trás e ver, completamente constrangida, que era eu quem a olhava, e logo virou na cadeira, voltando a olhar o quadro.
"Mas eu estou prestando atenção na aula, Sra. Sholl!"
"Ah, está? Então o que acabei de dizer?"
Pensei seriamente em repetir a pergunta como resposta, afinal era o que tinha acabado de dizer, mas me contive, para não gerar uma onda de risadas e acabar em deteção.
"A senhora disse que Thomas Hobbes dizia que 'o homem é o lobo do homem', em seu estado de natureza."
"Muito bom, Rodgers. Você se livrou desta vez..."
Pelo resto da aula, fingi prestar atenção, quando, na verdade, pensava em diversos motivos para Kate ter se mudado. Nós tinhamos nos falado algumas vezes, podíamos ser até considerados amigos, mas não sabiamos muito um sobre o outro. Por mais linda que fosse, possuia um brilho triste em seus olhos, que me deixava intrigado.
Quando o sinal tocou, corri na direção de Kate, para pedir-lhe desculpas, mas não a encontrei. Almocei sozinho, apesar dos diversos convites para que me juntasse aos grupos de amigos. A imagem do rosto de Kate dançava em minha mente...
Assim que terminei, fui para o pátio, na parte de trás do colégio, onde a encontrei sozinha.
Estava sentada em um dos bancos, abraçada aos joelhos e, julgando pelo modo como tremia, estava chorando.
Me aproximei devagar e pus a mão sobre seu ombro. "Kate, você está bem?" Me xinguei por dentro, era mais que óbvio que ela não estava bem.
Sentei-me ao seu lado e a abracei, tentando confortá-la e seus braços voaram para me abraçar de volta enquanto ela chorava em minha camisa.
Eu não sabia se ela havia se dado conta de que era eu ali, mas se tinha, não pareceu se importar. "Está tudo bem, Kate. Pode chorar, vai lhe fazer bem."
"Mas estou encharcando sua camisa." ela disse, frustrada. Ela olhou em meus olhos e me perdi completamente. Queria beijá-la, mas se o fizesse, estaria ultrapassando os limites.
"Rick, obrigada por, uh, estar aqui."
"Sempre, Kate." coloquei uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. "Posso saber por que você estava chorando?"
"Eu... Eu perdi a minha mãe, no início do ano... Por isso meu pai me trouxe para cá, com a justificativa de que novos ares nos fariam bem."
"Sinto muito, Kate." Hesitante, dei um beijo no topo de sua cabeça. "Sei de uma coisa que pode fazer você se sentir melhor."
Ela acentiu, aceitando minha proposta sem nem mesmo saber do que se tratava. Faltamos as duas últimas aulas do dia e fomos para o loft em que eu vivia com a minha mãe.
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