Notas iniciais
Em duas partes porque muda a narradora :v

Jessie's Pov

Jeff senta ao meu lado na parede, apoiando os braços cruzados nos joelhos das pernas dobradas junto ao corpo. Por uns dois minutos, ele parece focado em olhar para a lua, o chão, os cadarços dos tênis manchados, tudo menos eu (isso soou narcisista ou é impressão minha?). E provavelmente ficaria nisso, se eu não falasse nada.

— Jeff, por que tudo isso? Quer dizer, você tem agido estranho comigo desde que nós saímos do nosso antigo acampamento e... — eu baixo o tom de minha voz, que já era um sussurro, até ser pouco mais que um sopro que apenas ele ia poder ouvir. — Foi por causa do beijo?

De repente, o som de um tiro preencheu o ar parado da noite. Não foi alto, nossas armas tem silenciador, mas eu enterro a cabeça entre as mãos, com um zumbido horrível e ensurdecedor soando em meus ouvidos.
Mabel vira pra mim e vê que eu estou mal.

— Eu vou descer pra ver o que aconteceu. Quer que eu arranje algo pra você, Jess? Você tá com dor de cabeça?

— N-não precisa Mabel, valeu.

Jeff vira pra mim, sério.

— Você tá bem?

Eu faço que não com a cabeça.

— Eu tô tonta. Minha cabeça... eu sinto meu cérebro girando. Jeff, eu pr... — ele me interrompe com um abraço.

— Tô aqui, calma.

Eu afundo meu rosto no seu pescoço enquanto aquele zumbido ensurdecedor diminui aos poucos.

Ele me abraça mais forte.

— Me desculpa.

— Foi pelo beijo? — eu pergunto novamente.

— N-não. Quer dizer, um pouco. Talvez. É complicado.

Eu me afasto um pouco, me soltando do abraço, mas continuo perto o bastante para sentir sua respiração. Eu pego sua mão, olhando diretamente para seus olhos escuros, tentando entender o porque daquilo tudo.

— Jess, eu sei que parece estupidez mas... E-eu fiquei com ciúmes do John, tá legal? Eu sei, é ridículo mas... Depois daquela noite, no acampamento, quando nós não beijamos, eu senti como se, sei lá — ele suspira, e desvia os olhos para nossas mãos entrelaçadas — eu senti como se, pela primeira vez, você não pertencesse ao John. Nem a nenhum outro garoto. É ridículo, mas eu senti como se, naqueles segundos em que nossos lábios se tocaram era como se você fosse minha, e de mais ninguém. E então, quando você ficou desacordada no caminhão, o John ficava me dizendo pra sair de perto. Ele cuidou de você praticamente sozinho, nunca saia do seu lado. Aquilo me deixou meio desesperado, eu me senti morrendo por dentro. Sempre fui eu quem estive ao seu lado, enquanto ele estava pouco se lixando pra você. E então, no momento mais crítico da sua vida, quando você corria riscos mais do que nunca, quem esteve ao seu lado foi ele. Me desculpe. Eu sei que é ridículo de minha parte, ainda mais considerando que eu te tratei mal como se a culpa fosse sua. Me desculpe.

Eu estava com lágrimas nos olhos. De repente, eu não me importava. Eu não dava a mínima para o fato de que John, o cara por quem eu estive ridiculamente apaixonada nos últimos 4 ou 5 anos, ter cuidado de mim e ficado comigo quando eu levei uma facada e poderia ter morrido. Por que quem tinha mesmo que estar comigo era Jeff.
Jeff, o meu melhor amigo, quase irmão
O cara que sempre me apoiou
Sempre esteve ao meu lado
E, mesmo que talvez não seja do mesmo jeito que ele, eu percebi nesse momento, mais do que nunca, que eu amo Jeff. E se estar apaixonada por John significa que eu posso perder isso, que eu possa perder ele...
Talvez estar apaixonada não valha a pena.
Eu o abraço, com todas as minhas forças, com lágrimas bobas e emotivas escorrendo no rosto, umedecendo a camisa dele.

— Hey, — eu rio baixinho, enxugando as lágrimas — pode parar. A drama queen aqui sou eu.