Liverpool
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O cão gigante rosnou para mim mostrando seus enormes dentes.
- Ei, amigo, calma.
Disse gesticulando com as mãos , mas, não teve efeito nenhum. O monstro latiu para mim.
- AU, au, au!
Um latido tão alto que tive que tampar meus ouvidos.
Ele se abaixou sobre as patas da frente, enquanto continuava rosnando para mim.
Ele olhava para mim como um mendigo olha para um pedaço de pão, e isso não é legal.
Eu me virei devagar, mas e ele rosnou para mim, eu respirei fundo então comecei a correr.
Eu corria o mais rápido que conseguia, e o monstro vinha atrás, derrubando latas de lixo, destruindo gramados, derrubando alguns pedestres que ficavam sem entender nada.
Minha garganta começou a arder, mas eu não podia desistir tinha que chegar em casa.
Eu estava a vinte passos do portão quando minhas pernas falharam e eu cai de cara no chão, tentei me levantar mas não tinha mais, virei meu corpo para cima e assim que o fiz, o cão saltou em cima de mim me deixando embaixo enquanto caia baba no meu rosto.
-ECA!- disse passando a mão pelo rosto
Eu fiquei olho a olho. Minha voz estava presa no meu pescoço.
Fechei meus olhos com força, esperando pela morte.
Escutei o sem de algo se despedaçando e pensei ter sido os meu osso, não senti dor, e implorei para Deus que fosse rápido. Mas, ao invés disso senti um pó cair no meu rosto.
Abri os olhos e percebi que ainda estava vivo, me levantei com dificuldade e olhei , procurando quem havia salvado a minha vida, a rua estava totalmente deserta a não ser por mim e um montinho de pó dourado.
Me sentei pensando se tudo não tinha sido por causa de uma comida infectada com cogumelos ou algo assim. Mas, assim que fui me levantar, minha perna doeu.
Voltei a me sentar no chão, e levantei a calça devagar para ver o machucado.
- Que horror!
Eram arranhões profundos que iam desde o joelho até o tornozelo, ele ainda estava branco, mas assim que comecei a levantar a calça ele começou a sangrar.
Me levantei desajeitado, e fui mancando até chegar em casa , que de repente ficou muito longe.
Eu a abri e fui escorando na parede até chegar ao banheiro no andar de baixo. Me sentei na tampa do vaso enquanto tentava tomar a coragem necessária para enfrentar o ardor que a água causaria.
-Jhon? É você querido?- perguntou minha mãe passando na porta do banheiro que estava aberta-O que aconteceu?
Eu tentei dar um sorriso para acalmar ela mas deve ter sido pela cara horrível que ela fez.
-Sua calça! Você se machucou.-disse um pouco apavorada e tentou levantar a calça para ver mas parou ao escutar meu grito.-Vem, vamos temos que ir a um hospital.
Minha mãe me ajudou a chegar ao carro, e bicho,tenho que admitir uma das melhores coisas que inventaram foi a anestesia. Não senti nada! E nem percebi quando cheguei em casa.
Eu estava deitado na minha cama quando minha mãe entrou com biscoitos e leite.
Eu me sentei desajeitado.
-Como está se sentindo?- perguntou enquanto fazia um carinho na minha cabeça.
-Bem- respondi pegando um biscoito.
-Jhon...o que fez isso a você?- sua voz estava preocupada
Eu fiquei alguns segundos imaginando o que falaria.
- Foi...um cachorro,bem grande- respondi mergulhando o biscoito no leite.
Ela olhou para baixo como se estivesse refletindo sobre algo.
-Mãe?!- chamei
-Ah...sim-ela sorriu-me desculpe, eu estava apenas lembrando de algo.É melhor eu ir, você tem que descansar.
Ela saiu e eu acabei pegando no sono.
Acordei no meio da noite, quando escutei um barulho. Acendi o abajur. E antes que desse conta tinha uma garota de doze anos sentada na minha cama e tapando a minha boca com a mão.
-Eu vou tirar mas você tem que ficar calado.Entendeu?- eu afirmei balançando a cabeça.
-Quem é você?- perguntei falando baixo.
A garota havia se afastado e estava sentada em uma cadeira perto da janela. Devia ser asiática pois seus olhos eram tão puxados que não dava para ver a cor deles.
- Fui eu quem salvou você.-respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Eu pisquei algumas vezes para ter certeza de que havia mesmo alguém ali.
- E o que era aquilo?- perguntei ficando sentado reto.
- Um cão infernal – disse enquanto andava pelo quarto e olhava meus desenhos.
- E o que seria isso?
Ela soltou um suspiro e se virou para mim mas mantinha uma postura de superior.
-É um cão de hades.-eu abri a boca para perguntar quem era hades mas ela continuou falando- Hades é o deus grego do mundo inferior.E antes de perguntas idiotas vou direto ao assunto.Você é filho de um deus grego.
Ela ficou para por alguns segundos, e eu teria achado maluquice se minha perna não tivesse voltado a doer.
Ela de repente virou a cabeça e pareceu ficar preocupada com algo.
Ela tirou a pulseira e colocou em cima da mesinha onde eu costumo fazer as tarefas.
- Agora eu não devo mais nada ao seu pai.- Ela ia saindo pela janela de novo mas antes que saísse eu perguntei qual era o seu nome.
- Yoko Uno.- respondeu então saltou a janela
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