Live fast. Die young. Be wild. Have fun.
2 When The Days Are Cold
Notas iniciais
Éramos um quarteto, hoje somos fragmentos de uma amizade.
Uma das fases mais complicadas da minha vida, não sei dos que participaram dessa “tragédia”, mas de minhas parte foi quase insuportável, tinha muito olhos nas minhas lágrimas, se é que me entende. Foi uma época triste, não tem um final de ano que eu não faça um pedido para trazer tudo que se foi. Infelizmente não acredito em mágica.
Sempre fomos amigos, quatro amigos, para ser exata; Eramos: Eu, Leeh, Léo e a Thainara. Aquele tipo de amizade que não tem limite, fazíamos coisas incríveis juntos, até que tudo acabou.
Vamos começar pelo começo, não quero me perder na minha própria poça de autopiedade. Quem quer? Bom, talvez eu queira...
Não me lembrava de como conheci a Leeh, tive que perguntar à ela, e agora tudo faz sentido. Conheci ela por via de brinquedos, irônico, pois conheci o Léo pela mesma via. Começos levam a um fim, não? Não sei sobre o destino, mas algo me impulsionou a isso e foi bom ter brincado com ela e com os outros, pois os conheci a partir dali.
A Leeh sempre foi a garota dramática, ela irá negar até o dia de seu enterro, mas por dentro ela sabe que é verdade. Garota problemática desde o dia que a conheci, acho que na época ela tinha uns 11 anos, tinha sérios problemas para se relacionar conosco, ela praticamente controlava as brincadeira, brigava com todo mundo, demorava semanas para nos reconciliar, e com iniciativa nossa, claro, mesmo que por dentro ela estivesse morrendo para brincar a gente. Mas teve um dia que a compreendi.
Em meados aos 12 anos ela meio que sofreu um pequeno bullying, até eu participei disso, não me arrependo, até porque: ”Perco o amigo, mas não perco a piada”, talvez esta última seja mentira, talvez não... Todos resolveram chamar ela de hipopótamo roxo, a origem desse apelido não vem ao caso, mas na época era bem engraçado. Ela ficou chateada por todos estarem chamando ela daquele jeito e em meio à uma brincadeira ela resolveu ir embora, bom, posso ser uma porcaria em me expressar ou demonstrar afeto a alguém, mas eu vi em sua expressão que estava realmente chateada, e aquilo me machucou também, afinal não sou de aço. Pode parecer que sou a rainha do gelo... Bom, talvez eu seja.
Resolvi ir com ela, e nos sentamos em frente a sua casa, não sabia o que realmente estava fazendo lá, mas sabia que deveria ficar. Era pra eu ter ido continuar a brincar, mas meio que esperei que ela falasse comigo, então com alguns puxar de assunto ela resolveu se abrir comigo, – lhes garanto que eu ficaria muito mais estilosa com um Bolivar entre os dentes e um copo de Jack Daniels na mão escutando o que ela estava dizendo –, não quero falar sobre o papo que tivemos pois era algo pessoal dela, mas sempre soube que as brigas e implicações nas nossas brincadeiras eram provindas de uma tal carência emocional monumental. Desde esse dia sempre tentei ser mais compreensível, pois sabia o que ela passava, ou passou. Ela sabe que não direi a ninguém o que vi e ouvi, sou uma garota de palavra, sempre que precisar ela sabe que pode contar comigo.
A situação foi se enrolando, posso afirmar que nossa amizade era realmente algo épico, coloque ênfase no ERA, talvez eu tenha esperanças de que algum dia possa voltar ao É.
Thainara era a garota cabeça da turma, pensava em tudo, era intelectual, mesmo para a sua idade na época. Sempre disse que seria uma ótima psicologa, sempre ouvia nós, principalmente a mim. Bom, talvez terapeuta, pois é uma boa ouvinte. Sabia como se expressar, e sempre tinha ideias novas, e levava as coisas a sério demais algumas vezes. Tenho uma admiração profunda e um respeito eterno por ela, jamais irei esquecê-la. Algumas vezes ela vinha me chamar e ficávamos na frente de casa conversando sobre coisas monótonas e sem importância, mas era muito proveitosas.
O dia que eu soube que ela tinha trombado de bicicleta com meu irmão foi um choque, eu não sabia o que tinha acontecido, mas eu não sabia se dava risada ou se chorava, sou do tipo que não sabe agir de outra maneira se não a rir. O bom é que não sofreu algo sério, apenas alguns pontos, e meu irmão também estava bem.
Ela é uma das poucas pessoas que sabe o que passei, quando eu contava soava como uma coisa normal e com consentimento, mas era totalmente o oposto do modo que soava parecer, e talvez ela tenha entendido, talvez não, mas confiei o bastante para deixá-la entrar numa parte do meu suposto coração.
Eu ia falar sobre o Léo, mas enfatizei muito nossa história um pouco atrás, e assim achei desnecessário ficar enchendo mais minha nostalgia.
Tudo realmente desabou após uma briga entre a Thainara e a Leeh, não sei se ambas se desculparam depois de toda “tragédia”, mas nunca soube o porquê da Thainara ter parado de falar comigo. Foram dias difíceis, são dias difíceis, alias. Fui uma total idiota, me culpo até hoje por algo que possivelmente só bolarei teorias do motivo, pois não sei nada de como foi dar nisso. Fui realmente até o inferno e voltei nesse meio tempo, não tinha um dia que não ficava numa vibe de tristeza. Parecia que algo estava faltando, mas eu não sabia o quê. Perder uma amizade é muito complicado, principalmente com meu histórico sociopata. Bom, talvez eu não tenha perdido a amizade, pois nunca soube se a tinha, e não se pode perder algo que nunca teve, não?
No fim não eramos quatro, eramos apenas um. Mas infelizmente uma bomba explodiu e nos dividiu. As memórias são quentes, e talvez precise ser congeladas num passado remoto, mas não há uma palavra escrita aqui que não tenha uma lágrima de tristeza. Passado é passado, mas a tristeza é recente.
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