Little Secret
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Luke's P.O.V.
Ser professor da faculdade tem sido interessante. Medicina e ensinar são minhas paixões--fora a Sofia, claro--, mas tem sido bem difícil conciliar isso com a nossa relação de casados, já que ninguém pode saber do nosso segredo, ou minha carreira, assim como a reputação dela, correria riscos.
Há alguns dias prometi levar a Sofia a um acampamento, mas acabei omitindo o fato de a faculdade estar organizando tudo. Foi uma forma que o instituto achou de desejar as "boas-vindas" aos novatos, ou seja, ao contrário do que ela pode estar pensando, nós não iremos passar o fim de semana sozinhos. E esse--uma quarta-feira, feriado--seria o dia em que os professores e coordenadores que estavam elaborando o evento visitariam a casa, para resolver os últimos detalhes e deixar tudo preparado para a recepção dos alunos.
A casa ficava perto da praia, sendo bem ventilada e tranquila: perfeita para dar a festa desejada pelos que iam. Observamos tudo, planejamos todos os detalhes e começamos a decorar o ambiente. No meio de toda a bagunça, alguém acaba atingindo as telhas com o equipamento de som e deixa um buraco no teto. Isso nos fez adiar tudo e mudar a programação por completo, além de pagar pelo serviço de manutenção. Pelo menos o dono não desistiu de nos alugar a residência.
A tensão causada por toda aquela situação nos fez trabalhar com uma eficiência quase nula e resolvemos deixar para outro dia, quando o teto já estivesse consertado.
Entrei no carro, botei a música em um volume alto, e tomei o meu rumo para casa, tranquilamente. O trânsito resolveu cooperar comigo e estava ótimo, sem muitos carros nas ruas, então cheguei ao meu destino rapidamente, apesar de já serem dez horas da noite.
Ao abrir a porta, deparei-me com aquele ser maravilhoso sentado no sofá, enquanto assistia a algo que não consegui identificar--deveria ser algum programa daquele canal que mulheres geralmente assistem: a Discovery Home & Health--. Quando notou a minha presença, abriu um sorriso para mim e se levantou vindo em minha direção. A envolvi com meus braços e puxei-a para um beijo. Até hoje não descobri como a Sofia consegue fazer com que eu me apaixone por ela a cada dia que passa e esse sentimento apenas cresce.
–- Olha só quem resolveu chegar... -- ela disse em um tom brincalhão, ainda com os braços ao redor do meu pescoço -- Como ficou resolvido o acampamento?
–- Então... O acampamento... Tem algo que você precisa saber, antes de chegar lá e ficar chateada. -- ela me olhou confusa, franzindo a testa
–- E que seria... -- tirou seus braços dos meus ombros e gesticulou com a mão, fazendo um sinal para que eu continuasse
–- Bom esse acampamento é aquele organizado pela faculdade, que é pra dar as "boas-vindas" -- fiz as aspas com os dedos -- aos alunos novatos... Aquele que eu vivia falando para você. Então, sim, terão os típicos vários alunos. -- prendi a respiração, ansioso pela resposta, mas ela apenas inclinou a cabeça para o lado
–- Hum... Ok. -- suspirei, aliviado -- Aguento o fim de semana sem encostar em você. -- Droga! Havia esquecido esse detalhe. Maldita regra que não deixa professores terem relacionamento com alunos, tenho raiva de que a criou.
–- Mas ainda tem mais.
–- Lá vem... Fala.
–- Tudo foi adiado para o outro fim de semana, porque alguém atingiu o telhado com o equipamento de som e as telhas tiveram que ser trocadas.
–- Certo... Então o que fazemos nesse fim de semana?
–- Não fazemos... Desculpa amor, passarei o fim de semana organizando isso... E corrigindo trabalho... E elaborando prova... E -- ela falou antes que eu pudesse continuar
–- Certo, já entendi. Nós ficaremos em casa. -- ela ficou chateada. Segurei o rosto dela com as mãos
–- Não se preocupa. Prometo fazer alguma coisa para a gente, mesmo que seja em casa.
Falando isso, dei um beijo na testa dela e saí em direção ao banheiro, pois realmente precisava de um banho. Ao entrar no quarto, Sofia já estava adormecida, então aproveitei para observá-la um pouco. Como no dia seguinte haveria aula, também resolvi dormir. Deitei-me ao lado dela e a envolvi, em uma tentativa de protegê-la de seus pesadelos frequentes.
No dia seguinte, ela acordou antes de mim, me despertando logo em seguida e, dessa vez, eu não chegaria atrasado. Dei um beijo de "bom dia" nela e corri para o banheiro, pois não queria me atrasar. Terminei antes dela, porque, como toda boa mulher, a Sô demora a se arrumar, e sobra para quem? Para o marido, que tem que esperar.
Cerca de 10 minutos depois, ela apareceu na sala com o material e seguimos para o carro, de mãos dadas. Conversamos bastante, como sempre e, ao chegar à escola, estacionei a umas três quadras de distância, dei um beijo e nela e deixei que ela saísse antes, para que ninguém nos visse juntos.
Ao entrar na sala, a aluna que eu ainda não sabia o nome correu para me barrar e puxou um assunto aleatório, apenas por querer conversar. Dei um olhar de "me ajuda" para a Sofia, que não estava com uma cara muito boa--já falei como ela fica fofa, quando está com ciúmes?--pigarreei e então disse:
–- Por que não vai se sentar? É melhor começarmos logo a aula.
Ela encolheu o sorriso e logo foi se sentar.
Virei-me para a turma e disse:
–- Bom dia a todos -- recebi uma resposta em coro -- Antes de começar a aula, vou passar um recadinho que a coordenação pediu para eu dar a vocês. Então, a festa de "boas-vindas" aos novatos será adiada, por problemas com a casa, mas acontecerá no outro fim de semana. Era só isso, alguma pergunta? -- A mesma aluna do início levantou o braço -- Pode falar.
–- O senhor, quer dizer, você vai? -- Vi uma Sô irritada virar-se para a menina com a pior cara possível. Percebi que comecei a corar, então abaixei a cabeça rapidamente e virei-me para a lousa, como se estivesse procurando algum pincel e respondi:
–- Todos os professores e coordenadores responsáveis irão, para a segurança de vocês -- dei ênfase, ao perceber as segundas intenções da garota.
–- Então eu vou -- alguns se assustaram com a resposta dela, outros se viraram para olha para ela e ainda escutei umas risadinhas das amigas dela.
Levantei a sobrancelha esquerda, pigarreei e, quando ia começar a aula, a Sofia levantou o braço e rapidamente pediu para que pudesse sair. Aquilo havia afetado a ela, o que não era nada interessante, porque também me afetaria. Respirei fundo, observei ela sair da sala e dei continuidade à aula.
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