Notas iniciais
Escrevi esse de madrugada, fiquei tão empolgada com os comentários rsrs

— Viemos aqui para buscar suprimentos e sabe o que isso significa? Entrar e sair quieto, não sair atirando como um louco pela rua. --- o moreno comentou irritado e nos empurrando para frente da loja de conveniências, me surpreendi com a quantidade de nojentos por ali e eles queriam quebrar o vidro. Sim, eu chamo os zumbis de nojentos porque é a pura verdade. --- Todos os zumbis da redondeza foram atraídos por causa dos tiros.

— Vocês soaram os sinos do jantar! --- Andrea disse desesperada e eu tive uma vontade louca de dar um soco na cara dela. Estava certo que a situação era bem ruim, mas não precisava desse drama todo, já passei por coisas bem piores.

— Ah qual é cara! Se não tivéssemos feito isso estaríamos mortos na certa. --- comentei irritada e a loira azeda fez cara feia para mim. Hum como se eu me importasse muito, queridinha.

Ouvimos mais tiros vindos do telhado e eu fiquei confusa por um momento, esse grupo era bem doido já que crucificaram Rick e eu pelos tiros que usamos para salvar nossas vidas, mas deixavam outro deles fazer isso.

— Dixon! --- o homem negro que eu não sabia/lembrava o nome gritou para o louco no telhado e nós o seguimos --- Merle, mas que merda você está fazendo? Gastando munição que não temos e atraindo mais deles para cá!

— Ei calma aí. É melhor ser educado com um homem armado, é uma questão de bom senso. Já não basta eu ouvir ordens do mexicano o dia todo vou acatar ordens vindas de você? Acho que não, bro! Tá pra nascer o dia.

— "Tá pra nascer o dia"? --- o outro comentou irritado.

— Quer saber o dia? Vai ser no dia que eu receber as ordens de um criolo.

Foi aí que o pandemônio começou, um foi para cima do outro trocando socos, as duas mulheres do grupo agitadas como menininhas agitadas e eu observando a situação, de novo me pergunto: Em que merda fui me meter? Passei a mãos pelos meus cabelos pretos curtos e respirei um tanto nervosa por conta daquilo tudo que estava acontecendo nesse mundo louco, eu só queria encontrar meus irmãos e tinha que lidar com dramas de outros que nem ao mesmo conhecia.

— É, tá legal. --- Merle disse um pouco mais calmo, no entanto não menos doido --- Vamos ter uma conversa agora. Vamos falar sobre quem está no comando, eu voto em mim. Todos a favor? --- ele insistiu mesmo que só uma mulher negra levantou o dedo do meio pra ele e a vadia da Andrea concordou com a ideia --- Isso quer dizer que eu sou o chefe agora. Alguém mais vai me enfrentar?

— Ah cala a boca, lixo humano! --- disse irritada dando um soco na cara dele e quando percebi logo em seguida o Rick havia dado um "soco" com o cabo da espingarda nele e o mesmo caiu no chão como uma batata assada, ri internamente com isso já que sem querer foi um belo trabalho em dupla, apesar de uma leve dó porque a dor de cabeça que o caipira sentiria seria horrorosa e um pequeno sorrisinho surgiu em meus lábios quando o vi acorrentando o Merle a um cano, ah esse era um bom castigo.

— Quem é você cara? --- ele cuspiu na cara do Rick --- E a vadia que me deu um soco? Se bem que você é bem gostosinha. — me mediu da cabeça aos pés e passou a língua pelos lábios — Não quer dar uma rapidinha comigo ali não?

— Ei! Mais respeito comigo seu imundo! --- exclamei nervosa e lhe dando um chute na perna.

— Sou policia cara! E as coisas são diferentes agora, não tem mais negros e branquelos lixos como você. Só nós e os mortos, vamos sobreviver se trabalharmos juntos.

— Desiste Rick, esse aí é mesmo um imbecil, não tem jeito. --- neguei com a cabeça e me afastei enquanto eles discutiam e alguns do pequeno grupo me seguiam --- Ainda acho que isso não vai dar certo e se ouvir esse porco imundo me dando essas cantadas de merda vou cortar o pau dele fora.

— Você é mesmo diferente. --- Gleen comentou rindo baixinho --- Er, Isabella...

— Hum? --- murmurei distraída enquanto olhava e pegava algumas roupas e o que achava interessante ali e colocava numa mochila pequena que tinha encontrado na lojinha. --- O que foi?

— Até que foi bom te conhecer. --- ele sorriu tímido e eu sorri de volta.

— Foi bom te conhecer também, Gleen. --- deixei um pequeno sorriso escapar de meus lábios. --- Hum, me deixe perguntar. Onde está o restante do seu grupo? Pelo que vi estavam fora da cidade.

— É. Mais ou menos isso, viemos pegar suprimentos, estamos numa espécie de acampamento na pedreira, no meio das montanhas.

— E lá é seguro?

— Até que é bem seguro sim, não apareceu nenhum zumbi por perto até hoje.

— Certo, quando isso acabar eu vou com vocês e não quero nem saber.

Acho que ele estava pensando: Quem é essa garota magrela, miúda, com cabelo preto curto desgrenhado, roupa de motoqueiro e olhos azuis esverdeados pensa que é para ir se intrometendo nas coisas? Se bem que ele não poderia reclamar de muita coisa, tendo em vista que ele salvou nossa vida no meio daquela loucura toda com o tanque e os nojentos de merda.

Mas fazer o que? Eu não sobrevivi ao apocalipse por falta de precaução. Ok talvez fosse uma falta de cuidado de minha parte ignorar o que se passava na TV e o chamado dos meus superiores, fui muito egoísta e agora meus irmãos estavam longe de mim, porém eu ia mudar isso. Se bem que eu tinha a mania de cuidar dos detalhes e às vezes não olhar para o quadro geral e não era como se fosse possível eu controlar onde meus irmãos estariam porque eu nem trabalhava para o exército.

Descobri que o T-Dog era quem havia apanhado do Merle e ele continuava tentando entrar em contato com os outros pelo rádio. A mulher morena era Jacqui que comentou que talvez poderia ter uma saída pelos esgotos, eu não queria ficar fedendo só que no momento era melhor do que ser morta por um errante. Eles os chamavam de errantes, eu os chamava de nojentos, mas até que esse era um bom nome.

— Era aqui. --- Gleen disse nos guiando até o pequeno túnel --- Me lembro da primeira vez que vim aqui nunca não desci. Mas também quem é que iria querer fazer isso né? --- ele riu baixinho sem graça e logo ficou meio assustado quando todos olharam para ele.

— Você quer que eu vá com você, Gleen? --- perguntei para fazer com que ele se sentisse melhor, a verdade era que não queria muito entrar naquele buraco fedido e internamente implorava para que ele dissesse que não.

— Não Isabella! Você fica aqui com os outros, eu vou com o Morales – que era o mexicano e havia tentado acalmar a situação do primeiro momento entre a loira e nós – Trate de se cuidar e não faça nenhuma besteira até eu voltar.