Resolvi dar uma volta pelo lugar, fazia tempo que eu não vinha aqui e mesmo assim nada parecia ter mudado. Fui até a sala de recreação até que vi o Shane tentando agarrar a Lori à força, ela o arranhou e ele saiu bufando dali. Por sorte minha, nenhum dos dois me viu, mas que porra é essa que eles estavam fazendo? Traindo o Rick bem debaixo de seu nariz?

Caminhei lentamente pelo corredor como um fantasma, alguns já deviam estar dormindo por estarem esgotados, porém eu ainda estava levemente alterada pelo vinho, um pouquinho animada demais para poder ficar quieta e não conseguia dormir. Quando passei pelo quarto do Daryl que ficara de frente ao meu, ele me puxou e me prendeu na parede.

— Já disse que você é bonita, Östen? --- ele disse com voz rouca em meu ouvido e me arrepiei com isso.

— Não. Você também é muito bonito, Dixon. --- sorri para ele que retribuiu com um sorriso malicioso, me encarando com aqueles lindos olhos azuis.

— Chega de conversa, Isabella.

Ele prendeu minhas mãos na parede, pressionando seu corpo contra o meu e me esmagando ali, fazendo uma leve pressão gostosa de nossas intimidades. Sua boca deslizou para o meu pescoço onde deu pequenas mordidas e chupadas, uma mão deslizou para minha coxa e a prendeu em seu quadril.

Nunca imaginei que isso poderia acontecer, mas eu apenas aproveitaria. UM: porque eu estava na seca há muito tempo. E DOIS: Até que o Daryl era um homem muito bonito. Deixei um pequeno gemido escapar de meus lábios e isso pareceu o atiçar ainda mais, passei minhas mãos pelo seu cabelo e o puxei para mais perto, sem esperar mais um segundo ele colou seus lábios nos meus em um beijo arrebatador.

Nós podemos nos derreter com apenas um beijo? Era o que estava acontecendo ali, Daryl e eu... Estava virando manteiga derretida em seus braços e nem poderia fazer algo contra aquilo, esse homem realmente me desarmou.

[...]

Acordei no outro dia com uma ressaca enorme, uma dor de cabeça pior ainda. Oh meu Deus! Eu e o Daryl nos beijamos! Aliás, por conta da pegada dele, podia-se dizer que quase nos comemos no meio do corredor. Como eu iria encará-lo depois disso? Calma, fica fria. Foi um beijo, você já beijou antes e os dois estavam bêbados. Sem surtar, Isabella.

É, mania maldita de ficar discutindo comigo mesmo. Parei com esse monólogo interior, fui ao banheiro, escovei os dentes, joguei uma água no rosto, voltei para o quarto, troquei de roupa – uma regata preta e um pequeno short jeans – e caminhei rumo para o refeitório. Não era brincadeira não. Todos estavam numa ressaca monstro, menos o Carl e a Sophia é claro que não beberam nada. T-Dog estava fazendo ovos e pedi alguns para mim, Gleen disse que não era para nunca mais o deixar beber tanto assim.

— Relaxa Gleen, aproveita. Não é sempre que vamos poder encher a cara assim. --- comentei dando um tapinha em suas costas e todos riram.

Daryl apareceu por lá e eu corei automaticamente ao me lembrar do que fizemos, Shane logo o seguiu com a marca de arranhão no pescoço. Bem, a Lori fez um belo estrago nele. Eu teria o matado na primeira oportunidade, mas não podia é claro.

[...]

Dale fez algumas perguntas para o Jenner que respondeu da melhor forma possível, ele nos mostrou alguns slides de programação de um cérebro. Daryl disse que precisava de uma bebida e eu concordei com ele na hora, até eu precisava para poder absorver aquilo tudo.

Mais uma vez o Dale perguntou sobre o relógio com contagem regressiva e pelo o que eu sabia aquilo iria dar merda. Os homens saíram para olhar o quanto de combustível tinha e logo as luzes apagaram e um alarme começou a soar. Merda, isso não era nada bom! Jenner nos prendeu no salão de computadores e disse que éramos para morrer ali, um breve momento por conta da explosão. Sem dor. Sem sofrimento.

— Isabella. --- Jenner se virou para mim --- Por que ainda insiste nessa vida? Sabe os perigos do mundo lá fora. Geovana, sua mãe e minha esposa, morreu por causa deles. Acha que ela queria isso para você?

— Não fale dela, maldito. --- eu quase rosnei e apontei um dedo para ele --- Ela não pode ser considerada minha mãe, e espero que ela tenha sofrido muito. Eu não quero morrer aqui, suicídio não é a saída. Não nos tire essa opção.

Ele ficou em silêncio por um momento e nos soltou em seguida, apenas para avisar que as portas estavam trancadas lá em cima. Não demos a mínima para isso, queríamos era viver e isso importava. Ele me puxou e Rick e disse um segredo para nós, aquele segredo nos iria pesar nos ombros por um bom tempo.

Corri para o meu quarto, peguei minhas coisas e quase dei de cara com o Daryl, ele acenou para mim e eu o segui. Fomos buscar os outros lá, mas Jacqui e Andrea quiseram ficar, saímos correndo para a recepção, os meninos tentaram quebrar o vidro, mas não conseguiam de jeito nenhum.

— Rick! --- eu dei um gritinho agudo que até me assustou --- Lembra de quando ficamos presos no tanque em Atlanta?

— Não é hora para nostalgia, Isabella! --- Shane disse agitado e eu quis dar uma voadora nele.

— Cala a boca, Shane. --- exclamei irritada --- Rick, você se lembra? As granadas!

— Isso mesmo! --- ele pegou a granada que a Carol entregou e explodiu o vidro.

Corremos feitos loucos para nossos carros, foi quando percebi que o Dale havia ficado para trás. Quase tinha perdido as esperanças quando o vi e Andrea correndo para fora do CCD e logo tudo explodiu, a força daquela bomba era coisa de louco. Levantei ao mesmo tempo em que o Daryl e nossos rostos estavam próximos, eu não sabia o que fazer com ele desde que nos beijamos, preferi ignorar esses pensamentos conflitantes.

Por fim Dale, Andrea, Shane, Rob, Gleen e T-Dog foram no trailer, imagino que eles estavam apertados ali; Carol, Sophia, Lori, Carl e Rick num carro, enquanto eu e o Daryl na caminhonete com as motos. Todos rumo ao desconhecido e em busca de algum lugar seguro, com a esperança sendo nossa guia.