— O que foi Isabella? Algum problema? --- Shane disse meio irônico e respirei fundo tentando encontrar alguma calma oculta em mim.

— Não, nenhum problema e fica quietinho aí na sua. Pelo o que eu sei do CCD é bem seguro sim e se ainda houver algum tipo de governo ou algo assim, eles o iriam proteger até o fim.

— E como você sabe disso? --- Rick perguntou curioso e logo sua expressão suavizou ao se lembrar --- Você era agente do FBI.

— Nem brincando! --- Shane comentou zombeteiro e eu estreitei os olhos, completamente irritada.

— Rob, trás pra cá! --- apenas olhei para ele e o mesmo sabia que era o meu distintivo --- Agora Robert, agilidade meu filho.

Ele o trouxe para mim e sorri irônica para o Shane, mostrei para todos o meu lindo e doce distintivo.

— Está vendo isso aqui, Shane? É a minha credencial do FBI, Agente Especial Isabella Adahy Östen Klein.

— Em que área trabalhava? --- Dale perguntou curioso.

— Homicídios. --- dei de ombros quando todos me encaravam assustados. --- Mas isso não vem ao caso agora, o CCD pode ser uma boa escolha por hora.

— Isso é só um sonho. O melhor que podemos fazer é ir para o Fort Benning. --- Shane disse contrariando a mim e ao Rick, eu realmente tinha uma vontade imensa de dar uma surra nele.

— Vocês são idiotas, vão buscar uma aspirina que eu cuido disso. --- Daryl disse irritado e indo para cima do Jim, quando me enfiei no meio dos dois e o Rick apontou uma arma para a cabeça dele.

— Não matamos os vivos, Daryl.

— Engraçado isso vindo do homem que está com uma arma apontada para a minha cabeça.

Daryl soltou a picareta no chão e se afastou, quando ouviu um sermão do Shane também. Soltei um suspiro pesado porque sabia o quanto era chato um sermão dele, olhei para Jim com pena e ele sorriu em agradecimento. Não sei nem porque fiz isso, digo... Protegê-lo. Ele iria morrer mesmo de um jeito ou de outro. Resolvi continuar a ajudar com os corpos, Daryl se aproximou com a picareta na mão e o observei com o canto dos olhos.

— Por que fez aquilo? Se enfiou no meio da gente? --- ele perguntou sério como sempre e eu apenas dei de ombros.

— Sei lá, foi impulso. Não sei por que fiz aquilo, instinto não sei. Me pareceu o certo na hora. E obrigada por não me matar, eu acho.

— Você é louca mulher. --- ele negou com a cabeça e vi um breve sorriso surgir em seus lábios --- Não quero te matar também, eu acho. Pelo menos não agora.

— Oh obrigada incrível caçador. --- respondi irônica e ganhei uma pequena risada dele, o que me surpreendeu porque foi um som gostoso de ouvir e bem sexy também.

Carol matou o marido dela e estava chorando quando o fez, não sei ainda porque ela chorou pelo desgraçado, ele só a espancava e pelo jeito era um péssimo marido e pai. Nunca vou entender essas mulheres que ainda insistem em ficar com os maridos abusivos.

Ouvi o som do tiro e meu coração se apertou um pouco por Andrea e Amy, não era nada fácil perder a família, eu que o diga. Esse raio de doença ou sei lá o que diabos era, não perdoava ninguém, poderia ser qualquer um, leva as pessoas que amamos sem dó nem piedade e acho que era isso que me enchia de raiva.

[...]

Morales e sua família resolveram seguir outro caminho para reencontrar alguns parentes, enquanto Carol, Sophia, Lori e Rick iam num carro; Rob, Gleen, Jacqui, Jim e Dale iam no trailer, T-Dog e Andrea num carro, Shane no seu jipe. Estava pronta para subir na minha moto quando Rick assobiou e acenou para mim com a mão.

— Bella você não acha melhor colocar a moto na caminhonete do Daryl e ir junto com ele? Assim economiza mais gasolina.

— É, pode ser. --- olhei para os dois meio sem jeito e corando --- Tudo bem vamos logo com isso.

Daryl me ajuda a colocar minha moto linda e perfeita na traseira da caminhonete junto com a moto dele, assim que entramos no carro ele deu partida e começou a dirigir. Fechei os olhos e pude finalmente aproveitar o calorzinho gostoso do sol e a brisa fresca que vinha pela janela e bagunçava o meu cabelo. Cantarolava Highway to Hell quando abri os olhos e dei de cara com o caipira me encarando, corei na mesma hora, sentindo minhas bochechas esquentarem.

— O que foi? --- perguntei meio sem jeito e colocando uma mecha do cabelo para trás da orelha.

Ele não me respondeu, apenas sorriu com o canto da boca. Alguns minutos depois paramos na estrada, pelo que pude ver o trailer estava com problema técnico, Jacqui disse que o Jim não aguentava mais. Todos começaram a discutir sobre isso quando o homem disse mesmo que queria ficar para trás, que tudo estava "bem".

— Qual a razão de nos encontrarmos de novo nesse fim de mundo e você não viajar comigo? --- Rob disse apoiado no trailer e estava meio carrancudo quando fiquei ao seu lado na sombra.

— Por que isso agora, Rob? Passamos 4 anos morando juntos, 3 deles namorando você. Por que esse drama todo agora?

— Não gostei muito do Daryl. Tem certeza que está bem viajando com ele?

— Estou sim, relaxa Rob. --- revirei os olhos e lhe dei um leve tapa na cara --- Pare de ciúme, ouviu bem? Cuide-se e cuide do velhinho por mim, vou voltar para a caminhonete.

— Você gosta dele, não é? --- ele disse estreitando os olhos esverdeados para mim e eu bufei irritada.

— Não seja idiota, Robert! Você está ficando mais doido do que já é, pare de besteira.

— E quanto ao CCD? Acha que ela está lá? --- ele perguntou mudando de assunto e eu apenas dei de ombros --- Bella é sério. Acha que a Geovana está lá?

— Não sei, mas se ela estiver prefiro que esteja morta. --- disse em tom seco e segui para a caminhonete onde Daryl me esperava, ele me viu tensa, ficou desconfiado e não perguntou nada.