Lis...

1 Capítulo 1


Nos víamos. Sempre. Não conversávamos. Estranhas. Não trocávamos olhares. Não chegava a ser uma conhecida. Não sabia os gostos. Tudo era superficial.

Andava com poucos. Ela era tímida. Eu apenas não chegava perto.

Todos os dias era a mesma coisa, eu acordava, me arrumava, ia para aquela sala cheia de olhares, mas não eram os nossos que se encontravam. Naquele lugar todos se expuseram em algum momento, todos já se sentiam conhecidos uns dos outros, sabiam os nomes.

Eu sabia o nome dela, ela sabia o meu nome, mas não nos conhecíamos. Saiu um novo romance e ninguém próximo havia lido, até que um dia, numa rede social, descobri que ela havia lido. Foi encantador. Passamos noites trocando e tecendo comentários sobre a obra. Criamos a nossa história, sem saber, sem intenção. Só deixando o tempo nos tomar sem percebê-lo. O assunto se expandia dia após dia. Eram os bons dias e boas noites mais belos. Como poderiam não ser? Eram dela.

Não percebia o meu sentimento, amizades brotam da mesma forma. Mas aquele sorriso encantador foi tomando a minha alma e o olhar, ah... o olhar... percorria as minhas entranhas, passava por cada veia.

Não entendia o que estava acontecendo. Não queria entender. Achava que no momento que percebesse o que era toda aquela maré de sentimentos, perderia todo o encanto. Melhor ter uma amiga. Não queria que aquilo se tornasse um nada.

Os dias foram passando. Abraços apertados, sorrisos intensos, olhares, eu, ela, nós. Me perdi em mim quando a encontrei. Não me acho desde aquele dia fatídico em que nos conhecemos de verdade. Na verdade, não se se é verdade. Na verdade, nem me sei.

A maré que há em nós foi abaixando, nada aconteceu além do medo de dizer tudo isso. Agora eu me perdi sem ela. Ela não sabe. Eu não sei. Ela não me sabe. Eu não me sei. Será que ela se sabe?

Queria contar as vezes que queria que ela soubesse o que faz comigo, como faz sendo o que é. Sendo o que eu sei dela. Sendo ela. Sendo eu. Será que isso a faria se sentir melhor? Será que um dia ela duvidou de si? Queria poder conversar, contar, abraçar, tocar seus lábios. Porém, isso não passam de palavras jogadas em busca de um alívio intelectual. Em busca de mim. Em busca de paz com as escolhas que não fiz. Em busca dela... mas ela não está aqui. Lis...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.