Linked By Fate - Ligados Pelo Destido
1 I - Um Pouco Deles
Notas iniciais
Linked By Fate I — Um Pouco Deles
SOSUKE
Em uma madrugada de Tóquio, num beco escuro e escondido, um aglomerado de pessoas se reuniu em torno de uma caçamba de lixo fechada, em cima desta havia uma garota que tinha cabelos negros e curtos, possuía uma estatura mediana com olhos escuros, rosto arredondado com bochechas grandes e carnudas que combinavam com seus lábios finos. Usava roupas comuns para se misturar a multidão, estas a deixavam com uma cintura reta e coxas finas; aparentava ter entre 18 e 20 anos.
A mesma tinha sob a mão aberta um isqueiro aceso, segurava durante momentos e o desligava, acendia, esperava momentos e o desligava. Ela não demonstrava dor alguma, aliás, não demonstrava nenhuma expressão diante das pessoas impressionadas que jogavam alguns Ienes em um chapéu que estava nas mãos de uma menina menor que se assemelhava por demais com a garota do isqueiro, um corpo pequeno e tipicamente infantil, tinha cabelos longos até a metade das costas em alguns tons mais claros. Ela permanecia sempre de costas para com a que segurava o isqueiro, sua feição era de total curiosidade, estranhamente ela parecia relutante em se virar e observar a garota mais velha. Os olhos negros da maior que fitavam o vazio finalmente se moveram para observar de onde veio o barulho de sirenes de um carro da polícia.
Todas as pessoas ali presentes fizeram um grande alarido com vozes controladas e então correram para caminhos distintos. A garota do isqueiro correu até a mais baixa e tomou-lhe uma mão enquanto a outra segurava o chapéu, pegaram uma trouxa que reunia as poucas roupas que tinham e correram pelo beco, viraram a esquerda e seguiram a avenida sem um rumo planejado.
—Sosuke, pra onde vamos agora?- A menor indagou à garota do isqueiro. — Nós vamos continuar andando por ai como antes de ontem? Eu estou com fome... – Disse fechando seu casaco de zíper.
Alguns segundos se passaram no caminhar das duas enquanto a mais velha colocava as mãos nos bolsos do casaco de moletom preto após ter guardado o dinheiro que pegou do chapéu onde certa parte também colocou nos outros bolsos que se encontravam no shorts jeans.
—Não sei Minuka, talvez vamos alugar um quartinho, e comamos em alguma barraquinha, mas não tenho certeza. — disse Sosuke ríspida sem querer, como sempre.
—Certeza Suke? Eu já estou cansada, já está tarde. -Com a expressão fechada no rosto de Sosuke, silêncio pairou por alguns instantes. Minu que estava inquieta então suspira. -Sosuke, eu sei que já perguntei isso, e muitas vezes, mas você nunca me respondeu.
O silêncio permaneceu o mesmo, ouvia-se o barulho das ruas e seus passos, Sosuke fitava o horizonte sem parecer dar atenção a irmã.
—Bem.- Continuou -Por que você sempre foge quando tem algum policial vindo? Eu sei que você já se envolveu com coisas estranhas à alguns anos atrás mas você pode perguntar o que aconteceu com o papai e com a mamãe, você nunca me disse o que aconteceu com eles ou com a nossa casa, ou com qualquer coisas relacionada a nossa família. — Minu se encolheu, tanto pelo sono e pela fome que mas também pela tristeza de não saber o que houve com os pais. Com certeza isso era muito para uma criança de dez anos, mesmo ela sendo precoce e atrevida como era.
—Minuka, nós já conversamos sobre isso, algum dia eu vou te contar o que aconteceu e “por que” aconteceu, mas até esse dia chegar eu já disse que infelizmente vamos ter que continuar assim, e só te peço mais uma vez que tenha paciência e que continue a sempre olhar pra frente enquanto as pessoas te dão o dinheiro. Sabe que não pode olhar, não é ? — Diz a garota, inicialmente fria e metódica em suas palavras mas dando um toque teatral na última parte, estendendo a mão balançando os dedos para a irmã mais nova de modo com que as duas continuavam a andar.
—Mas Sosuke, quando é esse dia?
—Paciência é uma virtude Srta. Minuka Kobayashi, paciência é uma virtude.
—Virtude que eu não tenho!- Disse cruzando seus braços.
—Sosuke riu pela primeira vez naquele mês, soou até estranho para Minu ouvi-la rir em voz alta, Sosuke notou, desfez a expressão intimidadora que mantinha nas ruas para se defender e adotou a postura de irmã mais velha e amorosa que tentava sempre passar quando estava perto de sua irmã, ela suspirou abraçando a garota e seguiu pelas ruas em direção a algum lugar para dormir enquanto amanhecia naquele estranho inverno caloroso.
Com os belos raios solares que chegavam até elas, um pequeno medalhão herdado brilhava no punho de Sosuke.
ISAAK
Milhares de quilômetros dali, do outro lado do planeta já anoitecia no Brasil, uma noite quente e abafada de São Paulo. Um grupo de rapazes jogava bola numa quadra da periferia.
Dentre eles, um se destacava aos olhos, um mulato bronzeado com olhos claros de um tom verde musgo, corpo emoldurado como se fosse detalhado por um escultor. Um rapaz muito belo como um cavaleiro, mas não honrado como tal.
—VAMOS ISAAK! Toca pro gol! — Gritou um outro garoto já nervoso com o avanço sem resultado aparente.
—Calma Miguel! Já disse que vamos ganhar essa merda! — Gritou como resposta driblando com maestria alguns dos adversários passando a bola pela esquerda, pela direita, hora chutando alto fazendo-a passar por cima da cabeça de tais, ora fazendo-a passar por entre suas pernas.
Porém, à sua frente se formara uma barreira humana formada por vários adversários contrariados com sua forma quase invencível de jogar, mas estranhamente Isaak diminuiu a velocidade do avanço e olhou no fundo dos olhos de cada um deles.
— Saiam da frente seus trouxas!
“Magicamente" todos se afastam com um passo para trás, os olhos de todos eles estavam verdes assim como a cor dos olhos Isaak, assim, dando espaço para que o mulato passasse, já na grande área, ele deu um ótimo chute mandando a bola no canto entre o travessão e a trave direita, um gol que entraria para a história se não fosse uma simples partida entre rivais das ruas de cima e de baixo. Os garotos-zumbis-adversários que observaram o mulato, piscaram e voltaram ao normal com uma interrogação em sua face que logo deu espaço para discussões e brigas.
O rapaz foi rodeado e carregado por seus colegas que estavam radiantes pela vitória saborosa, ouviam-se palmas e gritos dos espectadores. O sorriso atrevido reinava na face do mulato que também acabava se divertindo com a raiva dos outros jogadores que brigavam entre si para saber o motivo deles não agirem quando necessário.
Isaak em meio à farra olha o relógio em seu punho e assume uma expressão dura, quase triste, ele constata que já estava na hora de voltar para casa para resolver compromissos.
Ele se despediu e seguiu por becos e vielas dentro de uma intricada floresta de pedra, a favela de Paraisópolis, que se ergueu em meio ao bairro do Morumbi que é famoso pela grande riqueza dos moradores; após pouco tempo ele chega em uma construção simples, de dois andares não muito grandes porém acolhedores; era sua casa.
Isaak entra e toma um bom banho, enquanto se banhava na água corrente de seu velho chuveiro elétrico pensava em todo discurso que tinha de fazer toda vez, já tentava se preparar emocionalmente para a discussão que estava se armando.
Ao sair do banheiro completamente vestido de um modo instigante, ele encontra Laura, sua mãe, com uma expressão endurecida. Ali a discussão começou.
—Para que essa arrumação toda, Isaak? — Lhe questiona sua mãe, uma mulata de cabelos negros cheios, longos e cacheados. Olhos castanhos claros e rosto simétrico, seios fartos e quadris largos com coxas grandes, uma beldade do gueto, amada por todos e criticada por muitos.
Isaak fica estático diante da pergunta, todo seu texto foi por água à baixo, como era de costume. Ela já sabia bem para onde ele pretendia ir.
—Mãe, eu...
—Nada de "mãe", Isaak! Você sabe muito bem o que acho disso. Você não vê que a qualquer hora você vai acabar com a sua vida? Não vê que isso acaba com você e com sua dignidade, meu filho?
—Mãe, nós precisamos desse dinheiro, ele não cai do céu! Você fala de honra, que honra eu posso ter? Órfão de pai, morador da Favela, podre até dizer chega; e com o pior padrasto do mundo que me inferniza todos os dias nessa casa! Esse seu namoradinho vagabundo não pensa em nada além de ir para as “festas dos colegas da empresa” como diz ele. Nem trabalho ele tem, que empresa é essa?
—Isaak, por que você sempre o envolve nisso? Ele não tem nada haver com isso que você faz. E outra, eu nunca te pedi para chama-lo de pai ou coisa do tipo, mas respeite-o como o seu padrasto que é. E é graças a ele que ainda vivemos aqui.
—Claro, viver na casa que o meu pai havia acabado de construir antes de morrer foi do interesse dele, não precisou trabalhar nada.
—Mas foi graças a ele que não fomos expulsos com os impostos, o preço desse terreno era altíssimo! Esqueceu que mesmo sendo uma favela, moramos em um bairro caro!
—Pare de defender o vagabundo dona Laura, quem pagava aqueles impostos era o meu pai mesmo depois de morto com o pouco que ele deixou no banco, graças ao trabalho árduo que ele tinha naquela fábrica da O.D.E.M.
—Vagabundo? -A mãe de Isaak riu debochadamente com ironia. -Você o chama de vagabundo, mas que trabalho é esse que você tem? Se prostituir nessa maldita Rua Augusta pra conseguir esse dinheiro? Veja onde chegamos, os prostíbulos do século passado ficaram à céu aberto e sobre o asfalto, nas calçadas. É engraçado ouvir isso de você, que pode até conseguir comprar muito para você mas ainda vive dentro dessa casa que você diz odiar tanto. Quanto é que vale esse seu dinheiro sujo?
Isaak ficou em silêncio ao ouvir isso, ouvir a verdade doía, ouvi-la o repreender por isso abria feridas e trazia lembranças de acontecimentos que o faziam sofrer.
Isaak suspira e vira as costas em silêncio se dirigindo a saída enquanto segura seu medalhão ao peito.
—A onde você vai Isaak?
Com um suspiro angustiado Isaak diz antes de bater a porta: — Conseguir mais dinheiro sujo para essa casa.
DOMINIK
Dando mais uma volta ao mundo, atravessando o pacífico em direção ao mar polar ártico encontramos a Rússia, nela, milhões de pessoas. Cada uma entretida com sua vida, em uma universidade do sul não era diferente com seus universitários; ou pelo menos era para ser assim.
Em uma sala de aula vazia no segundo andar, vemos um rapaz, de olhos escuros, cabelos um tanto longos no rosto proporcionando uma franja preto breu. Ele tinha uma alta estatura com roupas escuras. Ele estava com um caderno rabiscado com estruturas de pontes e prédios, quando deixa o desenho de lado para pensar na carreira em que queria trabalhar, ser arquiteto sempre foi seu sonho.
Um pensamento lhe atravessa a mente; uma grande ponte, com torres em cada extremidade que se interligavam com cabos de sustentação e seguravam sobre o ar uma extensa pista com vários carros. Quando de repente ele se assusta com o sinal sonoro extremamente alto de sua universidade avisando o término do seu intervalo.
No momento em que o rapaz abre os olhos, seus lápis estavam flutuando a sua frente formando a silhueta dessa mesma ponte, porém, não só os lápis mas também as mesas e cadeiras da sala estavam subindo pelo ar. Entre seus olhos, seu medalhão o incomodava. O pensamento de pânico ao imaginar seus colegas entrando na sala e o encontrando no meio disso faz com que tudo venha ao chão com um enorme estrondo. Seu amigo que estava prestes a entrar na sala se assusta com o estrondo e abre a porta sobressaltado.
—Dominik?! — Gritou o Ygor para ele preocupado.
O moreno, assim como uma criança pega no flagra fazendo bagunça, disfarça e finge que nada aconteceu.
Ygor olha a sala de cima a baixo tentando entender o que aconteceu ali.
—Que estrondo foi esse? -pergunta continuando a observar o local que estranhamente estava do mesmo jeito.
Dominik que estava estático com os olhos arregalados observa em volta e agradece pelas mesas que caíram de pé, ainda bem, ninguém poderia saber desse segredo!
—Que pancada? Você diz o nosso sinal? – Disse receoso.
—Eu tenho certeza que ouvi algo aqui...- Ygor responde tentando encontrar algo de estranho, ele sabia que ouvira algo,
Ygor era o melhor amigo de Dominik, era um rapaz alto, 1,84 para ser mais exato. Era desprovido de físico atlético porém não ligava para isso pois; era congratulado em diversas modalidades de luta.
— Hm, impressão sua.- Dominik assume sua feição séria para fazê-lo deixar o assunto de lado. -Vamos? Nós vamos para a sala 37 do Pavilhão E.- Diz o moreno pegando os lápis espalhados na mesa e seu caderno pondo-o na bolsa transversal que continha todo seu material. — Qual matéria de agora? Sabe? -
E Ygor simplesmente responde – Não, vamos.
NINA
Ainda ao lado vamos para a Europa, a Grécia, a melhor faculdade da Grécia no caso. Uma jovem estonteante se ajeitava diante do espelho do banheiro de lá.
Ela era parda, cabelos em castanho escuro, seus olhos eram castanhos uniformes. Ela trajava um vestido branco simples ombro-a-ombro com estampas florais que davam um toque de realce em seus seios, uma sapatilha com fitas até metade dos tornozelos fortes. Trajes simples mas que adornavam sua beleza de um modo descomunal. Tinha a altura de uma modelo, claro, nada de anormal para uma das revelações mais bombásticas das revistas e passarelas, a famosa Nina Glavan Kanelos, filha de Frederick Kanelos, o dono da maior grife da atualidade. Ela possuía lábios grossos com bochechas fundas que entravam em harmonia com seus olhos minimamente cerrados por um distante parentesco asiático, uma beleza moderna e conceitual.
—Então Nina? Vamos?- Uma outra menina de cabelos loiros, curtos e cacheados a chamou. – O Sr. Burnier provavelmente esta irritado com nossa demora, ele gosta de implicar com você, diz que mesmo que você seja modelo, não tem regalias, uma bolsa de grife e um salto alto não lhe ensinam a utilizar um cateter venoso central.
— Sim Karina, já vou, estava dando um retoque em minha maquiagem, já fiquei dois meses depois das aulas para estudar com ele, e olhe que foi por vontade própria! Paguei e pago caro para aprender mais de medicina, acho que não há problema de eu vir ao banheiro pelo menos uma vez sem real necessidade. Daqui terei uma cessão para aquela revista de moda que você gosta, tenho que estar bem, não é?
Diz ela rindo de um modo doce e por ultimo passando a mão pelo punho onde estava uma pulseira de cordas com um medalhão.
—Com certeza, tenho certeza que você vai estar maravilhosa, parece que o estúdio foi feito para você. – Disse Karina com sinceridade.
—Pronta, vamos voltar antes que ele mande alguém atrás de nós. Acho incrível que em um lugar como esse com centenas de alunos ele repare apenas em nós.
Nina e Karina se dirigiram a porta com Karina na dianteira.
—Verdade! Uma injustiça! Ele...- Karina passou pelo batente da porta mas outra garota entrou no mesmo momento em que esta saía prensando-a no batente da mesma.
—Ai! — Gritou ela olhando o punho que se cortou na beirada da maçaneta, e onde um filete de sangue escorria carmim. -Olhe por onde anda! Está cega? Sua, sua… — Se conteve segurando o punho ferido.
Nina vê a cena e olha para a garota desconhecida que se faz de indiferente passando por ela entrando rapidamente em uma cabine. A mais alta vai até Karina e olha seu punho e a puxa para o corredor em frente a uma janela com vasos lotados de flores cheias de vida.
—Céus Karina, vamos ter que cuidar disso, irá infeccionar se continuar sem cuidados assim, essa é a melhor faculdade da Grécia mas ainda assim não fiscalizam as maçanetas! Deixe-me ver melhor.
Nina pega nas mãos de Karina e já ciente do que faria, olhou em volta em busca de uma distração e disse. -Hey! Olha o Fernando passando ali! — Ela se referia a uma paixonite de Karina, para que assim ela olhasse para o outro lado.
A garota inocentemente olhou para trás, nesses poucos segundos um brilho verde fosforescente, leve porém intenso foi extraído das flores e encaminhados para Nina que por sua vez, emanou de suas mãos para o ferimento; Assim, algo extraordinário aconteceu, o ferimento rapidamente fechou e se cicatrizou. Nina logo em seguida solta a mão da amiga e sai andando em direção a sala com as mãos na cabeça sentindo dor.
—Não, ele não está por aqui não...- Diz Karina voltando a olhar para frente e para Nina que já havia soltado sua mão e já estava caminhando em frente. — Nina, para onde vai? Você não disse que ia dar uma olhada no meu...- Ela pausa frase pois, olhando para o local do "machucado" havia apenas sua pele leitosa, intacta.
Ele se espanta de tal forma que começa a balbuciar coisas mas vai até Nina perguntando o que havia acontecido; deixando para trás o corredor com uma janela com vasos lotados de flores mortas e murchas.
GUSTAV
Ainda na Europa, temos a França, em Paris temos uma grande distribuidora de carnes onde trabalha um rapaz esforçado que estava carregando grandes peças. O que mais nos chama a atenção é que estas peças são deveras pesadas. Enquanto uma peça era carregada com dificuldade por dois rapazes fortes, o nosso rapaz carregava simplesmente e incrivelmente quatro peças! Duas sobre cada ombro.
As pessoas se impressionavam quando o viam fazer isso, e uma das coisas que mais chamavam a atenção é que, ele não era alguém aparentemente Fisiculturista. Ele era um rapaz avantajado em relação a músculos porém nada extravagante, ele dizia sempre que aquilo era apenas técnica. O que era extravagante no rapaz eram a cor de seus cabelos, o ruivo natural e olhos extremamente verdes num tom oliva; esse era Gustav Lamartine Burnier.
—Gustav, como você consegue? Isso chega a ser bizarro.- Comentou Lucca, um rapaz de cabelos lisos e pretos, um rapaz da supervisão que era seu amigo desde a infância. -
Desde quando éramos pequenos você nunca me disse como consegue fazer isso, essa tal técnica, qual o seu segredo? Jogar nos ombros, dividir o peso, tomar anabolizantes? Você sempre foi como um "Troll" em nossa época de escola, grosseiro e forte.
—Tantos seres fortes para me comparar, Minotauros, Ciclopes, até Centauros servem, mas um "Troll"?!- Diz contrariado pondo as carnes no local indicado.
— Desculpe, foi o melhor que consegui pensar, tem algo contra?- Diz o jovem rapaz rindo.
Alguns minutos depois, após o expediente os dois seguiam andando ao pé de uma grande avenida e conversavam amenidades sobre algo qualquer.
—E então mon ami, fez aquele curso de inglês?- Lucca pergunta sem muito interesse aparente.
—Oui, eu terminei sim, mas eu penso que é só viajando para fora do país para poder falar o real fluente, mas a ideia de faculdade me impede de viajar, quero aprender logo a dar aulas, já perdi muito tempo da minha vida com nada.-
—Pelo menos seus pais que são professores devem te dar alguma ajuda em casa em relação a isso, não? Seu pai dá aulas na Grécia não é? — Questionou Lucca quando chegaram aos pés da ladeira, de servia de acesso para a avenida que os rapazes seguiram, Gustav morava subindo a mesma, Lucca tinha de seguir em frente para atravessar a rua.
—Mais ou menos, eles ajudam um pouco, mas depois que eles foram para lá, eu converso pouco com eles, minha mãe está atolada até ao pescoço com pesquisas na empresa em que ela trabalha, e ele vai de brinde já que as suas aulas são financiadas pela empresa em que ela trabalha. Isso lhes ocupa muito tempo.-
Gustav olhou onde estavam, a grande esquina de um grande cruzamento, a sua direita havia a grande avenida de mão dupla, três pistas para cada, a mesma era divididas por muretas simples de concreto, a sua frente, era a faixa de pedestres para continuar seguindo pela lateral desta avenida e a sua esquerda subia a grande ladeira. -Chegamos, aqui nos despedimos não é?
—Oui, hoje vou visitar minha tia.
—Ah entendo, então à demain.
—À demain Gustav. — Diz o rapaz Lucca que começa a atravessar a rua enquanto Gustav se virou para subir.
Porém a atenção dos dois é voltada para um caminhão que descia a ladeira de modo desgovernado, estranhamente estava sem motorista, e este fazia um rastro de destruição pelo seu trajeto que o levava diretamente até Lucca que estava exatamente no meio da faixa.
—LUCCA!
Em um pensamento rápido, Gustav corre até ele e se posiciona a sua frente com braços entendidos na frente do corpo como um "X" e neste exato momento o caminhão chega até eles e os atropela.
Pelo menos era o que teria que ter acontecido, mas o caminhão foi se amassando pela frente e sua traseira foi levantando assim este ficou de pé e voou caindo ao centro da avenida onde alguns carros tiveram a infelicidade de colidir antes de frear.
Em meio àquele caos e toda aquela nuvem de poeira, as pessoas esperavam ver o que deveria ser os corpos esmagados dos garotos mas quando a poeira abaixou, todos os presentes viram Gustav em pé parado em meio a destroços com alguns metais ainda presos em seus braços e Lucca em estado de choque caído atrás de si sangrando com olhos arregalados.
Fale com o autor