Linhas da Vida
1 Lembranças
A vida é um piscar de olhos, é um fechar constante das pálpebras para que possamos olhar para o nosso próprio interior, estarmos diante da imensidão que o nosso ser representa, estarmos diante daquilo que menos esperamos encontrar assim que cerramos nossos olhos. A vida não é sempre um mar de rosas, mas quando nos fechamos e entramos em nós mesmos, é o momento que temos para estar presentes em cada instante da nossa consciência.
A metáfora que a nossa vida é quando estamos em nós mesmos, naqueles instantes em que não pensamos demais sobre a nossa própria existência, é aquela curiosidade quando voltamos ao passado ou imaginamos o futuro sobre as nossas próprias emoções. Emotivo somos quando pensamos no passado, aquela alegria contagiante em que podemos abrir o sorriso mais aberto e mais sincero da nossa existência.
É aquele instante em que sentimos o peso de um presente, sentimos o quão importante somos para aquelas pessoas, o quanto somos criados para sermos uma grande forma de carinho e proteção enquanto estamos confortáveis naqueles que nos querem bem. Somos a leitura do momento, somos o odor do carisma, somos a força que os fortalece, estamos aquela criatura que muitos querem o bem, mas também há aqueles que querem nosso mal, porque somos essa luminosidade que falta na vida deles.
Aquele caminhar que temos para encontrar aquele que há muito queríamos conhecer, ver a alegria e o sorriso de quem um dia desejamos estar ao lado, saber muito bem que aquele encontro era um encontro mais que necessário, o encontro que necessitamos ter em nosso cotidiano. Não é somente um encontro de duas pessoas, é o conjunto de duas meras realidades que uma singela conversa aleatória e perdida em uma rede se tornou realidade.
Quando fechamos os nossos olhos e lembramos de cada momento que um longo tempo distante poderia indicar, estamos aqui, diante da nossa própria memória, que atuamos de maneira muito próxima e vivida. É normal chorarmos por isso, é mais do que normal termos o sentimento à flor da pele de que aquele momento foi um momento alegre.
Estamos sentindo cada vez menos, porque deixamos de expor aquilo que sentimos, então quando a gente se permite ser verdadeiramente conosco, estamos expondo os nossos sentimentos, mesmo que sozinhos, deitados em uma cama, no conforto das nossas cobertas, abraçados pelos nossos travesseiros. Contudo, não estamos sozinhos, não numa forma universal, mas mental e espiritual, podemos não ter aquela presença mútua no nosso lado todos os dias, mas estamos com ela nas nossas lembranças, nas nossas preces e nos nossos anseios de querer novamente em um dia estarmos reunidos.
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